Folha muda como o príncipe de Lampedusa?

Li no Observatório da Imprensa, que a Folha vai mudar:

(...) Comunicado assinado conjuntamente pelo diretor de Redação, Otavio Frias Filho, e pela editora-executiva, Eleonora de Lucena, elenca as diretrizes básicas para a chamada mudança editorial.

(...) São as seguintes as diretrizes propostas pelo comando do jornal para a mudança editorial em curso:

1. Organizar a pauta selecionando mais os assuntos e priorizando as abordagens exclusivas dos fatos de relevo. Buscar o furo como prioridade máxima. Ter um planejamento de médio e longo prazo para o desenvolvimento de pautas mais abrangentes.

2. Na produção, cuidar para ampliar o número de fontes, buscar o contraditório e sempre entender o contexto e os interesses que cercam a notícia. Não hesitar em pautar histórias que revigorem o prazer da leitura.

3. Na elaboração dos textos, trabalhar com concisão e didatismo. Observar a necessidade de a redação ter: a) frases e parágrafos curtos (máximo de 10 linhas justificadas); b) uso de aspas apenas quando houver relevância ou quando a declaração for curiosa; c) emprego de números e cifras com mais critério, lembrando sempre de relacionar a parte e o todo; d) preocupação com as nuances, os matizes de argumentos e fatos, fazendo relatos com fidelidade, sem tentar enquadrá-los em categorias preconcebidas; e) a memória do caso e suas inter-relações; f) narração clara e fácil, evitando jargões; e g) conexão com a vida prática dos leitores.

4. Na edição, ter a preocupação de oferecer um produto mais compacto e integrado, sem reduzir espaço reservado a artes e fotos. É necessário reforçar a hierarquia nas páginas. Ajuste gráfico em curso auxiliará nessa tarefa. É preciso dar visibilidade ao “outro lado” e usar com mais frequência recursos como: a) “análise”; b) “perguntas e respostas” / “para entender o caso”; c) “quem ganha e quem perde”; d) “saiba mais”; e e) “e eu com isso?”. [leia íntegra de artigo de Eduardo Ribeiro aqui]

“E eu com isso?”, indaga-se você que me lê, já se adaptando às novas regras da Folha. “Muda o Diretor de Redação, que também é o dono? O homem que defendeu a ditabranda? A linha serrista? Não? Então vão mudar as moscas, mas a merda vai continuar a mesma. Tô fora, é Frias”.

Ah, antes que me esqueça: No romance O Leopardo, de Lampedusa, há a famosa frase do príncipe Fabrizio Salina "É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique como está".

O que você acha?

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Sai do ar juiz que tirou Requião do ar

Lembram-se daquele juiz Lippman que tirou do ar o governador do Paraná, Roberto Requião, e o proibiu de aparecer em programas da TV Educativa do Paraná? Pois agora quem saiu do ar foi o juiz:

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu na sessão plenária desta terça-feira (28) afastar de suas funções o desembargador federal Edgard Antônio Lippman Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que engloba os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e abrir processo administrativo disciplinar, a fim apurar os fatos indicados em sindicância promovida pela Corregedoria Nacional de Justiça.

E quais são os tais fatos indicados? Os mesmos apontados pelo diretório do PMDB do Paraná, na época da censura a Requião, contra o juiz: o envolvimento em um esquema de venda de sentenças para favorecer a abertura de casas de bingo em Curitiba.

O presidente da comissão de sindicância e corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, escreveu em seu relatório, segundo o Bem Paraná:

O ministro Dipp afirma que de 2003 a 2007, Lippmann teria movimentado R$ 3,9 milhões. O relator alerta para o fato da diminuição da sua movimentação bancária no período em que “teria vazado” as denúncias contra ele. Mesmo assim, Dipp afirma que são valores bem acima dos vencimentos de um desembargador federal.
Em 2003, Lippmann teria movimentado R$ 747 mil, mas sua declaração de Imposto de Renda apresentava um rendimento de R$ 200 mil. No anos anterior, o dinheiro movimentado aumentou, chegando a R$ 1,029 milhão, em 2004. A partir daí, passaram a cair: R$ 898 mil (2005), R$ 693 mil (2006) e R$ 648 mil (2007).
Na relação de bens, o relator não encontrou de onde teria saído o dinheiro para o pagamento de um apartamento no nome da companheira de Lippmann. “Com efeito, há indícios de que, em tese, a movimentação bancária do sindicado (o desembargador), bem como a evolução patrimonial do casal Edgard e Ivanise seria, em uma primeira análise, incompatível com os rendimentos auferidos”, diz o relator em seu despacho. Ele cita ainda que há 10 reclamações contra o desembargador, elaboradas por procuradores e subprocuradores, informando desde a aceitação de pedidos de delegados para tramitar ou trancar ações até mesmo possível venda de sentença e até autorização para escutas telefônicas sem fundamentação jurídica.

Lippman, que condenou Requião ao silêncio, também preferiu ficar calado. Ele não teria ido depor na Comissão de Sindicância do CNJ alegando depressão.

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Dilma enviou carta à Folha denunciando reporcagem. Não foi publicada

O Blog do Nassif publicou uma carta que teria sido enviada pela ministra Dilma Rousseff ao ombudsman da Folha, com críticas às reporcagens da Folha sobre ela.

A verdade é que a ministra seguiu apenas o protocolo, porque o cargo de ombudsman da Folha ficou desmoralizado após a demissão de Mário Magalhães (por sinal, cadê nossa mídia preguiçooooosa que não o entrevista?), que criticava semanalmente o diário dos Frias.

De qualquer modo, Dilma não deixa pedra sobre pedra. Fica no ar a possibilidade de um processo contra o jornal e a reporca, Fernanda Odilla, autora da reporcagem.

Talvez tenha vindo dessa possibilidade o pedido envergonhado de desculpas feito pela Folha, que, além do mais, nem foi publicado no local correto: com o mesmo destaque da reporcagem, na primeira página, alto, lateral esquerda, de um domingo.

Daí a importância de uma Lei de Imprensa, que a mídia porcorativa quer ver morta.

Leia a carta de Dilma:

De Dilma Rousseff

Senhor Jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsmann da Folha de São Paulo,

1. Em 30/03/2009, a jornalista Fernanda Odilla entrevistou-me, por telefone, a pedido do chefe de redação da Folha de São Paulo, em Brasília, Melchíades Filho, acerca das minhas atividades na resistência à ditadura militar.

2. Naquela ocasião ela me informou que para a realização da matéria jornalística, que foi publicada dia 05/04/09, tinha estado no Superior Tribunal Militar – STM. No entanto, eu soube posteriormente que, com o argumento de pesquisar sobre o Sr. Antonio Espinosa, do qual detinha autorização expressa para tal , aproveitara a oportunidade e pesquisara informações sobre os meus processos, retirando cópias de documentos que diziam respeito exclusivamente a mim, sem a minha devida autorização

3. A repórter esteve também no Arquivo Público de São Paulo, onde requereu pesquisa nos documentos e processos que me mencionavam, relativos ao período em que militei na resistência à ditadura militar. Neste caso, é política do Arquivo de São Paulo disponibilizar livremente todos os dados arquivados e, em caso de fotocópia, autenticar a cópia no verso com os dizeres “confere com o original”, com a data e a assinatura do funcionário responsável pela liberação do documento.

4. Os documentos pesquisados pela jornalista foram aqueles relativos ao Prontuário nº 76.346 e as OSs 0975 e 0029, sendo também solicitadas extrações de cópias.

5. Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim”. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de “factóide”, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha de São Paulo.

6. O mais grave é que o jornal Folha de São Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.

7. Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.

8. Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de São Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.

9. Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”. Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha? Se optasse pela publicação, como ocorreu, por que não informar ao leitor de onde vinha a certeza da falsidade? Se esta certeza decorria de investigações específicas realizadas pela Folha, por que não informar ao leitor os fatos?

10. O Arquivo Público de São Paulo também disponibilizou cópia do termo de compromisso assinado pela jornalista quando de sua pesquisa, ficando evidente que a repórter não teve acesso a nenhum processo que tivesse qualquer ficha igual à publicada no jornal.

11. Mais ainda: a referida não existe em nenhum dos arquivos pesquisados pela jornalista, seja o STM, seja o Arquivo Público de São Paulo. O fato é que até o momento a Folha de São Paulo não conseguiu demonstrar efetivamente a origem do documento.

12. Considero ainda que a matéria publicada na sexta-feira,17 de março, em que a Folha relata as minhas declarações ao jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, não esclarece o cerne da questão sobre a responsabilidade do jornal no lamentável e até agora estranho episódio: de onde veio a ficha que afirmo ser falsa?

13. Após 21 dias de espera, não acredito ser necessária uma grande investigação para responder à seguintes questões: em que órgão público a Folha de São Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação? Parece-me óbvio que a certeza sobre a origem de documentos publicados como oficiais é um pré-requisito para qualquer publicação responsável.

14. Transcrevo abaixo o texto literal do termo de responsabilidade assinado pela jornalista em 22/01/09:

“Declaro, para todos os fins de Direito, assumir plena e exclusiva responsabilidade, no âmbito civil e criminal, por quaisquer danos morais ou materiais que possa causar a terceiros a divulgação de informações contidas em documentos por mim examinados e a que eu tenha dado causa. Ficam, portanto, o Governo do Estado de São Paulo e o Arquivo do Estado de São Paulo exonerados de qualquer responsabilidade relativa a esta minha solicitação.
Declaro, ainda, estar ciente da legislação em vigor atinente ao uso de documentos públicos, em especial com relação aos artigos 138 e 145 (calúnia, injúria e difamação) do Código Penal Brasileiro.
Assumo, finalmente, o compromisso de citar a fonte dos documentos (Arquivo do Estado de São Paulo) nos casos de divulgação por qualquer meio (imprensa escrita, radiofônica ou televisiva, internet, livros, teses, etc).” (Cópia em anexo)

15. Por último, cabe deixar claro que a ficha falsa foi divulgada em vários sites de extrema direita, como: a) Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), blog de apoio ao Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ficha falsa postada em 30 de novembro de 2008; b) Coturno Noturno – Blog do Coronel: ficha falsa postada em 27 de março de 2009 (a ficha está “atualizada” apresentando uma foto atual) (http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/04/desta-parte-dilma-lembra-tudo.html). A partir daí, outros sites na internet também divulgaram a ficha: a) http://fórum.hardmob.com.Br/showthread.php; b) http:/www.viomundo.com.Br/blog/dilma-terrorista/

16. Estou anexando a este memorial cópia de alguns documentos que considero importantes para sua avaliação:
Termo de responsabilidade assinado pela jornalista no Arquivo de SP;
Cópia de fichas onde consta a foto (ou idêntica) à utilizada para montagem da ficha usada pela Folha de São Paulo
Cópia da solicitação da jornalista Fernanda Odilla ao STM de acesso a informações sobre Antonio Espinosa
Autorização do Sr. Antonio Espinosa para acesso aos seus documentos
Termo de Compromisso assinado pela jornalista Fernanda Odilla junto ao STM.

Espero que a ministra processe reporca e jornal e dê o pontapé inicial numa nova relação entre o governo e o PIG.

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Vídeo mostra que intenção dos terroristas mortos era assassinar Evo


O promotor Marcelo Sosa, que investiga as ações do grupo terrorista que foi desbaratado na semana passada em Santa Cruz, na Bolívia, apresentou no sábado este vídeo aí em cima, que confirmaria as denúncias de tentativa de magnicídio.

Nele, os três terroristas (que foram mortos na ação da semana passada) lamentam-se por não haverem colocado uma bomba num barco militar em que estava o presidente Evo Morales e seus ministros, no princípio de abril. [Leia mais aqui]

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Reporcagem da Folha sobre Dilma ‘não foi erro, foi fraude’


O inferno da Folha continua...

Quando publicou a reporcagem sobre o tal sequestro de Delfim Netto (que nunca houve), a Folha queria atingir dois objetivos: mostrar que Dilma era uma “terrorista” (você entregaria o governo na mão de uma?) e fustigar os que combateram a ditadura, que para a Folha e Pinochet (veja vídeo acima) foi ditabranda.

A jornalista Sylvia Moretzsohn, que também é professora da Universidade Federal Fluminense e autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007), escreveu o seguinte artigo, publicado no Observatório da Imprensa, onde mostra que o erramos da Folha significa fraudamos:

Quando o "erramos" pretende encobrir a fraude
Por Sylvia Moretzsohn em 28/4/2009

A controvérsia iniciada pela Folha de S.Paulo em 5 de abril, com a extensa matéria que vinculava a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao planejamento do sequestro do então ministro Delfim Netto, em 1969, atingiu um novo patamar com o texto publicado sábado (25/4). O título, oblíquo, dissimula: "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada". Ali o jornal – em matéria enviada pela sucursal do Rio, e não produzida na sede – reconhece dois "erros": o crédito, como "Arquivo [do] Dops", dado à reprodução de um documento que, na verdade, fora enviado por e-mail à repórter, e o fato de haver tratado como autêntica uma ficha cuja origem não podia comprovar.

Este Observatório reagiu com agilidade à matéria, acusando no dia seguinte o "erramos envergonhado" e afirmando: "Folha publicou ficha falsa de Dilma". No entanto, errou, também, duplamente: primeiro, ao dizer que o jornal havia reconhecido ser "falsa" a tal ficha; segundo, e mais importante, ao tratar como "erro" algo que é evidentemente uma fraude. Delimitar com clareza a distinção entre uma coisa e outra é fundamental para uma crítica justa, dadas as implicações – jurídicas, inclusive – que cada uma dessas práticas importa.

As diferenças entre erro e fraude

Erro, como se sabe, é algo casual, involuntário, que "acontece". Pode ser banal e irrelevante, pode ser grave, gravíssimo e produzir consequências catastróficas, pode resultar de incompetência ou de informações insuficientes, mas será sempre um acidente. É, como se costuma dizer, uma característica da espécie humana. No caso do jornalismo, o ritmo sempre acelerado de produção, aliado ao irracionalismo que domina a competitividade na era do "tempo real", costumam ser a principal justificativa – quando não a desculpa – para os erros que se multiplicam no noticiário cotidiano. Foi um erro, por exemplo, o anúncio da queda do avião da Pantanal em São Paulo, em maio do ano passado; foi um erro assumir como verdadeira a denúncia da brasileira que teria sido torturada por skinheads na Suíça.

Não é o caso dessa história sobre a ficha da ministra: desde sempre, a Folha sabia da origem do documento e também sabia que não havia confirmado sua autenticidade. No entanto, vendeu-o como fidedigno e falseou a fonte. Não apenas no minúsculo "Arquivo Dops" que aparece como crédito, mas no escancarado FICHA DE DILMA ROUSSEFF NO DOPS, menor apenas que o título da chamada de capa da edição de 5 de abril.

Obrigada a recuar, diante das investigações realizadas por iniciativa da própria Casa Civil, que demonstraram a inexistência daquele modelo de ficha no Arquivo Público de São Paulo, e da carta que a ministra escreveu ao ombudsman, a Folha optou pelo contorcionismo verbal – para não dizer ético – e acusou um singelo "erro técnico" na classificação dos documentos utilizados para a reportagem, que teria originado a identificação equivocada da fonte.

É verossímil que uma reportagem que custou quatro meses de pesquisa – segundo artigo neste mesmo Observatório ["Uma releitura da Folha e da fonte", em 8/4] – possa descurar de algo tão elementar como a catalogação correta daquela ficha?

Pérola de cinismo

Já muito se especulou sobre as intenções dessa reportagem. É muito óbvio que, se o jornal estivesse comprometido com o nobre propósito de zelar pela "memória da ditadura", não teria qualquer motivo para explorar a figura da ministra: afinal, todas as informações sobre o planejamento do sequestro-que-não-houve foram dadas por Antonio Espinosa, o comandante militar da organização guerrilheira. Como argumentou o ombudsman em sua primeira crítica sobre a matéria, o correto seria utilizar como ilustração a ficha de Espinosa.

Mas quem conhece Espinosa?

Por outro lado, quem desconhece Dilma?

Então é muito óbvio: a título de "memória da ditadura", o jornal alardeia, jogando com o tamanho das letras: "Grupo de DILMA planejou sequestro de DELFIM NETTO". E "ilustra" a chamada com a reprodução da tal ficha policial.

É óbvio demais: a publicação de fotos ou cópias de documentos só se justifica como comprovação de fatos. Por isso, precisam ser fidedignos. Porém a Folha decidiu publicar um documento cuja origem desconhece e que "está circulando há mais de um ano pela internet". Entretanto, só nos diz isso agora, desculpando-se pelo "erro", que nem foi tão grave assim: afinal, a autenticidade "não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada".

Esta pérola de cinismo – esse cinismo que campeia nas redações e que exige de todos os que vivem ou passaram por essa experiência um estômago de avestruz para discutir a sério tais argumentos –, esta pérola de cinismo tem, no entanto, efeito oposto ao pretendido: só ajuda a escancarar a fraude, que induz o público a erro e o leva a duvidar do jornal que lê.

Testando hipóteses

Todo mundo sabe que o principal capital de um jornal é a sua credibilidade. Todo mundo sabe que vender gato por lebre é fraude. Nem se fale do ponto de vista ético, mas dos interesses mais comezinhos de sobrevivência, que orientam qualquer comerciante em seus cálculos. Por isso, o espanto: sabendo que seria inevitável a descoberta da fraude, como foi possível tamanha irresponsabilidade?

Talvez a resposta esteja na já famosa teoria do teste de hipóteses, como observaram aqui mesmo, em comentário, o professor Samuel Lima e, em seu blog, o jornalista Luiz Carlos Azenha: a Folha estaria apenas testando a hipótese da autenticidade do documento – bem de acordo, aliás, com outra hipótese, tão cara ao "jornalismo colaborativo", de publicar primeiro e confirmar depois. De minha parte, sugiro outras duas. A primeira (da matéria original): a principal fonte implicada, uma ministra de Estado, não iria correr atrás da informação; a segunda (do atual "erramos"): o público é idiota.

Tão idiota que nem deve ter notado a ausência de um mísero registro desse "erramos" na capa, como seria compatível com um mínimo critério de proporcionalidade. Tão idiota que pode, por isso mesmo, ser convencido de que a autorregulação é mesmo o melhor caminho para a garantia de uma imprensa livre, democrática e responsável. Tão idiota que não deve achar necessário o esclarecimento cabal desse escândalo.

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Ditabranda abriu a caixa de Pandora da Folha

Depois que tentou se autoindultar, transformando em ditabranda a ditadura que serviu, a Folha deixou aberta a caixa de Pandora e todos os seus podres parecem vir à tona de uma vez.

A reclamação começou de dentro, quando Editor da Folha critica jornal:‘Ditabranda é demais’.

Depois, ficou claro que a Defesa da ditadura é tradição de pai para filho na Folha.

Vem a denúncia da jornalista Rose Nogueira: Torturada pela ‘ditabranda’, demitida pela Folha por abandono de emprego.

Em seguida, o ato contra a ditabranda, comandado pelo presidente do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães, que obteve grande repercussão na blogosfera e obrigou o diretor de Redação da Folha a retratar-se: Mais uma vitória da blogosfera: Herdeiro da Folha reconhece que ‘ditabranda’ foi um erro.

Só que nesse reconhecimento, Frias voltou a pisar na bola, quando ainda insistiu em acusar o professor Fábio Konder Comparato de nunca haver criticado o governo cubano.

Foi desmentido pelo próprio jornal, pois o professor havia criticado o regime cubano na própria Folha: Folha errou de novo: Comparato criticou governo cubano.

Na sabatina que realizou com o presidente do STF, Gilmar Mendes, nova bola fora. Sabatina da Folha: Perguntas que não foram feitas.

Aí vem o “caso Dilma”. A Folha chama guerrilheiros que combateram a ditadura de terroristas, usando jargão dos ditadores. Para Folha, terrorista não era a ditadura, mas quem a combatia.

Além de chamar a ministra de chefe de organização terrorista, o jornal fez uma reporcagem sobre um pseudofato (o suposto sequestro que seria feito de Delfim Netto), negado de forma veemente por Dilma.

Para piorar as coisas, a fonte da jornalista – o também jornalista Antonio Roberto Espinosa - enviou uma carta ao Painel dos leitores da Folha (carta esta que não foi publicada) e a distribuiu pela internet, sendo reproduzida em vários sites e blogs.

A Folha teve que se retratar novamente. Folha reconhece erro em reporcagem sobre Dilma.

Vem a manipulação de uma manchete na Folha Online em Para quem ainda não acredita na existência do PIG:

A manchete das 11h16 na Folha Online ontem era esta: “Março registra criação de quase 35 mil vagas com carteira assinada”. Não durou meia hora. Estava muito favorável ao governo, e isto, na Folha, não pooode. O editor foi lá e transformou em: “Emprego formal tem pior trimestre desde 1999, mas melhora em março”. A matéria era a mesma, trocaram apenas a mosca.

A situação se agrava. Dilma: ‘A ficha [publicada na Folha] é falsa, é uma montagem’. A Folha diz que vai averiguar e depois confessa: Folha assume que fez reporcagem sobre Dilma com material de um spam.

Em seguida, ficamos sabendo quem foi a fonte da tal ficha de Dilma: Dr. Asdrúbal, torturador e assassino, foi fonte da Folha.

Acabou? Não. Ontem o Portal Vermelho publicou uma entrevista com um ex-preso político, o jornalista e escritor Rui Veiga, que afirmou categoricamente que um repórter da Folha era setorista no Dops.

O Dops, no período, tinha na linha de frente o delegado Sérgio Paranho Fleury, ex-líder do Esquadrão da Morte e um dos torturadores mais frios e truculentos do regime. “Para me pressionar, ele (José Ramos [o tal jornalista do Grupo Folha]) dizia: “Quem vai te pegar é o Fleury”, conta Veiga.

O que mais virá pela frente?

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Leitão escreve sobre gripe suína no PIG. Imperdível

Em sua coluna de hoje, sob título “Dois Fantasmas” (há quem enxergue três...), a especialista em notícias alarmantes, cenários catastróficos e crises arrepiantes, Míriam Leitão, trata da gripe suína.

Como a coluna da Leitão é publicada em O Globo (um dos mais proeminentes membros do PIG) a “gripe suína” é quase um assunto de família.

Leitão mantém o tom de sempre, alarmista, desde o início:

O mundo não se recuperou da crise econômica e, agora, o fantasma de uma pandemia aflige os países. A gripe suína não poderia chegar em pior momento. Ela agrava a incerteza, diminui o comércio mundial, que este ano já está encolhendo, afeta preços das commodities e espalha o vírus do medo, o pior companheiro da economia. O México enfrenta várias calamidades.

Com medo, o consumidor, de qualquer país, paralisa decisões econômicas, posterga viagens e compras, adota posições defensivas que, em geral, têm efeito paralisante na economia.

Aaaaaaaaaatchim! Apavorado, já comecei a espirrar.

Com medo de me contaminar com o texto, começo a saltar parágrafos, até que finalmente caio num trecho mais ameno, mais familiar. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína protestou contra o nome da gripe, que estigmatiza o suíno, o que contou com a aprovação de Leitão:

Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, acredita que o preço da carne suína não deve ser impactado e se irrita até com o nome da doença.

- Esse é um erro grosseiro para ser reparado. Este é um problema muito sério de saúde pública, mas a propagação é de homem a homem.

É um equívoco esta denominação e as coisas vão se esclarecer. É um problema de saúde pública, não dos rebanhos. A preocupação é não infectar pessoas.

Resolvi parar de ler por aqui, antes que a gripe suína me pegasse. Mas se você quiser conferir o texto na íntegra, clique aqui.

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Dr. Asdrúbal, torturador e assassino, foi fonte da Folha

O porcalismo não tem jeito. Enfia o focinho na lama, deita e rola nela para produzir suas reporcagens.

Enquanto o mundo, com razão, preocupa-se com a gripe suína, aqui no Brasil a mídia suína faz estragos e segue com seu porcalismo de resultados. Mas, com a internet, o Pig não vai longe, porque sempre vemos seu rabinho encaracolado à mostra.

Acabei de ler no PHA, mais uma carta do jornalista Antonio Roberto Espinosa (aquele que deu a entrevista que foi totalmente manipulada, distorcida, falsificada) criticando a Folha. Agora sobre a desculpa envergonhada, quando a Folha reconheceu que a reprodução de um documento publicado na reporcagem originou-se de um spam. Desculpa safada que nem foi publicada na primeira página – como a matéria de origem – o que mostra a importância de uma Lei de Imprensa para nos proteger da gripe suína do PIG.

Na carta, ficamos sabendo que o primeiro a divulgar a ficha falsa foi “o coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá”.

São os torturadores da “ditabranda” servindo de fonte para a Folha. É um flagrante do PIG (Partido da Imprensa Golpista) se chafurdando na lama para fazer suas reporcagens.

Leia a carta de Espinosa e veja como se proteger dessa mais grave gripe suína, a que vem do PIG:

Osasco, 25 de abril de 2009
Ao
Ombudsman
Jornal Folha de S. Paulo

Prezado jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva,

As circunstâncias (no caso a matéria “Autenticidade de ficha de Dilma não é provada”, da Folha de 25/4/2009, pág. A 12) obrigam-me a escrever-lhe novamente, solicitando outro pronunciamento seu a respeito da qualidade de reportagens e edição do seu jornal. Acabei de enviar carta ao Painel do Leitor, que lhe reencaminharei, por outro e-mail, a seguir, a qual suponho que não será publicada graças a novas desculpas burocráticas.
Curiosamente a matéria de 5 de abril foi produzida pela Sucursal de Brasília e a meia-retratação da edição de hoje foi realizada pela Sucursal do Rio. Não entendi as razões pelas quais não foi a própria autora do erro a se retratar, mas outra sucursal. Também não entendi por que, se era o caso de submeter o caso a outro organismo da Folha, não foi ela realizada pelo próprio editor do jornal, o senhor Octavio Frias Filho, ou no mínimo, a redação de São Paulo (sede do jornal e também sede do Dops paulista, que, supostamente, teria produzido a ficha da atual ministra-chefe da Casa Civil).
Quanto mais mexe mais fede, diz um ditado popular. E, quanto mais se envolve no não-fato de quarenta anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim Netto), mais a Folha se enrola e atrapalha. Seguem 10 considerações, para sua apreciação:
1) O título da matéria é um primor de ambigüidade: “Autenticidade” da ficha “não é provada”. Ou seja, é falsa ou não?
2) O título insinua que, no futuro, pode ser descoberta a autenticidade da ficha, ou seja, que Dilma seria mesmo procurada pelo Dops e DOI-Codi por supostamente ter participado de ações como a execução do capitão americano Chandler (CIA e ex-integrante da invasão ao Vietnã). Mesmo nesse caso, ainda que fosse procurada por sua suposta participação, isso não quer dizer que tenha participado, fato aliás jamais mencionado em qualquer investigação ou processo. A verdade é que Dilma não participou, nem poderia (pois era membro de outra organização e residia em outro Estado), de qualquer daquelas ações;
3) A repressão no início da década de 70 (Operação Bandeirantes, DOI-Codi e Dops) era tudo, violenta, arbitrária, torturadora, cruel, cínica, mas não era imbecil. Isto é, não perderia tempo fazendo insinuações ou acusações falsas, pois era objetiva e tinha um papel a cumprir em favor do regime de exceção. Naquele período, a repressão não produzia fichas desse tipo, e não teria porque fazê-lo em relação a Dilma, que era uma simples militante sem participação em ações armadas;
4) A ficha citada, na verdade, foi produzida recentemente por quadros que, na época da ditadura, eram subalternos, faziam o trabalho sujo dos porões. Hoje já estão aposentados mas se sentem como os heróis do regime de terror e preparam armadilhas com o objetivo de desestabilizar uma virtual candidatura presidencial da atual ministra Dilma. Eu e alguns amigos fizemos uma pesquisa amadora na Internet e descobrimos que o primeiro a divulgar a ficha falsa, e seu provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o Ternuma, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o A verdade sufocada – As histórias que a esquerda não quer contar, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões;
5) O que é realmente estranho é que a Folha de S. Paulo, um jornal tão preocupado com os critérios burocráticos e as formalidades da apuração dos fatos, tenha acreditado e publicado, assim dando repercussão nacional, uma ficha falsa, oriunda de fontes tão suspeitas. Por isso talvez seja lícito que se indague a respeito das conexões da Sucursal de Brasília com remanescentes dos antigos, e felizmente superados, porões do regime militar;
6) No lead da meia-retratação feita pela Sucursal do Rio, está dito que “Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar”. Chocante que a Folha volte a utilizar uma expressão, “terroristas”, estampada na época nos cartazes de “procurados” e na propaganda contrarrevolucionária do SNI e organismos da repressão;
7) Do ponto de vista da boa teoria liberal, esposada pela Folha, o direito à rebelião contra a tirania é legítimo e um dever dos cidadãos. A rigor, terroristas, ou ao menos, terroristas primários, ou causadores da reação armada de setores populares, na verdade seriam os autores do golpe de força de 1964 e os signatários do Ato Institucional número 5, que romperam com a soberania popular, a legitimidade eleitoral e o Estado de Direito. Chocante também o jogo de palavras num espaço nobre da matéria, em que são repetidas as insinuações contra a ministra;
8) No primeiro parágrafo da segunda coluna da meia-retratação está escrito literalmente que “A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano de seqüestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele”;
9) Novamente a mesma argumentação da repórter e da Sucursal de Brasília é agora reiterada pela Sucursal do Rio. Nas cartas anteriores, esclareci que informação política é diferente de informação factual, distinção que V.Sa. revelou compreender perfeitamente na sua coluna de 12/4/2009. Entretanto, a Folha voltou a bater na mesma tecla. E, como ex-comandante nacional da VAR-Palmares e responsável pelo setor militar da organização, sou obrigado a repetir uma vez mais (e até quando terei que fazê-lo?) que Dilma, no que é de meu conhecimento, jamais participou de ações armadas e não teria como saber que o Regional de São Paulo, de fato, estudava a viabilidade do seqüestro do então ministro. De resto, esse tipo de informação jamais seria prestada com esse simplismo temerário mesmo ao comando nacional;
10) Da mesma forma que a repórter Fernanda Odilla, em resposta a minha carta, em 8/4/2009, agora a Sucursal do Rio, também garante que a Folha dispõe das gravações de minhas entrevistas. Essas entrevistas por acaso são secretas? Constituem um segredo jornalístico, inexpugnável e à prova dos leitores? Por que a Folha insiste em dizer que tem mas não publica as entrevistas? Eu já estou cansado de desafiar o jornal a fazê-lo. Na sua coluna de 12/4/2009, V.Sa. também informou ter sugerido à Redação que as publicasse, ainda que na Folhaonline, e reiterou sua sugestão. Além dos arquivos secretos da ditadura, temos agora também as entrevistas secretas da Folha de S. Paulo, que são uma arma da Redação contra suas fontes, os leitores e a verdade?
São essas as considerações que tinha a fazer e que embasam minha solicitação para que V.Sa. volte a tratar do assunto na sua coluna de amanhã. Creio que, além das questões técnicas da produção jornalística, estamos tratando também de uma conspiração contra a verdade, a boa informação, a boa fé dos leitores e a democracia.
Muito obrigado
Antonio Roberto Espinosa

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Substituto confirma acusações de Protógenes e indicia Daniel Dantas

Muita gente andou falando que o relatório do delegado Protógenes na Operação Satiagraha era delirante, mal escrito, mal fundamentado. Outros disseram que estava tudo dominado, que o governo Lula teria sentado em cima do inquérito para favorecer Dantas. No entanto, o delegado Ricardo Saad, que substituiu Protógenes à frente do inquérito, confirmou as acusações e indiciou o banqueiro condenado.

O banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, foi indiciado nesta segunda-feira pela Polícia Federal por cinco crimes já apontados desde o começo da investigação da Operação Satiagraha. Numa comparação com as primeiras manifestações do Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso, os indiciamentos agora conduzidos pelo delegado Ricardo Saad reafirmam o trabalho iniciado pelo delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso, e também pelo procurador da República Rodrigo De Grandis.[Leia mais aqui]

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O que é a gripe suína? Ela pode chegar aqui? Como se proteger?

Que tal nos informarmos direitinho sobre essa epidemia, que pode se transformar em pandemia, antes que sejamos inundados por informações alarmistas da mídia porcorativa?

As informações abaixo eu peguei no Blog da Saúde, do Azenha, e foram escritas pela jornalista Conceição Lemes, que há 25 anos atua como jornalista especializada em saúde e já ganhou 22 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica e José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo CNPq.

Primeiramente, informações da Organização Mundial de Saúde (OMS):

O que é a gripe suína?
A gripe suína, ou influenza suína, é doença respiratória aguda altamente contagiosa freqüente em porcos, causada por um ou vários vírus A da gripe suína. A morbidade tende a ser alta e a mortalidade, baixa (1-4%). O vírus dissemina-se entre os porcos através de aerossóis e por contato direto e indireto; há registro de porcos portadores assintomáticos. Ocorre entre porcos ao longo de todo o ano, com maior incidência no outono e inverno e em zonas temperadas. Em muitos países, vacina-se rotineiramente os porcos contra a influenza suína.

Os vírus da influenza suína são mais comumente do subtipo H1N1, mas há outros subtipos também freqüentes em porcos (por exempplo, H1N2, H3N1, H3N2). Os porcos também podem ser infectados por vírus da gripe aviária e por vírus da influenza sazonal humana. Pensava-se que o vírus suíno H3N2 tivesse sido introduzido originalmente nos porcos por humanos.

Em alguns casos, os porcos podem ser infectados, ao mesmo tempo, por mais de um tipo de vírus, o que possibilita que os genes desses vírus se misturem. Daí poder resultar um vírus de influenza que contenha genes de várias origens – o chamado vírus recombinante. Embora os vírus da influenza suína sejam normalmente específicos e só infectem porcos, acontece às vezes de ultrapassarem a barreira da espécie e provocar doença em humanos.

Quais as implicações para a saúde humana?
Têm sido relatados ocasionalmente surtos e infecção esporádica de humanos pela gripe suína. Os sintomas clínicos genéricos são semelhantes ao da gripe sazonal, mas os relatos de apresentações clínicas variam muito, desde infecção assintomática até pneumonia severa, resultando em óbito. Uma vez que a apresentação clínica típica da infecção por gripe suína em humanos é muito parecida com a da influenza sazonal, a maioria dos casos foi detectada por acaso, na vigilância contra a influenza sazonal. Casos leves ou assintomáticos podem não ter sido identificados, motivo pelo qual não se conhece a real extensão da doença entre humanos.

Onde ocorreram casos da doença em humanos?
Desde em 2007, quando passou a haver uma regulamentação internacional, a OMS foi notificada da ocorrência de casos de gripe suína nos EUA e na Espanha.

Como ocorre a infecção em humanos?
As pessoas, quase sempre, são infectadas pelo contato com porcos. Mas em alguns casos não há histórico de contato nem com porcos nem com ambientes em que tenha havido porcos. Há alguns registros de transmissão da doença entre humanos, mas sempre limitada a contato muito próximo em grupos de convivência próxima.

É seguro comer porco e produtos de carne suína?
Sim. Não há registro de transmissão da gripe suína por ingestão de alimentos adequadamente manuseados e preparados com carne de porco ou outros produtos derivados de porcos. O vírus da gripe suína não resiste à cocção em temperaturas superiores a 70°C, como se recomenda para a preparação de carne de porco e outras carnes para alimentação humana.

Que países foram afetados por surtos da doença em porcos?
A gripe suína não é de notificação obrigatória para as autoridades internacionais de saúde animal. Por isso, não se conhece muito bem a distribuição internacional da doença. A gripe suína é considerada endêmica nos EUA. Sabe-se de surtos em porcos na América do Sul e do Norte, na Europa (incluindo Inglaterra, Suécia e Itália), na África (Quênia) e em áreas do Leste da Ásia, incluindo China e Japão.

Há vacina para proteger seres humanos contra a gripe suína?
Não. Os vírus da influenza modificam-se muito rapidamente e é muito importante que a vacina e o vírus circulante correspondam um ao outro para que a imunização seja eficaz. Essa é a razão pela qual a OMS tem de selecionar duas vezes por ano os vírus a serem incluídos na vacina contra a gripe sazonal. Uma vez para o inverno no Hemisfério Norte; outra para o inverno No hemisfério sul. A vacina atual contra a influenza produzida a partir das recomendações da OMS não contém o vírus da gripe suína.

Deve-se tomar antivirais para prevenir e tratar a infecção pelo vírus da gripe suína?
A informação disponível não é suficiente para que se recomende o uso de antivirais na prevenção e tratamento da infecção por vírus da influenza suína.

Agora, escreve Conceição Lemes:

Desde sexta-feira, dia 24, a influenza suína, ou gripe suína, está no noticiário do mundo inteiro devido à ocorrência da infecção em humanos no México e nos Estados Unidos. São casos graves de pneumonia possivelmente associados ao surgimento de uma variante do vírus da influenza suína A/H1N1.

O Comitê de Emergência da OMS, reunido nesse sábado, dia 25, em Genebra, analisou os dados clínicos, epidemiológicos e virológicos disponíveis dos casos notificados. Detectou que faltam informações mais precisas para a OMS tomar as medidas adequadas. Apesar disso, concordou que a situação atual constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. A OMS recomendou a todos os países que intensifiquem a vigilância de surtos incomuns de doenças parecidas com gripe e pneumonia grave.

No Brasil, até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza suína -- nem em humano nem em animais, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS).

No entanto, a SVS/MS decretou alerta de emergência em saúde pública desde sexta-feira. Representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura se reunirão diariamente em Brasília para acompanhar a evolução epidemiológica da situação e indicar as medidas adequadas ao país.

Vigilância 24 horas, nossa grande arma
Desde 2005, o Brasil conta com uma rede de vigilância capaz de monitorar a circulação das cepas de vírus respiratórios e, imediatamente, acionar “alarmes” para enfrentamento de emergências de saúde pública.

As Coordenações Estaduais de Vigilância em Saúde já foram acionadas para intensificar o processo de monitoramento e detecção de casos suspeitos e comunicá-los, no ato, ao Ministério da Saúde. Também foi intensificado o monitoramento dos viajantes procedentes do México e dos Estados Unidos nos aeroportos brasileiros. Afinal, vigilância 24 horas é a nossa grande arma não só contra a gripe suína, mas contra todas as doenças infecciosas, novas ou antigas.

“As vacinas atualmente disponíveis não oferecem proteção contra infecção deste vírus”, alerta o Ministério da Saúde. “Portanto, até o momento, não há indicação de uso da vacina contra influenza como medida de prevenção e controle da gripe suína”.

Por enquanto, as recomendações do Ministério da Saúde são estas:

* Passageiros que, nos últimos dez dias, chegaram do México e Estados Unidos e apresentem febre acima de 39 graus, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, nos músculos e nas articulações, devem procurar unidades de referência de atendimento na rede pública de saúde.
* Passageiros procedentes desses países que desembarcarem no Brasil já com esses sintomas, devem procurar o posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no aeroporto de desembarque.
* Consumo de produtos de origem suína não representa risco à saúde das pessoas.
* É totalmente dispensável o uso de máscaras, como está acontecendo no México.

Importante: até o momento a Organização Mundial de Saúde não recomendou restrições de viagens às áreas afetadas nem de entrada de passageiros vindos desses países. Nessas situações, é vital as autoridades de saúde esclarecerem sistematicamente a população sobre a situação real, sem ocultar nada, apenas a verdade. E você informar-se. Por isso, o Viomundo [e este blog] atualizará o assunto sempre que houver alguma novidade importante.

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Folha assume que fez reporcagem sobre Dilma com material de um spam

Sabe aquele spam que corre a internet há vários meses, que diz que Dilma Roussef roubou, matou, sequestrou, derrubou a casa dos Três Porquinhos, deu a maçã envenenada para a Branca de Neve e maltratou a Cinderela? Pois é, foi a ficha fake de Dilma que ilustrava o spam que a Folha usou em sua reporcagem, com reprodução até na primeira página.

É o porcalismo de resultados em ação. Tudo ali era fake. A reporcagem dizia que grupo de Dilma iria sequestrar Delfim Netto, à época ministro da ditadura. O sequestro não houve, Dilma nunca soube dele, nem de várias das outras acusações contidas na até o momento mais forte candidata a Reporcagem do Ano (pau a pau com a de O Globo sobre Brizola).

Hoje a Folha publica um mea culpa compriiiido (mas em página interna. Deveria publicar na primeira página, e com o mesmo destaque que deu à reporcagem), que pode ser resumido assim: a reporcagem é falsa, errada da cabeça aos pés, baseada em informações de um spam distribuído por grupos que assumidamente defendem a ditadura de 1964 e se dizem combatentes do terrorismo, quando terroristas são eles, que derrubaram um governo legitimamente eleito, sequestraram, torturaram, mataram, censuraram, colocaram o país nas trevas durante 20 anos.

Eis o texto da Folha, um verdadeiro FEBEAPES (Festival de Besteiras Assumidas Para Eleger Serra):

Autenticidade de ficha de Dilma não é provada
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar

DA SUCURSAL DO RIO
A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto".
Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.
Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: "Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa "Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim". O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha."
A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.
Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.
O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.
No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma "manipulação recente".
Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: "Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos."
A ministra escreveu ainda: "O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa."
Fontes
Dilma integrou organizações de oposição aos governos militares, entre as quais a VAR-Palmares, um dos principais grupos da luta armada. A ministra não participou, no entanto, das ações descritas na ficha. "Nunca fiz uma ação armada", disse na entrevista à Folha de 5 de abril. Devido à militância, foi presa e torturada.
Na apuração da reportagem do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes diversas: Superior Tribunal Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da luta armada e ex-funcionários de órgãos de segurança que combateram a guerrilha.
Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome "Arquivo de SP", quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte.
No arquivo paulista está o acervo do antigo Dops, sigla que teve vários significados, dos quais o mais marcante foi Departamento de Ordem Política e Social. Na ditadura, era a polícia política estadual.
Entre as imagens reproduzidas pelo arquivo, a pedido da Folha, não estava a ficha. "Essa ficha não existe no acervo", diz o coordenador do arquivo, Carlos de Almeida Prado Bacellar. "Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece."

Definitivamente, tanto erro assim não pode ser casual, você não acha?

Registro aqui que se a Folha tivesse lido o blog do jornalista Celso Lungaretti, poderia ter evitado esses erros (se é que os pretendia evitar). Pois assim que o spam infame começou a circular, Lungaretti registrou em seu blog, ainda em novembro, em título premonitório:Ficha da ditadura é munição para ataque virtual a Dilma Rousseff.

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GILMAR MENDES TEM UM RETRATO DE FHC EM SUA MESA DE TRABALHO




A informação está na coluna do Merval Pereira, reproduzida aqui:
"Nomeado por Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes mantém um retrato do ex-presidente em sua mesa de trabalho".
Leitor astuto, leitora sagaz, por que Gilmar tem esse retrato bem à vista? Será que ele ainda pensa que FHC é o presidente do Brasil? Que paixão é essa?


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Baixo clero recebe Gabeira, superando velhos preconceitos

Baixo clero recebe Gabeira de braços abertos - Charge de Leonardo

Charge de Leonardo, do Blog Rasura Livre, onde há outras charges de primeira.

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STF sob Gilmar é como a Globo sob Kamel

Quando o Jornal Nacional não deu o acidente da Gol em que morreram 154 (?) brasileiros para que a notícia não ofuscasse as fotos com a dinheirama dos aloprados na eleição de 2006, foi um escândalo tão grande, pegou tão mal para a Globo, que o diretor de Jornalismo Ali Kamel fez correr uma lista espontânea de jornalistas da casa defendendo a lisura da Globo. É a voz do patrão intimidando, como denunciou Rodrigo Vianna em sua carta aos colegas da Globo.

O mesmo acontece agora no STF. Depois do pito que o ministro Joaquim Barbosa passou no presidente do STF, Gilmar Mendes, este convocou uma reunião. De lá saiu uma nota em apoio à sua conduta à frente do Supremo.

Mas na internet, a mentira e a ocultação têm perna curta. Mário de Oliveira, em comentário no blog do Azenha, deu a informação de que seis ministro do Supremo trabalham para Gilmar Mendes:

Você já entrou no site do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público, que é de propriedade do Ministro Gilmar Mendes?
Entre os professores desse instituto estão os senhores Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha (cinco Ministros do Supremo). Ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente, a relação deles com o IDP do Presidente do Supremo. Também está na relação o Ministro Nelson Jobim.
Será que não estariam ética e moralmente impedidos de se manifestarem acerca do entrevero Joaquim Barbosa X Gilmar Mendes? Nesse caso, não há conflito de interesses já que de alguma maneira os citados têm relação com Presidente do Supremo que envolve remuneração?
Ps do site [do Azenha]
: O comentarista não notou, mas o senhor Cezar Peluso trabalha para Gilmar e é também ministro do STF.

A nota dos ministros:

“Os ministros do STF que subscrevem esta nota, reunidos após a Sessão Plenária de 22 de abril de 2009, reafirmam a confiança e o respeito ao Senhor Ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data”.

Assinam a nota Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Carmen Lúcia, Menezes Direito (estes seis, professores do IDP de Mendes) e mais Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Não assinaram a nota somente os envolvidos na polêmica, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, além de Ellen Gracie, que está fora do Brasil.

Repare que, mesmo assim, a nota não tem nenhuma censura ao comportamento do ministro Joaquim Barbosa, aquele que nos lavou a alma.

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Por que Jornal Nacional não diz que Dantas é o do dono da fazenda em conflito no Pará?

Todos os dias desta semana o Jornal Nacional tem falado sobre o conflito entre jagunços da fazenda Espírito Santo, membros do MST e o governo do Pará. Sempre com críticas ao MST, ao governo do Pará (da petista Júlia Carepa) e ao governo federal. Mas, em nenhuma dessas reporcagens é citado o nome do proprietário da fazenda (que tem a legalidade de sua escritura questionada na Justiça, pois seriam terras do estado, segundo uma decisão de janeiro deste ano do juiz da vara Agrária de Santa Maria dos Barreiras, no Pará, Líbio de Moura).

A fazenda Espírito Santo pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Grupo Opportunity, do banqueiro condenado Daniel Dantas.

Confira as reporcagens aqui e tire suas próprias conclusões: segunda, terça, quarta, quinta.

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Requião é a bola da vez nos golpes de Estado via Tribunais

A estratégia de tomada de poder via decisões judiciais está se alastrando. A bola da vez agora parece ser o governador do Paraná, Roberto Requião. Adversários e inimigos não faltam para esse político, que alguns consideram ser o Chávez brasileiro (ou Chávez é que é o Requião da Venezuela?).

O fato é que a CBN – aquela emissora do PIG que troca notícia – anunciou nesta quinta que o jornalista Fábio Campana (que já foi Secretário de Comunicação de Requião e hoje é seu adversário) diz ter provas de irregularidades na campanha do atual governador ao governo do Paraná em 2002 (isso mesmo, em romanos para não ter erro, MMII).

Segundo Campana, a campanha de Requião não teria declarado R$ 1 milhão que o candidato teria recebido em material da Gazeta do Paraná de Cascavel.

Como legítima representante do PIG, a CBN entrevista o denunciante, o proprietário da Gazeta (que confirma a doação, diz que foi legal e com recibo), mas não dá voz ao governador Requião ou a alguém de sua campanha.

A reporcagem, que você pode ouvir a seguir, lembra que outros governadores já perderam o mandato por causa de irregularidades na campanha. Não sei se é uma sugestão ou um apelo, levando-se em conta tudo o que Requião já disse a respeito das Organizações Globo (proprietária da CBN).



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Jornal Nacional faz reportagens baseadas em relatório ilegal


Réu confesso, o JN em sua edição de ontem confirmou que todas as reportagens que vem fazendo a respeito de um suposto “escândalo dos royalties na Agência Nacional do Petróleo (ANP)” são reporcagens pois estão baseadas num relatório ilegal (veja imagem acima):

Repórter Délis Ortiz: “A reportagem foi ao ar no dia 9 de abril. Com base em informações de fontes que garantem que o relatório foi elaborado por agentes da Polícia Federal que trabalham na assessoria de inteligência da ANP. Hoje, as mesmas fontes voltaram a confirmar as informações e reafirmaram que o relatório foi feito de forma ilegal”.

Repare que o verbo usado é reafirmar, o que, evidentemente, significa que a ilegalidade do relatório já havia sido assumida anteriormente. Pelo menos para eles. Mas, se o relatório é ilegal e apócrifo, por que colocar a reporcagem no ar? Apenas testando hipóteses para ver se conseguem atingir o ministro da Comunicação do governo Lula, Franklin Martins, que é irmão do suposto (como se usa a palavra suposto hoje em dia nessas reporcagens) acusado?

Tão grave quanto isso é a edição maliciosa da reporcagem, que confunde a cabeça do telespectador. O texto diz “relatório foi elaborado por agentes da Polícia Federal que trabalham na assessoria de inteligência da ANP”, mas as imagens que o ilustram são da sede e do símbolo oficiais da Polícia Federal. Ao final do trecho reproduzido, o que ilustra a palavra “ilegal” é a placa do prédio da ANP . (Confira no vídeo acima).

Tudo isso para quê, se a reporcagem é um saco vazio que não para em pé, como demonstrou Victor Martins, que é o suposto acusado no relatório ilegal:

“Vi também, na imprensa, para ser mais exato no Jornal Nacional, que algumas das informações teriam vazado do setor de inteligência da própria ANP. O setor de inteligência é ligado ao diretor-geral, Haroldo Lima, que prontamente esclareceu que não houve nenhuma determinação nesse sentido. O responsável pelo setor também me disse que não fez nenhum trabalho nisso e me apresentou um documento de autoria do superintendente da Policia Federal do Rio de Janeiro em que ele negava que tivesse dado aquela declaração atribuindo a inteligência e dizia que estava em curso pra apurar autenticidade e veracidade daquela documentação.” [veja reporcagem completa do JN aqui]

Ou seja, a Polícia Federal passou a operar para ver há veracidade no que estava contido num relatório apócrifo realizado de forma ilegal...

Cuidado, Globo, porque a PF pode acabar chegando aí. Duvidam? Daniel Dantas também duvidava.

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Joaquim Barbosa para Gilmar Mendes:'V.Exa. está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário'

Mais dia, menos dia, aquilo que se fala nas redações, nos blogs, na internet, chegaria ao STF. Não é de hoje que seu presidente, o ministro Gilmar Mendes, quer ser o sargentão do Brasil, como querem alguns, ou o Simão Bacamarte do Judiciário, como defendo eu.

Hoje, no debate de um julgamento, o ministro Joaquim Barbosa acabou dizendo o que estava atravessado na garganta de muitos de nós, e chegou a sugerir a Gilmar que ele andasse pelas ruas, para entender o clamor da população.

A cena já está no Youtube, e você confere aqui.



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Exclusivo: Severino Cavalcanti fala sobre uso das passagens por Gabeira

Ex-deputado, prefeito de João Alfredo, Severino Cavalcanti

O Blog do Mello entrevistou com exclusividade o ex-deputado, presidente da Câmara dos Deputados e atual Prefeito de João Alfredo, município do estado de Pernambuco, Severino Cavalcanti, para saber o que ele tem a dizer sobre o mais recente escândalo da Câmara, especialmente em relação ao deputado Fernando Gabeira:

Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu... É melhor eu não declarar nada agora não.
(...) Isso aí você pode até dizer com relação a Gabeira, dizer que eu disse que ele não tem autoridade pra criticar ninguém. Porque até hoje eu estou...não tive nada... quando eu era presidente da Câmara, nunca dei passagem pra ninguém não. As passagens minhas quem gastava era eu, porque eu usava as passagens pra visitar minhas bases. Eu estava aqui: todo final de semana eu vinha pra Pernambuco. Ele que era o paladino, não podia nunca fazer isso, se mandar para a Europa...

Clique para ouvir o depoimento do prefeito Severino Cavalcanti:



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