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Jornalismo vagabundo do Globo entrevista Flávio Bolsonaro mas não questiona suas respostas

O Globo publica hoje uma entrevista com Flávio Rachadinha Bolsonaro, que deve ter sido feita por e-mail, pela falta de questionamento às respostas evasivas do entrevistado. 
 
Não há outra explicação para o fato de o repórter ter aceitado sem questionar, por exemplo, a resposta de Flávio se o presidente Bolsonaro teria prevaricado ao não acionar a Polícia Federal ou o Ministério Público quando foi avisado das suspeitas na compra da Covaxin.
Óbvio que não teve prevaricação. O presidente informou ao ministro da Saúde (na época, Eduardo Pazuello) o que tinha sido relatado. O ministro, na sua hierarquia de comando, cobrou também algum retorno, se havia algo de irregular. O retorno foi que não havia nada irregular, processualmente falando. Nada tinha de materialidade ali (na denúncia).
Quer dizer que não havia irregularidade em pagar adiantado por vacinas, o que não estava previsto em contrato? Mais: pagar adiantado a uma empresa de fachada, que também não estava citada no contrato? Se não era irregular, era o quê?
 
Como não havia materialidade? Estava no contrato. A empresa destinatária do dinheiro não constava dele. Havia os e-mails de funcionários pressionando o irmão do deputado para que liberasse o pagamento irregular. Nada disso foi questionado.
 
Segue o repórter:
Há algum algum documento ou registro mostrando que o presidente comunicou a Pazuello e que alguma providência foi tomada?
Flávio: - Acredito que não. Isso acontece muito pelo telefone. “Olha, tem uma denúncia aqui, uma suspeita de irregularidade no contrato tal. Dá uma olhada e vê se tem algo de irregular”. Aí avaliam que não tem nada e falam: “Chefe, a princípio não tem nada”. Não tem por que acusar o presidente Bolsonaro de prevaricação.

Acontece muito pelo telefone?! Uma negociação de R$1,6 bilhão, com US$45 milhões a serem pagos como adiantamento, fora do contrato, a empresa de fachada, também fora de contrato, e a resposta da cadeia de comando é "Chefe, a princípio não tem nada"? Mas, se não tinha nada, porque o contrato foi desfeito somente após a denúncia?
 
A pergunta que fica é: para que fazer uma entrevista dessas? A quem serve, se o entrevistado responde o que quer sem questionamento?
 
Esse é o jornalismo declaratório vagabundo que temos hoje. Em grande parte por isso é que os Bolsonaro estão no poder destruindo o país, impunemente.





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Se Folha lesse a Folha não teria caído na mal contada história da propina de US$1 por cada uma de 400 milhões de vacinas


Na noite do dia 29 de junho, a Folha publicou reportagem de Constança Rezende com denúncia de que funcionário do ministério da Saúde teria pedido US$1 de propina por cada uma das 400 milhões de vacinas AstraZeneca que um intermediário tinha a oferecer, via empresa Davati Medical Supply. A proposta teria acontecido no dia 25 de fevereiro. 
 
O esquema foi revelado à repórter pelo funcionário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que a teria procurado para fazer a denúncia.
 
Com a publicação da matéria, um verdadeiro barata voa correu as redes e o mundo político. A CPI da COVID convocou o funcionário para depor à Comissão - o que ele fez hoje, dia 1.
 
Em seu depoimento, Dominguetti Pereira lançou outra bomba, um arquivo de áudio onde o deputado Luis Miranda, que denunciou corrupção na compra da vacina Covaxin, supostamente negociava vacina. O deputado imediatamente deu declarações  afirmando que o áudio era fruto de montagem e a conversa teria ocorrido no ano passado tratando da aquisição de luvas e não de vacinas.
 
Começaram as especulações de que a tal propina de US$1 teria sido uma ação de contrainformação do governo para desacreditar o deputado e livrar a cara do governo Bolsonaro no caso da Covaxin.
 
Todo esse sururu poderia ser evitado, caso a Folha tivesse consultado seus arquivos sobre venda de vacinas da AstraZenica. Encontraria uma reportagem de 21 de janeiro (um mês antes do tal encontro da propina, que teria ocorrido em 25 de fevereiro), de Julia Chaib e Ricardo Della Coletta, que tratava de uma nota da AstraZenica, onde a farmacêutica negava a possibilidade de venda por intermediários, como a empresa Davati Medical Supply. 
A AstraZeneca, porém, divulgou comunicado na qual informa não ser possível "disponibilizar vacinas para o setor privado".
"Nos últimos sete meses, trabalhamos incansavelmente para cumprir o nosso compromisso de acesso amplo e equitativo no fornecimento da vacina para o maior número possível de países ao redor do mundo", diz a nota.
"No momento, todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado". [Folha e imagem reproduzida aqui, que é um print da página da AstraZeneca]
Se a AstraZeneca afirmou só negociar diretamente com países, por que funcionários do ministério da Saúde caíram na conversa do vendedor da Davati?

Por que a mesma pergunta não foi feita pela Folha ao denunciante?
 
Alheio ao desmentido do deputado Luis Miranda sobre o conteúdo do áudio divulgado hoje, Bolsonaro, em sua live de hoje à noite, já disse que sua equipe está produzindo vídeos para aproveitar o fato.
 
E tudo começou com a reportagem da Folha...




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Bolsonaro pediu: 'Me chama de corrupto'. O povo atendeu: 'Corrupto!'

Até recentemente, bolsonaristas raiz diziam que se podia chamar Bolsonaro de tudo - genocida, assassino, ignorante, incompetente, psicopata, mas de corrupto, não. 
 
Para esse pessoal, Bolsonaro viver a vida toda à custa de expedientes como deputado, usando verba do auxílio residencial "para comer gente", nomeando funcionário em Angra (a Val do Açaí) para pagar o salário do caseiro de sua casa naquela cidade, fora as rachadinhas em seu gabinete e nos dos filhos Flávio e Carlos, nada disso era corrupção.
 
Mas agora a casa caiu. Denúncias recentes mostram que o ministério da Saúde está aparelhado por uma quadrilha, que se aproveitou da pandemia, que já causou a morte de mais de 500 mil brasileiros, para lucrar, e muito, com o kit Covid, cloroquina, ivermectina, e agora com a venda das vacinas.
 
Apenas nos últimos dias, ficamos sabendo dos esquemas com as vacinas Covaxin (R$1,6 bi), a chinesa CanSino (R$5 bi) e ontem à noite foi revelado o esquema que se tentou montar para a venda da AstraZeneca, que renderia ao grupo criminoso um dólar por vacina comprada pelo ministério, num universo inicial de 400 milhões de doses - ou seja 400 milhões de dólares, R$1 bi.
 
Logo o ministério da Saúde, onde há mais de 20 militares no comando, especialmente no setor de logística, levados pelo general Pazuello. [clique aqui e veja a turma de militares e seus cargos, em imagem da BBC]. Será por isso que Pazuello, mesmo afastado do comando do ministério, pilota hoje um cargo administrativo juntinho de Bolsonaro? Será por isso que o Exército decretou 100 anos de silêncio sobre a decisão de não punir Pazuello por sua participação em comício eleitoral de Bolsonaro?
 
Está aí o desafio feito por Bolsonaro tempos atrás para que o chamassem de corrupto. Teria coragem de fazer o mesmo hoje?








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Bolsonaro chama Pazuello ao Palácio: Puxa essa carroça da Covaxin pra mim aí, talquei


Para se livrar da acusação de prevaricação, que pode lhe custar o mandato, Bolsonaro chamou o ex-ministro da Saúde general Pazuello ao Palácio na noite de quinta e tratou de mandar o recado. Que Pazuello vestisse a cangalha e preparasse o lombo, porque teria de assumir a missão de levar a culpa ou arrumar outro nome na linha de transmissão de comando, no caso de corrupção na compra da vacina Covaxin.
 
Como o deputado Luis Miranda e seu irmão, Luis Francisco, funcionário do ministério da Saúde, afirmam que entregaram a Bolsonaro pessoalmente a denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin, Bolsonaro tem que dizer que tomou uma atitude, ou então prevaricou, que é quando o funcionário público toma conhecimento de uma irregularidade e nada faz.
 
A saída de Bolsonaro é a de sempre: botar a culpa em alguém. No caso vai ser o general Pazuello, o Queiroz da vez. 
 
Como tudo aconteceu durante o período da passagem de bastão de Pazuello para Queiroga, o general deve jogar a cangalha nas costas de alguém e alegar que não sabe que providências foram tomadas porque saiu do ministério...
 
Talvez esteja aí a explicação do pedido de sigilo de 100 anos do processo em que o comandante do Exército não puniu Pazuello: ele sabe muito sobre a linha de transmissão da corrupção no ministério e essa envolve muitos militares que se acotovelam por lá até hoje.





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O que falta ao governo é explicar o papel de Bolsonaro nessa história enrolada da Covaxin. Se não fez nada, cometeu crime de prevaricação


De outra de nossas experientes jornalistas políticas, Helena Chagas, no Jornalistas pela Democracia.
Bolsonaro tem que se explicar

De todas as histórias mal-contadas do governo Bolsonaro, a cena montada ontem no Planalto pelo ministro Onyx Lorenzoni para tentar defender  Jair Bolsonaro  no caso das irregularidades apontadas na operação de compra da vacina Covaxin parece ter sido a pior. E olha que são muitas. Mas essa nos fez lembrar – nós, jornalistas de meia idade – da Operação Uruguai, montada na tentativa de explicar com empréstimo mandrake no exterior os rendimentos do então presidente Fernando Collor. Deu no que deu: impeachment.

Com versículos da bíblia e ameaças ao estilo mafioso aos irmãos Miranda, o deputado Luiz (DEM-DF) e o servidor do Ministério da Saúde Luiz Antônio, o ministro tentou encenar indignação. Mas não deve ter convencido nem a própria família. Agravou a situação ao trair o nervosismo, quase desespero, que tomou conta do Planalto.

Em vez de dizer que iria mandar investigar as denúncias – que, até segunda ordem, podem ou não ser verdadeiras – , o ministro jogou as instituições e orgãos de apuração sob o controle do Executivo contra os denunciantes… É um claro abuso de poder, que a CPI da Covid já apontou e resolveu também investigar. Agora pela manhã, o senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou requerimento convocando o próprio Onyx para depor.

Espetáculos à parte – já que a CPI também é especialista neles – , o que falta concretamente ao governo é explicar o papel de Bolsonaro nessa história enrolada. Independentemente de as denúncias envolvendo o favorecimento a empresas na compra da Covaxin virem ou não a ser comprovadas, o presidente tem que dizer se tomou alguma providência para sua apuração.

O Planalto começa a montar uma nova versão de que o presidente teria acionado seu então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – aquele que nunca desmente o chefe. E o que ele fez? Ouviu a denúncia e ficou quieto? Ou acionou a PF ou o MP para investigar o caso? E o presidente, nunca mais perguntou nada? É simples assim: se não fez nada, cometeu crime de prevaricação.






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Esquema bilionário de corrupção no governo Bolsonaro pode finalmente levar a seu impeachment


O servidor do ministério da Saúde Luis Fernando Miranda e seu irmão, o deputado federal pelo DEM do DF Luis Mirandam denunciaram esquema bilionário de corrupção no Ministério da Saúde, sob gestão de Pazuello (será por isso que Exército pediu sigilo de 100 anos sobre o caso?), na compra da vacina Covaxin. 
 
A resposta do governo Bolsonaro não foi investigar o esquema denunciado, mas botar a Polícia Federal para investigar deputado e irmão e ainda mandar o Ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni ameaçá-los em rede nacional. Confira:


O deputado Luis Miranda confirmou que ele e o irmão irão à CPI da COVID, ou da Pandemia ou do Genocídio, neste sexta-feira,  onde confirmarão todo o esquema, que teria sido informado a Bolsonaro em março sem que, aparentemente, o presidente tenha tomado qualquer atitude para barrá-lo ou mesmo investigá-lo. 
 
Miranda afirmou que irá solicitar proteção para toda a família, diante das ameaças que diz estar sofrendo por denunciar o esquema bilionário de corrupção. Confira:



Se o deputado Luis Miranda e o irmão mantiverem as acusações amanhã na CPI, dificilmente Bolsonaro escapa de um processo de impeachment por corrupção, caso se prove que ele não só soube como se aproveitou do esquema, ou por prevaricação, por ter tomado conhecimento do esquema e nada ter feito para coibi-lo. 
 
É melhor Jair melhorando as instalações da Papuda que amanhã pode vir a seu seu destino por um bom tempo...





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Procuradora manda investigar corrupção na aquisição superfaturada em 1000% da vacina indiana Covaxin pelo governo Bolsonaro


O Ministério Público puxou uma pena e veio uma galinha imensa e gorda, com um superfaturamento de 1000%, na investigação cível da compra da vacina Covaxin pelo governo Bolsonaro, com empenho pessoal do presidente.
 
A procuradora do caso, Luciana Loureiro, viu indício de crime e mandou o caso para ser investigado na área criminal.
O Ministério Público Federal (MPF) identificou indícios de crime na compra feita pelo Ministério da Saúde de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin e pediu que o caso seja investigado na esfera criminal. Até então o caso vinha sendo apurado dentro de um inquérito que tramitava na esfera cível. O contrato para a compra da Covaxin totalizou R$ 1,6 bilhão.

Os indícios de crime foram mencionados pela procuradora da República Luciana Loureiro, que vinha conduzindo as investigações na esfera cível. Em despacho assinado no dia 16 de junho, Loureiro disse que as “a omissão de atitudes corretivas” e o elevado preço pago pelo governo pelas doses da vacina fazem com que o caso seja investigado na esfera criminal. O contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde a empresa Precisa, que representa o laboratório indiano Bharat Biotech.

“A omissão de atitudes corretivas da execução do contrato, somada ao histórico de irregularidades que pesa sobre os sócios da empresa PRECISA e ao preço elevado pago pelas doses contratadas, em comparação com as demais, torna a situação carecedora de apuração aprofundada, sob duplo aspecto cível e criminal uma vez que, a princípio, não se justifica a temeridade do risco assumido pelo Ministério da Saúde com essa contratação, a não ser para atender a interesses divorciados do interesse público”, diz a procuradora. [O Globo]

O governo "sem corrupção" vai ter que explicar por que comprou a vacina mais cara, que ainda nem havia sido aprovada pela Anvisa, com um superfaturamento de 1000% e a intermediação de uma empresa que não é do ramo de vacinas e está sendo investigada por não entregar material, pelo próprio Ministério da Saúde. 

É caso para um torcicolo de girafa.






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Se o que faltava para cair era corrupção, não falta mais: Governo pagou 1000% a mais por vacina indiana


Reportagem de Julia Affonso no Estadão traz a denúncia de que o governo Bolsonaro teria comprado a vacina indiana Covaxin por preço 1000% mais alto do que anunciado anteriormente pelo próprio fabricante. E mais, contrariando política do ministério, a compra foi intermediada por empresa suspeita, sem concorrência. Com dois agravantes: a vacina ainda não havia sido aprovada pela Anvisa e a ordem de compra teria partido do próprio Jair Bolsonaro.
Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado, ao qual o Estadão teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose).

Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia “custaria menos do que uma garrafa de água”. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) – a mais cara das seis vacinas compradas até agora.

A ordem para a aquisição da vacina partiu pessoalmente do presidente Jair Bolsonaro. A negociação durou cerca de três meses, um prazo bem mais curto que o de outros acordos. No caso da Pfizer, foram quase onze meses, período em qual o preço oferecido não se alterou (US$ 10 por dose). Mesmo mais barato que a vacina indiana, o custo do produto da farmacêutica americana foi usado como argumento pelo governo Bolsonaro para atrasar a contratação, só fechada em março deste ano.

Diferentemente dos demais imunizantes, negociados diretamente com seus fabricantes (no País ou no exterior), a compra da Covaxin pelo Brasil foi intermediada pela Precisa Medicamentos. A empresa virou alvo da CPI da Covid, que na semana passada autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário de um de seus sócios, Francisco Maximiano. O depoimento do empresário na comissão está marcado para amanhã.

Os senadores querem entender o motivo de o contrato para a compra da Covaxin ter sido intermediado pela Precisa, que em agosto foi alvo do Ministério Público do Distrito Federal sob acusação de fraude na venda de testes rápidos para covid-19. Na ocasião, a cúpula da Secretaria de Saúde do governo do DF foi denunciada sob acusação de ter favorecido a empresa em um contrato de R$ 21 milhões.

A Precisa tem como sócia uma outra empresa já conhecida por irregularidades envolvendo o Ministério da Saúde – a Global Gestão em Saúde S. A. Ela é alvo de ação na Justiça Federal do DF por ter recebido R$ 20 milhões da pasta para fornecer remédios que nunca foram entregues. O negócio foi feito em 2017, quando o ministério era chefiado pelo atual líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), do Centrão. Passados mais de três anos, o ministério diz que ainda negocia o ressarcimento.

Em depoimento ao Ministério Público, um servidor do Ministério da Saúde aponta “pressões anormais” para a aquisição da Covaxin. O funcionário relatou ter recebido “mensagens de texto, e-mails, telefonemas, pedidos de reuniões” fora de seu horário de expediente, em sábados e domingos. Esse depoimento está em poder da CPI.

O servidor assegurou que esse tipo de postura não ocorreu em relação a outras vacinas. O coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde do Ministério da Saúde, Alex Lial Marinho, foi apontado como o responsável pela pressão.

O interesse do Brasil na Covaxin foi registrado formalmente em carta de Bolsonaro ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em 8 de janeiro. Na ocasião, o brasileiro informou ter incluído o imunizante no Plano Nacional de Imunização. 

Como o empresário Francisco Maximiano vai falar amanhã à CPI da COVID, também conhecida como da Pandemia e do Genocídio, ele terá como explicar o milagre da multiplicação dos preços. 

O que não conseguirá explicar é por que Bolsonaro resolveu comprar uma vacina ainda em fase de testes em vez da Pfizer, que lhe fora oferecida 100 vezes, e já aprovada e sendo utilizada nos EUA.







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Primeiro ministro da Índia é vacinado com Covaxin para tentar barrar críticas à vacina, que foi comprada pelo Brasil


O primeiro ministro indiano Narendra Modi fez questão de se vacinar com a Covaxin, no primeiro dia da nova campanha de vacinação na Índia.

Modi publicou imagem da vacinação em seu perfil no Twitter [imagem acima], onde conclamou a população a se vacinar e elogiou cientistas e médicos do país pela conquista da vacina contra a COVID-19.
 
Seu objetivo, além de incentivar a vacinação em meio a grupos negacionistas, foi também buscar atestar a segurança da Covaxin, em meio a dúvidas levantadas por ONGs e alguns cientistas do país, que criticam a forma como foram feitos alguns testes da vacina (sobre isso, leia aqui: Vacina indiana Covaxin comprada por Bolsonaro por R$1,6 bi de empresa investigada pode ter testes anulados na Índia por irregularidades). 
O ministro da Saúde da União, Harsh Vardhan, disse que ao tomar Covaxin o primeiro ministro deu uma mensagem clara ao país. "Ele tomou a Covaxin, contra a qual muita desinformação foi espalhada mesmo quando é cientificamente perfeita", disse ele à agência de notícias ANI. [Fonte]
É bom lembrar que a Covaxin ainda está na fase de testes e foi aprovada em caráter de urgência para tentar conter a pandemia naquele país.
 
Eles dão preferência à própria vacina porque lá a vacinação também é gratuita, como no Brasil. Já o Brasil optou por uma vacina ainda em fase de testes e mais cara do que algumas outras já utilizadas no mundo, tendo como intermediária uma empresa envolvida em fraudes na área da saúde, por um motivo que ainda não foi explicado.



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Vacina indiana Covaxin comprada por Bolsonaro por R$1,6 bi de empresa investigada pode ter testes anulados na Índia por irregularidades


Reportagem da CNN internacional mostra que a fase 3 de testes da Covaxin na Índia pode ser toda anulada por irregularidades nos procedimentos. A Covaxin foi comprada pelo governo Bolsonaro por R$1,6 bilhão, mesmo ainda estando em fase de testes.
 
"Voluntários" foram a público dizer que não sabiam que participavam de um teste, que achavam que estavam sendo vacinados.
 
As denúncias surgiram a partir do aparecimento de casos em hospitais de pessoas com algumas reclamações de saúde e que diziam haver tomado a "vacina".
 
O que acontece, e pode levar à anulação da fase 3 de testes, e, repito, segundo as denúncias, é que os testes não seguiram as diretrizes científicas da Anvisa indiana.
 
Uma van teria percorrido um vilarejo miserável da Índia anunciado que pagaria 750 rúpias a quem quisesse receber a vacina. O valor é maior do que o salário de um dia de trabalho e, além disso, a pessoa receberia a vacina.
 
Só que não se tratava de vacina, mas de teste, algumas pessoas receberam a Covaxin e outras não, apenas placebo. E não teriam sido informadas disso, o que é irregular.
 
Como geralmente acontece, o laboratório fabricante da Covaxin nega tudo e afirma ter obedecido a todos os protocolos.
 
Alguns cientistas salientam também que o local escolhido para testes seria problemático porque lá teria ocorrido um desastre ambiental provocado por uma nuvem de gás tóxico da Union Carbide na década de 1980, que matou dezenas de milhares de pessoas, atingiu mais de 500 mil delas e provoca danos na saúde dos moradores de Bhopal até hoje.
 
Há também relato de uma morte nessa fase de testes, mas que o laboratório nega relação com a vacina.
 
Tudo, evidentemente tem que ser investigado. Inclusive porque o mercado de vacinas é multibilionário e as grandes empresas não querem perder espaço para uma indiana.
 
Mas também precisa ser investigado por que o governo brasileiro, que se nega a comprar a vacina da Pfizer aprovada pela Anvisa, resolveu jogar R$1,6 bilhão na Covaxin que ainda não foi aprovada nem na Índia.
 
Assista ao vídeo da reportagem da CNN, em inglês.





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Governo Bolsonaro compra por R$ 1,6 bi vacina em fase de testes de empresa investigada por participar de organização criminosa


Reportagem de Hugo Marques na revista Veja informa que o ministério da Saúde de Bolsonaro, comandado pelo general Cloroquina Pazuello, que se recusa a comprar a única vacina que tem o registro definitivo da Anvisa, a Pfizer, comprou por R$1,6 bilhão a vacina indiana Covaxin, de quem ninguém nunca ouviu falar e que se encontra em fase de testes, alegando que a Pfizer tinha cláusulas no contrato (iguais a todos os da América Latina e aceitas pelos outros países) que o Brasil não poderia aceitar.

Mas aceitar pagar por uma vacina ainda em fase de testes pode? E, pior: segundo a reportagem, a empresa intermediária do negócio está envolvida em investigação por venda de testes de COVID fora do padrão e superfaturados ao governo do Distrito Federal.
A empresa vendeu testes de Covid-19 superfaturados ao governo do Distrito Federal após uma licitação fraudada, na qual foi a maior beneficiária, segundo investigações em curso. Em razão disso, é investigada como participante de uma organização criminosa e deverá ser denunciada ainda neste ano.
A empresa ofereceu 300 mil testes de coronavírus por 125 reais cada um, somando 38,4 milhões de reais. O preço de uma concorrente, segundo o MP, era de 75 reais por teste. A Precisa entregou 150 mil testes à Secretaria de Saúde do DF em 12 de maio de 2020. Segundo o MP, o produto era diferente do acordado: “Em mais uma manobra fraudulenta, os integrantes da organização criminosa, em conluio com as empresas beneficiadas, permitiram que a Secretaria da Saúde recebesse material diverso do contratado”. Em julho passado, em razão da investigação, a Justiça de Brasília decretou o bloqueio dos pagamentos do governo local à Precisa e outras duas empresas.
O contrato [para a compra da Covaxin pelo ministério da Saúde] foi firmado sem licitação por 1,6 bilhão de reais. Pelo menos três pontos chamam a atenção nessa parceria. Primeiro: a Covaxin ainda está na terceira fase de testes na Índia e não tem autorização para uso no Brasil. Segundo: o preço de cada dose é mais alto do que o de outros fármacos, inclusive daqueles que já têm autorização da Anvisa para ser aplicados no país. Cada dose de Covaxin custará ao governo brasileiro 14,9 dólares. No contrato do Butantan com o Ministério da Saúde, assinado em janeiro, a dose da CoronaVac saiu por 10 dólares. Já no primeiro lote de 2 milhões de vacinas da AstraZeneca importadas pela Fiocruz o preço foi de 5 dólares a dose. O terceiro ponto é o mais preocupante. A Precisa Comercialização de Medicamentos tem um histórico recente de problemas com fornecimento de materiais na área de saúde e está no centro de um escândalo de corrupção.
Além da incompetência acintosa (chegou a mandar 78 mil vacinas para o Amapá e 2 mil para o Amazonas, quando o certo seria o contrário), o ministério da Saúde do general (da ativa do Exército) Pazuello se vê envolvido agora numa suspeita de corrupção.
 
E mais de 251 mil brasileiros já pagaram com a vida a condução genocida da pandemia pelo general ministro e seu chefe, o capitão "mau soldado" [na avaliação do ex-presidente da ditadura general Geisel] Bolsonaro.




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