Na Itália, encontrado o mais longo dos abraços

Esqueletos se abraçando

Os dois esqueletos aí da foto morreram assim, abraçadinhos, há cinco ou seis mil anos. Eles foram encontrados por um grupo de arqueólogos romanos que faziam escavações nos arredores de Mantova, no norte da Itália.

Pouco se sabe sobre eles, mas, segundo a arqueóloga Elena Menoti, eram jovens, pois os dentes ainda estavam intactos.

- Nunca encontramos na Itália um sepultamento duplo da Idade da Pedra, muito menos de duas pessoas se abraçando.

Pois é. Hoje em dia está mais difícil encontrar pessoas se abraçando nas ruas do que nas escavações arqueológicas. Nem que seja por cinco segundos. E, se ficam abraçadas por mais tempo, pode apartar que é briga.

A entrevista do ex-embaixador do Brasil nos EUA à Veja

Quem tomou conhecimento da entrevista que o ex-embaixador do Brasil nos EUA concedeu à última Veja por intermédio dos jornalões e de colunistas como Miriam Leitão ficou com a impressão de que Abdenur é só críticas à política externa do governo Lula. Mas isso não é verdade. Ele faz rasgados elogios a essa política na entrevista:

O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos...

Ex-embaixador elogia relação com EUA

Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil. Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: "Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países". Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.

As críticas de Abdenur

O que Abdenur critica - para alegria dos colunistas e blogueiros tucanos – é aquilo que ele chama de ideologização, uma doutrinação que estaria acontecendo no Itamaraty, onde pessoas com idéias mais afinadas com o governo são promovidas em detrimento de outras.

- As promoções internas têm como critério a afinidade de pensamento, e não a competência.

Mas, peralá. Quem é competente é competente para alguma coisa. No caso, competente para representar o país e a política externa brasileira do governo escolhido democraticamente pelo povo, nas urnas, no voto. Governo que tem o direito, portanto, de estabelecer as regras e prioridades dessa política, de acordo com o programa que apresentou para a população durante a campanha.

Se o ex-embaixador não concorda com essa política (o que não é o caso, já que faz rasgados elogios a ela, como nos exemplos acima), assim como vários colunistas e blogueiros, eles devem se unir e ver se conseguem chegar ao poder pelo voto nas próximas eleições. Assim poderão realizar a política externa de seus sonhos.

Abdenur diz que Itamaraty está pior que na ditadura

O ex-embaixador chega a fazer uma comparação da época de hoje com a do regime militar. Afirma que naquele tempo era melhor, porque não se cobrava ideologia de ninguém. Como não, cara-pálida? Quer dizer que a política do cacete, da prisão, da tortura é preferível a essa, que tem como critério – segundo Abdenur - a afinidade de pensamento, e não a competência? Quer dizer que era mais palatável (para o paladar dele, é claro) uma – segundo suas próprias palavras na entrevista – “política externa simplória, baseada na ideologia anticomunista, imposta à força pelos militares”?

Há três anos, um Abdenur diferente na IstoÉ

O que parece estar havendo é uma guerrinha interna no Itamaraty. Abdenur perdeu a embaixada e o prestígio. Está magoado e destila sua mágoa nas páginas amarelas de Veja. Mas isso é agora, quando está se sentindo como o patinho feio.

Numa reportagem da IstoÉ de abril de 2004, Abdenur é apresentado assim:

[O padrinho de Abdenur é...] Celso Amorim em pessoa. Abdenur é homem da mais absoluta confiança do chanceler. Quando Amorim foi chanceler de Itamar Franco, Abdenur era o secretário-geral do Itamaraty, segundo homem na hierarquia da carrière. Ele também é ligado ao atual secretário-geral, o polêmico Samuel Pinheiro Guimarães. Assim como Samuel, Abdenur não simpatiza muito com o unilateralismo americano. Também tem sérias restrições à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) – Abdenur acha que seria mais vantajoso para o Brasil fechar um acordo com a União Européia. “Espero que os Estados Unidos estejam conscientes do fato de que eles correm risco de perder terreno no Mercosul”, afirma.
Nos bastidores do Itamaraty, é dado como certo que a estada de Abdenur em Washington seria apenas um trampolim para vôos mais altos. Pelas regras da casa, ele só poderá ficar no exterior até a metade de 2005. A grande aposta é que ele ocupará a cadeira de Samuel Guimarães.

Como nada disso aconteceu Abdenur anda bicudo como um tucano e a imprensa que se identifica com essa ave da família dos ranfastídeos faz a festa. A triste festa dos perdedores, que unidos ao ressentido-mór, FHC, “pulula na crítica e nos hebdomadários”, como disse Maiakovsky, via Haroldo de Campos.

Aniversário de Bob Marley: Is This Love

Kassab perde a Kabeça com Kaiser

O prefeito de São Paulo, Giberto Kassab (PFL, ou PD?), perdeu a linha com um manifestante, na manhã desta segunda-feira, em um hospital de SP.
Kassab partiu para cima do sujeito, aos gritos, empurrando-o e expulsando-o do local. O manifestante, Kaiser Paiva , estava acompanhado do filho, de apenas sete anos.


O prefeito, que teve uma atitude muito positiva, quando do desabamento da construção do metrô, pisou feio na bola, na minha visão de carioca. Mas não sei se os paulistas veem o acontecido do mesmo modo que eu.
Eles, que já elegeram Maluf e Jânio, podem acabar aprovando a atitude de Kassab, que passaria assim a figurar como favorito nas próximas eleições. Comentários em alguns blogs indicam que muitos acham que o prefeito agiu bem e que o agredido não passa de um baderneiro que estava a fim de defender seu negócio de outdoors.
Mas a atitude do prefeito é covarde e desmedida, pois ele usou de todo o peso de seu cargo contra um cidadão indefeso. Ainda por cima acompanhado do filho de sete anos.
Recomendo ao prefeito a urgente leitura de um conto de Rubem Fonseca, O Inimigo. À certa altura, o protagonista dá uma de Kassab e humilha um homem. Mas, na saída:
“Percebi que no hall um garoto parado olhava assustado para nós dois. Na hora não dei bola e bati a porta da rua com força. Mas em casa fiquei pensando naquele menino, testemunhando a humilhação sofrida pelo pai.”

Coca-Cola com coca, e o problema da água

Agora, após a divulgação do relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), quando problemas do clima e da água voltam à pauta, vou trazer mais uma vez um assunto que abordei numa postagem aqui há quase um ano e que até agora não teve conseqüência.

Coca-Cola com coca?

Laudo do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal concluiu: a Coca-Cola do Brasil usa folhas de coca como matéria-prima na fabricação do extrato vegetal (também chamado de mercadoria nº 05) utilizado como um dos componentes na fabricação do seu refrigerante de cola.

Segundo a legislação de entorpecentes em vigor (DL 891, de 25/11/1938, itens 13 e 14), o uso de folhas de coca e suas preparações é terminantemente proibido no país, assim como a utilização de cocaína, seus sais e preparações. A lei faz distinção clara e cita todas as formas proibidas, tanto quanto ao uso, cultivo, transporte e comercialização. O item 13 abrange a folha de coca e suas preparações; o item 14 veta a utilização de cocaína, seus sais e preparações.
Ou seja: em estrito respeito à lei, a Coca-Cola não poderia ser comercializada no país.

Você arguto leitor, leu sobre o assunto em algum lugar?

A Coca limitou-se a um comunicado curto em que afirmava que há muito tempo não usava folha de coca em seu preparo.

No entanto, a agência peruana antidrogas, DEVIDA, disse que a companhia compra 115 toneladas de folha de coca do Peru e 105 toneladas da Bolívia por ano.

Evo Morales: Coca só para a Coca-Cola?

Em reportagem da BBC Brasil, publicada dia 22/12/2005 presidente boliviano Evo Morales (à época eleito, mas ainda não empossado) insistiu que a empresa compra a coca, apesar das informações de que o produto saiu da fórmula do refrigerante em 1929.

- "Se já retiraram esse ingrediente da Coca-Cola, então por que seguem comprando?"

Coca, Pepsi e a água da Índia

Em um dos comentários sobre a postagem, uma leitora que se identificou como Cláudia Gonçalves enviou-me um link de uma reportagem do Le Monde Diplomatique. Aquele link caducou, mas descobri o novo.

A reportagem do Diplô mostra um quadro aterrador, decorrente da utilização da água pela Coca e sua irmã siamesa, a Pepsi, no Kerala, na Índia, e a luta das mulheres do local contra as gigantes multinacionais.

As duas empresas possuem atualmente noventa “usinas de engarrafamento”, que são na realidade nada mais que “usinas de bombeamento”: 52 unidades pertencem à Coca-Cola e 38 à Pepsi-Cola. Cada uma delas extrai entre 1 milhão e 1,5 milhão de litros de água por dia.

Essas práticas resultaram na secagem de 260 poços, cuja escavação tinha sido garantida pelas autoridades para servir às necessidades de água potável e para a irrigação agrícola. Nesta região do Kerala – chamada “celeiro de arroz”, em razão de um rico ecossistema dotado de água abundante – os rendimentos agrícolas diminuíram 10%. O cúmulo é que a Coca-Cola redistribui aos camponeses, sob forma de esterco, os dejetos tóxicos produzidos por sua usina. Os testes efetuados, no entanto, mostraram que este esterco tem um forte teor de cádmio e de chumbo, substâncias cancerígenas.

Pergunto: será diferente aqui no Brasil? Você, arguto leitor, leu alguma reportagem a respeito?

Parece que antes do compromisso com o leitor vem o compromi$$o com o anunciante. Essa é a ética dos jornalões?

Internet: Neutralidade Ameaçada

Analisador de datagramas.Você sabe o que querem dizer essas três palavras? Elas estão hoje entre as maiores ameaças à neutralidade da internet.
Esse é o início do artigo de André Machado, em O Globo. Para ler o artigo completo clique aqui.

A Imprensa pede socorro

Não é só a grande imprensa que está sendo afetada pelas novas mídias, especialmente pelos sites e blogs de notícias na internet. A imprensa de esquerda, alternativa, sofre ainda mais. É o que afirma o diretor do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, em artigo publicado em sua edição mais recente.

Nele, Ramonet elogia a pluralidade de ofertas que a internet coloca à disposição da população mundial, mas critica a concentração que já está acontecendo, com blogs e sites sendo adquiridos pelos grupos de comunicação mais poderosos.

A situação está tão difícil para o Diplô, que Ramonet termina seu artigo conclamando os leitores a assinarem o jornal para garantirem a continuidade de sua publicação.

"Assinar o jornal, no momento em que denunciamos uma guerra midiática assimétrica frente aos gigantes da comunicação, constitui ao mesmo tempo um ato de resistência e a melhor maneira de nos manifestar apoio. É também um compromisso em prol da imprensa livre, da pluralidade de idéias e do jornalismo realmente independente. É, enfim, a resposta mais eficaz contra a ameaça da informação única."

Quando a ordem dos fatores altera os corruptos

Carta de um leitor de O Globo, no jornal de hoje (o destaque é meu):
A primeira página do GLOBO é de dar nojo. Ver fotos de Fernando Collor, Roberto Jefferson, Maluf, José Genoino, Palocci e Picciani, todos sabidamente corruptos, com exceção de Jefferson, tomando posse, é dose para Leão. Conclusão: as moscas voltaram, mas a sujeira continua a mesma.
Como Jefferson teve os direitos políticos cassados, por isso não se candidatou e portanto não se elegeu, "com exceção de Jefferson" deveria estar após "tomando posse". Ou a ordem dos fatores altera os corruptos.

Cesar Maia erra feio mais uma vez

Do ex-prefeito do Rio, ainda no exercício do cargo, Cesar Maia (PFL ou PD?), em seu ex-blog, na segunda-feira passada:

SENADÔMETRO!
Senadores Jose Agripino e Renan empatados. Mas 8 senadores não definiram seus votos.

Resultado da eleição ontem: Renan Calheiros (PMDB),51, Agripino Maia (RN), 28.

É um erro muito grande para ser debitado na conta de um desvio da pesquisa. Parece mais caso de desvio do ex-prefeito, que como político é marquetólogo, e como marquetólogo é político.

O dia mais importante do mundo da falta de notícias importantes

Finalmente é hoje o dia tão esperado. Dia daquele acontecimento que rendeu capas e páginas principais. Que consumiu análises e mais análises de especialistas os mais variados. O dia da eleição para a presidência da Câmara. No Brasil, só se fala em outra coisa.

Durante boa parte do tempo, os analistas dos jornalões tentaram vender a história de que o grande derrotado dessas eleições seria o presidente Lula, seja lá quem fosse o vencedor. Bobagem. Nesse tempo o presidente tirou férias, pescou, discursou, viajou, e viu a oposição se dividir. Viu, principalmente, o PSDB se dividir. Num racha tão grande quanto a cratera do metrô paulista. Mas sobre esse racha os jornalões passaram batidos.

O negócio deles é procurar divisões na base governista. Depois das eleições para a presidência da Câmara, talvez descubram que a base de Lula está dividida. Quando começar o Brasileirão 2007. Há os gremistas, os atleticanos, os santistas, os botafoguenses, e até os flamenguistas - porque ninguém é perfeito.

Mas projetar futuras votações a partir de análises da eleição de hoje é forçar demais a barra. Essa eleição tem uma importância interna. Ali se negociam vagas na garagem, mordomias de todo tipo, viagens internacionais, representações, o escambau. Na hora de votar projetos do Congresso e medidas do governo, a história é outra.

O que se tentou foi confundir o u com as alças. O centro e seu entorno, se é que me entendem.

O PFL, quem diria, vai virar PD

A informação está no Estadão. O PFL vai mudar. De nome. Vai se chamar Partido Democrata (PD).

Não sei não. Mas chamar o PFL de Partido Democrata só será menos estranho que chamá-lo de PD na França. Eis o que significa PD, segundo o Trésor de la Langue Française:
Pédé, subst. masc.Abrév. pop. - Homme qui éprouve une attirance amoureuse et sexuelle pour les jeunes garçons, enfants ou adolescents; p.ext., homosexuel.
Synon. de homosexuel, inverti, pédophile, sodomite.