Domingo com Música. 'Lula livre', com Beth Carvalho

Lula com Beth Carvalho

Beth Carvalho canta "Lula Livre", de Claudinho Lima




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Xingou Fernanda Montenegro e virou secretário de Cultura

Fernanda Montenegro


Bolsonaro nomeia Roberto Alvin Secretário Especial de Cutura



Cada governante tem um método para escolher seus auxiliares. Bolsonaro (eleito mediante fraude) tem o dele.

Se o sujeito é uma besta, não entende nada de Educação, levou pau na faculdade e confunde Kafka com kafta, é perfeito para ser ministro da Educação de Bolsonaro.

Se é condenado por crime ambiental, que melhor lugar para ele que o Ministério do Meio Ambiente de Bolsonaro?


Se o sujeito é um juiz que manobra nos bastidores para condenar um réu que sabe que não tem provas contra ele, mas que o condena assim mesmo, cometendo injustiça, é perfeito para o ministério da Justiça.

Agora, mais uma vez, Bolsonaro usa de sua régua para medir a equipe e busca um homem que ficou famoso por ofender Fernanda Montenegro, a maior atriz do teatro brasileiro, há 70 anos dedicando sua visa à cultura brasileira, para colocá-lo à frente da secretaria de Cultura.

O método Bolsonaro nomeia incompetentes como ele, que já afirmou que não nasceu para ser presidente, mas para ser militar.

Nem isso. Foi expulso do Exército e, sobre ele, o ex-presidente General Geisel disse: "Bolsonaro é um mau militar".


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Veja insinua que porteiro teria dito 'seu Jair' pressionado pela milícia

Caminhão de lixo com marca Veja


Na falta de reportagem, Veja expõe fotos e põe vida do porteiro em perigo


Bem ao estilo Veja de jornalismo (que ironizei numa reportagem de fundo aqui em "As Confissões de Civita: Serra sabia de tudo"), a mais vendida do Brasil expõe na capa o rosto do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, que anotou o número 58 da casa do presidente (eleito mediante fraude) Jair Bolsonaro, como o destino indicado pelo motorista envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Não apenas o rosto do porteiro, mas seu nome e a casa onde mora. Dele, conseguiu apenas estas palavras:"Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada”.

Por nada conseguir,  Veja voltou ao seu estilo e partiu para  uma ilação de que o porteiro citou o nome do presidente a mando da milícia de seu bairro, que seria comandada pelo acusado do assassinato, Ronnie Lessa.
Ao saberem que os caminhos de Fulano (o porteiro do "seu Jair") e Lessa se cruzam na Gardênia, moradores do Vivendas da Barra levantaram a possibilidade de o porteiro ter se dobrado à pressão do miliciano ao sustentar que o comparsa dele, Queiroz, ia visitar a casa do presidente. “Todo mundo sabe como funciona o esquema da milícia. Seu Fulano (o porteiro do "seu Jair") pode ter protegido o Ronnie por ameaça, medo”, diz um deles. Lessa e Queiroz estão presos na penitenciária federal de Rondônia.

Para reforçar ainda mais seu jornalismo mãe Dinah, a reportagem entrevista o outro porteiro (são sempre dois a receberem os visitantes) e pinça trecho que reforce a tese da direção da Veja::
Sicrano (o porteiro 2) contou que, ao saber do depoimento do colega, tentou falar com ele por aplicativo de mensagem, para obter “a informação verdadeira”, mas não recebeu resposta. “Todos aqui no condomínio ficaram surpresos por ele ter ligado o presidente a um crime gravíssimo. Pode ser que estejam usando o Fulano (o porteiro do "seu Jair") para denegrir a imagem de Bolsonaro”, arriscou Sicrano, que ostenta orgulhoso uma foto ao lado do capitão em suas redes sociais. No condomínio francamente bolsonarista, o próprio Fulano (o porteiro do "seu Jair") não escondia sua simpatia pelo presidente.
Com a publicação de sua foto e de sua casa, o jornalismo de Veja põe a vida do porteiro em risco, nas mãos de milicianos e bolsonaristas fanáticos.

O que Veja não consegue explicar na reportagem é por que o o porteiro receberia essa missão de Ronnie Lessa, se na hora em que anotou o número 58 da casa do presidente, Marielle ainda nem havia sido assassinada?

Obs: O Blog do Mello optou por não publicar fotos do porteiro, de sua casa, seu nome e o de seu colega de trabalho, por motivos óbvios. 

Obs 2: O porteiro é tão querido entre os moradores, que a reportagem afirma que vários deles estão fazendo uma vaquinha para pagar um advogado.


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Lula livre! Lula lá!


Libertas quæ sera tamen






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Pânico arma cilada e Glenn é agredido covardemente por Augusto Nunes. Assista e veja quem é o covarde

Agressão de Augusto Nunes a Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald foi agredido covardemente ao participar do Pânico na Jovem Pan


Foi uma cilada. O programa Pânico convidou o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil, responsável pela divulgação da Vaza Jato, sem avisá-lo de que o jornalista Augosto do Freguês Nunes, também conhecido como Augusto Nunes, estaria presente.

Nunes havia feito uma cafajestada bem a seu estilo em que pedia ao Juizado de Menores para dar uma olhada para ver se os filhos adotivos do casal Glenn e David Miranda estavam tendo a atenção devida.

No ar, tendo a chance de estar frente a frente com Augusto Nunes, Glenn não perdeu a oportunidade de tocar no assunto. Vejam o que aconteceu.

O covarde Nunes disse que não havia chamado juizado de menores coisa alguma, que havia apenas ironizado o casal.

Assistam a seguir a fala de Augusto Nunes e confira se é ou não um covarde.

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Ordem de prisão de Dilma mostra que verdadeiro Moro é o da Vaza Jato

Bolsonaro daz arminha para cabeça de Moro

Qual  a razão da ordem de prisão de Dilma num caso em que ela não era nem investigada,  mas simples testemunha? 


Quem ainda tinha alguma dúvida sobre qual o verdadeiro Sérgio Moro, o "heroico juiz honesto" em luta contra a corrupção malvada da Lava Jato ou o juiz inescrupuloso, capaz de qualquer atitude para atingir seus objetivos, revelado pela Vaza Jato, perdeu a possibilidade da dúvida com o pedido da Polícia Federal para a prisão da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma não é nem investigada no inquérito, que tem como alvos senadores do MDB: Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Jader Barbalho (MDB-PA), o ministro Vital do Rêgo Filho, do Tribunal de Contas da União (TCU) e os ex-senadores Valdir Raupp (MDB-RO) e Eunício Oliveira (MDB-CE).
 
Segundo a PF, a ideia de prender Dilma era para que ela os ajudasse a entender fatos obscuros relativo à corrupção dos emedebistas. Por que simplesmente não a chamaram para depor como testemunha no caso? Porque aí não teria a assinaturaação que singulariza um serial killer de Moro.
Durante a Lava Jato, Moro usava a Polícia Federal para conduções coercitivas com intuito de fazer propaganda de ações da operação e/ou atacar o PT, de acordo com o noticiário.

O mesmo fez agora, quando para desviar o foco da ligação da Família Bolsonaro com a milícia que assassinou Marielle Franco, a Polícia Federal de Moro pediu a prisão de Dilma por cinco dias num processo que nada tem a ver com ela, como disse o o procurador-geral da República e concordou o ministro do STF Edson Fachin .

Mas, no fim, o objetivo de Moro foi alcançado: lançou de maneira infame o nome de Dilma na lama e o ministro Fachin à sanha dos robôs dos Bolsonaro, e hoje a #stfvergonhanacional está entre os assuntos mais comentados do Twitter, graças à decisão de Fachin de não permitir a prisão absurda de Dilma.
 
O verdadeiro Moro é o da Vaza Jato.

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Na Folha, Duvivier ironiza dupla moral da Folha

Gregorio Duvivier na Folha


Colunista da Folha, humorista ironiza a dupla moral do jornal em relação a Bolsonaro


Em artigo publicado na Folha hoje, o humorista da Porta dos Fundos Gregorio Duvivier usa de ironia para criticar a Folha, que é atacada pelo presidente (eleito mediante fraude) Bolsonaro, mas consegue apoiar a política econômica pretendida por seu governo.

A verdade é que a Folha apoiou a ditadura civil-militar de 1964, que Otavinho chegou a chamar de ditabranda, porque não teria matado nem torturado tanto quanto as argentina e chilena. E agora apoia o plano econômico que Guedes ajudou a implantar no Chile durante a ditadura Pinochet, e está levando o povo às ruas no Chile. Mesmas medidas que Guedes quer implantar no Brasil.
Na direção certa, por Gregorio Duvivier

Amo este jornal que você tem em mãos. E amo o ritual de abri-lo todo dia de manhã, pra espanto da minha filha, que não entende a graça dessas letrinhas tão pequenas sob fotos tão grandes de gente tão séria, e pra desgosto da minha conge, que não entende a graça de gerar essa quantidade de lixo por dia.

“É como se você jogasse um livro fora toda manhã.” Tento argumentar: “A gente também usa pro cocô do cachorro!”. Ao que ela argumenta, com razão, que a gente não tem cachorro.

Gosto tanto deste jornal que tenho feito campanha pra que as pessoas o assinem. Tem ótimos repórteres e cronistas espetaculares e quadrinistas geniais e articulistas de todos os espectros políticos excluindo o terraplanismo —que não precisa ser contemplado por ele já estar no poder.

Ledo engano. O editorial da Folha de ontem mostra que a cúpula do jornal continua acreditando no governo até debaixo d’água. O que é um naufrágio pra quem vive no aquário? A velhinha de Taubaté que escreveu o editorial segue confiante e esperançosa de que o governo está “na direção certa”. Faltou dizer pra onde. Pro quinto dos infernos, talvez.

Os números não parecem concordar com a Folha. Mas o que são números perto da fé? “É preciso tempo”, diz o editorial. Ou quem diz é Paulo Guedes. Já não sei, de tanto que o editorial parece um release. O aquário finge não saber que os cortes que ele elogia incidem sobre educação, ciência e meio ambiente.

Bolsonaro odeia a Folha —e já disse que, no seu governo, “não vai ter Folha de S.Paulo”. A Folha morde Bolsonaro, mas sopra Paulo Guedes, como se os dois não fossem a mesma coisa.

Paulo Guedes não se aliou a Amoêdo, Alckmin, Marina, ou qualquer liberal “republicano” e tem um motivo pra isso: ele sabe que não se cortam direitos sem um projeto autoritário e moralista.

Não à toa, o modelo de Paulo Guedes pra “modernizar o Estado” é o Chile de Pinochet. Ninguém nunca conseguiu tirar direitos sem prender oposição e matar pobre. Quando os direitos somem, logo logo começa a sumir gente.

Na véspera a Folha já tinha classificado de “uma grata surpresa” o tour em que Bolsonaro bajulou o ditador saudita que mandou matar jornalista.

“Temos muito em comum”, disse Bolsonaro sobre o príncipe. Levando em conta os passaralhos, um governo que mata jornalista pode poupar um trabalho pro jornal. Reduziria o inchaço.

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Pela 1ª vez na história, um diretor de jornalismo (Kamel) parabeniza equipe por barriga


Assim como Bolsonaro, Kamel cria fake news e "parabeniza editoria Rio" pela bola nas costas


Não é só o presidente (eleito mediante fraude) Bolsonaro que cria fake news para iludir seu público alimentado a mamadeira de piroca.

O diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, também é chegado a uma notícia falsa, até para sua equipe.

Depois da inacreditável barriga da Globo sobre o porteiro do "seu Jair" (que comentei aqui), Kamel, em vez de reconhecer o erro e dar a volta por cima, fazendo uma reportagem de fundo sobre o condomínio Vivendas da Barra, escreve uma carta à equipe do Rio [que reproduzo ao final], elogiando-os pela barriga cujo maior culpado, evidente, é Kamel.
No texto, Kamel diz que a Globo (que ele imperial confunde consigo mesmo, "jornalismo que pratico") fez tudo certo, estavam errados os fatos — no caso, os áudios que Carlos Bolsonaro mostrou no dia seguinte à reportagem pelo Twitter e que o advogado de Bolsonaro não lhe informara, quando ouvido sobre a reportagem.

Faltou apuração, embora Kamel tenha escrito certa vez aqui para o blog em 2006, que a Globo não põe nada no ar sem checar autenticidade. Mesmo recebendo de uma fonte credenciada. É zelo. É cuidado.

Como fica claro na carta à equipe que Kamel coordenou pessoalmente a reportagem, fica evidente que ele focou sua preocupação com o andar de cima, seus superiores, os Marinho, políticos amigos etc, em vez de botar a equipe para ir atrás de sua majestade os fatos.

Se o porteiro disse que falou duas vezes com "seu Jair" e ele estava (ao que tudo indica) em Brasília, por que não entrevistarem o porteiro? Por que não viram como funciona o serviço de comunicação da portaria com os condôminos? Há transferência pelo celular?

Porque até hoje há uma questão (além da possível manipulação dos dados da portaria por Bolsonaro): será que o interfone é a única forma de comunicação ou algum condômino, como Bolsonaro, pede para que seja informado por celular, caso não esteja no condomínio (já sugeri aqui que Bolsonaro abrisse mão do sigilo do seu para comprovar que não recebeu ligação do condomínio naquele dia), por exemplo?

Em vez de buscar corrigir a barriga, enviando equipe (a Globo tem centenas de repórteres)  e fazendo uma varredura investigativa no condomínio, Kamel passou a edição do dia seguinte do Jornal Nacional ajoelhado no milho, e hoje a imagem do jornalismo da Globo está ainda mais no chão do que antes.

Mas Kamel preferiu enviar uma carta à equipe, parabenizando-os, mimetizando Bolsonaro, que se jacta das merdas que faz.

"Fomos brilhantes, fizemos tudo certo, só estávamos errados e a matéria sobre o presidente deveria ter caído ou, o certo, mais bem apurada e aprofundada, antes de ir ao ar" (Terá sido por que a fonte tinha pressa, como Kamel diz na carta?).

Eis a carta de Kamel:
Há momentos em nossa vida de jornalistas em que devemos parar para celebrar nossos êxitos.
Eu me refiro à semana passada, quando um cuidadoso trabalho da editoria Rio levou ao ar no Jornal Nacional uma reportagem sobre o Caso Marielle que gerou grande repercussão. A origem da reportagem remonta ao dia 1° de outubro, quando a editoria teve acesso a uma página do livro de ocorrências do condomínio em que mora Ronnie Lessa, o acusado de matar Marielle. Ali, estava anotado que, para entrar no condomínio, o comparsa dele, Elcio Queiroz, dissera estar indo para a casa 58, residência do então deputado Jair Bolsonaro, hoje presidente da República. Isso era tudo, o ponto de partida.
Um meticuloso trabalho de investigação teve início: aquela página do livro existiu, constava de algum inquérito? No curso da investigação, a editoria confirmou que o documento existia e mais: comprovou que o porteiro que fez a anotação prestara dois depoimentos em que afirmou que ligara duas vezes para a casa 58,  tendo sido atendido, nas palavras dele, pelo “seu Jair”. A investigação não parou. Onde estava o então deputado Jair Bolsonaro naquele dia? A editoria pesquisou os registros da Câmara e confirmou que o então deputado estava em Brasilia e participara de duas votações, em horários que tornavam impossível a sua presença no Rio. Pesquisou mais, e descobriu vídeos que o então deputado gravara na Câmara naquele dia e publicara em suas redes sociais. A realidade não batia com o depoimento do porteiro.
Em meio a essa apuração da Rio (que era feita de maneira sigilosa, com o conhecimento apenas de Bonner, Vinicius, as lideranças da Rio e os autores envolvidos, tudo para que a informação não vazasse para outros órgãos de imprensa), uma fonte absolutamente próxima da família do presidente Jair Bolsonaro (e que em respeito ao sigilo da fonte tem seu nome preservado), procurou nossa emissora em Brasilia para dizer que ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do Caso Marielle esbarrara num personagem com foro privilegiado e que, por esse motivo, o caso tinha sido levado ao STF para que se decidisse se a investigação poderia ou não prosseguir. A editoria em Brasilia, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?
Isso nos fez redobrar os cuidados. Mandei voltar a apuração quase à estaca zero e checar tudo novamente, ao mesmo tempo em que a Editoria Rio foi informada sobre o STF. Confirmar se o caso realmente tinha ido parar no Supremo tornava tudo mais importante, pois o conturbado Caso Marielle poderia ser paralisado. Tudo foi novamente rechecado, a editoria tratou de se cercar de ainda mais cuidados sobre a existência do documento da portaria e dos depoimentos do porteiro. Na terça-feira, dia 29 de outubro, às 19 horas, a editoria Rio confirmou, sem chance de erro, que de fato o MP estadual consultara o STF.
De posse de todas esses fatos, informamos às autoridades envolvidas nas investigações que a reportagem seria publicada naquele dia, nos termos em que foi publicada. Elas apenas ouviram e soltaram notas que diziam que a investigação estava sob sigilo. Informamos, então, ao advogado do presidente Bolsonaro, Frederick Wassef, sobre o conteúdo da reportagem e pedimos uma entrevista, que prontamente aceitou dar em São Paulo. Nela, ele desmentiu o porteiro e, confirmando o que nós já sabíamos, disse que o presidente estava em Brasília no dia do crime. Era madrugada na Arábia Saudita e em nenhum momento o advogado ofereceu entrevista com o presidente. 
A reportagem estava pronta para ir ao ar. Tudo nela era verdadeiro: o livro da portaria, a existência dos depoimentos do porteiro, a impossibilidade de Bolsonaro ter atendido o interfone (pois ele estava em Brasilia) e, mais importante, a possibilidade de o STF paralisar as investigações de um caso tão rumoroso. É importante frisar que nenhuma de nossas fontes vislumbrava a hipótese de o telefonema não ter sido dado para a casa 58. A dúvida era somente sobre quem atendeu e só seria solucionada após a decisão do STF e depois de uma perícia longa e demorada em um arquivo com mais de um ano de registros. E isso foi dito na reportagem. Quem, de posse de informações tão relevantes, não publica uma reportagem, com todas as cautelas devidas, não faz jornalismo profissional.
Hoje sabemos que o advogado do presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa. No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano".
Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional.
Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio).
Diante de uma estratégia assim, o nosso jornalismo não se vitimiza nem se intimida: segue fazendo jornalismo. É certo que em 37 anos de profissão, nunca imaginei que o jornalismo que pratico fosse usado de forma tão esquisita, mas sou daqueles que se empolgam diante de aprendizados. No dia seguinte, já não valia o sigilo em torno do assunto, alegado na véspera para não comentar a reportagem do JN antes de ela ir ao ar. Houve uma elucidativa entrevista das promotoras do caso, que divulgamos com o destaque merecido: o telefonema foi feito para a casa 65, quem o atendeu foi Ronnie Lessa, tudo isso levando as promotoras a afirmarem que o depoimento do porteiro e o registro que fez em livro não condizem com a realidade. O Jornal Nacional de quarta exibiu tudo, inclusive os ataques do presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, respondidos de forma eloquente e firme, mas também serena, pela própria Globo, que honra a sua tradição de prestigiar seus jornalistas. Estranhamente, nenhuma outra indagação da imprensa motivada por atitudes e declarações subsequentes do presidente foi respondida. O alegado sigilo voltou a prevalecer.
Mas continuamos a fazer jornalismo. Revelamos que a perícia no sistema de interfone foi feita apenas um dia depois da exibição da reportagem e num procedimento que durou somente duas horas e meia, o que tem sido alvo de críticas de diversas associações de peritos.
Conto tudo isso para dar os parabéns mais efusivos à editoria Rio. Seguiremos fazendo jornalismo, em busca da verdade. É a nossa missão. Para nós, é motivo de orgulho. Para outros, de irritação e medo.
Ali Kamel


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Domingo com Música. Palhaço, Egberto Gismonti

Capa disco Egberto Gismonti

Egberto Gismonti em programa de Rolando Boldrin

Maravilha pura.




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Bolsonaro confessa crime para tentar evitar prisão de filho

Bolsonaro

Bolsonaro cria clima para tornar problema nacional uma provável prisão de seu filho


Embora muitos discordem de minha opinião, Bolsonaro pode ser tudo (machista, homofóbico, autoritário, corrupto através da prática da rachadinha), mas não é burro.

Por isso, temos que procurar a lógica que existe por trás de ele confessar o crime de obstrução da justiça à imprensa, como o fez ontem, quando, numa conversa informal com jornalistas, disse que havia se apossado dos arquivos do condomínio Vivendas da Barra, onde ele, seu filho Carlos e o acusado pelo assassinato de Marielle e Anderson moram.

A importância dos arquivos do condomínio é que eles podem esclarecer a participação ou não da família Bolsonaro no processo da morte de Marielle e Anderson.
"Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha", declarou Bolsonaro. [G1]
Quando ele diz "nós pegamos" está claramente se referindo a outra ou a outras pessoas, porque ele estava em Brasília e não poderia ter feito isso.

Quem mostrou os arquivos ao público foi seu filho Carlos Bolsonaro no Twitter, quando usou imagens e sons dos arquivos da portaria do condomínio na tentativa de inocentar o pai.

Logo, o "nós pegamos" significa o Carlos Bolsonaro pegou, foi ele quem cometeu o crime.

Por isso, Bolsonaro ataca o governador do Rio, Wilson Witzel, pois sabe que seu filho, conhecido por Carluxo, pode ir preso pelo crime. A investigação sobre o crime está sob o Ministério Público e a Polícia do Rio de Janeiro de Witzel.

Isso também explicaria a ira forjada (como mostrei aqui) de Bolsonaro contra a reportagem do Jornal Nacional, quando disse no meio do discurso uma frase que nada tinha a ver com o contexto, mas que já revelava sua real preocupação: "Vocês querem ver um de meus filhos presos".


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Bolsonaro pode acabar com especulações sobre o porteiro com uma medida simples

Bolsonaro no celular

O que Bolsonaro pode fazer para por um ponto final no caso do porteiro



Não, não é isso que você, leitor malicioso, leitora apressada estão pensando. Matar o porteiro só faria o caso se voltar de vez contra Bolsonaro. A medida é outra.

Toda a polêmica do que virou o "Caso do Porteiro" gira em torno das duas ligações que o porteiro teria feito para "seu Jair", entre as 17h e 17h15h aproximadamente, no dia do assassinato de Marielle e do motorista Anderson, para liberar a entrada do piloto do assassinato Elcio Queiroz.

Carlos Bolsonaro mostrou que não há registro dessas ligações no arquivo do condomínio. A promotoria do Rio comprou essa versão, baseada em perícia parcial, que não teve acesso ao arquivo NO computador onde foi gerado, mas apenas a uma cópia.

No Nassif, há a informação de que o condomínio não teria interfone (o que foi desmentido pelo Duplo Expresso, que mostrou o interfone de um morador), mas haveria a possibilidade de o porteiro se comunicar com o celular do morador de determinadas residências.

Isso explicaria não haver o registro no computador interno e também a certeza do porteiro de que recebeu o "talquei", por duas vezes, de Jair Bolsonaro.
Toda essa questão pode ser resolvida com uma atitude simples de Bolsonaro: abrir mão do sigilo daquele celular que está registrado na portaria do condomínio (ou estava na época do fato), apenas naquele momento entre as 17h e as 17h15 daquele dia.

Se não houver ligação alguma vinda do condomínio, o porteiro se equivocou e não falou com Bolsonaro. Ponto final. Agora, se houver...

A questão que fica é: Bolsonaro estará disposto a abrir mão de seu sigilo telefônico para esclarecer de vez o problema?


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