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Jornal Nacional dá 4' a denúncia requentada de Lulinha e nem uma nota para fraude tribilionária do Itaú

JN, Bonner e Renata

Globo não noticia o que pode ser o maior calote da história de São Paulo



Edição de ontem do principal telejornal da Globo, o Jornal Nacional, dedicou 3'55" de seu tempo a uma matéria requentada com acusações da Lava Jato sobre o filho do ex-presidente Lula, conhecido como Lulinha.

No entanto, ainda não informou a seu público a denúncia escandalosa do calote tribilionário do Itaú com sonegação de impostos à prefeitura de São Paulo, feita pela secretaria de Fazenda do Município e corroborada por uma CPI na Câmara Municipal.

Valor do montante envolvido no "caso Lulinha": R$ 132 milhões. Valor do calote do Itaú: R$ 3,8 bilhões.
Mas não é apenas na discrepância de valores que espanta o jornalismo de Ali Kamel não ter se interessado pelo assunto do calote do Itaú, na vitrine há duas semanas.

Enquanto o "caso Lulinha" é investigado desde 2006 e já foi arquivado em várias ocasiões e em estados diferentes por falta de provas, o caso do Itaú está cheio delas, inclusive com a utilização de diretores fantasmas, que teriam assinado atas de Assembleias que teriam sido realizadas em Poá, e que confessaram à CPI nunca terem posto os pés naquele município. Como no caviar da canção de Zeca Pagodinho, os diretores só conhecem Poá de ouvir falar...

Mas o tal jornalismo independente e combativo e isento de Ali Kamel não vê notícia aí. Por que será? Por um Itaú de vantagens?

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Ali Kamel defende o copyright, mas precisa se entender com a Infoglobo

Em artigo publicado hoje no Globo, o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, defende o copyright e investe contra os “piratas” que usam o trabalho alheio sem a devida remuneração.

Deveria começar criticando seus superiores da Infoglobo, que fazem isso com o chamado Eu-Repórter – o incauto que manda reportagens, fotos e vídeos para a Globo, com o intuito de colaborar com o jornalismo ou apenas de ter seu nome impresso ou digitado.

Em todos os cantos das Organizações Globo, seja na TV, no jornal ou nos portais G1 e Globo Online, essa participação é incentivada. No entanto, leiam mais uma vez o que diz o contrato sobre o pagamento a que fará jus o “Eu-Repórter” (grifos meus):

III – ENVIO DE CONTEÚDOS: DIREITOS DE AUTOR E DIREITOS DE IMAGEM
3.1 Ao remeter conteúdos produzidos pelo USUÁRIO, o mesmo concede uma licença não exclusiva, GRATUITA, não revogável, global e perpétua à INFOGLOBO, para que a mesma divulgue e/ou exponha tais conteúdos livremente no site O Globo e em veículos de imprensa da INFOGLOBO e/ou das demais empresas que compõem as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO, para quaisquer finalidades, podendo ainda fixá-los e armazená-los em ambientes eletrônicos e/ou quaisquer suportes aptos à gravação e leitura de informações eletrônicas incluindo, mas não se limitando à ambientes na Internet, Intranets, demais redes públicas ou privadas de dados, dispositivos móveis tais como celulares e dispositivos de mão, computadores e aparelhos com capacidade de processamento de informações, mídias físicas como CDs, DVDs, cartões de memória, discos rígidos ou quaisquer outros suportes à informação eletrônica, assim como mídias tradicionais como TV e papel impresso e assemelhados.
3.2 O USUÁRIO igualmente concorda que a INFOGLOBO poderá comercializar com terceiros que não componham as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO os conteúdos que houver submetido ao serviço Eu-Repórter. Nestes casos o USUÁRIO fará jus a um pagamento equivalente à metade do valor de aquisição do conteúdo efetivamente pago pelo terceiro, em até sessenta dias da data de referida transação.

Viram só? A Infoglobo ainda fica com a metade da grana do incauto. E aí, Kamel, que copyright é esse?

Leia também:

» Denúncia do Blog do Mello faz Globo recuar

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STF sob Gilmar é como a Globo sob Kamel

Quando o Jornal Nacional não deu o acidente da Gol em que morreram 154 (?) brasileiros para que a notícia não ofuscasse as fotos com a dinheirama dos aloprados na eleição de 2006, foi um escândalo tão grande, pegou tão mal para a Globo, que o diretor de Jornalismo Ali Kamel fez correr uma lista espontânea de jornalistas da casa defendendo a lisura da Globo. É a voz do patrão intimidando, como denunciou Rodrigo Vianna em sua carta aos colegas da Globo.

O mesmo acontece agora no STF. Depois do pito que o ministro Joaquim Barbosa passou no presidente do STF, Gilmar Mendes, este convocou uma reunião. De lá saiu uma nota em apoio à sua conduta à frente do Supremo.

Mas na internet, a mentira e a ocultação têm perna curta. Mário de Oliveira, em comentário no blog do Azenha, deu a informação de que seis ministro do Supremo trabalham para Gilmar Mendes:

Você já entrou no site do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público, que é de propriedade do Ministro Gilmar Mendes?
Entre os professores desse instituto estão os senhores Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha (cinco Ministros do Supremo). Ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente, a relação deles com o IDP do Presidente do Supremo. Também está na relação o Ministro Nelson Jobim.
Será que não estariam ética e moralmente impedidos de se manifestarem acerca do entrevero Joaquim Barbosa X Gilmar Mendes? Nesse caso, não há conflito de interesses já que de alguma maneira os citados têm relação com Presidente do Supremo que envolve remuneração?
Ps do site [do Azenha]
: O comentarista não notou, mas o senhor Cezar Peluso trabalha para Gilmar e é também ministro do STF.

A nota dos ministros:

“Os ministros do STF que subscrevem esta nota, reunidos após a Sessão Plenária de 22 de abril de 2009, reafirmam a confiança e o respeito ao Senhor Ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data”.

Assinam a nota Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Carmen Lúcia, Menezes Direito (estes seis, professores do IDP de Mendes) e mais Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Não assinaram a nota somente os envolvidos na polêmica, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, além de Ellen Gracie, que está fora do Brasil.

Repare que, mesmo assim, a nota não tem nenhuma censura ao comportamento do ministro Joaquim Barbosa, aquele que nos lavou a alma.

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A indignação seletiva de Kamel, Fátima e Bonner


Ontem, o Jornal Nacional se superou. Aproveitou-se de um fato revoltante (a agressão promovida por seguranças da Supervia contra usuários dos serviços de trens urbanos do Rio) para tentar passar a imagem de que estão ao lado do povo e contra os poderosos. Lobo em pele de cordeiro perde.

É fácil pressionar o presidente da Supervia, como fizeram no JN (reportagem acima). Mas, cadê a valentia, quando o agressor está sob comando do governador de São Paulo e presidente eleito pela mídia, José Serra?

Vejam o vídeo abaixo, retirado do mesmíssimo JN. A PM de José Serra agride e ataca com gás de pimenta mulheres (uma delas, grávida) e crianças.



Por que Bonner, Fátima e Kamel não convidaram José Serra para fazer com ele o que fizeram com o presidente da Supervia?

Por que não convidaram José Serra, quando houve o famoso confronto entre as Polícias Civil e Militar, também em seu governo?

Por que Quando é aliado do governo, Jornal Nacional denuncia. Quando é tucano, silencia?

O desrespeito e a violência contra a população (como a ocorrida com seguranças da Supervia), especialmente os mais pobres, mulheres e crianças, não é exceção, é REGRA, e o exemplo vem de cima: acontece nos trens, nos estádios de futebol, nos bailes e eventos populares, nas comunidades, sob o silêncio cúmplice do Jornal Nacional – ou até mesmo incentivado por eles, como a campanha que as Organizações Globo movem há décadas pela remoção das favelas.

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Diploma de jornalista não é garantia de Jornalismo

Não vou entrar aqui no mérito da exigência ou não de diploma de curso superior em Jornalismo para exercer a profissão de jornalista. Se for entrar nessa questão vou me desviar do assunto desta postagem, que é criticar a defesa que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) faz da tal exigência.

Que eles defendam o diploma e o nicho de mercado para a profissão (e também para as faculdades catadoras de dinheiro espalhadas pelo país) é problema deles. Minha crítica é quanto ao contexto e aos argumentos utilizados.

Como a votação pelo STF se dará no dia 1° de abril, eles estão comparando o fim da exigência do diploma à implantação de uma ditadura no Brasil, semelhante ao golpe de 1964. Está no texto do folder [o destaque é da Fenaj]:

Em 1964, há 45 anos, na madrugada de 1° de abril, um golpe militar depôs o presidente João Goulart e instaurou a ditadura que castigou o Brasil durante 21 anos. A sociedade brasileira pode estar diante de um novo golpe.

Peralá. Quer dizer que se o STF disser que não é necessário diploma para exercer o jornalismo no Brasil (não vou nem citar aqui os países em que essa exigência não existe) vamos voltar ao período das trevas, da censura, do arbítrio, da violência, da tortura, do assassinato, da cassação de políticos, da falta de liberdade de expressão etc?... Não é forçar demais a barra?

Mas, prossegue o folder [o grifo agora é meu]:

Desta vez, direcionado contra o seu direito de receber informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o Jornalismo, com formação teórica, técnica e ética.

Onde é que nós estamos (ou a Fenaj afirma que estamos) recebendo “informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o Jornalismo, com formação teórica, técnica e ética”? Qual é o veículo em que isso está acontecendo?

Porque as grandes redes de TV, jornal, as revistas, a tal mídia corporativa, enfim, há muito que não produz (ou produz muito pouco) algo que se possa chamar de Jornalismo, com jota maiúsculo.

Não tenho nada contra a exigência ou não de diploma (embora a exigência me pareça apenas uma questão corporativista somada aos interesses dos donos de faculdades de Jornalismo), mas não é o diploma de jornalismo que faz um jornalista. Nem é a defesa desse diploma que qualifica uma associação de classe.

Onde estão os jornalistas quando os repórteres são obrigados a mentir, falsificar, manipular? Onde estão os jornalistas de uma Veja (provavelmente todos com diploma), por exemplo, que permitem que nossa maior revista semanal tenha se transformado no lixo informativo que é hoje?

Onde eles estão quando permitem que esta mesma Veja tenha em seus quadros um jornalista de esgoto, especialista em ofender colegas de profissão, sem que nada seja feito?

Ao sair da Rede Globo o jornalista Rodrigo Vianna (atualmente na Record) afirmou que entrevistas e reportagens em que estivesse envolvido o governador José Serra tinham que passar pelo crivo de Ali Kamel, o diretor-executivo de jornalismo da RGTV, gerando omissões, falsificações, manipulações. Numa hora dessas, de que serve o diploma, se os diplomados entubam e se calam, se os sindicatos sabem do problema e se omitem?

A Fenaj (imagino que os sindicatos do Brasil inteiro também estejam engajados nesta batalha pelo diploma) está perdendo uma grande oportunidade, ao atrelar a qualidade do jornalismo apenas à exigência do diploma. A internet, as rádios comunitárias, a mídia livre, já atropelou esse “jornalismo chapa sindical” há muito tempo.

Mas, eu pelo menos, esperava uma ampliação de horizontes, que essa exigência do diploma viesse acompanhada de um código de ética da profissão, que não permitiria aos alikamels da vez detonarem com o jornalismo plural e informativo – este sim, o verdadeiro jornalismo. Será pedir demais? Ou o negó$$io é só o diproma, e vice-versa?

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O Globo contra Kamel: Reportagens de O Globo contestam artigo do diretor de jornalismo da Rede Globo

Na contramão do artigo de Kamel, publicado no dia anterior, O Globo de ontem publicou reportagens de mais de meia página, mostrando que o Bolsa Família não é um programa para matar a fome, como erroneamente afirma o diretor de jornalismo da Globo. Isso mostra que o Ratzinger da TV não está com essa bola toda no jornal das Organizações Globo. Uma contestação como essa não aconteceria na TV Globo.

Numa das reportagens, a secretária Nacional de Renda e Cidadania do MDS, Rosani Cunha, admitiu que beneficiados pelo programa utilizam-se dos recursos para comprar eletrodomésticos, o que não é proibido pelo programa, e que isso, ao invés de ser criticado (como o foi por Kamel), deveria ser elogiado.

— A família tem autonomia para usar o recurso do Bolsa Família como quiser. Pesquisas do ministério apontam que a maior parte do dinheiro é usado para comprar alimentação. Quem melhor sabe como alocar esses recursos, melhor aproveitá-los, é a própria família. É dinheiro seguro para o orçamento doméstico. Se está permitindo compra de eletrodomésticos, que bom. O país deveria aplaudir.

A secretária lembrou que “o programa existe também para eliminar a pobreza entre gerações e, por isso, exige o cumprimento de contrapartidas como a freqüência escolar”.

A outra reportagem eu reproduzo na íntegra, a seguir. É da repórter Letícia Lins. É para que você veja como está sendo feito esse uso abusivo do Bolsa Família.

Mulheres usam dinheiro para comprar TV, beliche e material de construção


AGRESTINA, PE. Aos 37 anos, a lavradora Mércia Josefa da Silva não sabe quantas colheitas de feijão e milho já perdeu devido às secas que assolam o Agreste de Pernambuco. Ela diz que a estabilidade financeira da família chegou com o Bolsa Família por causa dos dois filhos menores, Bruno Eric, de 12 anos, e Carolaine Evelyn, de 8: R$94 mensais. O dinheiro paga a cesta básica, o material escolar, e permitiu que economizasse uns trocados para comprar uma televisão em cores, depois de usar por três anos uma emprestada pela sogra.

— Sem a bolsa eu não conseguiria economizar, pois o dinheiro que tiro da roça só dava para a comida. Nem mesa eu tinha para comer. Depois do Bolsa Família, consegui comprar uma mesinha e a TV — conta ela, que mora na área rural de Agrestina, a 154 quilômetros da capital.

Ela diz que passou cinco anos juntando dinheiro, até que reuniu R$480 sob o colchão. Comprou a TV à vista. Agora pretende melhorar a casa de quatro cômodos, chão de cimento batido e com banheiro externo:

— Sonho em fazer o reboco e construir um murozinho.

Os outros eletrodomésticos que Mércia tem são anteriores à inscrição no programa social do governo: um aparelho de som, um liquidificador velho e uma “geladeira caindo de velha”, diz.

Salomé Maria Pereira da Silva, de 34 anos, três filhos, também conseguiu comprar bens com os R$112 mensais da bolsa. Ela trabalha no roçado, mas é o dinheiro do programa social que lhe garante a comida na mesa, a roupa das crianças e até a próxima sandália que vai comprar (a única que tem está quase se partindo). Ela conta que ainda sobrou para que ela comece a realizar o maior sonho: fazer um banheiro dentro de casa. O atual é um barraco, uma “loninha” no fundo do quintal. Ela já comprou cimento, cerâmica, tijolo e chuveiro. Vai continuar juntando para pagar o pedreiro.

— Sem o Bolsa Família, o dinheiro não dava nem para comer — diz Salomé, que tem todos os filhos na escola.

Maria José da Silva, de 32 anos, quatro filhos, recebe a bolsa há cinco anos. Recebe R$142 mensais, com os quais comprou um beliche para os filhos, que dormiam ou com ela em redes ou colchões pelo chão.

E você, o que acha? Kamel está certo ao criticar o uso de recursos do Bolsa Família para a compra de eletrodomésticos (e também uma mesa para comer, uma sandália, para substituir a que está se partindo, material de construção, para construir um banheiro em casa, beliche...)?

Leia também:

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No Brasil, a maioria é pautada pela minoria

Porque tem a mídia a seu lado, a oposição - que é minoria no Brasil - consegue pautar a maioria. Discutimos tudo o que lhes interessa e nada do que não lhes interessa. Embora tenham levado duas surras nas urnas.

A renovação das concessões de rádio e TV, por exemplo, que deveria ser exaustivamente debatida pela sociedade, não o foi. Perdeu-se a oportunidade, enquanto se discutia o caso Renan.

A direita está sempre unida e pró-ativa. Enquanto isso, a esquerda mal conseguiu juntar 1300 assinaturas (confira) num abaixo-assinado em favor da instalação da CPI da TVA. Imagine você o número de assinaturas que a direita conseguiria, caso a CPI da TVA interessasse a ela. Taí a diferença.

Agora temos aí a possibilidade do escandaloso monopólio do Grupo Abril na distribuição de revistas. E um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Perdemos tempo discutindo articulistas da direita, e isso só se reflete no aumento do salário deles. O que havia para ser dito sobre Ali Kamel, por exemplo, já o foi. Sinceramente, alguém acredita que alguma coisa mudará na Globo caso ele saia da direção de jornalismo? É exatamente o oposto. Se alguma coisa mudar no jornalismo da Globo, ele sai. Assim como já aconteceu com Armando Nogueira e, em outras instâncias, Walter Clark e Boni. Gente muito, mas muito mais importante que Kamel na história da Globo. Kamel não é o cabeça, é o laquê.

Ganhamos a eleição por ampla maioria. Todas as pesquisas indicam uma grande aprovação do governo Lula. No entanto, estamos sempre na defensiva, reagindo às pautas da direita.

A história do terceiro mandato de Lula

Estamos sempre sendo pautados pela oposição, como agora com a história do terceiro mandato de Lula. O responsável pela emenda da reeleição indefinida, ressuscitada agora, era tucano na época, o hoje ex-deputado Inaldo Leitão. A emenda foi apresentada em 1999, durante o governo FHC, e serviria possivelmente para seu terceiro mandato, caso o segundo não fosse o desastre que foi. Sobre isso nada se fala. Nem sobre a declaração do ex-ministro Sérgio Mota de que o PSDB tinha um projeto de poder de 30 anos.

No entanto, mesmo com as negativas de Lula, eles ficam nos empurrando goela abaixo o assunto, a tal ponto que FHC "exige" que Lula se declare, formal e peremptoriamente, contra a possibilidade. E aí corre o presidente, corre o PT, corremos muitos de nós a fazer o que querem, a dizer que não se deve mexer no jogo, que nada de terceiro mandato.

Por quê? Se a maioria do Congresso decidir, se a medida for levada a um referendo popular e o povo concordar com a possibilidade de um terceiro mandato, por que Lula não pode concorrer?

Esse assunto é completamente extemporâneo. Lula está no primeiro ano de seu segundo mandato. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas, se, mais adiante, o governo continuar com o trabalho que vem fazendo, a aprovação continuar lá em cima, aí sim o assunto pode voltar.

Sou do Rio de Janeiro. Vi o projeto dos CIEPs ser desmontado, porque à época não havia a possibilidade de reeleição. Brizola não pôde concorrer e Moreira Franco, que o sucedeu, começou o desmonte do projeto. Vamos deixar que o mesmo ocorra, por exemplo, com o Bolsa Família? Ou alguém tem alguma dúvida de que ele será desmontado na primeira bicada tucana?

Quem quiser outra história, que não deixe os congressistas aprovarem a emenda que torna possível o terceiro mandato; se esta possibilidade for aprovada, que busquem a reprovação do povo no referendo; se isso também passar, busquem derrotar Lula nas urnas. Simples assim.

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O dia em que Kamel preferiu não testar hipóteses

O professor Ali Kamel, diretor de jornalismo de Rede Globo, aquele que ensina que não existe racismo no Brasil (mas, segundo ele, pode vir a existir, caso o movimento negro continue a defender a política de cotas); que Bush fez bem em testar a hipótese da existência de bombas no Iraque e, por isso mesmo, bombardear e invadir aquele país; que a Globo errou por incompetência e não por má-fé no escândalo Proconsult, em 1982; que não manipulou desavergonhadamente a edição do último debate entre Lula e Collor na eleição de 1989; este Kamel, para justificar a cobertura que o Jornal Nacional fez do acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, disse que eles apenas estavam “testando hipóteses”.

"A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim".

Mas nem sempre Kamel age assim, testando hipóteses. Por exemplo: no ano passado, às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, a Globo recebeu do delegado Bruno as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal, no polêmico caso do dossiê. Embora dispusesse do material desde cedo, a Globo aguardou o JN para que a notícia pudesse ser mais espetacular.

Mas aí, às 18h50, acontece o terrível acidente envolvendo o Boeing da Gol e o jatinho da ExcelAire. A Globo recebeu a notícia, ainda incompleta e vaga, mas se ela fosse ao ar na mesma edição disputaria a atenção do público com a montanha de dinheiro. E aí, em vez de testar hipóteses, como no acidente da TAM, o que fez Kamel?

"As primeiras informações sobre o desaparecimento de um avião nos chegaram quando o JN já estava havia muito no ar (o telejornal teve início às 20h). Imediatamente, nossas equipes saíram à cata de informações, que eram escassas e sem confirmação. Seria um avião de passageiros que estava desaparecido ou atrasado? Ele era da Gol ou da Embraer? Ele sumiu em Mato Grosso, indo para Brasília, ou no Pará, indo para Manaus? Em nossas redações, foi aquela correria, mas todos tínhamos uma convicção: só poríamos a informação no ar quando tivéssemos certeza dela."

Por que agiu assim? O leitor quer testar hipóteses?

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A escolinha do professor Kamel

Na terça, o diretor de jornalismo da Rede Globo Ali Kamel, em artigo publicado no Globo (hoje reproduzido no Estadão), condenou a utilização do livro Nova História Crítica, adotado pelo MEC e escolhido por dezenas de milhares de professores de todo o Brasil. Mas, menos do que uma aula de história, o artigo de Kamel é uma aula do tipo de jornalismo que pratica e que denunciei aqui no Tico Tico no fubá da mídia golpista.

“Aí omito aqui, aí aumento lá,
Distorço tudo pra melhor manipular”.

Para quem não leu o artigo de Kamel, resumo. Ele começa de modo divertido, já pela escolha do título “O que ensinam às nossas crianças”. Pensei que Kamel fosse criticar a programação infantil da Globo, centrada no programa da Xuxa, cheio de desenhos educativos, informações culturais relevantes e incentivo ao consumo responsável, como no impagável anúncio de algum produto da Xuxa, em que as criancinhas cantavam alegremente “Eu tenho, você não te-em. Eu tenho, você não te-em”...

Mas estava enganado. Kamel nos informa, logo de início, que recebeu um livro das mãos do psicanalista Francisco Daudt. Deve ser amigo de Kamel. Talvez até seja seu psicanalista. Não sei. Mas, como num antigo slogan da Globo: Kamel e Daudt, tudo a ver. Porque o psicanalista é aquele que, em seguida à tragédia com o Airbus da TAM em Congonhas, escreveu um artigo na Folha que começava assim:

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS".

Bom, o Kamel, em parte, fez a vontade dele, pois, logo de cara, a Globo convocou vários especialistas para testarem a hipótese de que a culpa da tragédia era do governo Lula.

Voltemos ao livro. Após a leitura, Kamel confessa que ficou horrorizado. Diz que o livro quer inculcar na cabeça dos jovens que o socialismo é a solução para todos os problemas. E escolhe trechos do livro que comprovariam sua tese. Omite todas as que vão de encontro a ela, mas que o autor do livro, o professor de História Mario Schmidt, mostra que estão lá.

Em resposta ao artigo de Kamel, publicada no Portal Vermelho, o professor nos informa o que Kamel omitiu. E então o artigo cai por terra, pois, pelo material divulgado pelo professor, seria possível escrever um artigo com sentido oposto ao de Kamel.

Por isso é que falei, no início, que, na tentativa de criticar um livro de História, o professor Kamel dá uma aula de seu tipo de jornalismo.

Já há algum tempo, ele vem tentando reescrever a História. Inicialmente, apenas a da Globo, que na versão Kamel não manipulou a edição do debate Lula-Collor, não escondeu a imensa manifestação da praça da Sé pelas Diretas etc.

Em sua visão peculiar da História, por exemplo, Kamel afirma que no Brasil não há racismo, mas pode passar a ter, a partir da política de cotas e das ações afirmativas do movimento negro.

Recentemente, publicou novo livro, em que afirma, a certa altura, que, de acordo com as informações do momento, foi legítima – mais que legítima, necessária – a invasão do Iraque pelos EUA. Bush teria usado apenas de seu científico direito de testar hipóteses, quando mandou bombardear e ocupar o Iraque, causando a morte de um milhão de iraquianos, até o momento.

Mas o que mais me intrigou no artigo de Kamel foi seu final. Ele diz que “algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém”.

Quem ou o que seria esse alguém?

O leitor quer testar hipóteses?

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Jornal Nacional não viu relatório da PF que denuncia ‘complexa organização criminosa’ dos tucanos em Minas

Não sei se eu cochilei, mas não vi nada sobre o relatório da PF na edição do Jornal Nacional de hoje. Eles dormiram? Ou fui eu? Porque não é concebível que o telejornal de maior audiência do Brasil não informe sobre o ninho onde foi chocado o valerioduto. O maior escândalo de “movimentação financeira não contabilizada” (caixa 2) da história do país.
Será que o Kamel está testando hipóteses?
- Fátima, qual é a hipótese agora?
- A de que são todos idiotas, William.
- Boa noite, Fátima.
- Boa noite, Homer.
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Resultado do julgamento do 'mensalão' no STF, segundo a 'grande imprensa'

Se a denúncia do procurador for aceita, isto prova a existência do "mensalão" e seus "40 ladrões".

Se não for aceita, isto prova que a "pressão do governo" e os "grampos" amedrontaram os ministros do STF.

Porque a "grande imprensa" de Kamel (aquela que sustenta sua "independência", entre outras coisas, com classificados de prostitutas) já julgou e condenou o governo e os "mensaleiros".

Embora não tenha um voto sequer, a "grande imprensa" quer governar o Brasil.

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Buraco do metrô de São Paulo, pelo método Kamel

Deixa ver se eu entendi o método Kamel. Para explicar o novo buraco causado pelas obras do metrô em São Paulo eu devo começar culpando o governo e os controladores de vôo que liberaram as obras mesmo sem o laudo da cratera de janeiro, ou culpo a falta de grooving no asfalto? Devo começar a cobrar hoje um pronunciamento do governador de São Paulo, ou já deveria ter começado a fazer isso ontem?

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Ali Kamel e o ‘jornalismo independente’ da ‘grande imprensa’

Em artigo publicado no jornal O Globo, o diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, defende a chamada grande imprensa de ataques que estaria sofrendo, a seu modo de ver, injustos.

Em defesa de seu ponto de vista, Kamel afirma que os que atacam a “grande imprensa” são, em geral, financiados por empresas e fundos de pensão ligados ao governo, enquanto a “grande imprensa”, graças à imensa gama de anunciantes, teria independência para noticiar os fatos, sem que tivesse que agradar ao governo de plantão.

“É uma tautologia, mas, na atual conjuntura, vale dizer: o jornalismo só é livre e independente quando não depende de nenhuma fonte exclusiva de financiamento.”

Por esse raciocínio, apenas os milionários e os ascetas – porque estes nem dos anunciantes necessitariam - poderiam praticar o verdadeiro jornalismo.

Mas, como não é disso que se trata, convém que olhemos com mais profundidade essa tal pluralidade de anunciantes que gerariam uma maior independência da “grande imprensa”.

Ela é tão plural assim? Quem são os anunciantes da Rede Globo e de O Globo, por exemplo? Em geral, além das empresas e fundos de pensão do governo, as grandes e médias empresas, além das “vagabundas” (em quem o diretor do BBB, Boninho, adora atirar ovos podres), que, anunciando seus corpos nos classificados de O Globo, por exemplo, contribuem para que seu jornalismo se mantenha “independente”.

E o que querem esses anunciantes que pagam caro por suas mensagens? É outra tautologia, mas eles querem, obviamente, que consumam seus produtos. Portanto, querem atingir aqueles que podem pagar os produtos que eles anunciam, ou sonham em fazê-lo – e assim se endividam nos cartões de crédito (grandes anunciantes) e procuram bancos e financeiras (outros grandes) para pagar suas dívidas, mediante empréstimos.

Portanto, não é qualquer audiência. Se fosse assim, até hoje estaria no ar o programa Aqui e Agora – lembram-se dele? Ia ao ar pelo SBT e dava uma surra na Globo todos os dias. Tinha uma audiência fantástica. Seu diretor – Amaury Soares – veio a ser, posteriormente, diretor do Jornal Nacional. No entanto, o programa saiu do ar. Por quê? Por falta de anunciantes, que não se interessaram por seu público.

Desse modo, o público a quem o tal “jornalismo independente” da “grande imprensa” que atingir é – e isso também é uma tautologia – o público que pode comprar os produtos de seus anunciantes. E como atingi-lo?

A resposta foi dada por um grande empresário do “jornalismo independente” da “grande imprensa”, Roberto Civita, dono da Abril e da Veja. Em entrevista ao Jornalistas&Cia, ele afirmou:

“...Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

É em busca desse público indignado (que descarrega essa indignação na ostentação e no consumo – às vezes também jogando ovos em “vagabundas”, agredindo domésticas e queimando índios), que se movem o “jornalismo independente” e os anunciantes. Um deles - a Peugeot - chegou ao cúmulo de se aproveitar da tragédia com o avião da TAM para informar que estaria retirando um comercial do ar, em memória das vítimas, quando o anúncio da retirada já havia sido feito na semana anterior, e por outros motivos (uma suposta censura do governo federal).

Termino citando literalmente o último parágrafo do artigo de Kamel:

“Já aqui, temos de conviver com essas bazófias. Porque aqui, ao contrário de lá, há quem queira que a informação esteja a reboque de projetos de poder.”

Pois é, Kamel, quando vamos parar com essas bazófias? Quem tem projetos de poder é quem não está no poder. É uma tautologia, mas, na atual conjuntura vale dizer.

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Da turma de Sabius Lucidus: Quem vazou dados da caixa-preta do Airbus da TAM foi... Lula

Sabius Lucidus, para quem tudo de ruim que aconteceu e acontece na humanidade foi e é culpa de Lula, deve estar por trás dessa.

Recebi um e-mail ontem, e hoje já foram mais três, com o mesmo teor. Eles afirmam que quem mandou vazar os dados da caixa-preta foi... Lula. Leiam como a divulgação foi feita, e divirtam-se:

No episódio de decifração e divulgação do teor da caixa-preta e do gravador de dados de vôo, o Ministro de Comunicação Institucional, Franklin Martins, teve um papel estratégico. Foi dele o plano maquiavélico para que os dados da caixa-preta vazassem na imprensa, como se fosse um "furo de reportagem". O Palácio do Planalto escolheu dois jornalistas para que os dados viessem a público, isentando o governo. Os vazamentos ocorreram para a revista Veja e para a Folha de S. Paulo. A tática foi tão bem planejada, que a direção de ambas as publicações não deveriam saber do fato - que deveria ser encarado como um mero e grande furo jornalístico. No final de semana, as emissoras de tevê foram na mesma balada, graças aos editores-chefes simpatizantes do governo petista.

Agora tá explicado. A edição do Jornal Nacional daquela quinta-feira, que denunciou o reverso pinado do Airbus, foi uma jogada do trio Lula- William Bonner - Ali Qaeda Kamel... Só rindo.

Em minha opinião, quem deu a dica para o JN, quem vazou para a Veja e a Folha fala francês e emitiu notinha à imprensa após cada vazamento, jogando para a TAM e/ou os pilotos a culpa pelo acidente. E tirando o seu da reta. Exatamente como já fizeram antes, em outros acidentes.

Aguarde: “Inovação, Polêmica, Acidentes, Loucura e Trapaça – Breve história do Airbus”.

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