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Bolsonaro desmoraliza Forças Armadas, que hoje só têm a confiança de 30% dos brasileiros

Bolsonaro conseguiu o que queria: se vingar das Forças Armadas de onde foi expulso com desonra pelo ministro do Exército da época, general Leônidas Pires Gonçalves, e desprezado até pelo ditador de plantão, general Ernesto Geisel, que o qualificou como um "mau soldado". 

A resposta Bolsonaro deu agora na presidência: com cargos altamente remunerados no governo, leite Moça e picanha, fez desabar o índice de confiança da população nos militares, que já foi o maior do país, e hoje está entre os quatro piores do mundo, com apenas 30%, segundo pesquisa do Instituto Ipsos.

Os brasileiros estão entre os que menos confiam em suas Forças Armadas quando comparados com habitantes de outros países. A revelação é da edição de 2022 da pesquisa "Confiabilidade Global", do Instituto Ipsos, que foi realizada em 28 países entre maio e junho.

De acordo com a sondagem, apenas 30% dos brasileiros acreditam nos militares. O índice é igual ao atingido entre os poloneses. E só não é mais baixo do que os verificados entre os colombianos (29%), os sul-africanos (28%) e os sul-coreanos (25%). A taxa brasileira ficou 11 pontos percentuais abaixo da média global, de 41%. [Fonte: D&D e Folha]

Bolsonaro, com o apoio luxuoso dos generais de seu governo, conseguiu jogar no chão a credibilidade de uma instituição, que já foi a maior do país: em 2014, durante o governo Dilma, o site do Exército brasileiro publicava com orgulho que "as Forças Armadas possuem o maior índice de confiança entre as instituições públicas ou privadas do Brasil, com 68% de credibilidade".

A aventura Bolsonaro está custando caro ao país (680 mil brasileiros já pagaram com a vida na pandemia da COVID) e está levando junto a imagem das Forças Armadas.

Que os militares que estão se juntando a Bolsonaro na bravata de um golpe avaliem bem a situação onde já se colocaram e às instituições a que servem.

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'Se você é analista político e diz que não compreende essa diferença, eu até gostaria de mudar sua opinião, mas estou meio sem grana'

O sociólogo Celso Rocha de Barros, em sua coluna na Folha, produz a frase do ano, que usei como título da postagem, a respeito da falsa confusão que alguns fazem entre liberdade de expressão, liberdade de imprensa e direito de agredir a Constituição e ameaçar de morte ministros do STF e quem se oponha a Bolsonaro.

Em geral, estão em cargos milionários no governo ou tem páginas no Facebook, Instagram, YouTube, monetizadas pela Secom bolsonara.

A coluna:
Vai ter golpe?
 
Nesta terça-feira (7) os golpistas de Bolsonaro farão uma manifestação para tentar convencer os quartéis de que um golpe seria popular.

É quase impossível que as manifestações não encham. É, de longe, a manifestação fascista que passou mais tempo sendo planejada. Prefeitos bolsonaristas, pastores bolsonaristas, líderes bolsonaristas do agronegócio, todos estão trabalhando pela manifestação fascista com muito mais empenho do que nos Ustrapaloozas anteriores.

A contabilidade do bolsonarismo é sempre clandestina e ilegal, mas não há dúvida de que será uma manifestação cara.

Não será, nem de longe, uma manifestação como as outras, um análogo das Diretas Já, das marchas dos sem-terra, da Marcha para Zumbi, dos protestos de 2013, dos atos pró-impeachment de 2016, dos protestos recentes contra Bolsonaro.

Todas essas foram manifestações típicas de regime democrático, convocadas para protestar contra o centro do poder ou para apresentar-lhe reivindicações.

Sempre pode haver militantes violentos em manifestações democráticas. Mas há uma diferença radical entre um maluco com um coquetel molotov feito em casa e o presidente da República convocando as Forças Armadas e os policiais à deserção, pedindo-lhes que usem as armas do Estado brasileiro em favor de um dos lados da disputa política.

Por isso é ridículo analisar as ações do Supremo Tribunal Federal contra os extremistas como repressão à liberdade de expressão. A prisão de Roberto Jefferson não é o Estado reprimindo um indivíduo, é a Suprema Corte se defendendo, e defendendo a democracia brasileira, de uma tentativa de destruição pelo Palácio do Planalto.

Roberto Jefferson não é a parte mais fraca diante do poder. Joga como vanguarda de uma conspiração armada que envolve os mais altos escalões do Poder Executivo e começa pelo presidente da República.

Se você é analista político e diz que não compreende essa diferença, eu até gostaria de mudar sua opinião, mas estou meio sem grana.

Vai dar certo? É difícil dizer, pois não está claro se as Forças Armadas teriam que ser convencidas pelas massas a dar um golpe (nesse caso, não vai ter golpe) ou se só querem uma desculpa vagabunda qualquer para fazê-lo (nesse caso, vai).

Os militares sabem ler pesquisa de opinião. Sabem que mesmo uma manifestação enorme não adianta muita coisa se não estiver em sintonia com o que a maioria da população pensa. A grande maioria dos brasileiros acha o governo Bolsonaro uma porcaria.

A passeata não vai fazer a comida, a gasolina ou a energia elétrica ficarem mais baratas, não vai ressuscitar as centenas de milhares de mortos da pandemia, não vai fazer as commodities subirem de novo pra gente ver se dessa vez o Guedes aproveita.

Os problemas e os escândalos que destruíram a popularidade de Bolsonaro ainda existirão no dia seguinte. E, ao contrário de 1964, os militares já são vidraça.

Nesta terça haverá um festival de reacionarismo e de tudo que faz do Brasil um país atrasado, mas, como argumento para justificar golpe de Estado, mesmo uma manifestação grande será uma desculpa bem vagabunda. Se isso for suficiente para convencer as Forças Armadas, então já teve golpe.






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'A cúpula militar tem seus cargos, suas verbas, suas mordomias, suas muitas vantagens – e o que importa o resto?'


Quem ainda nutria alguma esperança de que o Exército puniria Pazuello por sua participação no comício político de Bolsonaro, o que infringe as regras da corporação, quebrou a cara. 
 
Foi-se a esperança de que o Exército, embora metido da cabeça aos pés no governo, ainda mantivesse pelo menos a pose de ser uma instituição de Estado e não do governo.
 
"Deixai toda esperança, vós que entrais' no inferno dantesco de nossa realidade atual. Não esperemos solidariedade das Forças Armadas (a não ser com Bolsonaro), nem do Centrão, nem um aceno de Bolsonaro ao sofrimento do povo. A saída somos nós, está em nos unirmos contra esse governo que está nos matando.
 
Sobre a falta de punição a Pazuello, leia esse excelente post do professor da UNB Luis Felipe Miguel publicado em seu perfil no Facebook, que tem também uma análise que compartilho do momento atual:
A impunidade de Pazuello é um indicador poderoso da posição dos militares e da complexidade da conjuntura política no Brasil para quem sonha com a restauração do caminho democrático.
Dissipa-se de vez a ilusão de que os generais podem servir de freio a Bolsonaro. Para não brigar com ele, assumiram um vexame homérico: aceitar a desculpa esfarrapada de um general embusteiro, num caso que atraiu os olhares de toda a nação, avacalhando de vez a hierarquia (que, segundo o discurso oficial, seria a marca distintiva dos militares) e escancarando a partidarização dos quartéis. Para Bolsonaro, que cultiva hoje, como cultivou no passado, a agitação política do baixo oficialato, é uma vitória e tanto. Seus adeptos mais aguerridos ganharam carta branca para fazer o que bem entenderem. Para o generalato covarde, é a absoluta desmoralização.
Desde o começo do governo, Bolsonaro tem se estranhado com alguns chefes militares. Há os que são seus caudatários fiéis, como Augusto Heleno ou Eduardo Villas Bôas. Com outros, a relação é sujeita a atritos, permanecendo em estado de constante tensão (caso do vice-presidente Hamilton Mourão) ou chegando ao rompimento (caso dos ex-ministros Carlos Alberto dos Santos Cruz e Fernando Azevedo e Silva). São divergências quanto a políticas pontuais e lutas por espaço no governo, não incompatibilidades de fundo. Por vezes, analistas da imprensa vestem estes desafetos com as fantasias do “apreço à democracia”, do “legalismo” ou do “medo da politização das Forças Armadas”, mas há pouca base para isso. Todos eles, afinal, foram avalistas do golpe de 2016, agentes da fraude institucional que levou à vitória de Bolsonaro em 2018, entusiastas de primeira hora de um governo com nítido fedor fascista e que entregou a gestão do Estado brasileiro a oficiais militares. Diante disto, como sustentar a imagem de generais democratas e profissionais?
Não há um setor legalista expressivo na cúpula do Exército desde o expurgo ocorrido logo após o golpe de 1964. Os governos da Nova República ficaram encantados com a relativa paz que reinou nos quartéis depois da devolução do poder dos civis. Houve resmungos por parte de generais de pijama, manifestações desabridas de comandantes da ativa em ocasiões específicas (como a promulgação da Constituição e durante os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade) e turbulências eventuais entre oficiais de baixa patente, destacando-se o plano para atentado terrorista preparado no Rio de Janeiro por um jovem tenente de limitadas luzes, descoberto em 1987. Pouco, em comparação com os frequentes tumultos militares do período democrático anterior a 1964. A relativa calmaria permitiu que os governos posteriores a 1985 se desinteressassem da questão e quase nada fizessem para adequar as Forças Armadas ao controle civil e à convivência democrática. Elas jamais foram instadas a produzir uma autocrítica da ditadura. Pelo contrário, aferraram-se a um universo paralelo em que a “Revolução” de “31 de março” tinha livrado o Brasil da ameaça comunista e a tortura e a corrupção não tinham existido.
Não se trata de uma corporação militar apenas antidemocrática. Ela o é, profundamente, mas no cerne de sua rejeição à democracia está sua crença fervorosa no valor das hierarquias sociais, seu repúdio categórico ao valor da igualdade. Trata-se de um sentimento antipovo. Por isso, além de seu caráter antidemocrático, esta corporação não se percebe como parte do povo ao qual deveria servir – e este é o outro elemento importante para compreender sua posição diante da conjuntura. O sofrimento dos trabalhadores, a privação dos miseráveis, a desesperança dos jovens, nosso meio milhão de mortos na pandemia, nada disto a comove porque ela se vê como pertencendo a outro lugar. Neste sentido, a elite militar é bem parecida com as outras elites brasileiras, incapaz de qualquer solidariedade com a massa dos que estão abaixo e, portanto, incapaz de alcançar um verdadeiro sentimento nacional.
Quanto a isto, é possível dizer que até regredimos, da ditadura empresarial-militar de 1964 para cá. Os generais que empalmaram o poder há quase 60 anos eram, muitos deles, guiados pela fantasia do “Brasil potência”. Tinham, lá, o seu nacionalismo antipovo. A frase antológica de Garrastazu Médici indica um pouco seu programa: “O país vai bem, mas o povo vai mal”. Depois que largaram o governo, no entanto, eles foram abandonando o desenvolvimentismo. Aderiram ao credo neoliberal: “livre mercado”, “vantagens comparativas”, o pacote completo. Abandonaram também a noção de soberania nacional. Ficam satisfeitos com uma posição de subordinação canina diante dos Estados Unidos e estão, alguns deles, chegando perto de Paulo Guedes no campeonato de entreguismo.
É também por isso, por virar as costas a um povo com o qual faz questão de não se identificar, que a cúpula militar pode se mostrar tão insensível ao sofrimento, tão cúmplice do descalabro, tão bolsonarista. Tem seus cargos, suas verbas, suas mordomias, suas muitas vantagens – e o que importa o resto?
A decisão sobre Pazuello, pela alta visibilidade que teve, vale por uma declaração do Alto Comando do Exército. Mesmo que motivada não por genuíno apreço, mas por conveniência, é uma declaração de fidelidade a Bolsonaro e a seus métodos – o desrespeito às regras estabelecidas, o desprezo pelas aparências, o vale-tudo. E uma declaração de compromisso. Eles estão indicando, sem margem para dúvida, de que lado estão hoje e de que lado permanecerão em 2022.
Vão dar um golpe? Acho difícil pensar numa quartelada clássica. Falta liderança, falta coragem e falta coesão – a impressão é de que existe uma disputa interna muito grande, grupos se digladiando para saber qual pode auferir maiores vantagens. O mais provável é a continuidade do comportamento adotado desde a preparação do golpe de 2016: ações e declarações para manter a temperatura política elevada, demonstrações localizadas de truculência, pressão indisfarçada sobre as “instituições” (que já mostraram o quão acovardadas estão).
“Pressão” é a palavra-chave também para o nosso lado. O que a decisão sobre Pazuello enterra é a ilusão de que teríamos, no ano que vem, um processo eleitoral razoavelmente “normal” – e, com ela, a ilusão paralela de que basta ganhar as eleições (com Lula?) para pôr o país nos trilhos da retomada democrática. Ganhar as eleições é o mais fácil, ainda que não o seja. Antes disso, temos que garantir que a esquerda possa escolher livremente suas candidaturas. Depois, temos que garantir a posse dos eleitos e sua capacidade de efetivamente governar. Para tudo isso, precisamos de capacidade de pressão. Isto é, de organização e de mobilização.
As circunstâncias são desafiadoras; a pandemia, cúmplice do governo, é nossa inimiga. Mas as manifestações do domingo passado mostraram que há, na sociedade, energias esperando ser canalizadas para esta tarefa. O reforço do trabalho político permanente, de resistência hoje e acúmulo de forças para o futuro, é imprescindível e urgente.




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PT emite nota em defesa da democracia e contra 'carta de intimidação do Comando Geral do Exército à revista Época'


A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e os líderes do Partido na Câmara e no Senado, respectivamente Ênio Verri e Rogerio Carvalho, emitiram uma nota do Partido dos Trabalhadores em resposta a uma outra emitida pelo Exército. 
Nota do Partido dos Trabalhadores

A carta de intimidação do Comando Geral do Exército à revista Época, que publicou um artigo crítico do jornalista Luiz Fernando Vianna, é mais uma evidência dos graves desvios a que estão sendo levadas as Forças Armadas do Brasil, pelo comprometimento político de comandantes das instituições militares com o governo de Jair Bolsonaro.

O artigo refere-se a episódios históricos, que não podem ser negados nem esquecidos, e os relaciona a uma trágica realidade dos tempos atuais: a criminosa conduta do governo federal na pandemia que já matou mais de 200 mil brasileiros e brasileiras, pela qual é corresponsável um general do Exército que conduz o Ministério da Saúde sem ter preparo, vocação nem qualificação para o cargo.

O general-ministro da Saúde tornou-se o símbolo mais visível de um processo de partidarização que contamina as Forças Armadas a partir do topo. Ao compactuar com as investidas autoritárias do presidente – ele mesmo um ex-capitão que desonrou o Exército Brasileiro – e emprestar suas patentes para sustentar um governo de destruição nacional, estão lançando as instituições militares num grave desvio histórico e de seus limites constitucionais.

O Partido dos Trabalhadores, que nasceu enfrentando a ditadura, governou o Brasil no exercício cotidiano da democracia, respeitando e fazendo ser respeitada a Constituição por civis e militares, comandantes e comandados. Hoje, na oposição, é nosso dever alertar a sociedade para os riscos e ameaças que este governo representa e cobrar dos comandantes militares o mais estrito respeito à missão e aos limites que a sociedade brasileira democraticamente conferiu às instituições militares.

A História registra e registrará sempre a atuação das Forças Armadas do Brasil na integração territorial, na defesa das fronteiras e do patrimônio nacionais, na guerra contra o nazifascismo, no apoio às populações isoladas, no desenvolvimento tecnológico do país; enfim, todos os momentos em que as Forças cumpriram sua missão constitucional e o relevante papel que lhes cabe numa sociedade democrática. É dessa forma que as instituições militares se fazem respeitar.

A História também registra os períodos em que as Forças Armadas ou parte de seus integrantes desviaram-se desta missão. É dessa forma, conhecendo a verdade, que tanto os militares quanto os civis poderão evitar a repetição de erros e crimes contra a democracia e os direitos humanos. A História não perdoará, como jamais perdoou, quem tenta se colocar acima das instituições e da Constituição que jurou defender e obedecer.

Brasília, 19 de janeiro de 2021





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'Os militares de hoje são a guarda pretoriana de um governo que conspira diuturnamente contra o país e seu povo', por Roberto Amaral


 
O ex-presidente do PSB, ex-ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Lula, jornalista e escritor, Roberto Amaral faz uma dura análise do papel das Forças Armadas, especialmente nos dias de hoje, quando dá sustentação a um governo que está destruindo o Brasil.
 
Vou publicar alguns trechos, mas sugiro a leitura completa no site Vermelho.
Em nome da defesa da ordem, sempre a serviço da fração dominante, as forças armadas se atribuem o dever de impedir a emergência do novo. A ditadura da parte sobre o conjunto vem de longa data, acompanha mesmo a história republicana, com momentos de maior ou menor incidência. Não se trata, aqui, de discutir os inexistentes compromissos da farda com a democracia – está nos livros de História a sequência de insurreições, golpes de Estado e ditaduras -, porque o cerne da questão radica nessa auto-concepção dos militares como pais da pátria, para eles incapaz de alcançar a maioridade e por isso mesmo necessitada de ser mantida sob as rédeas curtas da tutela.

Os militares de hoje são a guarda pretoriana de um governo que conspira diuturnamente contra o país e seu povo, destruindo a economia como um todo e a empresa nacional de forma particular, destruindo a indústria em favor do monopólio financeiro, asfixiando a universidade, desconstituindo as bases da educação, da ciência e da tecnologia, devastando o meio ambiente. Transformando um país que já desempenhou o papel de sujeito na política internacional em moleque de recados dos interesses da agonizante administração Donald Trump, aprofundando o caráter de país politicamente reflexo e economicamente dependente, regressando à primeira metade do século passado como país agroexportador.

Os militares, que no passado estiveram associados ao projeto nacional desenvolvimentista levado a cabo pela revolução de 30, que se associaram à defesa do monopólio estatal do petróleo e da construção da Petrobras, são hoje o sustentáculo de um governo que desmonta a infraestrutura nacional estratégica, anula o papel do BNDES como agente de desenvolvimento, entrega às multinacionais os recursos do pré-sal e renuncia ao dever de ter uma política espacial, doando aos EUA a Base de Alcântara – sonho de brasileiros há mais de meio século.

Antes, ao tempo da ditadura escancarada, os militares, os homens de farda estiveram atrelados à dinâmica da guerra fria, pondo-se a serviço dos EUA contra nossos interesses; para fazer face à falsa ameaça da União Soviética, elegeram como teatro de ação a guerra interna, combatendo como adversário de vida e de morte o honrado e bravo brasileiro que desafiava a ditadura e defendia a democracia. A ação se foi, mas o discurso se mantém. Foi-se a “ameaça” da URSS, ficou a doutrina da Escola Superior de Guerra, ainda presa à guerra fria. O mesmo anticomunismo, mais farsesco do que nunca, ainda mais anacrônico. Naqueles anos os militares, o exército à frente, se puseram a serviço de estado burocrático-autoritário, instrumento de modernização capitalista, comandada a partir do centro do mundo capitalista. Desta feita, sustentam um programa neoliberal que revoga todo projeto de desenvolvimento, desde aquele que entre 1930 e 1980 assegurou ao Brasil altos índices de crescimento e transformou o país em exportador de manufaturados. O estranho é que os militares de hoje repudiem essa política de cunho nacionalista e desenvolvimentista, da qual foram corresponsáveis, como coautores da revolução de 30 e da ditadura do Estado novo, que vai modernizar o Estado e criar as condições infraestruturais para a industrialização, hoje em declínio.

As forças armadas, que chegaram a representar a modernidade, fazem-se sujeito da estagnação, e, por via de consequência, do atraso. Como ser social se desapartam da sociedade, constroem uma história própria movida por visões próprias e interesses próprios. Formado à parte, vivendo em bolhas, preso a relações endogâmicas, o militar brasileiro constrói sua própria tábua de valores e, a partir dela, passa a ver o mundo dos “lá de fora”. A pretensa origem dos militares brasileiros na classe média, que deveria orientar seus compromissos ideológicos, é uma miragem, pois acima de sua origem de classe, as forças armadas, como observa Eliezer R. de Oliveira, “definem o campo da ação política dos seus interesses dentro do Estado independentemente de terem vindo da classe média ou de serem filhos de gente rica ou de gente pobre” (Inteligência brasileira. Editora Brasiliense, p 288), e isto é mais do que esprit de corps, pois leva o militar brasileiro, seguidamente, a intervir contra seus supostos interesses de classe, pois simplesmente os ignora. É mais fácil um oficial brasileiro identificar-se com um colega do corpo de marines dos EUA do que com o pequeno proprietário ou agricultor de sua terra de origem. Sobre qualquer leitura da realidade, o militar é um produto da formação política que recebe nos quartéis e na academia, onde são condicionados a pura e simplesmente serem anticomunistas, e comunismo é tudo o que represente ameaça à ordem, como o progresso social ou a emergência política das massas. Nos quadros da formação de hoje, são inimagináveis movimentos militares como o “tenentismo” (ou a Coluna Prestes), mesmo uma ação política como aquela exercida pelo Clube Militar nos movimentos de defesa nacional e particularmente na defesa da industrialização, ou da Petrobras. Figuras como Horta Barbosa e Estilac Leal não podem mais ser produzidas. Muito menos intelectuais como Nelson Werneck Sodré.

Se podemos registrar, nos anos 50 do século passado, a emergência politicamente ativa de um pensamento nacional-desenvolvimentista, de compromissos legalistas (que muitos identificaram como adesão a teses democráticas), é igualmente fora de dúvida que, a partir de então, com o fim da segunda guerra mundial, com o trabalho que passa a ser desenvolvido pela Escola Superior de Guerra, e com a Doutrina da Segurança Nacional, são criados instrumentos que visavam a impedir a contaminação com qualquer pensamento social, qualquer leiva de pensamento esquerdista. A democracia se exercia no combate ao espantalho comunista, e quanto mais “democrata” mais anticomunista deveria ser o oficial. O legalismo passou a depender desta contingência.

As mudanças ideológicas que se operam na formação da oficialidade brasileira aguardam uma discussão profunda que reclama a participação da universidade, dos partidos e do congresso.

A caserna se considera a fôrma na qual a nação toma forma; essa distorção nos perseguirá ainda por muito tempo, porque ainda estamos longe de uma correlação de forças que habilite a nação dizer às suas forças armadas o papel que lhes compete na ordem democrática. Até lá, qualquer avanço social será uma quimera.




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'Bolsonaro está usando as Forças Armadas como refém enquanto foge da Justiça' - por Celso Rocha de Barros


Em sua coluna de hoje na Folha, Celso Rocha de Barros fala da relação entre os militares e Bolsonaro.

Sob o título "Bolsonaro finalmente realizou seu projeto de juventude: colocou uma bomba nos quartéis", ele mostra o que vê como uma armadilha posta por Bolsonaro ao atraí-los para o governo: agora, a imagem das Forças Armadas está atrelada a Bolsonaro.

Como escrevi aqui em janeiro de 2019, primeiro mês do governo Jair Bolsonaro, Bolsonaro deu um autogolpe e militares voltaram ao poder 55 anos depois de golpe de 64:
Bolsonaro sabe que chegou à presidência sem ter a menor condição de fazer frente às responsabilidades do cargo. Não tem preparo nem vontade de trabalhar.
Conseguiu se eleger graças ao golpe judicial que impediu Lula de concorrer, à facada que o livrou dos debates e aos milhões de fake news disparados ilegalmente via WhatsApp.

Mas, isso o levou ao poder. Como se manteria lá, se o general seu vice já estava todo oferecido ainda durante as eleições?

Foi aí que ele deu o autogolpe.

Para barrar Mourão e qualquer tentativa de golpe que viesse a retirá-lo do poder, Bolsonaro montou uma super estrutura militar, com generais comandando grande parte dos ministérios e outros militares em postos-chave de todos os demais. Inclusive nas empresas e bancos públicos.

Há um general até auxiliando (tutelando) o presidente do STF, Dias Toffoli.

Teve até cargo para o ex-comandante do Exército, Villas Boas.
Não há como desvincular as Forças Armadas do governo Bolsonaro porque elas são seu sustentáculo. Se o comandante do Exército criticá-lo, ele cai no outro dia.

Por isso, à firmação de Celso, coloco uma dúvida: quem é refém de quem? Ou mais refém? Porque Bolsonaro não existe sem o apoio das Forças Armadas. Elas podem abandonar o barco e deixá-lo navegando sozinho no mar de lama.

A coluna do Celso Rocha de Barros:
Bolsonaro finalmente realizou seu projeto de juventude: colocou uma bomba nos quartéis
Em 1986, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que atuava clandestino dentro do PT, tentou assaltar um banco em Salvador. Presos, os militantes disseram que seu objetivo era arrecadar fundos para a Revolução Nicaraguense.
Foi um enorme constrangimento para o PT, que imediatamente expulsou os radicais e passou os 15 anos seguintes tentando provar que havia moderado suas posições o suficiente para presidir a República. Moderaram, presidiram.
Agora imaginem o tamanho do erro que o PT teria cometido se, em 2002, depois de todos esses anos dando mostras de moderação, decidisse lançar para presidente não o Lulinha paz e amor, mas um dos assaltantes de Salvador que nunca tivesse dado qualquer sinal de arrependimento.
Imagine o desastre que seria o governo do maluco, os esforços diários que os dirigentes petistas teriam que fazer para tentar impedi-lo de distribuir as armas do Exército para os centros acadêmicos de ciências sociais. Imagine o problema para o PT se o fã dos sandinistas resolvesse adotar o mesmo descaso que Daniel Ortega vem demonstrando diante da pandemia na Nicarágua.
Mais ou menos na mesma época do assalto de Salvador, ocorreu mais um ato tardio de extremismo político no Brasil. O capitão do Exército Jair Messias Bolsonaro foi acusado de planejar explodir bombas em unidades militares no Rio de Janeiro.
E quem os militares, que haviam demonstrado moderação e respeito à democracia por quase 30 anos, resolveram lançar para presidente quando a oportunidade de eleger alguém surgiu?
Pensavam que poderiam controlá-lo, mas subestimaram Bolsonaro, e superestimaram a própria habilidade. O vice-presidente Hamilton Mourão tem razão quando diz que Bolsonaro não fez sua formação intelectual no Exército. Bolsonaro fez sua formação intelectual no baixo clero da política carioca, na escola Jorge Picciani, na escola Eduardo Cunha. Em termos de manobra de baixo clero, Bolsonaro tem um dos poucos PhDs do primeiro escalão que não é falso.
Gabriela Prioli notou o padrão em um vídeo de 16 de julho: ao colocar Pazuello na Saúde, Bolsonaro amarrou seu fracasso na pandemia ao Exército. É isso que Gilmar Mendes tentou avisar: Bolsonaro está usando as Forças Armadas como refém enquanto foge da Justiça. Ele quer criar uma situação em que, se for para o banco dos réus, vá na companhia de oficiais do Exército. E torce para que ninguém tenha coragem de mandar generais para a prisão.
Alguém pode reclamar, bom, mesmo assim, o Gilmar não podia ter usado o termo “genocídio”. Conrado Hübner Mendes mostrou que há argumentos para discutir genocídio no caso específico das tribos indígenas. Quem Bolsonaro colocou como responsável pela Amazônia, general Mourão?
Os militares parecem ter achado que desfrutariam das vantagens de ser governo sem assumirem as responsabilidades, sem virarem vidraça. Nem todo mundo sabe ser PMDB, senhores.
Ao que parece, Bolsonaro finalmente conseguiu realizar seu objetivo de juventude: colocou uma bomba nos quartéis. O exercício de desarmá-la exigirá responsabilidade, cuidado, e será mais um teste de estresse para a institucionalidade brasileira. Enquanto isso, a curva do número de mortos permanece estável em mais de mil brasileiros mortos por dia.




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Mourão quer desculpas de Gilmar Mendes, mas ele mesmo já disse que fracasso do governo cairia na conta das Forças Armadas

Mourão, Brazil Conference

Em palestra na Brazil Conference, em Harvard, EUA, em abril de 2019, o vice-presidente Mourão disse o mesmo que o ministro Gilmar Mendes, em outras palavras.

Disse Mendes:
“Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio... é preciso se fazer alguma coisa. Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso.”
Já Mourão fez o mesmo, ao dizer que se o governo Bolsonaro fracassasse a conta iria para as Forças Armadas. Porque estão associados.

Se há um genocídio da população pelo tratamento à pandemia, e as Forças Armadas ocupam os principais postos no Ministério da Saúde, sendo que o ministro responsável é um general da ativa, como não associar o genocídio ao Exército?

Na sua manifestação em Harvard, Mourão disse:
"Se o nosso governo falhar, errar demais... todo mundo erra... mas se errar demais, não entregar o que tá prometendo, essa conta irá para as Forças Armadas"
É isso. Como é que Mourão quer agora que o ministro Gilmar Mendes peça desculpas? Mourão pediu as suas?

Confira no vídeo abaixo:





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Toffoli apaga fogo com gasolina e queima Gilmar em ligações para militares


Segundo Renato Souza, no Correio Braziliense, o presidente do STF, ministro Dias "Tutelado" Toffoli, ligou para generais com o intuito de colocar panos quentes na onda provocada por falta de interpretação de texto das lideranças das Forças Armadas com uma declaração do ministro Gilmar Mendes.

Gilmar afirmou que o Exército deveria ter cuidado, pois estaria associando sua imagem ao genocídio praticado pelo governo Bolsonaro no tratamento da pandemia e das populações indígenas.

Mas, em vez de panos quentes, o melífluo Toffoli levou gasolina para apagar o fogo, segundo se lê no Correio [grifo meu]:
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ligou, nesta segunda-feira (13/7), para o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e para o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, com a finalidade de apagar o incêndio que teve início com declarações do ministro Gilmar Mendes a respeito do Exército Brasileiro.
(...) No telefonema a Fernando Azevedo, Toffoli ressaltou que a visão do ministro Gilmar Mendes não representa o pensamento do STF, que atua, com os demais poderes, para amenizar os impactos da pandemia de covid-19. 
Jogou Gilmar Mendes às feras, comprando a versão de que ele teria afirmado que o Exército brasileiro seria genocida. Pior: dizendo que a opinião de Mendes não representa a de seus colegas, isolando-o.

O resultado não se fez esperar. Foi lançada dura nota pelo Ministério da Defesa, endossada pelos comandantes das três Forças, e o vice-presidente, general Mourão, quer desculpas de Mendes, "se tiver grandeza moral".

 Coisa que Toffoli não poderia fazer, pois lhe falta.




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Janio de Freitas: 'Presença das Forças Armadas junto aos Bolsonaro faz mal à instituição'

Bolsonaro discursa em frente QG do Exército


Artigo de Janio de Freitas na Folha:



Presença das Forças Armadas junto aos Bolsonaro faz mal à instituição 

Há um ano e 19 dias, o general e já vice-presidente Hamilton Mourão fazia um comentário muito significativo em dois pontos: “Se o governo falhar, a conta irá para as Forças Armadas”. Aí estava implícito o reconhecimento da índole militarizante, um retorno sem armas ostensivas, sob o rótulo de governo Bolsonaro, o Cavalão de Troia. E ali estava explicitado, no destinatário da possível conta, quem teria a responsabilidade, de fato, pelo que seria o novo governo.
Justifica-se então a pergunta: o que mais, e mais grave, ainda precisará ocorrer para que os representantes das Forças Armadas no governo as desvinculem, afinal, da responsabilidade pela catástrofe moral e governamental que arrasa este país?
A presença desses representantes junto aos Bolsonaro, sua trupe e suas relações cavernosas faz mal às Forças Armadas como instituição, deforma-as outra vez e as desmoraliza. E faz mal ao país com a aceitação e o apoio, aparentes faces de concordância, aos desvarios, ligações milicianas, mentiras, fraudes, traições, incidentes internacionais, destruição de recursos nacionais, incentivos à violência generalizada, medidas antissociais, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade pelos quais Bolsonaro deveria responder. De preferência com algemas, porque é perigoso.
Os militares precisam fazer um exame honesto e profundo de sua relação com o país. Sem isso, sua caracterização militar será sempre um rascunho e sua autoimagem sempre ilusória.
Por décadas, foi este o bordão dos militares em sua claudicante responsabilidade institucional: “Os militares estão unidos e coesos, e alheios à política”. Mas estiveram sempre divididos. Por motivos políticos. O bordão no pós-ditadura, hoje em dia muito repetido, diz que “os militares têm disciplina e hierarquia”, uma comparação desqualificante do mundo civil. Quanto aos civis brasileiros, nada a retocar. Mas, historicamente, nenhum outro segmento feriu tanto a disciplina, e com tamanha gravidade, quanto os militares.
Com escassos e pequenos intervalos, desde a articulação para derrubar a monarquia sucederam-se as conspirações, tentativas de golpe, os golpes consumados, duas ditaduras, sem que a presença civil lhes mudasse a natureza, de imposição pelas armas. Não é uma história paralela. É a própria, a verdadeira, com seu roteiro de hostilidades, esperanças e frustrações, sobre o chão infértil para o civismo.
O mesmo general e vice Hamilton Mourão foi o primeiro (e único, quando escrevo) dos militares do governo a expor um comentário sobre as acusações (iniciais) de Sergio Moro a Bolsonaro: “Perder Moro não é bom, mas vida que segue”. Segue para onde?
Nem é preciso mencionar outras atitudes de Bolsonaro: basta a designação do delegado Alexandre Ramagem para dirigir a Polícia Federal. É a confirmação do propósito de Bolsonaro de controlar o que deveria ser a investigação de crimes políticos orientada pelo Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro não retém nem o cinismo, este verniz da sua falta de escrúpulos, na escolha de notório aliado dos seus filhos postos sob inquéritos criminais.
Também esse crime de responsabilidade, esse banditismo intrometido nas instituições constitucionais, “segue” aceito, e portanto apoiado, pelos que no governo se confundem com as Forças Armadas? O cerceamento à ação do Supremo significa o fim do regime de Constituição Democrática.
Não é preciso imaginar o que, afinal, levaria à desvinculação das Forças Armadas com a versão brasileira de Idi Amim Dada. Já chegamos ao máximo. Que, no entanto, segue.







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Atiradores batem recorde e compram tanta munição quanto as forças de segurança, 80% delas impossíveis de serem rastreadas

Print o Globo


São 32 milhões de projéteis, sendo 26 milhões sem qualquer marcação de lote inscrito no cartucho



Entre os 32 milhões de projéteis vendidos quantos o foram para milicianos e quantos outros cairão em suas mãos e nas de outros bandidos?

Pode estar se formando um exército de milicianos, graças à liberação e facilidades ordenadas pelo presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro.


Dados inéditos sobre venda de munições no país apontam que os atiradores civis compraram em 2019, pela primeira vez, a mesma quantidade que as forças de segurança pública: cerca de 32 milhões de projéteis. A categoria foi destinatária de vários decretos do presidente Jair Bolsonaro com flexibilização de regras para adquirir armas e munições.

O volume comprado pelo grupo ainda superou em 143% o quantitativo de munições que o Exército informou ter adquirido (13,2 milhões) no ano passado. De 2018 para 2019, as compras diretas dos atiradores subiram 17,2%, enquanto o número de projéteis adquiridos pelos órgãos de segurança pública, incluindo as secretarias de gestão prisional, caiu 14,8%.

(...) A explosão na aquisição de munições por parte dos atiradores acende um alerta: o material adquirido pelo grupo não tem qualquer marcação de lote inscrito no cartucho. É com esse dado que investigadores podem rastrear a origem de projéteis encontrados em cenas de crime. Serve também para evitar e apurar desvios.

(...) Um dos decretos de Bolsonaro, de junho, aumentou a quantidade de munições permitidas aos atiradores. No nível mais elevado de destreza, era liberado comprar anualmente até 20 mil cartuchos novos e até 40 mil para calibres específicos (de menor potencial). Agora, é permitido comprar até mil munições por ano para cada arma de uso restrito e 5 mil para as de uso permitido. Com isso, o total liberado pode chegar a 180 mil projeteis ao ano por atirador, considerando aquisição para o limite máximo de 60 armas. [Renata Mariz, em O Globo]


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