A cartola de Okamoto

Por intermédio de seu advogado, o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que cassasse a autorização para a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O ministro Nelson Jobim, presidente do STF, concedeu a liminar a favor de sua petição.
Mas, o que será que Okamoto pretende com isso?
1. Apenas empurrar o caso com a barriga, para afirmar que a CPI não tem foco e quer apenas atingir o governo Lula;
2. De novo, apenas empurrar o caso com a barriga, mas, neste caso, para que sejam encontradas as respostas certas para as coisas erradas que ali serão encontradas;
3. Agir como os prestidigitadores, que chamam a atenção da platéia para um ponto para que ela não olhe o outro, onde o truque acontece. Se esta for a verdadeira, nada se descobrirá após a quebra dos sigilos.
Seja como for, o que Okamoto conseguiu foi aumentar na CPI a sede de mostrar o que ele quer esconder.

Os maiores inimigos do governo

O ressentimento é uma M.
No escândalo do “mensalão”, por exemplo. PSDB e PFL deitam e rolam em acusações subliminares e suspeitas probabilísticas contra o governo. Na mesma canoa embarca a imprensa. Mas na hora do "vamos ver", quando dos depoimentos ou dos relatórios finais, são os ex-petistas ressentidos que imperam.
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), por exemplo, só pensa "naquilo": detonar o governo Lula. Está determinada inclusive a usar o depoimento de uma senhora contra membros do governo. Ainda que essa senhora tenha como sua principal ocupação "não contabilizada" (para usar a linguagem delubiana) o agenciamento de garotas de programa.
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), também ex-petista, quer ser mais realista que o rei. Pede o indiciamento do ministro Palocci no relatório da CPI, sem que se tenha configurado como concreta uma única acusação contra o ministro, durante o governo Lula.
Há ainda os ex-petistas e fundadores do PT, Paulo de Tarso Venceslau e Cesar Benjamim, que são os antípodas de Lula. Enquanto para o presidente tudo de ruim é fruto dos governos anteriores e o que acontece de bom é fruto de seu governo ("Nunca na história deste país..."), para Venceslau e Benjamim é exatamente o contrário. Venceslau chega a afirmar que Lula e o ex-ministro José Dirceu "são as figuras mais perniciosas da política brasileira"...
Essa é a opinião deles.
Já para William Shakespeare, "guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra".
E para você, leitor?

(O ex-prefeito Paulo Maluf disse que está em dúvida se concorre ao governo do Estado de São Paulo ou à Câmara dos Deputados. Para auxiliá-lo, não deixe de votar na enquete aqui à direita)

Disputa pelo governo do Rio

Bandeira do Estado do Rio de JaneiroPesquisa feita pelo Instituto GPP nos dias 20, 21 e 22 de janeiro quis saber quem o eleitorado fluminense quer colocar na cadeira ocupada atualmente pela governadora Rosinha Garotinho. Foram entrevistadas 1.033 pessoas em 29 municípios do Estado do Rio. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.
O senador Sérgio Cabral (PMDB) lidera com 31,5% das intenções de voto. O bispo Crivella (PRB) vem em segundo lugar, com 17,2%, e Denise Frossard (PPS), em terceiro, com 11,6%. Já o pré-candidato do PT, Vladimir Palmeira, figura apenas em sexto lugar. O que se pode esperar deles?
Cabral não tem perfil executivo. É um proporcional, com seus nichos – primeiro foi a juventude, nos albergues, depois ele se voltou para os idosos.
Neste ano de 2006, completa-se o 10° aniversário da morte criminosa de 112 idosos na clínica Santa Genoveva. Cabral era muito ligado ao doutor Eduardo Spínola, um dos sócios da clínica, que foi inclusive cogitado para fazer parte de seu secretariado em eleição passada. Será cobrado por isso. Afinal, juntar idosos com clínica Santa Genoveva acaba em morte. Como se não bastasse, ainda há o fato de que ele é o candidato do casal Garotinho, que governa o estado há longos oito anos...
O senador Crivella é sobrinho do bispo Macedo, aquele que tem como lema “Templo é dinheiro”. (Aliás, quem quiser ver o vídeo da pregação do bispo, ensinando os pastores a “captar recursos”, é só clicar aqui.) Na última eleição, ele teve que recolher o time, quando se viu confrontado com o fato de ser, ao mesmo tempo, dono de uma estação de TV e senador – o que a lei proíbe. É um candidato que tem a seu favor a estrutura da igreja Universal e pode contar com mais apoios, dependendo do desenrolar das campanhas para o Senado e a presidência da República.
A juíza Denise Frossard cometeu haraquiri político com o parecer que emitiu ao projeto de lei que considera crime discriminar deficientes físicos. Nele, a juíza afirma que: “A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana” . Sem comentários.
O candidato do PT está lá atrás. E, pelo que se viu no último programa do partido, pode ficar por lá. Desanimado, abatido, procurando justificar-se o tempo todo, nem parecia aquele líder da histórica passeata dos 100 mil, em 1968, no Rio. Se sair da defensiva e resolver abraçar a campanha, pode surpreender, pois sempre foi oposição dentro do PT à direção nacional, que caiu em desgraça com o escândalo do “mensalão”.


(O ex-prefeito Paulo Maluf disse que está em dúvida se concorre ao governo do Estado de São Paulo ou à Câmara dos Deputados. Para auxiliá-lo, não deixe de votar na enquete aqui à direita)

A agenda da senhora Corner

A empresária Jeanny Mary Corner anuncia há semanas que está com problemas para tocar sua empresa. Os clientes fugiram.
Ela oferecia recepcionistas para eventos em Brasília. Algumas dessas recepcionistas eram garotas de programa. Uma delas parece que está “namorando firme” (como se dizia antigamente) a figura suspeitíssima de Rogério Buratti, ex-assessor do ministro Palocci em Ribeirão Preto.
Segundo a senhora Corner, os clientes desapareceram, depois que seu nome foi citado na CPI como organizadora de festas muito excitantes.
E como os clientes sumiram, a senhora Corner resolveu sair à caça deles, ameaçando-os com uma suposta agenda. Eles se fingiram de surdos, mas a senadora Heloísa Helena (Psol-AL) resolveu dar ouvidos a ela. Mais que isso, resolveu jogar no ventilador as ameaças da senhora Corner.
Hoje, uma postagem no blog do Noblat procura nas entrelinhas decifrar para seus leitores o que significariam palavras aparentemente sem sentido pronunciadas pela senadora, durante o depoimento de Palocci na CPI.
Se for verdade – o que a postagem dá a entender – que o ministro “freqüentava” algumas recepcionistas da senhora Corner, isso diz respeito a ele e sua família. O que nós e o governo temos a ver com isso?
Além do mais, tudo o que essa senhora tem a oferecer são suas ameaças. Ela jamais irá declarar oficialmente que fornecia garotas de programa a seja lá quem for, porque a prostituição não é crime, mas a exploração da prostituição, sim.
Portanto, que a oposição ao governo Lula trate de trabalhar. Descubra fatos que comprometam o governo e, então, retirem Lula de lá. No impeachment ou no voto. E mandem a senhora Corner para escanteio.

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'Acordão' na CPI dos Correios

Charge de Enio A CPI dos Correios, que está autorizada a funcionar até abril, já fala em antecipar o final dos trabalhos para março. Ótimo, caso ela houvesse feito ao menos o dever de casa – o que não fez.
Por exemplo, só agora estão indo aos EUA para ver se conseguem informações sobre as contas de Duda. O pior é que já partem para lá afirmando que não poderão se aprofundar muito...por falta de tempo! Uau!
Então, por que antecipar o final da CPI? E mais: por que ficaram de férias – remuneradas, é bom não esquecer – se estavam recebendo exatamente para manter a CPI funcionando?
Do tripé envolvido no escândalo, apenas Marcos Valério teve sua vida mais destrinchada. Não se aprofundaram as investigações em relação aos bancos Rural e BMG, envolvidos até o pescoço com o “mensalão”. Com essa medida se poderia descobrir onde os bancos buscaram o dinheiro para fazer os tais "empréstimos" a Valério e ao PT.
Por que não foram quebrados os sigilos bancários, telefônico e fiscal dos deputados acusados de receber o "mensalão"? Por que essa medida óbvia, que mostraria se o dinheiro foi mesmo para “despesas de campanha” não foi tomada?
Por que não pegaram até hoje uma lista com os nomes dos assessores de deputados e senadores? Na lista de Marcos Valério muitos dos nomes desconhecidos podem ser desses assessores, não?
Por que não se ouviu Genoíno, presidente do PT à época, nem José Dirceu, acusado de ser o operador do “mensalão” e cassado por isso?
A impressão que fica é a de que esse é que é o verdadeiro “acordão” que está acontecendo. A cassação de um deputado ou outro é apenas jogo de cena para saciar a revolta da platéia.

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Lula quer o bis

Na tarde do dia em que depôs na CPI, Palocci autorizou o refinanciamento de até R$ 184 milhões em dívidas de produtores de cacau da Bahia. Foi um pedido do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A imprensa está caindo de pau. Alega que Palocci “pagou” pelo bom tratamento na CPI.
Pode até ser, mas o objetivo principal não é esse, mas a reeleição de Lula. É dessa fonte que está jorrando a grana.
A indústria sucroalcooleira também quer investir. Sabem quanto pedem? R$ 22 bilhões em financiamentos e subsídios para estabilizar preço e produção.
Paulo Skaf, presidente da poderosa Fiesp, desde o ano passado reivindica uma nova rolagem para a indústria paulista.
Todos levarão a sua parte.
Assim como haverá o aumento do salário-mínimo e a extensão do Bolsa-Família para atender os mais pobres.
Uma melhoradazinha de 8% em cima do imposto de renda para agradar especialmente à classe média.
E mais as inaugurações, a operação tapa-buracos, o astronauta brasileiro no espaço...
A oposição bobeou e agora a iniciativa é toda de Lula.
A ordem do momento é:
- Todos levam seu quinhão para garantir a reeleição.

(aliás, quem acompanha este blog sabe que tudo isso foi antecipado aqui)

(O ex-prefeito Paulo Maluf disse que está em dúvida se concorre ao governo do Estado de São Paulo ou à Câmara dos Deputados. Para auxiliá-lo, não deixe de votar na enquete aqui acima à direita)

Maluf vai para onde? Você decide

O ex-prefeito Paulo Maluf disse que está em dúvida se concorre ao governo do Estado de São Paulo ou à Câmara dos Deputados.
Para auxiliá-lo, nosso blog lança uma enquete. De hoje até sábado que vem, vote e dê uma mãozinha a Maluf. Diga onde acha que ele deve passar os próximos anos.
Afinal, para quem quer se candidatar nada como saber a opinião do eleitor.

O que vem por aí no Blog

O Globo publicou o resumo de uma pesquisa do Instituto GPP sobre a preferência do eleitorado para o governo do Rio. Sérgio Cabral (PMDB) lidera, seguido por Marcelo Crivella (PRB) e pela deputada federal Denise Frossard (PPS). O candidato do PT, Vladimir Palmeira, está em 6° lugar.
Na segunda-feira, este blog, que é conhecido na redação de um jornal do Rio como “O Sarrafo do Mello”, comenta os candidatos.
Neste final de semana, não perca, novidade no blog.
E um aviso: aqui o comentário é livre. Não é preciso formulário, e-mail, nada. Quem quiser, é só clicar em Comentários, escolher Anônimo e dar seu palpite, ou descer seu sarrafo.

O calcanhar-de-aquiles de Lula

Descartado o ministro Palocci – ainda mais após seu depoimento de ontem – três são as alternativas que a oposição espera usar para abalar a candidatura do presidente Lula à reeleição: o ex-guerrilheiro, fundador do PT e ex-petista Paulo de Tarso Venceslau; o compadre de Lula Roberto Teixeira, advogado da Transbrasil; e o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto. Estes seriam os candidatos a calcanhar-de-aquiles de Lula.
Paulo de Tarso já prestou depoimento à CPI. Confirmou tudo o que vem dizendo há tempos de Lula e do PT. Mas há um problema: todas as suas denúncias se referem a fatos anteriores à chegada de Lula à presidência.
Com o compadre de Lula acontece a mesma coisa: acusações antigas.
Paulo Okamoto é o candidato mais forte deste grupo a ser apontado como calcanhar-de-aquiles de Lula. Toda a história do dinheiro emprestado pelo PT a Lula, depois não emprestado, dívida não reconhecida e assim mesmo paga, carteira de identidade de Lula com office-boy, pagamentos em dinheiro etc. Tudo isso mereceria uma boa investigação. Aí sim se poderia chegar a Lula – ou não.
Acontece que a oposição Macunaíma (“ai, que preguiça!”) não se prepara para nenhum depoimento, como temos visto até agora. Logo, o novo depoimento de Okamoto deve deixar as mesmas interrogações, e mais nada. Portanto, ele também não é o calcanhar-de-aquiles de Lula.
Quem, então? Alguém que possa atrapalhar a imagem que o presidente Lula quer vender para a reeleição: a de um homem que cuidou da economia, arrumou a casa, semeou, plantou e vai colher os frutos, junto com o povo brasileiro, no próximo mandato. Um homem profundamente identificado com seu povo.
Quem pode destruir essa imagem? A primeira-dama Marisa Letícia com seu incrível pedido de cidadania italiana.
Como Lula vai convencer as pessoas de que terão um futuro melhor no próximo governo dele, se a mulher pede cidadania italiana para ela e os filhos, alegando que é apenas para dar “oportunidades aos meninos”?
Imaginem o efeito na campanha de uma frase como esta, por exemplo:
- Se nem a mulher e os filhos confiam nele, por que você deve confiar?
A primeira-dama é o calcanhar-de-aquiles de Lula.

Escolhido o candidato tucano

Reunião tucana em São Paulo.
O ex-presidente FHC, o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e o governador de Minas, Aécio Neves, conversaram e vazaram para a imprensa pistas sobre o futuro candidato do PSDB para concorrer com aquele que não sabe se vai ser candidato, mas ninguém acredita, o presidente Lula.
Frases:
- Serra será o candidato se o povo quiser.
- A candidatura de Alckmin, que está terminando o mandato, é natural.
- O candidato será aquele que unir mais o partido em torno de seu nome.
- Vamos ouvir representantes das bancadas. (pesquisa de O Globo com deputados tucanos mostrou a preferência destes por Alckmin).
Logo: o candidato tucano é Alckmin.

(Ainda hoje: o calcanhar-de-aquiles de Lula)

A solução Cesar Maia

aedes aegyptiEnquanto as autoridades batem cabeça, a ameaça de uma nova epidemia de dengue se torna cada vez mais provável no Rio. A ponto de o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, dizer que vai reunir repórteres de jornais estrangeiros para avisar que turistas não devem vir ao Rio no carnaval.
Realmente, uma epidemia de dengue somada à situação caótica em que vivem os hospitais é juntar a fome com a vontade de comer.
Enquanto isso, o ex-prefeito ainda em exercício, Cesar Maia, que já disse que a dengue foi trazida para o Rio por nordestinos que chegaram recentemente à cidade, agora se sai com a tese de que a dengue só será debelada no Rio se a cidade for transferida para uma zona temperada... Tarefa, como se sabe, muito fácil: basta girar um pouco o eixo da Terra...
Cesar, embora ninguém fale no assunto, é o candidato do PFL à presidência da República.
Mas ele mesmo já apontou uma solução para o problema: apóia Serra.

'Ridi, Lula'

Conforme antecipamos aqui, nenhuma novidade no depoimento do ministro Palocci.
Quem torcia pelo pior, quebrou a cara. O dólar caiu, a Bolsa subiu e o risco país chegou a seu menor índice de todos os tempos.
Palocci não é o calcanhar-de-aquiles de Lula. Quem é?
Leia amanhã aqui. (Só vou adiantar que o título desta postagem dá uma dica).

Para a comunicação de Lula aprender

Lula quase dobrou o valor do salário-mínimo em dólar. Quando tomou posse, o mínimo valia R$ 200 e o dólar estava na casa de R$ 3,535. Ao passar o mínimo para R$ 350, caso o dólar continue oscilando em torno de R$ 2,246, o aumento — em dólar — será de 97,5%. Quase o dobro! (José Márcio Tavares - via Globo Online, 25/1), Rio.

Na igreja com os tucanos

Segundo O Globo, durante missa pelos 452 anos de São Paulo, Serra e Alckmin quase não se falaram.
Leram trechos da Bíblia. Serra fez a leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, que diz: “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício, aproxima-se o momento de minha partida”.
A de Alckmin parece que foi mais ou menos assim: “Dai a Serra o que é de Serra (a prefeitura); e a candidatura a Alckmin”.

A oposição a Lula é uma festa

Estava acertado o depoimento do ministro Palocci apenas para o fim da tarde de hoje para evitar sobressalto na Bolsa. Mas...
Acontece que hoje na Bahia vai ter uma tremenda festa pelo 27° aniversário do neto do senador ACM, deputado ACM Neto (PFL-BA). A festa, que é também um ato político do PFL para 700 convidados em Salvador, mobilizará ao menos três pefelistas da CPI, o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e deputados.
— Se o ministro viesse só à tarde, ao menos seis senadores relevantes estariam ausentes. Cinco têm a festa. Eles têm pressa em viajar — contou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Esta é a preocupação que a Oposição Macunaíma (“ai que preguiça!”, “vamos brincar!”) tem com o país. É por isso que Lula festeja:
- Ai, que delícia de oposição!

A Funai quer acabar com o I

O sertanista Sydney Possuelo foi demitido após 33 anos de trabalho na Funai por criticar declaração do presidente da fundação, Mércio Gomes, de que há terras demais para os índios no Brasil.
Em entrevista a O Globo, Possuelo disse que certa vez Mércio chegou a comentar com ele o seguinte:
- “Atendimento a índio, para mim, é quando o índio está lá dentro da terra indígena. Se ele sai fora da terra indígena, para mim não é mais índio”.
Pronto. Agora ficou claro o objetivo do presidente da Funai. Se os índios têm terras demais, é só ir diminuindo, diminuindo, diminuindo com elas... Acabando-se com todas as terras indígenas, os índios estarão, por conseqüência, obrigatoriamente, fora de suas terras. Aí... aí, para o presidente na Funai, já não serão mais índios!
Captaram?

Lula prefere Rigotto

Explicada a preferência do presidente Lula pelo fim da verticalização:
Em reunião com líderes do PMDB, Lula saiu convencido de que uma eventual candidatura do governador Germano Rigotto (RS) será menos prejudicial a seu projeto de reeleição que a de Garotinho.
Os governistas do PMDB devem trabalhar pela derrota de Garotinho. Em contrapartida, Lula garantiu ao PMDB que trabalharia no que fosse possível para derrubar a verticalização.

Serra numa sinuca de bico

O pau comeu entre os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Aloísio Mercadante (PT-SP) na tribuna do Senado.
Virgílio disse que Lula só se elegeu porque mentiu aos eleitores. Ao contrário de Serra, que sempre foi sincero:
- O candidato que ganhou a eleição foi o da generosidade falsa. O que perdeu foi o da sinceridade. Essa é a verdade que precisa ser proclamada ao país. O resto é propaganda, é marketing - disse o senador tucano.
O senador Arthur Virgílio, que agora posa de arauto da moralidade, já defendeu anteriormente o uso do caixa dois. Disse inclusive que era impossível fazer campanha sem ele.
Agora, com essas cobranças a Lula, pode estar colocando o prefeito de São Paulo, José Serra, numa sinuca de bico. Ao afirmar que Serra é sincero e não mente para conseguir votos, obriga o prefeito a não renunciar para concorrer à presidência. Afinal, durante a campanha Serra assinou um compromisso de que não abandonaria a prefeitura de SP.
Ou o senador está trabalhando para Alckmin?

'Ridi, Palocci'

PalocciMuito barulho por nada.
Toda essa discussão sobre se Palocci depõe ou não amanhã na CPI dos Bingos não tem a mínima importância. Com as modernas técnicas de marketing político as pessoas são preparadas previamente para situações como essa. Tudo o que os senadores poderiam perguntar a Palocci, ele já respondeu nessas prévias, junto a seus assessores.
Somente um fato novo poderia atrapalhar o ministro. Mas a oposição Macunaíma que temos ("ai, que preguiça!") não vai se dar a esse trabalho. Já tem até desculpas esfarrapadas para adiar a convocação de amanhã: o aniversário de ACM Neto e uma pequena cirurgia a ser feita pela mãe do senador Tasso Jereissati.
Isso acontece porque a convocação de Palocci serve apenas para criar um suspense. Tentar colocar novamente o governo na defensiva.
Ou seja: muito barulho por nada.

(Leia amanhã: o calcanhar-de-aquiles de Lula)

Inverno e Primavera

Hoje se comemora o aniversário de São Paulo. Mas também, desde 1984, o aniversário da primeira grande manifestação a favor das Diretas-já. Trezentas mil pessoas lotaram a praça da Sé cantando "um, dois três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o Presidente do Brasil".
As manifestações vinham ocorrendo por todo o país, mas essa era a maior e também a primeira que recebia alguma cobertura da Rede Globo, que até então ignorara solenemente a campanha.
Segundo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na época vice-presidente da emissora, ela era censurada pela censura militar e pelo “doutor Roberto Marinho”, que só permitiu a cobertura a partir do evento da Sé.
Naquele dia, ainda segundo Boni, a recomendação do “doutor Roberto” era de que o evento fosse divulgado como sendo apenas um show e que não houvesse nenhum discurso ou depoimento dos participantes.
Dois meses e meio depois, no dia 10 de abril, em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, cerca de um milhão de pessoas cantavam e comemoravam em mais uma manifestação. Eu estava lá. Todos tínhamos a certeza de que a emenda Dante de Oliveira seria aprovada.
Mal sabíamos que as cartas estavam marcadas, o jogo definido, num acordo entre políticos e governo militar.
Quinze dias depois, em 25 de abril, a emenda foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, embora tivesse recebido maioria de votos a favor (298 a 65). Faltaram 22 votos apenas para se atingir o quorum de dois terços exigido para alterações da Constituição.
A discussão e votação da emenda começou às nove da manhã. Mas o resultado só foi divulgado na madrugada do dia seguinte. Era uma estratégia combinada entre deputados para evitar que o povo, concentrado em manifestações por todo o país, despejasse sua frustração nas ruas de maneira incontrolável.
Pesquisa do Instituto Gallup em janeiro daquele ano mostrara que 81% dos brasileiros apoiavam as diretas já e apenas 10% eram contra. Quem não viveu aquele período pode imaginar a imensa frustração que tomou conta do povo.
Depois vieram as diretas, e, presidente após presidente, sentimos a sensação de que tudo vai mudar, como naqueles dias, e em seguida a mesma frustração.
Por isso, hoje o desânimo parece geral. Muitos pregando o voto nulo, descrentes de que um Brasil diferente seja possível.
Para esses, encerro com este trecho, que retirei de um artigo do poeta Ferreira Gullar. Ele estava clandestino em Moscou, no auge da ditadura, enfrentando o inverno russo de 18 graus abaixo de zero. O dia começava tarde, a noite chegava cedo...
"Mas foi em abril, quando os primeiros brotos surgiram nos galhos ressequidos pelo frio, que voltei a sorrir. E não demorou muito até que me deparasse, certa manhã, com a rua toda verde - árvores, jardins, canteiros - de um verde virente, novinho em folha. Era a primavera que chegava a ensinar-me que a vida é um eterno renascer. Aqui no Brasil, país da eterna primavera, mal nos damos conta disso. Claro que o sabemos, mas saber é diferente de viver. Essa notícia de que o inverno acaba, a tristeza acaba e o verde volta a sorrir foi o inverno russo que me sussurrou ao ouvido, naquele abril de 1972."

(Leia amanhã: o calcanhar de Aquiles de Lula)

Funai versus Índios

A Funai existe para defender e proteger os índios, certo? Errado. O presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes deu uma entrevista à agência Reuters há duas semanas. Nela, disse que os índios brasileiros têm terras demais e defendeu que o STF imponha limites a isso.
Pela declaração absurda foi criticado pelo sertanista Sydney Possuelo:
- As declarações de Mércio são semelhantes às de madeireiros, grileiros e garimpeiros, que defendem pontos de vista contrários aos interesses dos índios.
Resultado: o sertanista foi demitido.
Por isso não é de se estranhar o que aconteceu na semana passada no Espírito Santo. Em ação movida pela Aracruz Celulose, a Polícia Federal mais a Polícia Civil do estado destruíram aldeias indígenas de Córrego D’Ouro e Olho D´Água. A área está em disputa, e o processo corre em Brasília.
Nota da Comunidade Indígena do Espírito Santo alega que havia um acordo de que nenhuma das partes tomaria qualquer medida até o final de fevereiro. Acordo que foi desrespeitado pela ação da Aracruz. Clique aqui e leia a íntegra da nota, que é assinada pela Comissão de Caciques e Lideranças Tupinikim e Guarani, e faz ataques à Aracruz e ao governo brasileiro.
Será que a declaração do presidente da Funai não incentivou a atitude da empresa?

Hospital do Rio 40 graus

Segundo O Globo, por causa de um problema no ar-condicionado central do maior hospital de emergência da América Latina, dez das 14 cirurgias marcadas para ontem foram canceladas. Apenas duas das oito salas do centro cirúrgico estavam ontem em funcionamento. O calor também atingiu as três salas de atendimento emergencial, além da sala de reanimação. Todas estão funcionando precariamente com as janelas abertas e ventiladores. No início do dia, a chefia da emergência do hospital pediu ao Corpo de Bombeiros que não encaminhasse pacientes em estado grave para a unidade.
Levando-se em conta que estamos em pleno verão e a temperatura anda beirando os 40 graus à sombra, dá para imaginar o sofrimento dos pacientes.
O secretário municipal de Saúde, o tucano Ronaldo César Coelho, sabe do problema. Tanto que na semana passada, quando da visita do ministro da Saúde ao local, providenciou o aluguel de quatro aparelhos de ar-condicionado para que Sua Excelência não ficasse exposto ao calor. Por que não fez o mesmo para os pacientes?
Só falta agora pedir que tenham paciência. Que se abanem. Ou que se danem.

Reconstruindo Lula

Após aquilo que poderíamos chamar de “A Grande Lambança”, Lula e o PT agem de modo semelhante: o PT fingindo um ato de contrição e Lula fingindo que não teve nada a ver com o que aconteceu.
Como Lula de bobo não tem nada, é difícil aceitar isso. Provavelmente, o presidente sabia de todo o esquema de compra de deputados. Desde que foi um deles, Lula acha – como a maior parte dos brasileiros – que só pensam em “verbas”. Combinado com Dirceu ofereceu-lhes o que queriam.
Logo que assumiram o governo, viram alguns deputados a preço de ocasião e os compraram para reforçar a base aliada. Outros começaram a fazer fila no balcão, e então eles imaginaram que era só liberar as “verbas” com “nosso Delúbio” que o futuro estaria garantido. Até que Roberto Jefferson, que confessadamente enfiou quatro milhões num buraco escuro, deu com a língua nos dentes e tudo ruiu.

(Para ler o artigo completo clique aqui)

(Leia amanhã: Como mais de 100 milhões de pessoas conseguem superar uma frustração)

Fisgando a oposição

Lula jogou a isca e a oposição caiu direitinho.
O presidente começou falando que a oposição o iria atacar por inaugurar obras e fazer publicidade de seu governo em ano de eleição.
E a oposição fez exatamente isso.
Só que, ao atacar o uso político que Lula faz das inaugurações ou lançamentos de obras, a oposição abre ao presidente a possibilidade de dizer que ela “é contra as obras”. Nos palanques, Lula faz-se de vítima e ainda por cima coloca a oposição como contrária aos interesses do povo.
Portanto, quanto mais a oposição atacar o “uso eleitoreiro” que o presidente faz de suas ações, melhor para Lula.

Os Maluf nadando em dinheiro

Quando não está bem de saúde, Tio Patinhas – o miliardário tio do pato Donald – mergulha nas moedas e logo se recupera. Os Maluf parece que adotaram a terapia.
Paulo Maluf e seu filho Flávio pediram autorização à Justiça para uma viagem ao exterior, acompanhados de Sylvia Maluf, esposa de Paulo e mãe de Flávio. O motivo da viagem: negócios. A Justiça negou.
Os advogados dos Maluf mudaram então o motivo da viagem: tratamento de saúde para Sylvia, que, segundo os advogados, está com estresse, desde a prisão do marido e do filho.
A juíza Sílvia Maria Rocha autorizou uma viagem de dez dias para Sylvia. E permitiu, em caráter excepcional, que seu marido a acompanhasse.
A juíza é a mesma que enviou os Maluf para a cadeia no ano passado.
O casal Maluf iria à França, um dos seis locais onde se constatou que eles têm dinheiro – muuuuuiiito – no exterior. É uma conta que Maluf diz que pertence à esposa...
Mas a Procuradoria desconfia da existência de outras, até o momento desconhecidas. E que poderiam muito bem ser visitadas pelo casal – ao menos para um mergulho na grana, como o tio Patinhas. “Dinheiro medicinal” - vocês entendem.
A Procuradoria recorreu, e uma liminar barrou a viagem. Ao menos por enquanto.

Oposição Macunaíma

No final do ano passado, a estratégia da oposição estava dando certo. Mantinha o governo sob fogo cerrado. O presidente e seus ministros estavam sempre na defensiva, recebendo cobranças de todos os lados. Com isso, Lula despencou nas pesquisas. Aí...
Aí baixou o Macunaíma (quem?) na oposição:
- Ai, que preguiça!
Animados com os números das pesquisas, resolveram descansar. E nada como um descanso remunerado, não? Fizeram a autoconvocação, sob pretexto de que as investigações não poderiam ser paralisadas. E foram para casa. Não apareceram no Congresso nem para pendurar o paletó na cadeira.
Erro fatal. De estilingue passaram a vidraça. O foco da revolta popular passou do governo para o Congresso.
Disso se aproveitou o presidente, que partiu para a ofensiva. Sem as CPIs nos calcanhares, Lula se dedicou a inaugurar obras, tapar buracos (especialmente na própria imagem) e atacar a oposição. Deu entrevista exclusiva ao Fantástico, fez pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.
Como resultado, o presidente voltou a liderar as pesquisas.
A pergunta que fica é:
- Com uma oposição dessas, para que pagar por apoio?

(Leia amanhã: A estratégia de Lula)

Tucanos se bicam

- Eu garanto. Sou macho. Não vai ter briga.
Foi assim que o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), se referiu ao confronto Serra X Alckmin.
Como qualquer psicólogo de boteco sabe, cão que ladra não morde. Alardear poder denota insegurança. É claro que o senador sabe que o tempo vai esquentar cada vez mais entre os dois pré-candidatos do partido, e não há nada que ele possa fazer para impedir.
É uma luta de boxe. As pancadas ainda estão de leve, porque a disputa está no início. Mas, à medida em que o tempo avança, o pau vai comer solto.
Por quê? Parodiando o marqueteiro de Clinton James Carville:
- É a política, idiota!

Por que Lula sobe

escudo do Brasil Alguns motivos da recuperação de Lula, apontada na última pesquisa do Ibope, estão aqui.
Aliás, a possível reeleição de Lula - e os motivos pelos quais isso se daria - foram apontados por nossa desconhecida evidente, Mãe Kitola, em suas análises sobre o PSOL, PFL, PMDB, o PSDB e o PT.
Como dizia o Ibrahim Sued (quem?) "sorry, periferia", "ademã, de leve".

Carnaval Brasil

Hoje, na coluna do Ancelmo, em O Globo:
O enredo do bloco Vem Cá Me Dá, da Barra da Tijuca, no Rio, é "Me engana que eu voto".
Veja o refrão de um dos sambas concorrentes:
"Eureca, eureca!/É muita grana na maleta do careca/Eureca, eureca!/Agora dólar se carrega na cueca".

Pimenta no tucano dói

O deputado Custódio Mattos (PSDB-MG) declarou que a criação agora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar todas as privatizações feitas pelo governo federal entre 1990 e 2002 "ameaça a estabilidade da economia".
Curioso. O PSDB não se preocupou com a "estabilidade da economia" quando nenhuma das CPIs anteriores foi criada - ao contrário. Tampouco se preocupou com ela em 2002, quando percebeu que a candidatura Lula se firmava, e tratou de espalhar o terror, dizendo que Lula traria o caos ao Brasil.
Quase quebraram o país para continuar no poder. O dólar passou dos R$ 4, o risco país foi a 2500 e as reservas caíram para apenas US$ 14 bi.
Para o deputado, pelo visto, pimenta no Custódio dos outros é refresco.

'Ministro não contabilizado'

Segundo a Folha, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, disse que o governo quer direcionar R$ 18,7 bilhões para a habitação em 2006 - 36,5% a mais que em 2005.
Quem deve estar dando gargalhadas com a notícia é o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, que renunciou para não ser cassado e ter os direitos políticos suspensos por oito anos. É que Severino é, vamos chamá-lo assim, o "ministro não contabilizado" das Cidades. Quem quer resolver algum problema no ministério procura por ele e não pelo ministro "oficial".

Duda fez, Duda faz

DudaCom manchete parodiando o próprio, Veja desta semana destaca matéria com Duda Mendonça.
Na reportagem a revista destrincha todas as formas que o criativo e mais famoso marqueteiro político do Brasil teve que usar para receber de seus clientes.
Mas, sendo verdadeira a reportagem, será que Duda montou todo esse esquema por vontade própria, ou foi obrigado a agir assim? Como receber dentro da lei se boa parte das verbas que os políticos recebem como doações vêm de contribuintes que não querem, ou não podem, se identificar ou identificar a origem do dinheiro?
Duda Mendonça está sendo apontado como o vilão da história. Mas ele é apenas uma das pontas do esquema. Puxem o cordão e ele trará os políticos e aqueles seus financiadores que preferem ser “sujeitos ocultos”: empresários que fazem uso de caixa dois, bicheiros, contrabandistas, donos de empresas de transportes, de bingos, de limpeza urbana...
Enquanto parte da mídia se concentrar apenas em malhar o Judas em cima de Duda Mendonça, esses “sujeitos ocultos” continuarão a atuar, as roletas a girar, o jogo a ser jogado, e tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes.

'Compañero Lula'

O presidente Lula pode ganhar um aliado de peso em sua campanha pela reeleição. Ninguém mais ninguém menos que o presidente da mais poderosa nação do planeta, George W. Bush.
Com a eleição de Evo Morales na Bolívia - e governos de esquerda na Argentina, Uruguai, Chile, e especialmente Venezuela, com Chávez - o presidente norte-americano necessita de alguém que tenha bom diálogo com todos e possa ser um interlocutor confiável.
Lula é o homem. “Compañero” catequizado – e atualmente mais bem visto lá fora do que aqui dentro - nosso presidente tem boa entrada com todos, inclusive com Bush, que agora divide com Lula a mesma preocupação: começa a ser levantada a possibilidade de seu impeachment no Congresso americano.
Ironicamente, Lula, que já disse reiteradas vezes que não é de esquerda, pode ser ajudado pelos EUA porque os “hermanos” de esquerda o vêem como um “compañero”.

Estrela brasileira no céu de Lula

Andam dizendo por aí que a ida ao espaço do astronauta brasileiro, tenente-coronel Marcos César Pontes, vai custar ao Brasil 10 milhões de dólares.
Mas o presidente da Agência Espacial Russa, Anatoli Perminov, declarou que o valor é bem maior: 16,7 milhões de euros.
Seja qual for o valor, o fato é que em março nosso astronauta sobe.
Já é possível imaginar a narração de Galvão Bueno:
- Che-che-che-che-gooooooou!... Ééééééé do Brasiiiiiiillll!...
O presidente Lula espera subir junto. Nas pesquisas, é claro.
"Nunca na história deste país"... - vocês sabem.

Lula e a folha em branco

Augusto Nunes foi um dos jornalistas que participaram daquela entrevista do presidente Lula ao programa Roda Viva. Em sua coluna de hoje no Jornal do Brasil, o jornalista conta a seguinte cena dos bastidores:

Minutos antes do começo da gravação do Roda Viva no Planalto, o jornalista Paulo Markun combinou com Lula o detalhe derradeiro. Na hora do encerramento, exibiria o presente a ser entregue ao entrevistado: uma trilogia com os melhores momentos do programa exibido pela TV Cultura há 18 anos. Markun explicou que só o primeiro volume estava pronto. Os demais tinham a capa e páginas em branco. Lula folheou um desses com expressão feliz. ''Isso é que é livro bom'', alegrou-se. ''A gente nem precisa ler''.

Pois é, presidente, depois o senhor se queixa de que não sabe de nada, de que foi traído...
Leia, presidente.

Começou a guerra no PSDB

Mais cedo até do que se imaginava, começou a guerra interna do PSDB. Isso era de se prever, mas ninguém imaginava que fosse tão rápido. E esse “fogo amigo” entre os dois candidatos do PSDB que disputam a indicação do partido pode fazer a alegria do presidente Lula.
Começou com a declaração de Alckmin de que abandonará o governo de São Paulo antes do prazo legal, o que coloca o prefeito Serra contra a parede. Largando o governo e anunciando-se oficialmente pré-candidato, Alckmin tira de Serra a possibilidade de dizer-se impelido pelo partido a abandonar a prefeitura para tentar a presidência – o que seria um nobre motivo para descumprir a promessa escrita que fez durante a campanha de que não o faria. Além do mais, entre os paulistas Alckmin é mais bem avaliado do que Serra.
Agora vem o ataque ao vice de Serra, Gilberto Kassab (PFL). Aliados de Alckmin disseram que Kassab não tem a mesma competência de Serra, “sem falar no resto”. Este resto são acusações pesadas feitas contra Kassab durante a campanha pela prefeitura.
E olha que ainda estamos na primeira quinzena de janeiro!... E FHC ainda não disse nada!...

Cesar agrada Lula

Contrariando o que se espera de uma pessoa que diz apoiar Serra nas próximas eleições, o ex-prefeito do Rio ainda no exercício do cargo, César Maia, declarou o seguinte, segundo O Globo:
- Nunca houve um governo federal que produzisse para cidade tantos fatos positivos e contundentes quanto o governo Lula. Não há comparação com outros governos, se somarmos tudo que foi feito nesses três anos e um mês. O Rio está entre as cidades brasileiras que mais receberam recursos alocados na área social. Também tivemos investimentos na área turística e esportiva e na educação.
César Maia, para quem não se lembra, foi também indicado pelo PFL como candidato do partido, mas como sua candidatura morreu sem ter nascido, apoiou o nome de Serra mal este começou a subir nas pesquisas.
Agora elogia o governo Lula. Como ele só age de olho nas pesquisas e projeções...

Cara de um...

O publicitário Ramon Cardoso, sócio de Marcos Valério na SMP&B, confirmou em depoimento à Polícia Federal que a agência fez um empréstimo de R$ 9 milhões de reais à campanha de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que concorria à reeleição ao governo de Minas. O ano: 1998.
Esquema igualzinho ao utilizado adiante pelo PT.
Para os que acham que os dois partidos são muito parecidos, taí mais uma semelhança.

‘Tá lá um corpo estendido no chão’

Quem foi à praia de Ipanema aqui no Rio ontem, em frente à rua Maria Quitéria, testemunhou. Um corpo veio dar na praia, diante de um dos hotéis cinco estrelas mais caros e famosos da cidade.
Morto há três dias, trajando apenas um calção cinza, o homem tinha o corpo completamente deformado, em adiantado estado de decomposição.
No entanto, ficou exposto ao público durante quase três horas, à espera da perícia e do rabecão.
Numa cidade turística como o Rio, em dia de forte calor, férias e praias lotadas, a demora na retirada do corpo prova ao menos que a incompetência administrativa é democrática.

Maluf ameaça voltar

Esta é boa! Andam espalhando por aí que o ex-prefeito Paulo Maluf vai sair candidato à sucessão de Alckmin. Quem anda espalhando o boato é o ex-prefeito, é claro. Mas a chance de que ele venha a fazer mesmo isso é zero.
O que Maluf quer é espaço na mídia, negociação com apoiadore$, para depois se eleger deputado federal e conseguir fórum privilegiado a fim de empurrar com a barriga o processo em que é acusado de desviar meio bilhão de dólares dos cofres paulistanos.
Cabe aos eleitores de São Paulo o bom senso de mantê-lo longe dos cofres. E à Justiça enviá-lo ao local devido.

Aos que se preocuparam

Agradeço os e-mails de algumas pessoas que se preocuparam pela quase uma semana sem postagens, mas não houve problema algum. Apenas viajei e no local não havia como me conectar - o que só vim a saber ao chegar lá.
Estou de volta.
Grato, abraços.

O novo foco da crise

Existem dois projetos na Câmara sobre o recesso parlamentar. Um prevê a redução do período de recesso. Outro acaba com o pagamento de subsídio extra em períodos de convocação.
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), declarou que a aprovação da redução do prazo de recesso é mais complicada, por ser matéria constitucional e portanto exigir maior número de votos, mas é menos polêmica que a que acaba com a remuneração extra.
É coerente o deputado achar que o problema da remuneração é mais complexo. Ele está entre os que não devolveram o dinheiro. Mas isso é problema do deputado com sua consciência e seus eleitores. O deputado - é bom lembrar - foi um dos que mais pressionaram para que a convocação extraordinária fosse feita, a fim de manter o governo na crise. Só que o tiro saiu pela culatra. Como Suas Excelências não trabalham, o foco da crise saiu do governo para o Congresso, que agora enfrenta a ira da população.

Lula 2006, new look

Em entrevista publicada hoje no Jornal do Brasil, Cesar Benjamim, ex-dirigente do PT, que se afastou do Partido há 10 anos, faz duras críticas ao partido, mais especialmente ao presidente Lula e ao ex-deputado José Dirceu.
Em certo trecho, perguntado se a eleição de Lula foi a chegada do povo ao poder, respondeu:
- Não. O Lula foi uma falsa chegada. Lula foi uma fantasia coletiva. O Brasil precisa dar esse passo, e apareceu uma figura como o Lula, que parece ser a encarnação disso por suas características pessoais. Mas a imagem do líder que ia comandar essa transformação fomos nós que criamos, porque precisávamos disso. O Lula nunca foi isso, nem sequer foi um reformista, sempre foi conservador. Ele trafegou pela esquerda porque a vida fez isso. O Lula é um tremendo equívoco. Um equívoco tão grande que não sei responder qual o efeito desse equívoco sobre o povo brasileiro. É um episódio meio patético, meio dramático, e que terá um impacto grande porque a decepção com Lula é muito mais profunda do que as decepções anteriores.
Não é a primeira pessoa que ouço fazer esse comentário de que Lula é conservador. Um conhecido escritor e historiador também tem essa opinião sobre o presidente.
Em outra parte da entrevista, Cesar Benjamim, que participou recentemente com o economista Carlos Lessa - ex-presidente do BNDES - da elaboração de um texto sobre o momento político do país, faz uma comparação entre Lula e Garotinho:
- O PT acusa o Garotinho de ser assistencialista, e ao mesmo tempo o governo Lula diz que sua única iniciativa é o programa Bolsa-Família. Não sei qual é o moral do PT para manter esse tipo de acusação.
Conservador na política econômica e assistencialista com o Bolsa-Família - este é o Lula versão 2006, que vai às urnas atrás da reeleição.

Crimes, polícia e imprensa

Mais uma reviravolta no caso do ônibus 350, que no dia 29 de novembro do ano passado foi incendiado por um grupo, a mando de um traficante. Cinco pessoas morreram, inclusive uma criança de um ano e sua mãe.
Para quem não se lembra, ou não vem acompanhando o caso que chocou o país, logo após o crime foi presa uma menor de 13 anos, que confessou sua participação e reconheceu uma namorada do traficante como chefe da ação. Embora sobreviventes do incêndio não tenham reconhecido a tal namorada acusada pela menor, ela foi presa, teve seu rosto exposto nos principais jornais e telejornais do país, foi chamada de monstro e ameaçada de morte.
Um mês depois, a menor voltou atrás e disse que a namorada do traficante não era aquela mas uma outra. Solta-se essa e corre-se atrás da outra.
Ontem a menor voltou atrás novamente. Não mais reconhece as duas namoradas. Pior: nega ter participado da ação ou ter qualquer conhecimento do caso.
Mais uma vez, assim como no episódio da Escola de Base em São Paulo, a imprensa repercute a polícia. Ambas apressadas, querendo “mostrar trabalho”, desinformam a população e estragam a vida de pessoas inocentes.

Julgamentos apressados

Acaba de acontecer aqui no Rio um episódio muito semelhante ao da Escola Base em São Paulo. Mas como a repercussão não está sendo nacional, a mídia finge que não tem nada a ver com isso.
Em 29 de novembro último, um grupo, a mando de um traficante, incendiou um ônibus e todos os que estavam dentro dele, matando cinco pessoas. No dia seguinte, uma jovem foi presa.
Nas primeiras páginas de todos os jornais e nas matérias dos principais telejornais, ela foi apresentada como a namorada do tal traficante e principal responsável pela chacina. Contra ela havia apenas o depoimento de uma menor, de 13 anos, que a reconhecera por foto, embora todos os sobreviventes não a tenham reconhecido.
Agora, após amargar mais de 30 dias de cadeia, ela é solta. Reconheceu-se que houve um engano.
Nesse intervalo, ela teve sua imagem espalhada por todo o país, tachada de monstro, ameaçada de morte.
A busca desenfreada por culpados, para satisfazer o apetite indignado da população, está na raiz deste fato - como de outros que diariamente a mídia divulga.
Há pouco, por exemplo, o presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDM-AL), juntou-se ao coro dos indignados e defendeu a convocação extraordinária do Congresso:
- "Se o governo pensa no recesso para dar férias à crise, não vai contar comigo."
Veio a convocação. O senador está em casa, em Alagoas. O Congresso, vazio. Os congressistas com os bolsos cheios.

Democracia ou Terrorismo?

Trecho do artigo do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, publicado na FSP hoje. Assinante do jornal ou do UOL pode clicar aqui e ler o artigo na íntegra. E também está aqui, no site da Agência Carta Maior, seguindo dica do comentarista João Rosa, e aberto a todos.Vale a pena.

5) Terrorismo, democracia e libertação. É multissecular a tradição do Ocidente de violar os direitos humanos sob o pretexto de os defender, de cometer os mais grosseiros atropelos à democracia para impor a democracia. Estará a história a mudar? Se a guerra é o terrorismo dos fortes, será que o terrorismo é a guerra dos fracos? Poderá eliminar-se o terrorismo sem eliminar o terrorismo de Estado?2005 mostrou que a democracia tem duas histórias. Uma é a da sua subordinação aos interesses do capitalismo: impõe-se no Iraque, tolera-se a sua violação no Uzbequistão e liquida-se (se possível) na Venezuela. A outra história é a da luta democrática nos povos pela justiça social. As eleições no Uruguai, na Venezuela e, agora, a retumbante vitória de Evo Morales na Bolívia.Qual das histórias vai prevalecer em 2006? Será Hugo Chávez assassinado?Em 2005, o futuro veio ao presente, mas, como é seu timbre, não veio para ficar. Em vez de previsões certas, temos imprevisibilidades decisivas.

Trocando idéias

Segundo Luis Fernando Veríssimo, sempre se pode começar uma crônica dizendo "existe um provérbio chinês...", porque parece existir um provérbio chinês para qualquer assunto. Este é mais um deles, atribuído a Confúcio, e que nem sei se é verdadeiro ou não.
"Dois homens vêm andando pela estrada, em sentido contrário. Cada um carrega um pão. Quando se encontram, conversam e trocam os pães. Despedem-se e seguem seus caminhos. Ainda com um pão cada um. Mas se os dois homens trouxerem uma idéia cada, quando se encontrarem e trocarem idéias cada um irá embora com duas".

Lula e a lei Ricupero

O ministro da Fazenda no governo do presidente Itamar Franco Rubens Ricupero é autor da famosa frase “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.
Lendo-se jornais e blogs hoje a impressão que se tem é que a máxima de Ricupero é usada às avessas, quando se trata de avaliar o governo do presidente Lula.
Se há o que elogiar, como no caso da Economia, do controle da inflação, do recorde das exportações, por exemplo, nenhum mérito é do presidente. O que Lula fez foi pegar o que estava sendo feito por FHC e dar continuidade.
Se há o que criticar, como nos casos de corrupção e uso do caixa dois, acontece o contrário. Parece que Lula e o PT criaram a corrupção e o caixa dois no Brasil. Tudo o que foi feito antes é pinto perto do “maior escândalo de corrupção de todos os tempos”.
Mas se é uma questão de quantificar, por que não se reconhece também que este governo liquidou a dívida com o FMI, bateu todos os recordes de exportação etc.?
Parece que contra o governo Lula o que vale é “o que é ruim a gente mostra, o que é bom a gente esconde”.

Aviso aos indignados

Depois daquilo que se pode chamar de “A Grande Lambança”, que fizeram o governo Lula e o PT, muitos espertalhões têm aproveitado a indignação da população em benefício próprio.
Começou com o referendo. Foi explorado que o voto no “Não” era em defesa de liberdades que o governo estava querendo tirar e, ao mesmo tempo, um protesto contra este mesmo governo. Ao final, descobriu-se que mais de 97% da campanha do “Não” foi financiada pelas indústrias de armas...
Agora há pouco foi a vez do Congresso. Deputados e senadores deram declarações aparentemente indignadas dizendo que o governo Lula queria o recesso a fim de paralisar as investigações e o trabalho da Comissão de Ética. Houve uma grita geral. E a convocação extraordinária foi aprovada para que o Congresso não parasse. Resultado: Congresso vazio, mas com os bolsos cheios. A Comissão de Ética parada...
A próxima jogada é a campanha pelo voto nulo. Os mais indignados acreditam que assim estarão punindo os congressistas. Mas o povão não anula voto. Nem lê jornal ou blog. Resultado: indignados mais bem informados votam nulo. O povão vota naqueles que dizem que conseguiram verbas e obras para o povo. Como, por exemplo, os ex-deputados Waldemar Costa Neto, Severino Cavalcanti, bispo Rodrigues, Paulo Rocha, que renunciaram ao mandato para não serem cassados, mas tiveram emendas recém-aprovadas no Orçamento para 2006. Votar nulo pode ser o caminho mais curto para ajudar a reelegê-los.

“Fogo amigo” na oposição a Lula

Muitos acham que o pior sobre Lula ainda está por vir. A munição pesada estaria guardada para a campanha. Mas há “fogo amigo” na oposição, que o momento está apenas camuflando, já que agora é hora de sangrar Lula.
Por exemplo:
FHC “ama” Serra. E a recíproca é verdadeira. Ainda mais depois da última campanha presidencial.
O PFL “ama” Serra, pois acha que ele foi o mandante daquela excursão da Polícia Federal que descobriu a grana no cofre e matou a candidatura de Roseana Sarney na subida.
Noves fora os interesses conflitantes dos adeptos de Serra, Alckmin e... FHC, Aécio e Tasso.
Essa divisão da oposição pode fazer a delícia de Lula, que espera tirar proveito desse fogo mui amigo...

Lula no Fantástico

- “Santa ingenuidade”, diria Robin a Batman, naquela séria antiga. Será que alguém em sã consciência poderia imaginar que a entrevista do presidente Lula ao repórter Pedro Bial no Fantástico seria diferente?
O jornalista fez o dever de casa. Perguntou tudo aquilo que gostaríamos de perguntar ao presidente.
Lula também fez a parte dele. Hoje, as modernas assessorias preparam políticos e executivos para debates e entrevistas, onde eles são literalmente massacrados. As perguntas que todos queríamos fazer, evidentemente, foram as mais trabalhadas nessas reuniões. E como não tinha como respondê-las objetivamente, o presidente multiplicou seno por co-seno e fugiu pela tangente.
Ou alguém esperava que Lula fosse olhar para a câmera e dizer:
- Olha, Bial, povo brasileiro, nunca na história deste país um presidente deu uma mancada como a minha. Depois de perder três eleições, quando ganhei a última pensei que as portas estavam abertas para mim. Logo que assumi, vi alguns deputados a preço de ocasião e os comprei para reforçar a base aliada. Eles começaram a fazer fila no balcão, e imaginei que era só liberar a grana que meu futuro estava garantido. Até que Roberto Jefferson, que confessadamente enfiou quatro milhões num buraco escuro, deu com a língua nos dentes e tudo ruiu.
- “Santa ingenuidade achar que Lula diria isso”, comentaria a dupla dinâmica pós-moderna Bata-me e Roube-me.

Primeiros minutos de 2006


Esta foto de Hudson Pontes, que está no Globo Online, mostra os fogos de Copacabana vistos da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde moro e passei a virada do ano com minha mulher e minha filha.
É um privilégio, tão bem captado pelo Hudson Pontes, que compartilho com vocês.