Mostrando postagens com marcador CPI da Abril. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CPI da Abril. Mostrar todas as postagens

No Brasil, a maioria é pautada pela minoria

Porque tem a mídia a seu lado, a oposição - que é minoria no Brasil - consegue pautar a maioria. Discutimos tudo o que lhes interessa e nada do que não lhes interessa. Embora tenham levado duas surras nas urnas.

A renovação das concessões de rádio e TV, por exemplo, que deveria ser exaustivamente debatida pela sociedade, não o foi. Perdeu-se a oportunidade, enquanto se discutia o caso Renan.

A direita está sempre unida e pró-ativa. Enquanto isso, a esquerda mal conseguiu juntar 1300 assinaturas (confira) num abaixo-assinado em favor da instalação da CPI da TVA. Imagine você o número de assinaturas que a direita conseguiria, caso a CPI da TVA interessasse a ela. Taí a diferença.

Agora temos aí a possibilidade do escandaloso monopólio do Grupo Abril na distribuição de revistas. E um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Perdemos tempo discutindo articulistas da direita, e isso só se reflete no aumento do salário deles. O que havia para ser dito sobre Ali Kamel, por exemplo, já o foi. Sinceramente, alguém acredita que alguma coisa mudará na Globo caso ele saia da direção de jornalismo? É exatamente o oposto. Se alguma coisa mudar no jornalismo da Globo, ele sai. Assim como já aconteceu com Armando Nogueira e, em outras instâncias, Walter Clark e Boni. Gente muito, mas muito mais importante que Kamel na história da Globo. Kamel não é o cabeça, é o laquê.

Ganhamos a eleição por ampla maioria. Todas as pesquisas indicam uma grande aprovação do governo Lula. No entanto, estamos sempre na defensiva, reagindo às pautas da direita.

A história do terceiro mandato de Lula

Estamos sempre sendo pautados pela oposição, como agora com a história do terceiro mandato de Lula. O responsável pela emenda da reeleição indefinida, ressuscitada agora, era tucano na época, o hoje ex-deputado Inaldo Leitão. A emenda foi apresentada em 1999, durante o governo FHC, e serviria possivelmente para seu terceiro mandato, caso o segundo não fosse o desastre que foi. Sobre isso nada se fala. Nem sobre a declaração do ex-ministro Sérgio Mota de que o PSDB tinha um projeto de poder de 30 anos.

No entanto, mesmo com as negativas de Lula, eles ficam nos empurrando goela abaixo o assunto, a tal ponto que FHC "exige" que Lula se declare, formal e peremptoriamente, contra a possibilidade. E aí corre o presidente, corre o PT, corremos muitos de nós a fazer o que querem, a dizer que não se deve mexer no jogo, que nada de terceiro mandato.

Por quê? Se a maioria do Congresso decidir, se a medida for levada a um referendo popular e o povo concordar com a possibilidade de um terceiro mandato, por que Lula não pode concorrer?

Esse assunto é completamente extemporâneo. Lula está no primeiro ano de seu segundo mandato. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas, se, mais adiante, o governo continuar com o trabalho que vem fazendo, a aprovação continuar lá em cima, aí sim o assunto pode voltar.

Sou do Rio de Janeiro. Vi o projeto dos CIEPs ser desmontado, porque à época não havia a possibilidade de reeleição. Brizola não pôde concorrer e Moreira Franco, que o sucedeu, começou o desmonte do projeto. Vamos deixar que o mesmo ocorra, por exemplo, com o Bolsa Família? Ou alguém tem alguma dúvida de que ele será desmontado na primeira bicada tucana?

Quem quiser outra história, que não deixe os congressistas aprovarem a emenda que torna possível o terceiro mandato; se esta possibilidade for aprovada, que busquem a reprovação do povo no referendo; se isso também passar, busquem derrotar Lula nas urnas. Simples assim.

Clique aqui para ir ao Player de Vídeos do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Temendo CPI, Abril cede e Anatel aprova compra da TVA pela Telefônica

Segundo o conselheiro da Anatel Antonio Bedran o Grupo Abril fez as mudanças contratuais exigidas e, por isso, a Anatel aprovou ontem o processo de compra da TVA, do Grupo Abril, pela espanhola Telefônica.

No Estado de S.Paulo:

O negócio já havia sido aprovado parcialmente em julho, mas a Anatel exigiu que as empresas refizessem o acordo de acionistas referente à operadora de TV a cabo do grupo que opera em São Paulo. O temor da agência era que o acordo original permitisse à Telefônica o controle da empresa de TV a cabo, o que é proibido pela legislação.

“Entendemos que o novo acordo de acionistas satisfaz as exigências da Anatel, e que está eliminado qualquer outro tipo de controle, tanto acionário quanto societário”, disse o conselheiro Antonio Bedran. Agora, o processo segue para análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade).

Segundo Bedran, pelo novo acordo de acionistas, está eliminada a possibilidade de a Telefônica realizar reuniões prévias sobre decisões estratégicas da operadora de TV a cabo da TVA em São Paulo. A decisão da Anatel também impede que dirigentes da Telefônica participem das reuniões do conselho de administração e de assembléias gerais da operadora de TV paga.

Ainda assim a votação foi apertada: 3 a 2, a favor da transação. O que mostra que o quadro era bem diferente do pintado pela Veja.

Mas com isso o grupo Abril conseguiu seu objetivo imediato: jogar por terra a convocação da CPI da TVA, que, esta sim, poderia levantar o rabo desse gato, onde se esconde, por exemplo, a Curundeia, empresa com pouco menos de R$ 900 mil de capital social, mas que, no entanto, teria comprado parte do Grupo Abril por quase US$ 200 milhões.

Atendendo agora às exigências da Anatel, o Grupo Abril cede o anel para ficar com os dedos, porque, como já afirmei aqui, a CPI poderia levantar muitas histórias mal contadas, daquelas de fazer corar até o senador Renan. Histórias que não seriam apenas do Grupo Abril (clique aqui para ler a postagem).

Veja a seguir a reportagem da Band que mostra como é confusa a transação da venda de parte do grupo Abril e como a história da Curundeia parece história da carochinha.

Clique aqui se tiver dificuldades para assistir aos vídeos

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Afinal, Chinaglia engavetou ou não a CPI da TVA?

A coluna Panorama Político de O Globo continua a dar como certo que o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), engavetou a criação da CPI da TVA. Nota publicada na sexta-feira afirmava o seguinte:

Os autores do requerimento que cria a CPI TVA/Telefônica estão se preparando para entrar no STF contra o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em 2005, o STF obrigou o Senado a instalar a CPI dos Bingos.

O incrível é que só essa coluna dá a notícia. O silêncio sobre o assunto é geral, o que nos leva a perguntar: afinal, Chinaglia engavetou ou não a CPI?

Para elucidar a questão, o Blog do Mello enviou o seguinte e-mail ao deputado:

Prezado Deputado,
por duas vezes a coluna Panorama Político do jornal O Globo anunciou a seus leitores que o senhor "engavetou a CPI da TVA". Como não ouvi ou li declaração alguma de Vossa Excelência sobre o assunto, gostaria que o senhor esclarecesse a mim e aos leitores de meu blog se a notícia é verdadeira ou não.
Atenciosamente,

Vamos aguardar a resposta do deputado. Mas se Chinaglia engavetou mesmo a CPI, esse é o caminho, a ida ao Supremo. Vamos ver então a posição do STF, em especial a do ministro Marco Aurélio Mello. Naquela ocasião, ele votou a favor da criação da CPI dos Bingos. E agora, quando ela pode atingir o coração de sua querida Veja, a revista que lhe dá régua e compasso?

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

O Globo: Chinaglia engaveta CPI da TVA

No dia 26 de setembro, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, afirmava que iria aguardar o desfecho do caso Renan para tocar a CPI da TVA, como mostra o vídeo acima. Disse que agia assim para que não parecesse uma interferência da Câmara no processo do Senado, já que Renan e a Veja estavam trocando acusações – ao que parece, ambos com razão.

A declaração de Chinaglia, reproduzida no vídeo, corresponde a uma notícia anteriormente divulgada pelo Estadão, que começava assim:

Apesar de o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ter comunicado que viu fato determinado para a criação da CPI da venda da TVA, do Grupo Abril, para a Telefônica...

No entanto, hoje, quando o tal caso Renan já saiu das primeiras páginas, sou surpreendido com a seguinte nota, perdida na coluna Panorama Político de O Globo:

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, engavetou o requerimento pela criação da CPI TVA/Telefônica.

A nota está assim, a seco, sem outra informação. E não encontrei vestígio dela em nenhuma outra publicação. Será um furo da coluna de O Globo? Ou uma barriga? Ou uma premonição? Ou um desejo?

Se for verdadeira, o deputado Chinaglia vai ter que explicar por que mudou de idéia, se antes via fato determinado para a criação da CPI.

A CPI da TVA é fundamental para explicar não apenas a nebulosa transação entre o Grupo Abril e a Telefônica mas também uma outra que envolve a venda de parte da Abril para a Curundeia, e que necessita de mais de um Renan de explicações, como mostra reportagem da Band reproduzida a seguir. É um tal de empresa desconhecida, número inexistente, CNPJ truncado, que parece mesmo acusação da Veja contra Renan, só que com sinais trocados. Confira:


Clique aqui se tiver dificuldades para assistir aos vídeos

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Renan sai. Qual a próxima não-notícia?

O senador Renan Calheiros pediu agora à noite licença do cargo de Presidente do Senado por 45 dias.

Vamos ver qual é o novo assunto que os jornalões, a Veja e a Rede Globo vão inventar para não terem que falar na renovação das concessões de rádio e TV, na CPI da TVA, no valerioduto tucano, na acusação de Azeredo de que a campanha de FHC levou dinheiro desviado do governo de Minas, no bilhão doado a Cacciola, na venda imoral da Vale do Rio Doce...

Qual não-notícia vai ser a próxima atração?

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

CPI da TVA: - Abril, mostra a tua cara, quero ver quem paga


Mais uma semana, e nada da CPI da TVA. E ela é fundamental para que o Grupo Abril possa explicar ao Brasil (com s) quem é a MIH Brazil (com z) Participações.

Segundo reportagem da Band, que reproduzimos aqui, a MIH Brazil (com z) teria participado da venda da Abril, que fica no Brasil (ainda com s). Mas, no endereço que consta no contrato, não há MIH Brazil (com z) alguma.

A reportagem tentou descobrir alguma informação sobre ela, por intermédio do CNPJ declarado no contrato, mas descobriu que o número não pertence à MIH Brazil (com z), mas a uma empresa chamada Curundeia, o que, por si só, já me parece uma violação da lei do Brasil (com s).

No endereço, onde funcionaria a tal Curundeia, o porteiro nunca ouviu falar dela.

E mais. Pelos dados da Receita Federal, o capital social registrado da Curundeia é de R$ 878 mil. Como é que ela pagou US$ 178,5 milhões por parte da Editora Abril?

Essas e outras respostas só a CPI da TVA pode trazer. Por isso ela é necessária. Fundamental. E está demorando. O que é ótimo para os lobistas da Abril, para a Curundeia, a MIH Brazil (com z), mas péssimo para o Brasil (com s).

Para saber mais e assinar o abaixo-assinado da CPI da TVA clique aqui.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

CPI da TVA já!

Vamos assinar o abaixo-assinado do Intervozes, em apoio à instalação da CPI da TVA. Olhei agora e temos apenas 479 assinaturas. É ridículo!

Para saber mais e assinar o abaixo-assinado da CPI da TVA clique aqui.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Abaixo-assinado a favor da instalação da CPI da TVA

O Intervozes lançou um abaixo-assinado pela instalação da CPI TVA/Telefônica e investigação de todas as irregularidades do setor. Nele, fica-se sabendo também qual é a analogia (denunciada pela própria Veja) que existe entre a transação TVA (Abril)-Telefônica e Net (Globo)-Embratel (Telmex).

Eis a íntegra do abaixo-assinado e o link, ao final, para que você possa assiná-lo. Quando assinei, fui o número 259. É muito pouco. Temos que divulgá-lo e aumentar o número de assinaturas:

Pela instalação da CPI TVA/Telefônica e investigação de todas as irregularidades do setor

Estamos diante de mais um caso de “faroeste” no campo das comunicações no Brasil. Agora, o Grupo Abril deflagrou uma campanha para desarticular a CPI que irá investigar a compra da TVA pela Telefônica. Utilizando seu principal veículo de informação, a revista Veja, a empresa joga pesado contra os parlamentares que assinaram o requerimento. Achando pouco, a Abril colocou lobistas e funcionários próprios para percorrer os gabinetes pressionando os deputados a retirar suas assinaturas.

Essa campanha só reforça a necessidade de instalação da CPI, além dar mais motivos para enterrar o mito da imparcialidade no jornalismo brasileiro.

O que teme a Abril? Provavelmente, a empresa não quer que venham à tona as irregularidades da operação que, na prática, entregou o controle da ComercialCabo para uma empresa estrangeira, o que é proibido pela lei 8.977/95.

No momento em que uma empresa de mídia utiliza seu poder político para tentar proteger seus interesses, o Congresso brasileiro tem de afirmar sua independência e não pode se dobrar ao poder dessa grande corporação. É verdade que a denúncia das irregularidades feita por Renan Calheiros é uma retaliação à campanha da Abril pela sua cassação. O senador nada tem de inocente e reagiu à denúncia – aparentemente verdadeira – de que ele faz uso de laranjas para manter uma rádio em Alagoas. Mas é verdade também que isso não interfere nada nos fatos. O que interessa é saber se houve ou não irregularidades na operação de compra da TVA pela Telefônica. E há indícios de que houve irregularidades não consideradas pela Anatel ao aprovar a operação.

Pela legislação atual, o limite de capital estrangeiro em uma empresa de TV a cabo é 49%. Embora a venda da TVA respeite esse limite, ela estabelece uma cláusula no contrato apontando a necessidade de uma 'reunião prévia' dos acionistas preferenciais, que deve ter seu resultado seguido pela reunião de acionistas com direito a voto. Na prática, vincula as decisões da empresa às decisões da Telefônica, passando o controle à empresa espanhola.

A prática não é nova nem exclusiva do Grupo Abril. A primeira empresa a usar brechas legais para vender sua operadora de cabo para o capital estrangeiro foi a Globo, que vendeu a quase totalidade das ações preferenciais (sem direito a voto) e cerca de 38% das ações ordinárias (com direito a voto) da NET Serviços para a Embratel (leia-se Telmex). Mas a Globo usou uma empresa chamada GB (que era usada anteriormente pela Globo e o Bradesco - daí o nome) e lhe "entregou" 51% das ações da NET Serviços. O problema é que o capital da GB agora está dividido em 49% para a Telmex e 51% para a Globo. Assim, na prática, a Telmex é a acionista majoritária da NET Serviços, a despeito da proibição da Lei da TV a cabo (8.977/95). A transação da Globo foi aprovada pela Anatel. A Abril fez a mesma coisa, mas foi menos sutil; mesmo assim, também teve sua operação aprovada.

No caso da Telefônica, há ainda um outro problema. Em São Paulo, além da proibição prevista na Lei do Cabo, existe outra, que está na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e que diz que uma empresa concessionária de telefonia fixa não pode estar no bloco de controle de uma operadora de TV a cabo, o que se configura com a posse de 20% das ações ordinárias. Então, especificamente no estado de São Paulo, a Telefônica só pode ter 19,99% das ações ordinárias da TVA.

A resolução 101 da Anatel, que baliza a análise sobre esse tipo de operação, tem elementos para que se impeça esse tipo de transação. Com todos esses indícios, a investigação sobre essas operações se torna inadiável. Mesmo frente a esse quadro, a soberba do Grupo Abril é tamanha que eles alegam que a CPI ameaça a liberdade de imprensa. Ora, uma empresa de mídia não pode ser investigada? Em nome dessa “liberdade de imprensa” (na realidade, liberdade de empresa) deve-se abafar todos os indícios de irregularidades em meios de comunicação? Só a reação da Abril já justifica a instalação da CPI. Quem teme, provavelmente deve.

O episódio é revelador da dimensão do poder dos grandes grupos de mídia enquanto atores políticos e de como a lógica econômica predomina em detrimento do interesse público no campo das comunicações. Evidencia também a leniência do poder público para lidar com as burlas legais encontradas pelas grandes empresas. Resta saber se o Congresso brasileiro se dobrará diante dessa chantagem. Os abaixo assinados esperam que não.

Para assinar é só clicar aqui.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

'Grande imprensa' esconde CPI da TVA

Do blog Abundacanalha:



Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Empurram a criação da CPI da TVA com a barriga para que ela caia no esquecimento

O tempo conspira contra a criação da CPI da TVA. Ainda não foi dessa vez que tivemos a definição do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), favorável à sua criação. Segundo a própria Veja (que trabalha desesperadamente nos bastidores para que não haja a CPI) Chinaglia iria se pronunciar na terça passada. Uma semana depois, e nada. Por quê?

O pedido de instalação teve o número de assinaturas exigido (181, quando são necessárias apenas 171) e objeto determinado, baseado no voto contrário à venda do ex-presidente da Anatel e atual conselheiro Plínio de Aguiar Júnior:

"O artigo 7º da Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995 (Lei do Serviço de TV a cabo) não estaria sendo observado, uma vez que o seu objeto é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a Cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros, o que não ocorrerá no presente caso”.

A hora, agora, é da CPI da TVA. Se, como eu disse aqui, durante os trabalhos da CPI da TVA for confirmada a irregularidade, deve-se partir para uma outra CPI. Esta para investigar a transação da Net - leia-se Organizações Globo – com a Telmex. A própria Veja da outra semana diz o porquê:

A associação da TVA com a Telefônica é análoga àquela entre NET e Telmex.

Sendo análogas, se surgirem problemas numa, investigue-se também a outra. Por isso a criação dessa CPI da TVA-Abril-Veja passou a ser necessária, fundamental. E urgente.

A Abril aposta que, com a passagem do tempo, a criação da CPI possa cair no esquecimento. Não podemos deixar que isso aconteça.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Quem disse que Chinaglia é contra CPI da TVA?

Num típico caso de lobo em pele de cordeiro, o Estadão publica uma reportagem em que afirma que Absolvição de Renan fortalece CPI da TVA na Câmara.

Diferentemente dos outros jornalões e da grande mídia em geral, o Estadão pelo menos tocou no assunto, que parece tabu para os demais. Mas esse é seu único mérito.

A notícia desinforma, fingindo informar, quando diz que “A CPI foi proposta em uma operação de aliados do presidente do Senado em retaliação à revista Veja”... Essa pode até ser a motivação de Renan, mas a CPI só foi proposta porque existe fato determinado: a venda da TVA à Telefônica, do modo como foi feita, fere a Constituição. Precisa mais?

Adiante, a reportagem desinforma novamente, quando afirma que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é contrário à CPI. De onde tiraram essa informação? A única declaração de Chinaglia divulgada pela mídia em relação ao tema vai no sentido oposto. E a repórter podia achar essa declaração em casa mesmo. Uma reportagem do Estadão no dia 29 de agosto começa exatamente assim:

Apesar de o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ter comunicado que viu fato determinado para a criação da CPI da venda da TVA, do Grupo Abril, para a Telefônica...

Quer dizer: ou desinformam, como o Estadão, ou sonegam informação, como os demais veículos.

A cada dia que passa fica mais evidente que a criação da CPI da TVA é fundamental para o fortalecimento da democracia no Brasil. E que a "grande imprensa" está tentando de forma descarada jogar a sujeira debaixo do tapete.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

O que a Veja não diz: Venda da TVA faz de Civita ‘laranja’ da Telefônica

O que a Veja diz: A venda da TVA foi aprovada pela Anatel.

O que a Veja esconde: A venda foi aprovada por três votos a dois, mas "com ressalva relacionada aos serviços da TVA em São Paulo".

E qual é essa ressalva? O relatório do conselheiro da Anatel Plínio de Aguiar Júnior explica. Plínio votou contra a negociação por considerá-la ilegal e pediu que seu voto fosse tornado público pelo site da Anatel (Clique aqui para ler o relatório do conselheiro).

Em seu relatório, Plínio afirma que a transação viola a Lei do Cabo (Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995).

Resumidamente, o relatório afirma o seguinte: na fachada, o controle ficaria nas mãos de Civita (Grupo Abril), mas as decisões tomadas (segundo o contrato) deveriam apenas confirmar o que ficasse estabelecido em uma “Reunião Prévia”, em que todos teriam direito a voto – o que tornaria, na prática, Civita um laranja da Telefônica, que tem 86,7% do capital total da Comercial Cabo e 91,5% da TVA Sul.

Por isso, o conselheiro da Anatel Plínio de Aguiar Júnior votou contra a aprovação da transação:

"O artigo 7º da Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995 (Lei do Serviço de TV a cabo) não estaria sendo observado, uma vez que o seu objeto é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a Cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros, o que não ocorrerá no presente caso”.

É isso que a CPI da TVA quer investigar. E a Abril, através da Veja, não quer que seja investigado.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Por que a Cpi da TVA-Abril-Veja passou a ser necessária

A Veja que foi para as bancas neste final de semana volta à carga contra a criação da CPI da TVA, que vai investigar a venda da TVA (Grupo Abril, que edita a Veja) para a Telefônica. A Anatel, num primeiro momento, aprovou o negócio, mas impôs condições.

A suspeita que originou a criação da CPI é a de que o negócio daria a uma empresa estrangeira o controle sobre um meio de comunicação, o que é proibido no Brasil. Segundo se suspeita, haveria um contrato de gaveta, onde o controle da TVA ficaria nas mãos da Telefônica (espanhola).

O desespero da Veja decorre de alguns fatores. Em primeiro lugar, os que defendem a criação da CPI conseguiram juntar assinaturas suficientes para protocolar o pedido. 181 assinaturas de deputados. Isso foi um duro golpe para a Abril, porque inesperado.

Por causa disso a Veja da semana passada partiu para o ataque, afirmando que a tentativa de instalação da CPI é uma vingança pessoal do senador Renan Calheiros, contrariado com as reportagens da revista, que o colocaram com a corda no pescoço.

Ilegal, e daí?
Lobistas da Abril tentam convencer deputados a retirar assinatura

Segundo o Portal Vermelho, a editora Abril espalhou lobistas pela Câmara na tentativa de virar os votos dos signatários da proposta da CPI. Isso é ilegal - repito, ilegal -, mas, no entanto, foi confirmado pelo assessor de imprensa do Grupo Abril:

A Editora Abril está em plena atividade para abortar a CPI da Abril-Telefônica. Nesta quarta-feira (5) - dia de maior movimentação de parlamentares na Câmara Federal -, um grupo percorria as dependências da Casa, pedindo aos 182 deputados que assinaram o pedido da CPI que assinem outro documento, com um contra-pedido. O jornalista Gustavo José Batista do Amaral, assessor de imprensa do Grupo Abril, que participava da ação, admitiu a coleta, mas disse que não sabia dizer quantas assinaturas tinham conseguido porque havia várias pessoas abordando os parlamentares. Amaral também reconheceu que o Grupo Abril não podia realizar a operação.

21 deputados já tentaram retirar suas assinaturas. São eles: Arnon Bezerra, Gilmar Machado, Lincoln Portela, Marcelo Itagiba, Marcio Junqueira, Ricardo Izar, Antônio Roberto, Ratinho Junior, Elcione Barbalho, Walter Pinheiro, Eliseu Padilha, Darcísio Perondi, Jorge Khoury, Silvio Lopes, Raimundo Gomes de Matos, Barbosa Neto, Colbert Martins, Darcísio Perondi, Pedro Chaves, Professor Sétimo, Fátima Pelaes .

Os 13 últimos o fizeram entre os dias 3 e 5 de setembro, ou seja, entre segunda e quarta, logo após a edição de Veja da semana passada. Entre eles, dois deputados do PT. Um da Bahia, Walter Pinheiro, e outro de Minas, Gilmar Machado.

Mais curioso ainda é que oito deles solicitaram a retirada com requerimentos exatamente iguais: palavra por palavra, vírgula por vírgula, ponto por ponto. Como se estes já viessem preparados e eles só necessitassem assinar...

Veja usa linguagem de mafiosos para tentar desqualificar a CPI da TVA

O problema é que, para azar da Veja, retirar a assinatura não é fácil. Há um regimento na Câmara que diz que a assinatura só pode ser retirada com a anuência da maioria da bancada. A maioria dos pedidos de retirada já foi indeferida, exatamente por causa desse dispositivo.

Na edição deste final de semana, a Veja volta ao ataque. Num incrível ato falho chama a CPI da TVA (ou CPI da Abril, como querem outros) de CPI da Vendeta, utilizando-se do jargão dos mafiosos italianos.

Ela está tão apavorada com a criação da CPI que chega a fazer um apelo patético ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, para que ele não aprove a instalação da CPI, nesta terça-feira, quando esta vier para a pauta. E digo que está apavorada e o apelo é patético porque Chinaglia já declarou publicamente o que pensa sobre essa CPI, fato que foi amplamente divulgado (ou será que a Veja não acredita na “grande imprensa”?):

- Não tenho alternativa. Tenho que cumprir o regimento e a Constituição. Me parece que há fato determinado e que as assinaturas conferem.

Vamos ver se o deputado Chinaglia não se curva diante das pressões.

Esta pode ser a primeira de uma série de CPIs

O que fica disso tudo é que, se, inicialmente, a criação da CPI da TVA parecia importante, agora, com todo o nervosismo que está criando no Grupo Abril, deixa de ser apenas importante e passa a ser uma CPI necessária.

A própria Veja, aliás, o próprio Grupo Abril deveria vir a público defender sua criação, já que afirma que o negócio é lícito, claro e limpo. Afinal, quem sempre defendeu a criação de CPIs sobre qualquer tema, por que é contra a instalação de uma agora, quando o Grupo Abril é o alvo?

Além do mais, não podemos esquecer que esta CPI da transação TVA-Telefônica é um dos focos de investigação. Se forem encontradas irregularidades, deve-se criar uma nova CPI para investigar a venda de parte da Abril para o grupo sul-africano Naspers, em que reportagem do jornal da Band apontou vários indícios de irregularidades (veja a reportagem da Band aqui).

Mas não é só isso. Deve-se partir para uma outra CPI. Esta para investigar a transação da Net - leia-se Organizações Globo – com a Telmex. A própria Veja da semana passada diz o porquê:

A associação da TVA com a Telefônica é análoga àquela entre NET e Telmex.

Sendo análogas, se surgirem problemas numa, investigue-se também a outra. Por isso a criação dessa CPI da TVA-Abril-Veja passou a ser necessária, fundamental.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Lista oficial com os nomes dos 181 deputados que assinaram a favor da criação da CPI da TVA-Abril-Veja

Clique aqui para acessar a Lista oficial da Câmara dos Deputados com os nomes dos 181 deputados que assinaram a favor da criação da CPI da TVA-Abril-Veja

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail