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Bolsonaro chama Pazuello ao Palácio: Puxa essa carroça da Covaxin pra mim aí, talquei


Para se livrar da acusação de prevaricação, que pode lhe custar o mandato, Bolsonaro chamou o ex-ministro da Saúde general Pazuello ao Palácio na noite de quinta e tratou de mandar o recado. Que Pazuello vestisse a cangalha e preparasse o lombo, porque teria de assumir a missão de levar a culpa ou arrumar outro nome na linha de transmissão de comando, no caso de corrupção na compra da vacina Covaxin.
 
Como o deputado Luis Miranda e seu irmão, Luis Francisco, funcionário do ministério da Saúde, afirmam que entregaram a Bolsonaro pessoalmente a denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin, Bolsonaro tem que dizer que tomou uma atitude, ou então prevaricou, que é quando o funcionário público toma conhecimento de uma irregularidade e nada faz.
 
A saída de Bolsonaro é a de sempre: botar a culpa em alguém. No caso vai ser o general Pazuello, o Queiroz da vez. 
 
Como tudo aconteceu durante o período da passagem de bastão de Pazuello para Queiroga, o general deve jogar a cangalha nas costas de alguém e alegar que não sabe que providências foram tomadas porque saiu do ministério...
 
Talvez esteja aí a explicação do pedido de sigilo de 100 anos do processo em que o comandante do Exército não puniu Pazuello: ele sabe muito sobre a linha de transmissão da corrupção no ministério e essa envolve muitos militares que se acotovelam por lá até hoje.





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Esquema bilionário de corrupção no governo Bolsonaro pode finalmente levar a seu impeachment


O servidor do ministério da Saúde Luis Fernando Miranda e seu irmão, o deputado federal pelo DEM do DF Luis Mirandam denunciaram esquema bilionário de corrupção no Ministério da Saúde, sob gestão de Pazuello (será por isso que Exército pediu sigilo de 100 anos sobre o caso?), na compra da vacina Covaxin. 
 
A resposta do governo Bolsonaro não foi investigar o esquema denunciado, mas botar a Polícia Federal para investigar deputado e irmão e ainda mandar o Ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni ameaçá-los em rede nacional. Confira:


O deputado Luis Miranda confirmou que ele e o irmão irão à CPI da COVID, ou da Pandemia ou do Genocídio, neste sexta-feira,  onde confirmarão todo o esquema, que teria sido informado a Bolsonaro em março sem que, aparentemente, o presidente tenha tomado qualquer atitude para barrá-lo ou mesmo investigá-lo. 
 
Miranda afirmou que irá solicitar proteção para toda a família, diante das ameaças que diz estar sofrendo por denunciar o esquema bilionário de corrupção. Confira:



Se o deputado Luis Miranda e o irmão mantiverem as acusações amanhã na CPI, dificilmente Bolsonaro escapa de um processo de impeachment por corrupção, caso se prove que ele não só soube como se aproveitou do esquema, ou por prevaricação, por ter tomado conhecimento do esquema e nada ter feito para coibi-lo. 
 
É melhor Jair melhorando as instalações da Papuda que amanhã pode vir a seu seu destino por um bom tempo...





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'A cúpula militar tem seus cargos, suas verbas, suas mordomias, suas muitas vantagens – e o que importa o resto?'


Quem ainda nutria alguma esperança de que o Exército puniria Pazuello por sua participação no comício político de Bolsonaro, o que infringe as regras da corporação, quebrou a cara. 
 
Foi-se a esperança de que o Exército, embora metido da cabeça aos pés no governo, ainda mantivesse pelo menos a pose de ser uma instituição de Estado e não do governo.
 
"Deixai toda esperança, vós que entrais' no inferno dantesco de nossa realidade atual. Não esperemos solidariedade das Forças Armadas (a não ser com Bolsonaro), nem do Centrão, nem um aceno de Bolsonaro ao sofrimento do povo. A saída somos nós, está em nos unirmos contra esse governo que está nos matando.
 
Sobre a falta de punição a Pazuello, leia esse excelente post do professor da UNB Luis Felipe Miguel publicado em seu perfil no Facebook, que tem também uma análise que compartilho do momento atual:
A impunidade de Pazuello é um indicador poderoso da posição dos militares e da complexidade da conjuntura política no Brasil para quem sonha com a restauração do caminho democrático.
Dissipa-se de vez a ilusão de que os generais podem servir de freio a Bolsonaro. Para não brigar com ele, assumiram um vexame homérico: aceitar a desculpa esfarrapada de um general embusteiro, num caso que atraiu os olhares de toda a nação, avacalhando de vez a hierarquia (que, segundo o discurso oficial, seria a marca distintiva dos militares) e escancarando a partidarização dos quartéis. Para Bolsonaro, que cultiva hoje, como cultivou no passado, a agitação política do baixo oficialato, é uma vitória e tanto. Seus adeptos mais aguerridos ganharam carta branca para fazer o que bem entenderem. Para o generalato covarde, é a absoluta desmoralização.
Desde o começo do governo, Bolsonaro tem se estranhado com alguns chefes militares. Há os que são seus caudatários fiéis, como Augusto Heleno ou Eduardo Villas Bôas. Com outros, a relação é sujeita a atritos, permanecendo em estado de constante tensão (caso do vice-presidente Hamilton Mourão) ou chegando ao rompimento (caso dos ex-ministros Carlos Alberto dos Santos Cruz e Fernando Azevedo e Silva). São divergências quanto a políticas pontuais e lutas por espaço no governo, não incompatibilidades de fundo. Por vezes, analistas da imprensa vestem estes desafetos com as fantasias do “apreço à democracia”, do “legalismo” ou do “medo da politização das Forças Armadas”, mas há pouca base para isso. Todos eles, afinal, foram avalistas do golpe de 2016, agentes da fraude institucional que levou à vitória de Bolsonaro em 2018, entusiastas de primeira hora de um governo com nítido fedor fascista e que entregou a gestão do Estado brasileiro a oficiais militares. Diante disto, como sustentar a imagem de generais democratas e profissionais?
Não há um setor legalista expressivo na cúpula do Exército desde o expurgo ocorrido logo após o golpe de 1964. Os governos da Nova República ficaram encantados com a relativa paz que reinou nos quartéis depois da devolução do poder dos civis. Houve resmungos por parte de generais de pijama, manifestações desabridas de comandantes da ativa em ocasiões específicas (como a promulgação da Constituição e durante os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade) e turbulências eventuais entre oficiais de baixa patente, destacando-se o plano para atentado terrorista preparado no Rio de Janeiro por um jovem tenente de limitadas luzes, descoberto em 1987. Pouco, em comparação com os frequentes tumultos militares do período democrático anterior a 1964. A relativa calmaria permitiu que os governos posteriores a 1985 se desinteressassem da questão e quase nada fizessem para adequar as Forças Armadas ao controle civil e à convivência democrática. Elas jamais foram instadas a produzir uma autocrítica da ditadura. Pelo contrário, aferraram-se a um universo paralelo em que a “Revolução” de “31 de março” tinha livrado o Brasil da ameaça comunista e a tortura e a corrupção não tinham existido.
Não se trata de uma corporação militar apenas antidemocrática. Ela o é, profundamente, mas no cerne de sua rejeição à democracia está sua crença fervorosa no valor das hierarquias sociais, seu repúdio categórico ao valor da igualdade. Trata-se de um sentimento antipovo. Por isso, além de seu caráter antidemocrático, esta corporação não se percebe como parte do povo ao qual deveria servir – e este é o outro elemento importante para compreender sua posição diante da conjuntura. O sofrimento dos trabalhadores, a privação dos miseráveis, a desesperança dos jovens, nosso meio milhão de mortos na pandemia, nada disto a comove porque ela se vê como pertencendo a outro lugar. Neste sentido, a elite militar é bem parecida com as outras elites brasileiras, incapaz de qualquer solidariedade com a massa dos que estão abaixo e, portanto, incapaz de alcançar um verdadeiro sentimento nacional.
Quanto a isto, é possível dizer que até regredimos, da ditadura empresarial-militar de 1964 para cá. Os generais que empalmaram o poder há quase 60 anos eram, muitos deles, guiados pela fantasia do “Brasil potência”. Tinham, lá, o seu nacionalismo antipovo. A frase antológica de Garrastazu Médici indica um pouco seu programa: “O país vai bem, mas o povo vai mal”. Depois que largaram o governo, no entanto, eles foram abandonando o desenvolvimentismo. Aderiram ao credo neoliberal: “livre mercado”, “vantagens comparativas”, o pacote completo. Abandonaram também a noção de soberania nacional. Ficam satisfeitos com uma posição de subordinação canina diante dos Estados Unidos e estão, alguns deles, chegando perto de Paulo Guedes no campeonato de entreguismo.
É também por isso, por virar as costas a um povo com o qual faz questão de não se identificar, que a cúpula militar pode se mostrar tão insensível ao sofrimento, tão cúmplice do descalabro, tão bolsonarista. Tem seus cargos, suas verbas, suas mordomias, suas muitas vantagens – e o que importa o resto?
A decisão sobre Pazuello, pela alta visibilidade que teve, vale por uma declaração do Alto Comando do Exército. Mesmo que motivada não por genuíno apreço, mas por conveniência, é uma declaração de fidelidade a Bolsonaro e a seus métodos – o desrespeito às regras estabelecidas, o desprezo pelas aparências, o vale-tudo. E uma declaração de compromisso. Eles estão indicando, sem margem para dúvida, de que lado estão hoje e de que lado permanecerão em 2022.
Vão dar um golpe? Acho difícil pensar numa quartelada clássica. Falta liderança, falta coragem e falta coesão – a impressão é de que existe uma disputa interna muito grande, grupos se digladiando para saber qual pode auferir maiores vantagens. O mais provável é a continuidade do comportamento adotado desde a preparação do golpe de 2016: ações e declarações para manter a temperatura política elevada, demonstrações localizadas de truculência, pressão indisfarçada sobre as “instituições” (que já mostraram o quão acovardadas estão).
“Pressão” é a palavra-chave também para o nosso lado. O que a decisão sobre Pazuello enterra é a ilusão de que teríamos, no ano que vem, um processo eleitoral razoavelmente “normal” – e, com ela, a ilusão paralela de que basta ganhar as eleições (com Lula?) para pôr o país nos trilhos da retomada democrática. Ganhar as eleições é o mais fácil, ainda que não o seja. Antes disso, temos que garantir que a esquerda possa escolher livremente suas candidaturas. Depois, temos que garantir a posse dos eleitos e sua capacidade de efetivamente governar. Para tudo isso, precisamos de capacidade de pressão. Isto é, de organização e de mobilização.
As circunstâncias são desafiadoras; a pandemia, cúmplice do governo, é nossa inimiga. Mas as manifestações do domingo passado mostraram que há, na sociedade, energias esperando ser canalizadas para esta tarefa. O reforço do trabalho político permanente, de resistência hoje e acúmulo de forças para o futuro, é imprescindível e urgente.




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Ou o comandante do Exército pune Pazuello ou cai na desmoralização


Da jornalista Helena Chagas, no Jornalistas pela Democracia:
Constrangimento é pouco, e insatisfação também é uma palavra leve para descrever o sentimento entre oficiais da ativa do Exército neste momento. Afinal, o comandante da Força, general Paulo Sérgio Nogueira, e generais do Alto Comando acabam de ser ostensivamente peitados pelo três estrelas Eduardo Pazuello. O ex-ministro da Saúde respondeu com  um redondo “não” aos pedidos para que ele passasse já à reserva para contornar a crise criada por sua presença — proibida pelo regimento disciplinar do Exército — em manifestação ao lado de Jair Bolsonaro no último domingo.

Obviamente, Pazuello peitou o Alto Comando de sua Força porque tem as costas quentes, ou seja, o apoio integral do presidente da República e comandante em chefe das Forças Armadas. Bolsonaro comunicou ao ministro da Defesa, Braga Netto e a Nogueira, que revogará qualquer punição que venha a ser dada a Pazuello, e ainda proibiu-os de se manifestar a respeito do episódio. Ou seja, não deixou saída possível aos militares da ativa.

Mais dia, menos dia, essa panela de pressão vai estourar. Fica claro que o presidente da República não está apenas protegendo um ex-ministro leal, que na CPI negou tudo que todo mundo sabe que é verdade sobre ele. Bolsonaro está usando o episódio para enquadrar os militares, de quem se queixava de darem pouco apoio a seu governo quando se recusavam a ser envolver nas disputas políticas.

Ao praticamente proibi-los de punir o general desobediente que subiu em seu palanque, Bolsonaro está tentando passar à população a ideia – totalmente equivocada, sabe-se  – de que os militares estão a seu lado para o que der e vier, e entenda-se aí suas ameaças de atos autoritários e contra a democracia.

O que todo mundo se pergunta hoje é o que vão fazer as Forças Armadas encurraladas pelo presidente. O ministro bolsonarista da Defesa, ao que tudo indica, ficará lá em seu cantinho. Mas o comandante do Exército está diante de um claro dilema: ou pune Pazuello, confrontando Bolsonaro, ou cai na desmoralização institucional perante o país e suas tropas.



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Gambito de Lewandowski sobre Pazuello pode levar a xeque-mate em Bolsonaro na CPI


Quando os advogados de Pazuello, aconselhados pela AGU, solicitaram ao STF que o ex-ministro tivesse direito ao silêncio na CPI, não imaginavam a armadilha que prepararam para seu cliente e, por extensão, a seu antigo chefe, Bolsonaro.
 
O ministro Lewandowski deu um verdadeiro gambito em Pazuello em sua decisão.
 
A palavra gambito, usada no jogo de xadrez, ficou popularizada pela série Gambito da Rainha, de grande sucesso na Netflix. Acontece quando um jogado sacrifica uma peça para conseguir uma vantagem adiante.
 
Foi o que aconteceu com a decisão de Lewandowski. O ministro do STF deu a Pazuello:
"o direito ao silêncio, isto é, de não responder a perguntas que possam, por qualquer forma, incriminá-lo, sendo-lhe, contudo, vedado faltar com a verdade relativamente a todos os demais questionamentos não abrigados nesta cláusula. Por outro lado, no que concerne a indagações que não estejam diretamente relacionadas à sua pessoa, mas que envolvam fatos e condutas relativas a terceiros, não abrangidos pela proteção ora assentada, permanece a sua obrigação revelar, quanto a eles, tudo o que souber ou tiver ciência, podendo, no concernente a estes, ser instado a assumir o compromisso de dizer a verdade." 
Pazuello só tem direito ao silêncio naquilo que possa incriminá-lo - o que é praticamente uma confissão de culpa. Mas é obrigado ("tem a obrigação de revelar", na sentença) a responder sobre fatos imputados a outros "com o compromisso de dizer a verdade".
 
Traduzindo por outra expressão - esta muito mais antiga que a série: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
 
Ao calar se incrimina. Ao dizer obrigatoriamente a verdade incrimina outros, especialmente Bolsonaro, o senhor da morte que fez de Pazuello seu general Cloroquina.
 
Como lá atrás, Pazuello deu declaração de que seguia ordens de Bolsonaro em suas decisões no ministério ("É simples assim: um manda e o outro obedece"), a decisão de Lewandowski pode gerar um xeque-mate na CPI: o impeachment de Bolsonaro por crimes de responsabilidade na condução da pandemia da COVID.



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Bolsonaro e Pazuello fogem da CPI como baratas em pânico


As atitudes desafiadoras contra a pandemia e o desafio às medidas de proteção contra o vírus estão ficando para trás diante de um exterminador potente para Bolsonaro e Pazuello - a CPI do Genocídio. Estão como baratas acuadas, como bem define Ruy Castro na Folha hoje:  
Baratas em pânico
Certa vez escrevi que a vida de uma barata não valia nada no Brasil. Em pânico, sem ter para onde fugir, elas estavam morrendo em massa por uma campanha de dedetização então em curso por algum governo. De Jair Bolsonaro em diante, a frase precisa ser outra: o que não vale nada é a vida do brasileiro.

Diante de uma pandemia que acabara de surgir e já assombrava o mundo, Bolsonaro classificou-a como uma "gripezinha", que pouparia quem tivesse "histórico de atleta" e só mataria os velhos, o que, segundo ele, não era nada demais. Nos meses seguintes, à medida que a peste se espalhava e o Brasil enterrava pais e avós, Bolsonaro continuou a fomentá-la, exibindo-se sem máscara, promovendo aglomerações e debochando dos mortos e de suas famílias.

Em seguida, saiu à praça como camelô da cloroquina, droga tão eficaz no tratamento precoce da doença quanto no da ejaculação precoce. Obrigou o Exército a fabricá-la e médicos e hospitais a prescrevê-la, o que resultou em ainda mais mortes, agora também de nossos filhos e netos. Não satisfeito, Bolsonaro desdenhou das vacinas, sabotou sua importação e suspendeu compras. Muitos que estariam hoje se beneficiando delas já foram para o cemitério.

Bolsonaro pôde fazer o que quis porque, livre dos profissionais que tentavam impor as medidas adequadas, escalou como ministro cenográfico um palhaço de farda, Eduardo Pazuello, pronto a trocar a chefia da faxina de um quartel pela de executor de uma política de extermínio.

Nunca uma CPI teve tantos e tão bem documentados crimes a investigar. Afinal, tudo o que Bolsonaro, Pazuello e seus asseclas disseram e fizeram foi gravado —até por eles mesmos, certos da impunidade. Trataram os brasileiros como se fôssemos baratas, mas, agora, num surto de covardia que só não causa mais repugnância porque esperado, quem busca buracos para se esconder, como baratas em pânico, são eles.




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Bilhete a um jovem bolsonarista, de Ruy Castro


Do jornalista e escritor Ruy Castro, na Folha.
Bilhete a um jovem bolsonarista

Se o amigo vive no Brasil de Jair Bolsonaro, parabéns. Até há pouco, jovem, feliz, negacionista e com histórico de atleta, você era imune à Covid. Enquanto os velhos morriam, você assobiava no azul —distanciamento, higiene, restrições ao comércio, máscara e vacinas eram coisa de maricas e comunistas. Nas últimas semanas, no entanto, ao sentir o vírus perigosamente por perto e sabendo que amigos de seu porte físico e idade estavam intubados ou já no cemitério, é possível que você esteja pedindo ingresso no Brasil real —o nosso.

Não podemos bater-lhe a porta na cara, mas não espere muito de nossa parte. Somos 200 milhões à mercê da pandemia, dependendo apenas de nossos cuidados e do sacrifício dos profissionais da saúde —aqueles que nunca mereceram uma palavra de gratidão de Bolsonaro, muito menos uma visita de solidariedade a uma linha de frente. Mas fique certo de que esses profissionais o tratarão com a mesma heróica dedicação com que nos tratam —para eles, você será só mais um a ser salvo, não um farrista de aglomerações, festas clandestinas e carreatas.

Nós, brasileiros de segunda classe, estamos há um ano lendo e ouvindo entrevistas dos epidemiologistas e infectologistas. Mês a mês, eles avisaram sobre o que iria acontecer —e aconteceu. O combate a uma pandemia não pode caber a uma besta fardada como Eduardo Pazuello, cuja grande façanha militar foi obrigar um soldado a puxar uma carroça diante dos colegas num quartel em Brasília, em 2005. Talvez não seja também da sola de um cardiologista invertebrado como Marcelo Queiroga. Os especialistas continuam a avisar e a não serem levados em conta.

Neste Brasil à deriva, torça para não ser intubado. E, se for, que os hospitais tenham os remédios para ajudá-lo a engolir aquela tubulação.

Suas chances de sobreviver não serão muitas, mas, se sair dessa, aí, sim, bem-vindo ao Brasil real.




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'Mas não basta afastá-lo [Ernesto Araújo] do cargo. Ele precisa ser responsabilizado como um dos cúmplices da tragédia'. Idem Pazuello e Bolsonaro


O jornalista Bernardo Mello Franco publicou hoje em O Globo o texto a seguir. Só acrescentaria os dois nomes que pus no título ao fecho perfeito do artigo. Porque não basta afastar o chanceler Araújo. Ele deve ser punido, assim como o general Cloroquina, Eduardo Pazuello, e o Capo di tutti capi, Jair Bolsonaro, implícitos no texto de Bernardo Mello Franco.
Diplomacia do desatino

No dia em que assumiu o Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo citou a Bíblia em grego, rezou a Ave Maria em tupi e viajou na maionese em português. Num discurso delirante, o chanceler misturou Tarcísio Meira, Renato Russo, Dom Sebastião e Raul Seixas. A performance espantou a plateia e inaugurou uma era de vexames no Itamaraty.

Discípulo de Olavo de Carvalho, Araújo aplicou a cartilha da extrema direita na diplomacia. Prometeu uma “política externa do povo”, mas subordinou o interesse nacional às crenças de uma seita radical.

O chanceler hostilizou nações amigas, endossou teorias conspiratórias e isolou o Brasil em fóruns internacionais. Na ONU, o país passou a boicotar resoluções que defendiam os direitos humanos. Alinhou-se a teocracias que oprimem mulheres e perseguem minorias.

O fanatismo também pautou a relação do ministro com o chefe. Num discurso banhado em lágrimas, Araújo chegou a comparar Jair Bolsonaro a Jesus Cristo. Aos soluços, descreveu o capitão como a “pedra angular” de um “novo Brasil”.

A vassalagem não o salvou de humilhações públicas. Numa visita à Casa Branca, o chanceler foi barrado no encontro com Donald Trump. Enquanto ele esperava no corredor, o deputado Eduardo Bolsonaro acompanhava o pai no Salão Oval.

A submissão a Trump foi um capítulo à parte na gestão Araújo. Para bajular o republicano, o ministro traiu países vizinhos, aceitou taxas abusivas e abriu mão de espaço em organizações multilaterais. Quando Joe Biden venceu, ele endossou a falsa tese de fraude eleitoral. A birra aumentou a má vontade da nova administração americana com o Brasil.

Durante dois anos, o Congresso e a elite empresarial fecharam os olhos enquanto Araújo babava na gravata. Num governo cheio de lunáticos, os desatinos do chanceler foram tratados como um exotismo a mais. A omissão durou até o agravamento da pandemia.

Com mais de 300 mil mortos pela Covid, o Brasil sofre para conseguir vacinas e medicamentos. Parte do drama se deve à antidiplomacia de Araújo, que inviabilizou acordos com a China e a Índia. Agora Senado e Câmara exigem a demissão do ministro. Mas não basta afastá-lo do cargo. Ele precisa ser responsabilizado como um dos cúmplices da tragédia.




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Saúde de Bolsonaro tem dois ministros que se anulam: um demitido que não sai; um nomeado que não entra


Há quem chame apenas de incompetência. Mas é de caso pensado. Burro Bolsonaro não é, tanto que se elege há mais de 30 anos, chegou ao cargo máximo do país e se mantém impune, apesar de todas as barbaridades que disse, diz, praticou, pratica. 
 
Logo, se não é incompetência, é projeto de governo deixar o ministério da Saúde em meio à pandemia sem comando.
 
Pazuello foi demitido, mas dizem que Bolsonaro precisa de um cargo que dê foro privilegiado ao general Cloroquina ou ele sai do ministério e se arrisca a ir para a Papuda, por crimes cometidos à frente do ministério, como a fabricação de cloroquina, o kit de prevenção, a falta de oxigênio em Manaus etc.
 
Já o nomeado, Queiroga, não se sabe se poderá assumir, pois é acusado de improbidade administrativa exatamente na área médica.
 
Mas esse não deve ser o problema. Se fosse o caso, o ministro do Meio Ambiente - o notório passador de boiada Ricardo Salles - não seria ministro, já que foi condenado por improbidade administrativa por "fraudar processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016, quando estava à frente da pasta do Meio Ambiente do governo de Geraldo Alckmin (PSDB)" [G1]. 
 
Fato é que o ministério da Saúde tem dois ministros e não tem nenhum. A equipe do que vai sair mas ainda não saiu está lá à procura do que fazer. E são vários militares, que também devem estar à espera do que Bolsonaro pretende fazer com eles. Vão ficar todos? O novo ministro vai ter que trabalhar com a milicada do antigo?
 
Quando deveríamos ter um comando central coordenando a ação dos estados para combater o inimigo, vemos o despreparo de nosso Exército, posto em postos-chave do ministério da Saúde e a pandemia ganhando de goleada. Fica o país sem comando, quando devemos bater três mil mortos no dia de hoje, e subindo.
 
Se isso não é genocídio e Bolsonaro não é genocida, então é o quê?



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Governo Bolsonaro compra por R$ 1,6 bi vacina em fase de testes de empresa investigada por participar de organização criminosa


Reportagem de Hugo Marques na revista Veja informa que o ministério da Saúde de Bolsonaro, comandado pelo general Cloroquina Pazuello, que se recusa a comprar a única vacina que tem o registro definitivo da Anvisa, a Pfizer, comprou por R$1,6 bilhão a vacina indiana Covaxin, de quem ninguém nunca ouviu falar e que se encontra em fase de testes, alegando que a Pfizer tinha cláusulas no contrato (iguais a todos os da América Latina e aceitas pelos outros países) que o Brasil não poderia aceitar.

Mas aceitar pagar por uma vacina ainda em fase de testes pode? E, pior: segundo a reportagem, a empresa intermediária do negócio está envolvida em investigação por venda de testes de COVID fora do padrão e superfaturados ao governo do Distrito Federal.
A empresa vendeu testes de Covid-19 superfaturados ao governo do Distrito Federal após uma licitação fraudada, na qual foi a maior beneficiária, segundo investigações em curso. Em razão disso, é investigada como participante de uma organização criminosa e deverá ser denunciada ainda neste ano.
A empresa ofereceu 300 mil testes de coronavírus por 125 reais cada um, somando 38,4 milhões de reais. O preço de uma concorrente, segundo o MP, era de 75 reais por teste. A Precisa entregou 150 mil testes à Secretaria de Saúde do DF em 12 de maio de 2020. Segundo o MP, o produto era diferente do acordado: “Em mais uma manobra fraudulenta, os integrantes da organização criminosa, em conluio com as empresas beneficiadas, permitiram que a Secretaria da Saúde recebesse material diverso do contratado”. Em julho passado, em razão da investigação, a Justiça de Brasília decretou o bloqueio dos pagamentos do governo local à Precisa e outras duas empresas.
O contrato [para a compra da Covaxin pelo ministério da Saúde] foi firmado sem licitação por 1,6 bilhão de reais. Pelo menos três pontos chamam a atenção nessa parceria. Primeiro: a Covaxin ainda está na terceira fase de testes na Índia e não tem autorização para uso no Brasil. Segundo: o preço de cada dose é mais alto do que o de outros fármacos, inclusive daqueles que já têm autorização da Anvisa para ser aplicados no país. Cada dose de Covaxin custará ao governo brasileiro 14,9 dólares. No contrato do Butantan com o Ministério da Saúde, assinado em janeiro, a dose da CoronaVac saiu por 10 dólares. Já no primeiro lote de 2 milhões de vacinas da AstraZeneca importadas pela Fiocruz o preço foi de 5 dólares a dose. O terceiro ponto é o mais preocupante. A Precisa Comercialização de Medicamentos tem um histórico recente de problemas com fornecimento de materiais na área de saúde e está no centro de um escândalo de corrupção.
Além da incompetência acintosa (chegou a mandar 78 mil vacinas para o Amapá e 2 mil para o Amazonas, quando o certo seria o contrário), o ministério da Saúde do general (da ativa do Exército) Pazuello se vê envolvido agora numa suspeita de corrupção.
 
E mais de 251 mil brasileiros já pagaram com a vida a condução genocida da pandemia pelo general ministro e seu chefe, o capitão "mau soldado" [na avaliação do ex-presidente da ditadura general Geisel] Bolsonaro.




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Na cara de Pazuello, senador diz que o general e Bolsonaro vão responder por genocídio e explica o porquê


O senador pelo Espírito Santo Fabiano Contarato aproveitou a ida ao Senado do ministro da Saúde, o general Cloroquina Eduardo Pazuello, para dizer aquilo que está atravessado na garganta da maioria dos brasileiros.
“Quase 10 milhões de brasileiros contaminados, 235 mil mortos. Quanto vale a vida humana? Quanto que vale a vida de uma filha, de um filho, de um pai, de um avô? Senhor ministro e presidente da República, as digitais de vocês estão nessas mortes. E eu tenho fé em Deus que tanto o senhor como o presidente da República irão responder por genocídio, seja aqui no Brasil, seja no Tribunal Penal Internacional”.
“Quando o senhor contraiu a doença, divulgou vídeo afirmando que já tinha iniciado o tal tratamento precoce. Aliás, o site do Ministério da Saúde tinha o chamado TrateCov, que estabelecia todas as formas direcionando o tratamento para Cloroquina e Ivermectina. O Governo incentivou os cidadãos a fazer o mesmo. O senhor deve ser responsabilizado criminalmente, assim como o presidente da República, porque estimularam aglomerações, o não distanciamento social seguro, a não utilização de máscaras e ainda por cima estimularam o uso de medicação sem nenhuma comprovação científica. É um governo negacionista. Estão aqui: 1,5 milhão de comprimidos de cloroquina estocados em Guarulhos. O Ministério da Saúde utilizou a Fundação Oswaldo Cruz para produção de 4 milhões de comprimidos de cloroquina, além de Tamiflu. O tratamento precoce mata”
E disse mais. Citou o motivo do futuro julgamento por genocídio e onde a ação está determinada no Código Penal. Confira no vídeo.





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Ministro interino da saúde, general erra ao dizer que assintomático não transmite o coronavírus


Não é só na distribuição de cloroquina, que o mundo já provou que é ineficaz contra o coronavírus, que o general Pazuello erra. Ontem, ele afirmou que assintomáticos não transmitem o vírus:
"Sobre como o Ministério da Saúde sugere que funcione [a reabertura], nós já nos posicionamos à Casa Civil. Tem que ter triagem em qualquer lugar. Se o gestor [governador ou prefeito] definir pela abertura de uma área, tem que ter a estrutura de triagem e de acompanhamento médico dos primeiros sintomas. Se o caso é assintomático, ele [funcionário] está trabalhando, mas também não transmite. Se o caso é sintomático, ele tem que aparecer na primeira hora." [UOL]
A Organização Mundial da Saúde afirmou em junho que assintomáticos transmitem, sim, só não se sabe em que proporção.

E por que não sabem em que proporção? Porque identificar o infectado é simples, mas os assintomáticos são todos os demais e entre eles podem estar quem nunca teve contacto com o vírus, quem está infectado mas ainda não apresentou sintomas, quem se infectou mas com uma carga fraca, que foi controlada pelo próprio organismo.

O próprio Ministério da Saúde respondeu ao Jornal Nacional afirmando "que acompanha os estudos sobre os assintomáticos, que têm risco de transmissão, embora potencialmente menor, e que a recomendação da pasta é de manter o distanciamento de no mínimo um metro e observar as etiquetas respiratórias".

O que não podemos esquecer é que Pazuello cumpre ordens de seu superior e responsável por mantê-lo interinamente no cargo há dois meses em meio a uma pandemia que já afetou mais de 2,2 milhões de brasileiros e matou mais de 83 mil. E o nome de seu superior é Jair Bolsonaro.




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TCU dá 15 dias ao general Cloroquina para que ele explique a lógica do ministério que comanda


O TCU foi pra cima do ministério da Saúde e deu um prazo de até 15 dias para que o general Pazuello, o Cloroquina, explique a lógica de sua atuação na pandemia.

Reportagem de Fabio Fabrini na Folha:
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou nesta quarta-feira (22) que o Ministério da Saúde apresente em 15 dias documentos que detalhem a lógica adotada na transferência de recursos, a estados e municípios, para o combate ao novo coronavírus.
Em julgamento unânime, a corte também ordenou que, no mesmo prazo, a pasta informe qual é a sua estratégia para aquisições próprias de equipamentos e insumos usados no enfrentamento da Covid-19. Para isso, será necessário entregar cronogramas e planos de logística e distribuição desses materiais pelo país.
A decisão se baseia em auditoria que constatou baixa execução da verba prevista para o país lidar com a pandemia.
A própria Folha havia divulgado em reportagem anterior que o ministério havia utilizado menos de 30% da verba reservada para o combate à pandemia.

Quanto dessa incompetência nos levou ao estágio em que nos encontramos hoje, com mais de 2,2 milhões de infectados e 83 mil mortes?

Mas não é só isso: o ministério tem que explicar por que indicou medicação (cloroquina) sem comprovação científica de sua eficácia.

Por que o estado do Rio de Janeiro, com o segundo maior número de casos no país, atrás somente de São Paulo, foi um dos que menos receberam verbas do ministério? Será que é porque Witzel é adversário político de Jair Bolsonaro?

Por que foram trocados técnicos de carreira por militares sem experiência alguma no ministério?

Essa lógica eu quero ver explicar.



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Sob Bolsonaro e Pazuello Brasil bate recorde de novos casos de COVID-19. Quantos terão que morrer para se considerar genocídio?


Cloroquina e abertura da atividade econômica em meio à pandemia: essa é a política de Bolsonaro e de seu general interino na Saúde para combater o vírus.

Não está dando certo e bastou a abertura das atividades econômicas em alguns estados para o Brasil bater ontem o recorde de novos casos de infectados pelo COVID-19 em um só dia: 65339. O total de novos casos é de 2.231.871.

Tudo o que o vírus precisa é de gente nas ruas para se multiplicar. O coronavírus precisa de gente como precisamos de ar. Sem ter onde se multiplicar, ele morre.

No entanto, o incentivo à abertura e ao consumo de cloroquina e vermífugos por Bolsonaro (que mostra o que ele tem na cabeça) seguem como estratégia do governo.

Depois protestam quando o ministro Gilmar Mendes afirma que as Forças Armadas estão associando sua imagem a um genocídio.

Quantas mortes de brasileiros serão necessárias para que se considere genocídio o que acontece no Brasil?

Ou, traduzindo na linguagem militar, que eles entendem: quantas baixas na tropa serão necessárias para termos um genocídio? Ou a morte de civis não são baixas, mas "efeitos colaterais indesejáveis", como escrito nas bulas de remédios?




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