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Putin: Ocidente precisa entender que o baile dos vampiros está acabando

O presidente russo Vladimir Putin, recém reeleito com uma maioria de quase 90% dos votos para um mandato de mais seis anos, até 2030, deu uma entrevista ao jornalista de um canal de TV russo Dmitry Kiselev.

Bastante autoconfiante, ainda mais agora quando poderá completar 30 anos no poder — o maior tempo de um líder russo na história daquele país, Putin voltou suas baterias para elogiar o poderio das forças russas. Segundo ele, apenas Rússia e Estados Unidos têm uma tríade nuclear, e a russa estaria bem mais desenvolvida e aparelhada.

[Uma tríade nuclear é uma estrutura de força militar de três pontas que consiste em mísseis nucleares lançados em terra, submarinos armados com mísseis nucleares e aeronaves estratégicas com bombas e mísseis nucleares. Wikipedia]

Além de contar vantagem sobre a superioridade nuclear russa, Putin não perdeu a oportunidade de criticar o Ocidente pela exploração por 500 anos de países da África, América Latina e Ásia. E terminou com um aviso, que pode ser também uma ameaça:

— O baile dos vampiros está acabando.

Assista.

 



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Tucker Carlson, que entrevistou Putin, entrevista mulher de Assange, Stella

O apresentador de TV estadunidense Tucker Carlson, que recentemente fez uma antológica entrevista com o presidente da Rússia Vladimir Putin, que teve 18 milhões de visualizações apenas em seu perfil do Youtube, entrevistou na semana passada a advogada, mulher e mãe dos dois filhos do líder do WikiLeaks, Julian Assange, Stella.

Na entrevista, Stella fala sobre a atual situação de Assange, em compasso de espera pela decisão de dois juízes da Suprema Corte do Reino Unido que vão liberar ou não a extradição de Assange aos Estados Unidos, onde ele pode ser condenado a até 170 anos de prisão por haver divulgado crimes de guerra cometidos pelos EUA.

Stella fala que Assange tem sua saúde muito deteriorada, após estar há cinco anos preso numa prisão de segurança máxima em Belmarsh, sem que tenha cometido crime algum naquele país, apenas aguardando se é extraditado ou não.

No total, são 14 anos de perseguições contra Assange, que já teve que ficar exilado na embaixada do Equador e agora está na solitária de uma prisão tão barra pesada onde já testemunhou o suicídio de alguns companheiros de prisão.

A entrevista é em inglês. Se você tem dificuldade ou não fala inglês, clique na engrenagem no pé do vídeo, escolha legendas, inglês (gerada automaticamente); depois clique de novo em legendas, traduzir automaticamente e escolha o idioma português.




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VÍDEO: Putin, entrevista completa a Tucker Carlson, legendada

Excelente entrevista do presidente da Rússia Vladimir Putin ao jornalista de direita dos Estados Unidos Tucker Carlson, na terça-feira em Moscou.

E a entrevista foi excelente porque Carlson deixou Putin falar e o presidente russo tem muito a dizer, especialmente oferecer o famoso "outro lado", pois a guerra Rússia-Ucrânia nos é desinformada aqui pela imprensa fiel ao governo dos Estados Unidos, uma versão "do ponto de vista dos EUA", assim como o genocídio de Israel.

Putin fala livremente, dá uma aula sobre a formação da Rússia, depois União Soviética, e novamente Rússia, em quase 1600 anos de História.

Fala também sobre a Ucrânia e do porquê da guerra, na visão da Rússia.

Há algumas afirmações curiosas de Putin, que veste a pele do "patinho feio" do Ocidente, já que, segundo o presidente russo, a expectativa da Rússia era ser recebida como integrante da OTAN após o fim da União Soviética, o que não ocorreu.

Putin — Vamos falar sobre o fato de que, depois de 1991, quando a Rússia esperava ser incluída na família fraterna das "nações civilizadas", nada disso aconteceu.

Afinal, vocês nos enganaram – quando digo "vocês" não me refiro a você pessoalmente, é claro, mas aos Estados Unidos – prometeram-nos que não haveria expansão da OTAN para o leste, mas isso aconteceu cinco vezes, cinco ondas de expansão. Nós suportamos tudo, nós os persuadimos, dissemos: não, agora somos amigos, como eles dizem, burgueses, temos uma economia de mercado, não temos o poder do Partido Comunista, vamos chegar a um acordo.
Além do mais, eu também disse isso publicamente – vamos pegar o tempo de [Boris] Yeltsin agora. Houve um momento em que "um gato preto se cruzou no caminho". Antes disso, Yeltsin viajou para os Estados Unidos, lembre-se, ele discursou no Congresso e disse as maravilhosas palavras: "Deus abençoe os Estados Unidos". Ele disse tudo, o sinal era "deixe-nos entrar".
Em vez disso, quando os eventos na Iugoslávia começaram... Antes disso, Yeltsin foi elogiado e elogiado, e assim que os eventos na Iugoslávia começaram e quando ele levantou a voz pelos sérvios, e nós não pudemos deixar de levantar nossas vozes pelos sérvios, em sua defesa...
Eu entendo, houve processos complicados, eu entendo. Mas a Rússia não podia deixar de levantar a voz pelos sérvios, porque os sérvios também são uma nação especial, próxima a nós, com cultura ortodoxa e assim por diante. Bem, um povo tão sofrido por gerações. Bem, isso não importa, o que importa é que Yeltsin se manifestou a favor. O que os Estados Unidos fizeram? Violando a lei internacional, a Carta da ONU, começaram a bombardear Belgrado.
Os Estados Unidos deixaram o gênio sair da garrafa. Além disso, quando a Rússia se opôs e expressou sua indignação, o que foi dito? A Carta da ONU, o direito internacional, está obsoleto. Agora todo mundo se refere ao direito internacional, mas naquela época começaram a dizer que tudo estava ultrapassado, que precisávamos mudar tudo.
É verdade, algumas coisas precisam ser mudadas, porque o equilíbrio de poder mudou, é verdade, mas não dessa forma. Sim, a propósito, começaram imediatamente a jogar lama em Yeltsin, dizendo que ele era alcoólatra, que não entendia nada, que não fazia sentido. Ele entendia tudo, garanto a vocês.
Muito bem. Tornei-me presidente em 2000. Pensei: muito bem, a questão da Iugoslávia acabou, devemos tentar restaurar as relações, abrir essa porta que a Rússia estava tentando passar. E mais, eu disse isso publicamente, posso repetir, em uma reunião aqui no Kremlin com o Bill Clinton, que estava deixando o poder, bem aqui na sala ao lado.
Eu disse a ele, fiz uma pergunta: escute, Bill, o que você acha, se a Rússia levantasse a questão de entrar para a OTAN, você acha que isso seria possível? De repente, ele disse:
"Sabe, isso é interessante, acho que sim."
E à noite, quando nos encontramos com ele já no jantar, ele disse: sabe, conversei com os meus, com a minha equipe – não, não é possível agora. Você pode perguntar a ele, acho que ele ouvirá nossa entrevista, ele confirmará. Eu nunca diria algo assim se não fosse possível. Tudo bem, agora não é possível.
 

Falando sobre a relação Rússia-Ucrânia e o fim da guerra


Carlson: Você não acha que seria humilhante demais para a OTAN reconhecer agora o controle da Rússia sobre o que era território ucraniano há dois anos?
 
Putin: E eu já disse: eles que pensem em como fazer isso de forma digna. Há opções, mas se houver vontade.
Até agora, eles têm estado fazendo barulho, gritando: precisamos conseguir uma derrota estratégica da Rússia, uma derrota no campo de batalha. Mas agora, aparentemente, percebem que isso não é fácil de fazer, se é que é possível. Na minha opinião, isso é impossível por definição, nunca acontecerá. Parece-me que agora essa percepção também chegou àqueles que controlam o poder no Ocidente. Mas se isso for verdade e se essa percepção tiver chegado, pensem agora no que fazer em seguida. Estamos prontos para esse diálogo.
 
Carlson: Você está pronto para dizer, por exemplo, à OTAN: parabéns, vocês venceram, vamos manter a situação como está agora?
 
Putin: Você sabe, esse é um tema de negociações que ninguém quer negociar conosco ou, para ser mais preciso, eles querem, mas não sabem como. Eu sei que eles querem, eu não apenas vejo isso, mas sei que eles querem, mas não conseguem descobrir como fazê-lo. Nós pensamos nisso e o trouxemos para a situação em que nos encontramos. Não fomos nós que a provocamos, mas nossos "parceiros", nossos oponentes, que a provocaram. Bem, agora eles que pensem em como reverter a situação. Nós não estamos dizendo não.
Seria engraçado se não fosse tão triste. Essa mobilização interminável na Ucrânia, a histeria, os problemas internos, tudo isso. Mais cedo ou mais tarde, chegaremos a um acordo. E sabe de uma coisa? Pode até parecer estranho na situação atual: as relações entre os povos serão restauradas de qualquer maneira. Levará muito tempo, mas serão restabelecidas.
Vou dar alguns exemplos incomuns. No campo de batalha, há um confronto, um exemplo concreto: os soldados ucranianos estão cercados – esse é um exemplo concreto da vida, das operações de combate – nossos soldados gritam para eles:
"Não há chance, rendam-se! Saiam, vocês estarão vivos, rendam-se!"
E de repente, de lá, em russo, em um bom idioma russo, eles gritaram "Os russos não se rendem!", e todos morreram. Eles ainda se sentem russos até hoje.
Nesse sentido, o que está acontecendo é, até certo ponto, um elemento de guerra civil. E todo mundo pensa no Ocidente que a luta separou permanentemente uma parte do povo russo da outra. Não. Não. A reunião está acontecendo.
Por que as autoridades ucranianas estão desmembrando a Igreja Ortodoxa Ucraniana? Porque ela une não territórios, mas sim a alma. E ninguém conseguirá a desmembrar.

A entrevista da íntegra, com legendas em português [se preferir ler a transcrição completa da entrevista, vá ao site da Sputnik]:

 



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Em coletiva ano passado, em menos de 7', Putin disse o que queria, o que não queria e o que faria em defesa da segurança da Rússia


Em 23 de dezembro de 2021, o presidente russo Vladimir Putin respondeu sem meias palavras à pergunta da repórter que queria saber se ele invadiria ou não a Ucrânia. 

Tudo o que Putin alegou agora (confira Íntegra do discurso de Putin em português, em vídeo e texto. Uma aula de história russa e o porquê das medidas tomadas), quando ordenou o envio de tropas russas à Ucrânia, está dito aqui, em dezembro passado, sem tergiversação.


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Recentes:


Ucrânia inverte frase de Marx: lá, a história se repete, a primeira vez como farsa, a segunda como tragédia


A famosa frase de Karl Marx em complemento a Hegel é “a história do mundo ocorre, por assim dizer, duas vezes: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Volodymyr Zelensky, o comediante que virou presidente da Ucrânia inverteu a frase. O que começou como uma farsa pode transformar em tragédia para o povo ucraniano.

Zelensky é um comediante muito popular na Ucrânia, que fazia sátira de políticos. Em seu programa, ele se lançou candidato e virou presidente, prometendo uma nova política, sem corrupção etc., talquei?

Não satisfeito em virar presidente em seu programa de humor, Zelensky aproveitou a popularidade e se candidatou a presidente com o mesmo discurso do comediante. E se elegeu.

Que ele não abandonou a veia de comediante fica claro na resposta no Twitter oficial da Ucrânia ao envio de tropas russo: a charge que ilustra a postagem em que Hitler acaricia Putin, como que aprovando a decisão russa.

No entanto, Zelensky é que é fortemente apoiado por grupos neonazistas, capitaneado pelo "Movimento Azov, organização paramilitar integrada por células neonazistas e acusadas de crime de guerra nos confrontos na região separatista de Donbas. Tortura, saques, estupros, limpeza étnica e perseguição a judeus e homossexuais são alguns dos delitos atribuídos ao movimento".

O Azov é a principal força de resistência nas bordas da região separatista de Donbas. O local é palco dos confrontos no extremo-leste ucraniano, onde dois territórios se declaram independentes, a República de Donestk e a República de Lugansk, reconhecidas por Putin na terça-feira 22. O Azov arma e treina ucranianos na região de Mauripol e arredores, na cidade litorânea retomada dos separatistas, os integrantes do grupo são tratados como heróis. [CartaCapital]
O Azov usa ostensivamente a suástica nazista. É a eles que se referiu Putin em trecho do seu discurso em que explicou o envio de tropas à região:
"As repúblicas do Donbass nos procuraram e pediram ajuda. O objetivo [da "operação militar especial] é proteger o povo do abuso e do genocídio a que ele vem sido submetido pelo regime de Kiev. Para isso, vamos buscar desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, e levar à justiça aqueles que cometeram numerosos crimes sangrentos contra um povo pacífico, incluindo cidadãos russos", disse Putin. [Folha]

É parte da verdade, mas não é a verdade toda. Porque o interesse principal de Putin é de não permitir o ingresso da Ucrânia na União Europeia e, principalmente, na OTAN, o que praticamente cercaria a Rússia de exércitos aliados dos EUA.

Repare no gráfico abaixo, como a Rússia vem sendo cercada pela OTAN, com novos membros sendo acrescentados desde o fim da antiga União Soviética.



Putin age agora como os Estados Uniram na década de 1960 com chamada Crise dos mísseis de Cuba. Os EUA ameaçaram guerra total caso os mísseis soviéticos fossem colocados em Cuba, a menos de 150 km da fronteira de Miami.

É o que Putin está fazendo agora.

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Recentes:


As razões da Rússia, por Putin


Da página do Cesar Benjamin, no Facebook, peguei o trecho final resumido do discurso de mais de uma hora do presidente russo Vladimir Putin, explicando as razões da Rússia para tomar as atitudes que tomou. Você não lê isso na mídia corporativa.
[...] Já houve declarações de que a Ucrânia vai criar suas próprias armas nucleares, e isso não é uma bravata vazia. A Ucrânia ainda possui tecnologias nucleares soviéticas e meios de disparo de tais armas, incluindo aviação, bem como mísseis táticos operacionais Tochka-U, também de design soviético. É apenas uma questão de tempo. Será muito mais fácil para a Ucrânia adquirir armas nucleares táticas do que para outros estados. [...] Não podemos deixar de reagir a este perigo real. Os patronos ocidentais podem contribuir para o aparecimento de tais armas na Ucrânia para criar outra ameaça ao nosso país. [...]
Em 1990, quando a questão da unificação alemã estava sendo discutida, a liderança soviética recebeu a promessa dos EUA de que não haveria extensão da jurisdição da OTAN ou presença militar uma polegada a leste. E que a unificação da Alemanha não levaria à expansão da organização militar da OTAN para o Leste. [...]
A Rússia cumpriu todas as suas obrigações, incluindo a retirada de tropas da Alemanha, dos estados da Europa Central e Oriental, e assim deu uma grande contribuição para superar o legado da Guerra Fria. Propusemos consistentemente várias opções de cooperação, inclusive no formato do Conselho Rússia-OTAN e da OSCE, sem contrapartidas. [...]
Há apenas uma resposta: não se trata de nosso regime político, não se trata de outra coisa, eles simplesmente não querem um país independente tão grande como a Rússia. Esta é a resposta para todas as perguntas. Esta é a fonte da tradicional política americana em relação à Rússia. Daí a atitude perante todas as nossas propostas no domínio da segurança.
Hoje, uma olhada no mapa é suficiente para ver como os países ocidentais “cumpriram” sua promessa de impedir que a OTAN se movesse para o leste. Eles apenas trapacearam.
Recebemos cinco ondas de expansão da OTAN uma após a outra. Em 1999, a Polónia, a República Checa, a Hungria foram admitidas na Aliança, em 2004 - Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia e Eslovénia, em 2009 - Albânia e Croácia, em 2017 - Montenegro, em 2020 – Macedônia do Norte.
Como resultado, a Aliança, sua infraestrutura militar chegou diretamente às fronteiras da Rússia. Esta se tornou uma das principais causas da crise de segurança europeia, teve o impacto mais negativo em todo o sistema de relações internacionais e levou à perda da confiança mútua.
A situação continua a se deteriorar, inclusive na esfera estratégica. Assim, na Romênia e na Polônia, como parte do projeto norte-americano de criação de um sistema global de defesa antimísseis, estão sendo implantadas áreas de posicionamento para antimísseis. É sabido que os lançadores localizados aqui podem ser usados para mísseis de cruzeiro Tomahawk - sistemas ofensivos de ataque.
Além disso, os Estados Unidos estão desenvolvendo o míssil universal Standard-6, que, além de resolver os problemas de defesa aérea e defesa antimísseis, pode atingir alvos terrestres e de superfície. Ou seja, o sistema de defesa antimísseis dos EUA supostamente defensivo está se expandindo e novas capacidades ofensivas estão surgindo.
As informações que temos dão todas as razões para acreditar que a entrada da Ucrânia na OTAN e a subsequente implantação das instalações da OTAN ali é uma questão de tempo. Em tal cenário, o nível de ameaças militares à Rússia aumentará drasticamente, muitas vezes. E chamo especial atenção para o fato de que o perigo de um ataque repentino ao nosso país aumentará muitas vezes.
Deixe-me explicar que os documentos de planejamento estratégico americanos (documentos!) contêm a possibilidade de um chamado ataque preventivo contra sistemas de mísseis inimigos. E quem é o principal inimigo dos EUA e da OTAN, também sabemos. É a Rússia.
Nos documentos da OTAN, nosso país é declarado oficial e diretamente a principal ameaça à segurança euro-atlântica. E a Ucrânia servirá de trampolim para tal ataque. [...]
Muitos aeroportos ucranianos estão localizados perto de nossas fronteiras. Aeronaves táticas da OTAN estacionadas aqui, incluindo portadores de armas de alta precisão, poderão atingir nosso território até a profundidade da linha Volgograd-Kazan-Samara-Astrakhan. A implantação de meios de reconhecimento de radar no território da Ucrânia permitirá à OTAN controlar rigidamente o espaço aéreo da Rússia até os Urais.
Finalmente, depois que os Estados Unidos romperam o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o Pentágono já está desenvolvendo abertamente toda uma gama de armas de ataque terrestres, incluindo mísseis balísticos capazes de atingir alvos a uma distância de até 5.500 quilômetros.
Se esses sistemas forem implantados na Ucrânia, eles poderão atingir objetos em todo o território europeu da Rússia, bem como além dos Urais. O tempo de voo para Moscou para mísseis de cruzeiro Tomahawk será inferior a 35 minutos, mísseis balísticos da região de Kharkov - 7-8 minutos e armas de ataque hipersônicas - 4-5 minutos. Isso é chamado, diretamente, "faca na garganta".
E eles, sem dúvida, esperam implementar esses planos da mesma maneira que fizeram repetidamente nos últimos anos, expandindo a OTAN para o leste, movendo infraestrutura e equipamentos militares para as fronteiras russas, ignorando completamente nossas preocupações, protestos e advertências. [...]
Respondemos a isso de forma adequada, ressaltando que estamos prontos para seguir o caminho das negociações, mas com a condição de que todas as questões sejam consideradas como um todo, como um pacote, sem estar separado das principais propostas básicas russas.
E eles contêm três pontos-chave. A primeira é impedir uma maior expansão da OTAN. A segunda é a recusa da Aliança em implantar sistemas de armas de ataque nas fronteiras russas. E, por fim, o retorno do potencial militar e da infraestrutura do bloco na Europa ao estado de 1997, quando foi assinado o Ato Fundador Rússia-OTAN.
São precisamente estas nossas propostas fundamentais que foram ignoradas. [...]
Além disso, eles estão novamente tentando nos chantagear, estão novamente ameaçando com sanções, que, aliás, eles ainda vão introduzir à medida que a soberania da Rússia se fortalece e o poder de nossas Forças Armadas cresce.
E um pretexto para outro ataque de sanções sempre será encontrado ou simplesmente fabricado, independentemente da situação na Ucrânia. Há apenas um objetivo - restringir o desenvolvimento da Rússia. E vão fazê-lo, como fizeram antes, mesmo sem qualquer pretexto formal, apenas porque sim.
Gostaria de dizer claramente, com franqueza, na situação atual, quando nossas propostas para um diálogo igualitário sobre questões fundamentais na verdade ficaram sem resposta pelos Estados Unidos e pela OTAN, quando o nível de ameaças ao nosso país está aumentando significativamente, a Rússia tem todo o direito tomar medidas de retaliação para garantir a sua própria segurança. É exatamente isso o que faremos.
Quanto à situação no Donbass, vemos que a elite dominante em Kiev declara constantemente e publicamente sua relutância em implementar o Pacote de Medidas de Minsk para resolver o conflito e não está interessada em uma solução pacífica. Pelo contrário, está tentando organizar novamente uma blitzkrieg no Donbass, como já aconteceu em 2014 e 2015. Como essas aventuras terminaram então, lembramos.
Agora praticamente não passa um único dia sem bombardeios em assentamentos em Donbass. O grande grupo militar formado usa constantemente drones de ataque, equipamentos pesados, foguetes, artilharia e vários lançadores de foguetes. A matança de civis, o bloqueio, a zombaria das pessoas, incluindo crianças, mulheres, idosos, não param. Como dizemos, não há fim à vista para isso.
E o chamado mundo civilizado, do qual nossos colegas ocidentais autoproclamados se declararam os únicos representantes, prefere não perceber isso, como se todo esse horror, o genocídio, ao qual estão submetidas quase 4 milhões de pessoas, não existe, e só porque essas pessoas não concordaram com o golpe de Estado apoiado pelo Ocidente na Ucrânia em 2014, se opuseram à elevação ao posto de movimento estatal em direção à caverna e ao nacionalismo agressivo e ao neonazismo.
E eles estão lutando por seus direitos elementares - viver em sua própria terra, falar sua própria língua, preservar sua cultura e tradições.
Até quando essa tragédia pode continuar? Quanto tempo mais você pode suportar isso? A Rússia fez de tudo para preservar a integridade territorial da Ucrânia, todos esses anos lutou persistente e pacientemente pela implementação da Resolução 2202 do Conselho de Segurança da ONU de 17 de fevereiro de 2015, que consolidou o Pacote de Medidas Minsk de 12 de fevereiro de 2015 para resolver a situação em Donbass.
Tudo é em vão. [...]
Considero necessário tomar uma decisão há muito esperada de reconhecer imediatamente a independência e a soberania da República Popular de Donetsk e da República Popular de Luhansk.
Peço à Assembleia Federal da Federação Russa que apoie esta decisão e depois ratifique o Tratado de Amizade e Assistência Mútua com ambas as repúblicas. Esses dois documentos serão preparados e assinados em um futuro muito próximo.
E daqueles que tomaram e detêm o poder em Kiev, exigimos a cessação imediata das hostilidades. Caso contrário, toda a responsabilidade pela possível continuação do derramamento de sangue será inteiramente da consciência do regime que governa o território da Ucrânia.
Anunciando as decisões tomadas hoje, estou confiante no apoio dos cidadãos da Rússia, todas as forças patrióticas do país.
Obrigado pela sua atenção.


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O que está em jogo na questão da Ucrânia, com informação que você não vê na mídia corporativa


Muita ameaça, muita conversa, tanques de guerra, mísseis, declarações de líderes, Putin de um lado, Biden de outro. Mas, afinal, qual é a questão que está gerando essa possível guerra na Ucrânia?

Do professor de pós-graduação em Economia Política Internacional da UFRJ José Luís Fiori, originalmente no Outras Palavras:

Título original: A crise da Ucrânia e o acordo entre Rússia e China

Já não existe mais um único “critério ético”, tampouco existe mais um único juiz com poder para arbitrar todos os conflitos internacionais, com base na sua própria “tábua de valores”. E já não é mais possível expulsar os “novos pecadores” do “paraíso” inventado pelos europeus, como aconteceu com os lendários Adão e Eva. Como essa supremacia acabou, talvez seja possível, ou mesmo necessário, que o Ocidente aprenda a respeitar e conviver de forma pacífica com a “verdade” e com os “valores’ de outras civilizações.

J. L. Fiori. O mito do pecado original, o ceticismo ético e o desafio da paz. In: ______. (Org.). Sobre a Paz. Petrópolis: Editora Vozes, 2021, p. 464.

Dois acontecimentos sacudiram o cenário mundial neste início de 2022: o primeiro foi o ultimatum russo, lançado em meados de dezembro de 2021 e dirigido aos EUA, à OTAN e aos países-membros da União Europeia, exigindo o recuo imediato da OTAN na Ucrânia, e propondo uma revisão completa do “mapa militar” da Europa Central, definido pelos Estados Unidos e seus aliados da Aliança Atlântica após a vitória na Guerra Fria. O segundo foi a “declaração conjunta” da Federação Russa e da República da China, no dia 7 de fevereiro de 2022, propondo uma “refundação” da ordem mundial estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial e aprofundada depois da vitória dos EUA e de seus aliados na Guerra do Golfo em 1991 [leia aqui, em inglês]. Os dois documentos propõem uma “revisão” do status quo internacional, mas o primeiro contém objetivos e exigências imediatas e localizadas, enquanto o segundo apresenta uma verdadeira proposta de “refundação” do sistema interestatal “inventado” pelos europeus. Ambos, no entanto, estão apontando neste momento para uma reconfiguração profunda do sistema internacional.

No caso do “ultimato russo”, a questão imediata que está em jogo é a incorporação da Ucrânia pela OTAN, mas o verdadeiro problema de fundo é a exigência russa de revisão das “perdas” que lhe foram impostas depois da dissolução da União Soviética 

1. Depois de 1991, a Rússia perdeu 5 milhões de quilômetros quadrados e 140 milhões de habitantes, mas agora se propõe a reduzir essas perdas expandindo sua influência no seu entorno estratégico e afastando a ameaça ao seu território, por parte da OTAN e dos Estados Unidos. Esse ultimatum era perfeitamente previsível e veio sendo anunciado há muito tempo, pelo menos desde a “Guerra da Geórgia”, em 2008 

2. A grande novidade agora é que a proposta revisionista dos russos deverá avançar sem guerra, através de um jogo de xadrez extremamente complexo, no qual se acumulam as ameaças militares e econômicas, mas não deverá haver um enfrentamento direto, apesar da propaganda e da histeria psicológica provocada pelos anúncios sucessivos da “invasão que não houve”, sobretudo da parte dos Estados Unidos e da Inglaterra. A Rússia obteve uma vitória imediata ao conseguir colocar todos os demais atores envolvidos em torno de uma mesa para discutir os termos da sua proposta. E o mais provável é que os seus principais pleitos sejam atendidos, sem invasão nem guerra. Além disso, nas discussões evidenciaram-se a divisão entre as potências ocidentais e a falta de iniciativa e liderança da parte do governo norte-americano, que se restringiu a repetir a mesma ameaça de sempre, de que imporia novas sanções econômicas aos russos caso ocorresse a invasão que foi reiteradamente negada pelos próprios russos, enquanto a iniciativa diplomática passava quase inteiramente para as mãos dos europeus. Os Estados Unidos não receberam o apoio que esperavam de seus velhos aliados do Oriente Médio (nem mesmo de Israel), da Ásia (nem mesmo da Índia), e mesmo da América Latina (nem mesmo do Brasil). E o que é pior, para os anglo-saxões, tudo indica que a Alemanha terá um papel fundamental na intermediação diplomática do conflito, o que envolveria uma reaproximação entre os alemães e os russos, com a liberação imediata do Gasoduto do Báltico que sempre teve a oposição dos norte-americanos. Afora o fato que um eventual sucesso diplomático alemão neste conflito daria à Alemanha uma centralidade geopolítica dentro da Europa que aceleraria o declínio da influência dos Estados Unidos entre seus aliados europeus. Neste sentido, um acordo diplomático “intra-europeu” seria também uma derrota para os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo é impossível imaginar que um acordo deste tipo possa ter sucesso sem o apoio dos próprios Estados Unidos e da Otan que é na prática um “braço armado norte-americano”.

Já no caso do documento apresentado à “comunidade internacional” pela Rússia e pela China, no dia 7 de fevereiro recém-passado, as reivindicações específicas e locais dos dois países são bem conhecidas e não têm maior importância neste contexto. A importância do documento vai muito além disto, porque se trata de fato de uma verdadeira “carta de princípios” proposta à apreciação de todos os povos do mundo, contendo algumas ideias e conceitos fundamentais para uma “refundação” do sistema internacional criado pelos europeus há quatro séculos. É um documento que requer leitura atenta e uma reflexão séria, sobretudo neste momento de desestruturação do “bloco ocidental” e de divisão e fragilização interna dos próprios Estados Unidos.

O primeiro aspecto que chama atenção nesse documento aparentemente insólito é sua defesa de alguns valores muito caros ao “sistema de Westfália”, como é o caso de sua defesa intransigente da soberania nacional, e do direito de cada povo decidir seu próprio destino, desde que respeitado o mesmo direito de todos os demais povos. Ao mesmo tempo, o documento defende também algumas das ideias mais destacadas do “liberal-internacionalismo” contemporâneo, como é o caso da sua defesa de uma ordem internacional baseada em leis, do seu entusiasmo pela globalização econômica e o multilateralismo, por sua defesa da “causa climática” e do desenvolvimento sustentável, e seu apoio irrestrito à cooperação internacional no campo da saúde, da infraestrutura, do desenvolvimento científico e tecnológico, do uso pacífico do espaço e do combate ao terrorismo. De um ponto de vista acadêmico e ocidental, aliás, esse “documento russo-chinês” lembra muitas vezes o idealismo internacionalista de um Woodrow Wilson, tanto quanto lembra, em outros momentos, o idealismo nacionalista de um Charles de Gaulle.

Mas a surpreendente originalidade desse documento aumenta ainda mais com sua defesa universal e irrestrita de valores como a liberdade, a igualdade, a justiça, os direitos humanos e a democracia. Sobretudo quando assume a defesa da democracia como um valor universal, e não como privilégio de algum povo em particular ou responsabilidade conjunta de toda a comunidade internacional, com o reconhecimento simultâneo de que não existe apenas uma forma de democracia, nem nenhum “povo escolhido” que possa ou deva impor aos demais algum modelo superior de democracia, como se fosse uma “verdade revelada” por Deus. E é neste ponto que se explicita a proposta verdadeiramente revolucionária desse documento: que se aceite de uma vez por todas que, pelo menos desde o final do século XX, o sistema interestatal não é mais um monopólio dos europeus e de algumas de suas ex-colônias, uma vez que ele está formado agora por várias culturas e civilizações, e que nenhuma delas é superior às demais, nem muito menos possui o monopólio da verdade e da moralidade3. Ou seja, esta proposta eurasiana de uma nova ordem mundial rejeita qualquer tipo de “universalismo expansivo” ou “catequético”, mas aceita ao mesmo tempo a existência de valores universais4.

Não haveria nada de original em tudo isso se tais ideias fizessem parte de um texto acadêmico ou de uma reflexão filosófica pós-moderna, por exemplo. O que faz a diferença nesse documento não é seu multiculturalismo; é o fato de que este multiculturalismo aparece aqui como uma reivindicação e uma proposta universal apresentada e sustentada pela segunda maior potência atômica do mundo, e pela segunda maior economia de mercado do mundo. Mais ainda, que seja uma proposta sustentada por uma potência que faz parte da árvore genealógica da civilização ocidental e, ao mesmo tempo, por uma potência e uma civilização que não pertence a esta mesma matriz, nem teve jamais nenhum tipo de vocação catequética. Sim, porque a China se desfez do seu Império milenar e só se transformou num Estado nacional no início do século XX; e foi só no final do século XX que ela se integrou plenamente ao sistema interestatal, incorporando-se à economia capitalista mundial numa velocidade e um sucesso extraordinários. Desde então, o Estado nacional chinês se comporta como todos os demais Estados europeus, mas a China nunca teve nenhum tipo de religião oficial, e nunca se propôs ser um modelo econômico, político ou ético universal – e por isso também nunca se propôs a catequizar o resto do mundo. Pelo contrário, a China parece fazer questão de se relacionar com todos os povos do mundo independentemente de regimes políticos, religiões ou ideologias, mesmo quando seja absolutamente inflexível com relação à defesa nacional de seus valores tradicionais e interesses de sua civilização milenar.

Por isso, se for o caso de especular sobre o futuro desta “nova era” que está nascendo, é preciso ter claro que a China não está se propondo a substituir os Estados Unidos como centro articulador de algum tipo de novo “projeto ético universal”. Tudo indica que o avanço desta nova “era multicivilizacional” já não tem como ser revertido, nem há mais como devolver o sistema mundial à sua situação anterior, de completa supremacia eurocêntrica. “E mesmo que o eixo do sistema mundial ainda não tenha se deslocado inteiramente para a Ásia, o certo é que já se estabeleceu um novo ‘balanço de poder’ que deslocou a hegemonia anterior, do projeto universal e do ‘expansionismo catequético’ da tradição greco-romana e judaico-cristã”5.


1 O Abade de Saint Pierre (1658-1743), filósofo e diplomata francês do início do século XVIII foi o primeiro a formular a tese que depois foi retomada por vários outros autores, de que uma das principais causas das novas guerras é o desejo de reparação ou “revanche” dos derrotados das guerras anteriores, na sua obra Projeto para tornar perpétua a paz na Europa (Brasília: Ed. UnB, 2003).

2 Fiori, J. L. Guerra e paz. Jornal Valor Econômico, São Paulo, 28 ago. 2008

3 “Some actors representing but the minority on the international scale continue to advocate unilateral approaches to addressing international issues and resort to force, they interfere in the internal affairs of their states, infringing their legitimate rights and interests…” (Joint Statement of the Russian Federation. And the People’s Republic of China”, en.kremlin.ru/supplement /5770, p. 1).

4 “The sides call on all States to pursue well-being for all and with these ends, to build dialogue and mutual trust , strengthen mutual understanding champion such universal human values as peace, development, equality, justice, democracy and freedom, respect the rights of peoples to independently determine the development paths of their countries and the sovereignty and the security and development interests of States, to protect the United Nations-driven international

5 Fiori, J. L. A Pax Romana: conquista, império e projeto universal. In: ______. (Org.) Sobre a Paz. Petrópolis: Editora Vozes, 2021, p. 131.

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Na falta de uma liderança internacional, Lula vira presidente de fato e negocia com Rússia, China e EUA vacinas para o Brasil


Na política não há espaço vazio. Enquanto Bolsonaro só se preocupa em livrar a própria cara e a dos filhos dos inquéritos e investigações do esquema de corrupção conhecido como rachadinha e em conseguir na Justiça comemorar o golpe militar de 1964, Lula negocia com líderes mundiais o envio de vacinas ao Brasil.
 Há três meses o ex-presidente Lula teve um encontro com Kirill Dmitriev, diretor do Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF) que financiou o desenvolvimento da Sputnik V, segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo.
 Além disso, o encontro de Lula com Dmitriev contou com a interlocução do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que incentivou a reunião.
 Além das tratativas com o fundo russo, Lula e a ex-presidenta Dilma fizeram contato com o governo da China. Em carta enviada ao presidente chinês, Xi Jinping, elogiaram a condução da pandemia no país e criticaram o negacionismo e “incivilidade” de Jair Bolsonaro.“Consideramos oportuna essa mensagem, como forma de manifestar a nossa certeza de que a antiga e sólida amizade entre os nossos povos não será abalada pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e seu governo”, escreveram Lula e Dilma ao governo da China. [Fonte]
Mais recentemente, Lula deu uma entrevista a uma das mais famosas jornalistas do mundo, Christiane Amanpour, que adiantou em seu Twitter uma informação do presidente. 
 
Segundo Amanpour, Lula disse que está pedindo ao presidente Biden que convoque uma reunião do G20 para garantir a distribuição adequada da vacina em todo o mundo: “Vacina, vacina, vacina!” Ele [Lula] acrescenta: “Eu não poderia pedir isso [de] Trump, mas Biden é um sopro de democracia no mundo”.
 
A entrevista vai ao ar hoje.
 
Enquanto isso, Bolsonaro faz do Brasil o pior local do mundo disparado na pandemia, com 3 mil mortes diárias e subindo, caos econômico, miséria, enquanto ele vai poder bater tambor e brincar de marcha soldado no dia 31 de março (o certo é dia da mentira, 1 de abril) para comemorar o golpe que além de matar e torturar, entregou ao país a maior inflação da época e a maior dívida externa do mundo, segundo o jornalista Elio Gaspari, em seu Livro a Ditadura Acabada [imagem abaixo], que teve como fontes o ditador Geisel e o bruxo da ditadura, general Golbery.
 
Mas é bom Bolsonaro saber que Biden não tem boa avaliação da ditadura. Quando de sua visita ao Brasil em 2014 ele entregou documentos à presidenta Dilma confirmando tortura e desaparecimentos políticos:
Em 17 de junho de 2014, Biden, o então vice-presidente na gestão Barack Obama, desembarcou em Brasília com um objeto especial na bagagem: um HD com 43 documentos produzidos por autoridades americanas entre os anos de 1967 e 1977. A partir de informações passadas não só por vítimas, mas por informantes dentro das Forças Armadas e dos serviços de repressão, os relatórios americanos detalhavam informações sobre censura, tortura e assassinatos cometidos pelo regime militar do Brasil. 
"Estou feliz de anunciar que os Estados Unidos iniciaram um projeto especial para desclassificar e compartilhar com a Comissão Nacional da Verdade documentos que podem lançar luz sobre essa ditadura de 21 anos, o que é, obviamente, de grande interesse da presidente", afirmou Biden, sorridente, ao lado de Dilma. [BBC]

#ForaBolsonaro. Deixe quem pode, quer e sabe trabalhar para o Brasil cuidar do país.



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Putin anuncia que Rússia tem vacina contra COVID-19 e que uma de suas filhas foi vacinada na fase de testes


Na manhã desta terça, 11, o presidente russo Vladimir Putin anunciou que a Rússia desenvolveu uma vacina eficaz contra a COVID-19.
Durante uma reunião governamental transmitida pela TV, Putin disse que a vacina se mostrou eficiente durante os testes, oferecendo imunidade duradoura contra o coronavírus.
"Esta manhã, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra o novo coronavírus foi registrada", disse Putin. "Sei que é bastante eficaz, que proporciona imunidade duradoura."
Ele acrescentou ainda que uma de suas duas filhas recebeu a vacina e está se sentindo bem.
"Uma de minhas filhas foi vacinada, dessa forma, participado da fase de testes. Após a primeira vacinação, ficou com 38 graus de temperatura, no dia seguinte tinha 37 graus e pouco. E foi tudo."
O presidente não disse qual das suas filhas foi inoculada. Putin tem duas filhas, Maria, de 35 anos, e Ekaterina, 34.
Depois do anúncio de Putin, autoridades do país informaram que a vacina recebeu o nome de" Sputnik V", em referência ao pioneiro satélite soviético lançado nos anos 1950, que marcou o início da corrida espacial.
Autoridades russas disseram que profissionais da área médica, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a ser vacinados. [Deutsche Welle]
No entanto, os estudos sobre  vacina não foram publicados em lugar algum. Nem na Rússia. Nem foi declarado que houve uma ampla testagem.

Que a comunidade científica internacional esteja com os dois pés atrás em relação à vacina russa é compreensível, pelo efeito que ainda causa o período da guerra fria e pela falta de informações mais claras sobre o processo de sua aprovação.

Mas será desmoralizante para Putin e, por extensão, para a Rússia, se o anúncio da vacina for mais uma propaganda ou desejo do que uma realidade, em meio à pandemia.

Como a primeira vacinação em massa por lá começa em outubro, logo teremos a resposta sobre a Sputnik V. Que seja tão eficiente quanto o satélite que a batizou.



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