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Boulos tem que fazer como Brizola em 82 no Rio para vencer direita em SP

O ano era 1982. O Brasil ainda vivia em plena ditadura militar, que só terminaria três anos depois, em 1985. 

Eram as primeiras eleições após a anistia. As primeiras diretas para governador no período da ditadura. No Rio de Janeiro o ex-deputado e ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola lançou sua candidatura ao governo do estado.

Brizola foi um dos maiores alvos da ditadura. Chegou a tentar uma reação a ela, como tentara com sucesso anos antes, quando da renúncia de Jânio Quadros.

E agora, como a ditadura iria engolir a candidatura Brizola?

Como o ditador João Figueiredo, do "eu prendo e arrebento", que declarou preferir o cheiro dos cavalos ao do povo, reagiria a Brizola?

O Brasil ainda respirava ares poluídos. A revogação do AI-5 havia acontecido apenas quatro anos antes.

Muitos aconselhavam Brizola a maneirar, jogar na retranca. Não politizar. Logo ele.

 

O cenário no estado do Rio em 1982


Brizola tinha como adversários o ex-governador do antigo estado do Rio, Moreira Franco, o candidato do governador Chagas Freitas, Miro Teixeira, e a deputada lacerdista Sandra Cavalcanti, além do petista Lisâneas Maciel, mais para marcar presença do PT, nascido dois anos antes.

Pois no primeiro dia de debates na TV, Brizola chutou a moderação para o alto, chamou Moreira, Miro e Sandra de candidatos da ditadura e do chaguismo (do governador emedebista Chagas Freitas, de uma esquerda que a direita gosta), anunciou um a um todos os candidatos e fulminou:

— São cinco contra o Brizola e o povo contra os cinco.

Brizola sabia que o que estava em jogo não era quem era o melhor técnico, o melhor gestor para o estado do Rio. A luta era política. Quem estava do lado da ditadura versus quem estava do lado da democracia. 

E delimitou o terreno. Brizola e o povo do lado de cá e os adversários do lado de lá, o lado da ditadura, dos mais comprometidos aos omissos.

O mesmo acontece agora no Brasil, em especial em São Paulo, onde vai ser travada a grande disputa entre as forças populares e o governo Lula, representados por Guilherme Boulos com Marta de vice, e o bolsonarismo, que tem Ricardo Nunes, apoiado por Bolsonaro, Tarcísio (o Bolsonaro de sapatênis e candidato da mídia para 2026), Temer, Kassab e toda a turma da direita à extrema direita a seu lado.

No 1º de maio, Lula chamou a eleição de Boulos para si. Pediu a todos que votam nele desde 1994 que votassem agora em Boulos.

Boulos deve fazer o mesmo e riscar o terreno: a eleição é política.

Só para lembrar: nas últimas eleições presidenciais Lula venceu Bolsonaro na cidade de São Paulo por 47 a 38.

Tem que dizer pra quem vai governar e pra quem Ricardo Nunes governa. Marcar diferença. Criticar privatizações, que é coisa de quem não precisa do estado: os ricos.

O povo precisa de escola, saúde, habitação, segurança. Governo. E é pra ele que Boulos vai governar. 

Se tentar amaciar, edulcorar a candidatura, vai servir à direita e inflar a candidatura de Tabata Amaral. 

Se for pra votar num perfil tucano, o povo vai preferir votar nela, mesmo que não seja filiada ao PSDB.

Tem que riscar o chão como Brizola em 1982.

Ah, só para registrar: em 1982 Brizola se elegeu, mesmo com os adversários, a ditadura e a Globo contra ele, barrando até uma fraude eleitoral, o famoso escândalo Proconsult.



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Globo lança todas as suas emissoras contra Lula na contramão do Brasil

A Globo sempre esteve na contramão do Brasil, ao longo da história. Cotas, ProUni, Getúlio, Diretas, Pré-sal e agora, mais uma vez, Lula.

Quem não se lembra que a Rede Globo foi o motor principal da Lava Jato, com prêmios a Moro e matérias diárias no Jornal Nacional contra Lula e os governos do PT? A Globo funcionou praticamente como house organ de Moro e da Lava Jato.

Agora, quando o presidente Lula denunciou ao mundo que O Rei está nu, comparando o massacre dos palestinos pelo governo de Israel ao dos judeus por Hitler, a Globo sentiu que era hora de voltar à guerra midiática e colocou todas as suas emissoras e telejornais para martelarem em uníssono a versão de Israel da história, repetindo em todos os telejornais a infame declaração do Ministro de Relações Exteriores daquele país, Israel Katz, contra Lula, inclusive com o uso de informação falsa de que Lula teria negado o Holocausto e atacado o povo judeu, o que não aconteceu.

Mas, qual é a novidade se a Rede Globo sempre agiu assim impunemente?

Esta é a Globo, que em 12 de março de 1938 estava excitadíssima com Hitler, como mostra a primeira página de seu diário, O Globo. "Hitler Voa". "Sensacional proclamação". Assim foi noticiada a tomada de um país pela Alemanha de Hitler.

 
A Globo que foi contra a criação do salário mínimo.

Foi contra a criação dos CIEPs, o maior projeto de educação popular do país, e bateu diariamente no projeto até que o desmantelou por completo.


A Globo foi contra a política reparadora de cotas. Foi contra as Diretas Já e chegou a mostrar a multidão na Praça da Sé exigindo Diretas Já como se fosse apenas uma manifestação pelo aniversário de São Paulo.

A Globo foi contra a criação do Sambódromo do Rio de Janeiro e agora festeja os 40 anos de sua construção apagando da história a perseguição que moveu contra o governo Brizola por sua criação, a ponto de ter aberto mão de transmitir o primeiro Carnaval do Sambódromo. Quebrou a cara, porque a TV Manchete, que o transmitiu à época, bateu recorde de audiência em todo o país.

Agora, que o Brasil começa a tomar jeito, depois dos desastrosos anos pós golpe do impeachment de Dilma (de que a Globo também foi alegre porta-voz e incentivadora), com os desgovernos Temer e Bolsonaro, a Globo recomeça a guerra midiática contra o presidente Lula.

Por isso, nunca é demais lembrar a frase do ex-governador Brizola sobre o Grupo Globo:

“Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”


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102 anos de Brizola, o melhor governador do Rio de todos os tempos, segundo o povo a quem se dedicou

Hoje, 22 de janeiro, o ex-governador Leonel Brizola faria 102 anos. Brizola governou o Estado do Rio duas vezes: de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994.

Sua campanha de 1982 foi histórica. Eram as primeiras eleições diretas ainda na ditadura, após sua volta do exílio. Inesquecível sua participação no primeiro debate televisivo. 

Em sua vez de falar, Brizola enumerou um a um seus cinco adversários e fulminou: "São cinco contra Brizola e o povo contra os cinco". 

Brizola era um azarão. Ninguém acreditava que ele pudesse vencer três pragas do estado unidas contra ele: o chaguismo, o lacerdismo e as Organizações Globo.

Mesmo com a Globo tentando melar as eleições com o criminoso caso Proconsult, Brizola venceu e fez uma verdadeira revolução ao lançar, inspirado por Darci Ribeiro, os Centro Integrados de Educação Popular, conhecidos como CIEPs, que o povo apelidou de Brizolões.

Foram construídos vários CIEPS, de um projeto que pretendia construir 500, todos destruídos pelo governador que o sucedeu, Moreira Franco, que Brizola apelidou de "Gato angorá", pois vivia sentado no colo dos poderosos — de onde nunca saiu.

Brizola nunca traiu os votos recebidos, por isso numa pesquisa Datafolha de 2017, 23 anos após ele haver governado o Rio pela última vez, foi escolhido o melhor governador do Rio de todos os tempos.

Aqui, um depoimento de Lula no ano do centenário de Brizola, há dois anos. 




Viva Brizola!


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Falando a empresários, Guedes expõe nojo que governo Bolsonaro e parte de seus eleitores têm dos povo

Bolsonaro e Guedes

Após chamar servidores de parasitas, Guedes expõe nojo aos pobres em palestra a empresários


Em palestra a empresários, justificando o dólar nas alturas, o ministro Paulo Guedes explicitou (como se ainda precisasse) seu nojo aos pobres, que é compartilhado por boa parte dos eleitores de Bolsonaro.

Guedes criticou o dólar baixo dos governos do PT e as facilidades de crédito e aumento de salários daquele período, que possibilitaram aos mais pobres andar de avião, alguns até ao exterior.

O mais impressionante na fala de Guedes, além do preconceito de classe, é o absoluto nojo com que fala das "empregadas domésticas", dos pobres, o povão brasileiro que o sustenta e a este governo vendilhão, que está entregando todas as nossas riquezas ao capital especulativo.

Repare no jeito que ele fala, no desdém, no desprezo, mandando as pessoas viajarem ao Nordeste, como quem diz "longe dos lugares que frequento, fora daqui, longe de mim, de minhas vistas"...

É o legítimo representante daquelas senhoras de Higienópolis (SP), que saíram em protesto contra estação do metrô no bairro, porque atrairia para o local o que elas chamaram de "gente diferenciada".

Representante também daquela colunista da folha que protestou quando encontrou com o porteiro de seu prédio em Paris, "invadindo" o território de seu sonho burguês.

Ou daquelas pessoas da zona sul do Rio de Janeiro que lutaram até o fim contra Brizola por ter permitido que ônibus atravessassem o Túnel Rebouças, que liga as zona norte e sul, abreviando em pelo menos uma hora a ida das pessoas às praias.

É o nojo do povo. Infelizmente compartilhado por boa parte de seus eleitores que pertencem a esse povão, mas que vivem alienados por pastores pilantras bilionários, e alimentados por fake news e uma mídia alienante.

Assistam ao vídeo abaixo e confiram trecho da fala de Guedes, que em qualquer lugar decente do planeta o enviaria diretamente à lata de lixo da História (detalhe: antes prestando esclarecimentos sobre sua participação em fraude bilionária nos fundos da Caixa e da Petrobras, que pode levá-lo à cadeia).




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Dilma ignora campanha do Globo e convida Brizola Neto para o Ministério do Trabalho e Emprego

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação, o Planalto confirmou convite da presidenta Dilma Rousseff para que o deputado federal e companheiro da blogosfera Brizola Neto seja o próximo ministro do Trabalho e Emprego:

"Nota à Imprensa

A presidenta da República, Dilma Rousseff, convidou hoje o deputado Brizola Neto para assumir o Ministério do Trabalho e Emprego. A presidenta manifestou confiança de que Brizola Neto, ex-Secretário de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, ex-vereador e deputado federal pelo PDT, prestará grande contribuição ao país.

A presidenta agradeceu a importante colaboração do ex-ministro Carlos Lupi, que esteve à frente do Ministério no primeiro ano de seu governo, e do ministro interino Paulo Roberto dos Santos Pinto na consolidação das conquistas obtidas pelos trabalhadores brasileiros nos últimos anos.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República"


Escrevi hoje pela manhã, antes do anúncio do nome de Brizola, que Globo continua campanha contra Brizola Neto no Ministério do Trabalho. Logo, ele é o melhor nome. A presidenta viu o lado da Globo e escolheu o outro.

Como se vê na imagem acima, que é reprodução de trecho da página do Portal de Notícias das Organizações Globo, G1, eles tiveram - como diria o Zagalo - que engolir a escolha da presidenta. Mas o veneno ainda escorre nas entrelinhas, como sublinho no detalhe.

Brizola: 'Cuidado com as Organizações Globo'

Peguei do excelente blog do Brizola Neto, Tijolaço, inspirado nos que seu avô Leonel Brizola publicava nos jornais. É da campanha de 1989, mas continua atual. Ou está mais atual ainda.



Espero por você no Formspring.

Reportagem de O Globo sobre Brizola é reporcagem

Já falei aqui sobre a “reportagem” em que a Globo volta a atacar Brizola. (Aliás, parêntesis: A partir de hoje, para não ter que ficar aspeando a palavra reportagem, quando for uma típica obra do PIG vou usar o neologismo reporcagem).

E é exatamente uma reporcagem essa de hoje de O Globo, que trata da arapongagem do SNI (Serviço Nacional de Inteligência – que é tão de inteligência quanto o PIG de reportagem) sobre o ex-governador Leonel Brizola.

Um exemplo: No terceiro parágrafo da reporcagem está escrito:

Em janeiro de 1985, informe do Cenimar acusou o governo Brizola de autorizar reajuste de 36% nas tarifas de ônibus em troca de Cr$ 500 milhões em propinas - o equivalente, em valores de hoje, a R$ 980 mil.

36%, aos olhos de hoje, é um aumento que parece absurdo. Mas araponga e repórter não se deram ao trabalho de verificar qual a inflação do ano anterior, 1984, que foi de... 223,8%.

Isso não é nada perto do que vem depois. No parágrafo seguinte (não cinco ou dez depois, mas no seguinte) à informação da suposta corrupção pelo “benefício” de dar um aumento de 36% sobre uma inflação de 223,8%, vem uma nova:

Em dezembro do mesmo ano, Brizola declarou guerra ao setor e encampou 16 empresas que controlavam 30% da frota do estado.

Quer dizer, o Brizola era uma besta completa. Estava levando grana das empresas de ônibus e aí resolveu estatizá-las. Jantou a galinha dos ovos de ouro.

É demais. Arapongagem, porcalismo (jornalismo do PIG) e reporcagem com apenas dois neurônios, Tico e Teco. O Teco pendura o paletó na cadeira, enquanto o Tico sai pra dar uns “tecos”.

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Globo volta a atacar Brizola

Nem depois de morto, as Organizações Globo deixam Leonel Brizola em paz. Neste domingo, o jornal O Globo vem com a seguinte manchete: “SNI: Brizola e César recebiam propina de empresa de ônibus”.

Quem não é assinante do jornal, pode ler parte da reportagem aqui: Relatórios do SNI acusam Brizola e Cesar Maia de receberem propina de empresas de ônibus.

É uma reportagem tão sem substância, um autêntico pastel de vento, que se desfaz no quarto parágrafo, onde está escrito:

Nenhuma das acusações foi provada nem originou investigação policial.

Entenderam? Eles pegam relatórios de arapongas do SNI, órgão àquela época ainda sobrevivente da ditadura, com acusações contra Brizola, publicam, e depois dizem que Nenhuma das acusações foi provada nem originou investigação policial.

Quando Brizola ainda estava vivo, ainda se compreenderia a existência da reportagem, que deveria ser mais uma encomenda de Roberto Marinho. Mas, agora, quando ambos morreram... Será que ele baixou no Ali Kamel ou no Rodolfo Fernandes (filho do jornalista Hélio Fernandes), atual Diretor de Redação e Editor responsável pelo Globo?

Roberto Marinho era inimigo de Brizola, capaz de topar qualquer acordo até com o capeta para não permitir que ele chegasse à presidência do Brasil, o que acabou conseguindo. Ou alguém tem alguma dúvida de que Brizola só não chegou lá por causa da Rede Globo, que fazia campanha diária contra o ex-governador do Rio e do Rio Grande do Sul?

A Globo tentou derrubar Brizola, com o golpe da Proconsult nas eleições de 1982. Mas a trama foi descoberta e Brizola eleito governador do Rio.

Nas eleições de 1989, ao perceber o risco de uma ida de Brizola para o segundo turno, a Globo apoiou Collor e poupou Lula, que só virou alvo de Roberto Marinho depois de derrotar Brizola por uma pequena margem no primeiro turno (Lula; 17,18%; Brizola, 16,51%).

Alguém tem alguma dúvida de quem venceria a disputa de 1989 entre Collor e Brizola? Alguém tem alguma dúvida do que aconteceria nos debates entre os dois?

Por isso, em homenagem ao velho Brizola, reproduzo aqui um dos momentos mais importantes da história da televisão brasileira: o direito de resposta que a Rede Globo teve que dar a Brizola, dentro do Jornal Nacional.

É como diz o comercial de um cartão de crédito: ver Cid Moreira, no Jornal Nacional, ler um texto de Brizola atacando Roberto Marinho e a Rede Globo não tem preço.



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Requião protesta contra censura e tira do ar TVE do Paraná


O governador do Paraná Roberto Requião, em reação às últimas decisões da Justiça Federal, tirou do ar a TV Educativa do Paraná. Segundo o governador, seria impossível à emissora seu funcionamento normal, tendo que interromper sua programação de 15 em 15 minutos para exibir nota assinada pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe), como impunha última decisão do desembargados Lippmann.

No entanto, o governador acatou a decisão judicial, e a TVE transmitiu a nota da Ajufe. Mas não apenas ela. Em seguida vem uma nota assinada pelo governador Requião com novas críticas à decisão judicial, que é um atentado à liberdade de imprensa [opinião do blog]. Como deixa claro o presidente da ABI, Maurício Azedo, que, numa entrevista condena a decisão do juiz Lippmann:

Ela constitui uma afronta à Constituição. O Texto da Constituição veda expressamente a imposição de censura política, ideológica e artística. O desembargador Lippmann Junior ignorou essa determinação Constitucional e pretende impor ao governador Roberto Requião condições que a Constituição não admite.

O governador Requião faz bem em radicalizar politicamente a questão. Não existe meia censura, nem ela só pode ser considerada quando aplicada aos meios privados de comunicação. Se a proibição se estendesse à Rede Globo, por exemplo, teríamos uma grita violenta.

Mas Requião gosta de briga, é teimoso e fanfarrão, uma mistura de Brizola com Chávez. Está lançando seu nome nacionalmente. Nesse sentido, ao censurá-lo o juiz Lippmann presta-lhe um grande favor.

Leia também:

» Na guerra da mídia, desembargador tira Requião do ar. Veja o porquê

» Assista: Requião responde ao juiz que o censurou e faz convite para debate ao vivo sobre liberdade de imprensa

» Juiz estende proibição a Requião e reinstaura censura no país

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No Brasil, a maioria é pautada pela minoria

Porque tem a mídia a seu lado, a oposição - que é minoria no Brasil - consegue pautar a maioria. Discutimos tudo o que lhes interessa e nada do que não lhes interessa. Embora tenham levado duas surras nas urnas.

A renovação das concessões de rádio e TV, por exemplo, que deveria ser exaustivamente debatida pela sociedade, não o foi. Perdeu-se a oportunidade, enquanto se discutia o caso Renan.

A direita está sempre unida e pró-ativa. Enquanto isso, a esquerda mal conseguiu juntar 1300 assinaturas (confira) num abaixo-assinado em favor da instalação da CPI da TVA. Imagine você o número de assinaturas que a direita conseguiria, caso a CPI da TVA interessasse a ela. Taí a diferença.

Agora temos aí a possibilidade do escandaloso monopólio do Grupo Abril na distribuição de revistas. E um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Perdemos tempo discutindo articulistas da direita, e isso só se reflete no aumento do salário deles. O que havia para ser dito sobre Ali Kamel, por exemplo, já o foi. Sinceramente, alguém acredita que alguma coisa mudará na Globo caso ele saia da direção de jornalismo? É exatamente o oposto. Se alguma coisa mudar no jornalismo da Globo, ele sai. Assim como já aconteceu com Armando Nogueira e, em outras instâncias, Walter Clark e Boni. Gente muito, mas muito mais importante que Kamel na história da Globo. Kamel não é o cabeça, é o laquê.

Ganhamos a eleição por ampla maioria. Todas as pesquisas indicam uma grande aprovação do governo Lula. No entanto, estamos sempre na defensiva, reagindo às pautas da direita.

A história do terceiro mandato de Lula

Estamos sempre sendo pautados pela oposição, como agora com a história do terceiro mandato de Lula. O responsável pela emenda da reeleição indefinida, ressuscitada agora, era tucano na época, o hoje ex-deputado Inaldo Leitão. A emenda foi apresentada em 1999, durante o governo FHC, e serviria possivelmente para seu terceiro mandato, caso o segundo não fosse o desastre que foi. Sobre isso nada se fala. Nem sobre a declaração do ex-ministro Sérgio Mota de que o PSDB tinha um projeto de poder de 30 anos.

No entanto, mesmo com as negativas de Lula, eles ficam nos empurrando goela abaixo o assunto, a tal ponto que FHC "exige" que Lula se declare, formal e peremptoriamente, contra a possibilidade. E aí corre o presidente, corre o PT, corremos muitos de nós a fazer o que querem, a dizer que não se deve mexer no jogo, que nada de terceiro mandato.

Por quê? Se a maioria do Congresso decidir, se a medida for levada a um referendo popular e o povo concordar com a possibilidade de um terceiro mandato, por que Lula não pode concorrer?

Esse assunto é completamente extemporâneo. Lula está no primeiro ano de seu segundo mandato. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas, se, mais adiante, o governo continuar com o trabalho que vem fazendo, a aprovação continuar lá em cima, aí sim o assunto pode voltar.

Sou do Rio de Janeiro. Vi o projeto dos CIEPs ser desmontado, porque à época não havia a possibilidade de reeleição. Brizola não pôde concorrer e Moreira Franco, que o sucedeu, começou o desmonte do projeto. Vamos deixar que o mesmo ocorra, por exemplo, com o Bolsa Família? Ou alguém tem alguma dúvida de que ele será desmontado na primeira bicada tucana?

Quem quiser outra história, que não deixe os congressistas aprovarem a emenda que torna possível o terceiro mandato; se esta possibilidade for aprovada, que busquem a reprovação do povo no referendo; se isso também passar, busquem derrotar Lula nas urnas. Simples assim.

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Diretor do Big Brother se diverte jogando ovos nas ‘vagabundas’. Veja o vídeo

Nada de acidente da TAM, nem da volta da violência ao noticiário. O que motiva boa parte da elite do Rio é o ovo. Eles adoram jogar ovos pela janela (e outras coisas também). Mas, especialmente, ovos. O diretor do BBB, Boninho, chega a informar como produzir um bom “ovo podre”, igualzinho ao que ele costuma arremessar sobre “um monte de vagabunda que tem lá em São Paulo”.

Vejam o vídeo. Nele há depoimentos do todo poderoso Boni (pai do Boninho do BBB), de Ana Furtado (mulher de Boninho) e também de Narcisa Tamborindeguy e Bruno Chateaubriand, entre outros. Tudo isso tendo ao fundo uma versão galinácea da maravilhosa Wave, de Tom Jobim, na voz de Luiza Jobim, filha de Tom.

(Se o streaming não estiver funcionando, clique aqui e veja o vídeo no Extra)

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Senador Fernando Collor responde ao blog sobre encontro com Roberto Marinho

No dia 25 de junho fiz a postagem abaixo e enviei-a ao senador Fernando Collor para que ele a confirmasse ou desmentisse. Recebi hoje resposta do senador e a reproduzo logo após a postagem.

Collor, Roberto Marinho, Brizola, CIAC, CIEP

O ex-governador Leonel Brizola morreu no dia 21 de junho de 2004. No dia 21 passado, amigos de Brizola se reuniram para relembrar o Velho, como era chamado. Dessa conversa me contaram uma parte muito interessante, que divido com vocês, envolvendo o ex-presidente e atual senador Fernando Collor e o ex-presidente das Organizações Globo Roberto Marinho.

O ainda presidente Collor estava sob intenso tiroteio, naquele período pré-impeachment. Resolveu vir ao Rio para uma conversa reservada com Roberto Marinho. Queria conseguir do “doutor Roberto” que a Globo não se engajasse na campanha pelo seu impeachment. Ou que pelo menos ficasse neutra. Ouviu do presidente das Organizações Globo que deveria abandonar a idéia dos CIACs, se quisesse seu apoio.

Para quem não se lembra, os CIACs eram a versão collorida dos CIEPs - projeto de escola popular em período integral, menina dos olhos de Brizola. Para quem não se lembra também, Brizola e Marinho eram inimigos declarados. Ainda mais depois do escândalo Proconsult (vou falar sobre ele numa outra postagem). E Brizola era o único governador de esquerda que defendia o mandato de Collor e acusava a direita, os “de sempre”, de conspirar contra o então presidente.

Collor teria respondido a Roberto Marinho que não poderia fazer aquilo. O projeto dos CIACs iria continuar. Depois, ao sair da sala, disse:

- Está tudo acabado. Vão me derrubar.

Resposta do senador Fernando Collor:

Prezado Antonio Mello,
com meu discurso, no Senado Federal, considerei encerrado qualquer comentário sobre os episódios que cercaram meu Impedimento.
Só posso dizer é que o Governador Brizola foi um amigo que nunca faltou com sua solidariedade e firme posição, na defesa dos interesses do Rio de Janeiro, junto ao meu Governo.
Quanto ao Projeto dos CIAC, o tempo demonstrou o acerto de sua implantação.
Cordialmente,
Fernando Collor

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