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Presidente do PT ao Terra Magazine, sobre terceiro mandato: ‘Nós somos contra, o presidente é contra’

Em entrevista ao repórter Raphael Prado, do Terra Magazine, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, afirmou que o PT é contra se falar em reeleição, e que essa é a mesma posição do presidente Lula.

Provocado pelo repórter, o presidente respondeu a uma suposta declaração do presidente Lula de que poderia romper com o PT, caso o partido insistisse no tema do terceiro mandato:

Não dou importância porque todo mundo sabe a relação do presidente Lula com o PT e o seu compromisso com o partido. Como sabemos que o presidente também é enfático em suas declarações para demonstrar sua opinião política. E a opinião política sobre esse tema nós discutimos com o presidente no ano passado, quando esse assunto veio à pauta. Com especulações também. Nós somos contra, o presidente é contra e portanto não há nenhum tipo de dissenção nesse tem. Esse tema, no PT, tem uma amplíssima maioria contrária a uma eventual discussão de mudar as regras do jogo e o presidente disse também que é completamente contrário e que não aceita sequer discutir esse assunto. Portanto estamos totalmente alinhados e não há qualquer conflito entre o PT e o presidente. O que há é um deputado do PT que tem dado declarações. E ele tem direito de fazer isso e está fazendo em nome próprio, pessoal. [leia entrevista completa]

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Terceiro mandato para Lula

O que é que você acha? É a favor? Contra? Acha que esse não é o momento para se discutir o tema? É a favor da emenda que propõe um mandato de cinco anos, sem direito à reeleição?... E então? Participe.

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A oposição ainda vai acabar elegendo Lula outra vez

Não se passaram 24 horas do meu comentário aqui sobre a mais recente pesquisa do Datafolha, em que eu terminava por dizer que a oposição de tanto queimar os possíveis sucessores aliados de Lula acabaria empurrando a população para o queremismo, com mais um mandato para o presidente Lula, quando ontem o vice José Alencar, em entrevista à Rádio Bandeirantes, disse o seguinte:

"O Lula tem feito muito. Mas falta muito por fazer. Sou um democrata. Não aceitamos conversar outra coisa que não seja discutir a democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor. Mas eu digo que se perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder. Porque está bem o Lula, vai bem o Lula. Raramente encontramos um cidadão como ele para dirigir o país."

Portanto, se a oposição quer ter alguma chance de voltar ao poder nas eleições de 2010 pode até inflar uma candidatura da base aliada, mas jamais bombardeá-la, pois a bomba pode explodir no próprio colo – como aquela do atentado do Riocentro em 1981.

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Datafolha: Lula bate recorde de aprovação

Está na Folha hoje [aqui, para assinantes]: Na mais recente pesquisa do Instituto Datafolha a aprovação de Lula é de 55%, “índice que supera com folga o obtido por todos os seus antecessores desde Fernando Collor (1990-1992)”.

Na matéria de Ranier Bragon há ainda uma comparação da avaliação de Lula com a do ex-presidente FHC, em igual período de governo (cinco anos e três meses): FHC tinha 18% de aprovação e 43% de reprovação. Lula tem 55% de aprovação e apenas 11% de reprovação.

Nem no auge do sucesso do Plano Real FHC conseguiu aprovação como a de Lula. Seu teto foi de 47% em 1996.

Imagine agora, leitor, leitora, a popularidade de Lula daqui a dois anos com as obras do PAC em fase de inauguração.

É isso o que desespera a oposição, que vive à procura de fatos novos e de intrigas e fofocas para afastar qualquer chance eleitoral de um aliado de Lula.

O que a oposição não percebe é que com isso pode estar cavando a própria sepultura, pois ao negar a Lula a possibilidade de ter um candidato aliado forte, vai restar à população a opção queremista, de um terceiro mandato para Lula. Quem viver, verá.

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No Brasil, a maioria é pautada pela minoria

Porque tem a mídia a seu lado, a oposição - que é minoria no Brasil - consegue pautar a maioria. Discutimos tudo o que lhes interessa e nada do que não lhes interessa. Embora tenham levado duas surras nas urnas.

A renovação das concessões de rádio e TV, por exemplo, que deveria ser exaustivamente debatida pela sociedade, não o foi. Perdeu-se a oportunidade, enquanto se discutia o caso Renan.

A direita está sempre unida e pró-ativa. Enquanto isso, a esquerda mal conseguiu juntar 1300 assinaturas (confira) num abaixo-assinado em favor da instalação da CPI da TVA. Imagine você o número de assinaturas que a direita conseguiria, caso a CPI da TVA interessasse a ela. Taí a diferença.

Agora temos aí a possibilidade do escandaloso monopólio do Grupo Abril na distribuição de revistas. E um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Perdemos tempo discutindo articulistas da direita, e isso só se reflete no aumento do salário deles. O que havia para ser dito sobre Ali Kamel, por exemplo, já o foi. Sinceramente, alguém acredita que alguma coisa mudará na Globo caso ele saia da direção de jornalismo? É exatamente o oposto. Se alguma coisa mudar no jornalismo da Globo, ele sai. Assim como já aconteceu com Armando Nogueira e, em outras instâncias, Walter Clark e Boni. Gente muito, mas muito mais importante que Kamel na história da Globo. Kamel não é o cabeça, é o laquê.

Ganhamos a eleição por ampla maioria. Todas as pesquisas indicam uma grande aprovação do governo Lula. No entanto, estamos sempre na defensiva, reagindo às pautas da direita.

A história do terceiro mandato de Lula

Estamos sempre sendo pautados pela oposição, como agora com a história do terceiro mandato de Lula. O responsável pela emenda da reeleição indefinida, ressuscitada agora, era tucano na época, o hoje ex-deputado Inaldo Leitão. A emenda foi apresentada em 1999, durante o governo FHC, e serviria possivelmente para seu terceiro mandato, caso o segundo não fosse o desastre que foi. Sobre isso nada se fala. Nem sobre a declaração do ex-ministro Sérgio Mota de que o PSDB tinha um projeto de poder de 30 anos.

No entanto, mesmo com as negativas de Lula, eles ficam nos empurrando goela abaixo o assunto, a tal ponto que FHC "exige" que Lula se declare, formal e peremptoriamente, contra a possibilidade. E aí corre o presidente, corre o PT, corremos muitos de nós a fazer o que querem, a dizer que não se deve mexer no jogo, que nada de terceiro mandato.

Por quê? Se a maioria do Congresso decidir, se a medida for levada a um referendo popular e o povo concordar com a possibilidade de um terceiro mandato, por que Lula não pode concorrer?

Esse assunto é completamente extemporâneo. Lula está no primeiro ano de seu segundo mandato. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas, se, mais adiante, o governo continuar com o trabalho que vem fazendo, a aprovação continuar lá em cima, aí sim o assunto pode voltar.

Sou do Rio de Janeiro. Vi o projeto dos CIEPs ser desmontado, porque à época não havia a possibilidade de reeleição. Brizola não pôde concorrer e Moreira Franco, que o sucedeu, começou o desmonte do projeto. Vamos deixar que o mesmo ocorra, por exemplo, com o Bolsa Família? Ou alguém tem alguma dúvida de que ele será desmontado na primeira bicada tucana?

Quem quiser outra história, que não deixe os congressistas aprovarem a emenda que torna possível o terceiro mandato; se esta possibilidade for aprovada, que busquem a reprovação do povo no referendo; se isso também passar, busquem derrotar Lula nas urnas. Simples assim.

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Terceiro mandato é para Lula ou era para FHC?

A discussão sobre a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Lula está sumindo do noticiário. As declarações consecutivas de Lula contra o projeto e o ataque sistemático da “grande imprensa”, que já o classificou como um golpe a la Chávez alimentado por petistas, estão tirando o assunto da pauta.

Mas o Blog do Mello teima em remar contra a maré do noticiário. Anotem aí: esse projeto ainda vai dar muito o que falar. A começar pelo que não foi dito até agora: sua origem – como antes a do mensalão – está no ninho tucano.

O projeto que foi recolocado em pauta na Câmara dos Deputados garante a reeleição não apenas para um segundo ou terceiro mandato, mas uma reeleição infinita para cargos majoritários – a exemplo do que já ocorre no Senado e nas Câmaras e Assembléias.

Este projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E não é de um petista, mas do deputado paraibano Inaldo Leitão. Partido dele na época: PSDB, onde era líder. Foi apresentado em 1999 e aprovado pela CCJ no ano 2000.

Quem era o presidente da República em 1999 e 2000? - FHC.

Portanto, o projeto era para garantir a possibilidade de reeleição infinita de FHC. Por que ninguém fala nisso? É bom não esquecer que o ex-ministro Sérgio Mota, o Serjão, cansou de afirmar que o projeto de poder dos tucanos era para 30 anos (imagine se Lula afirmasse tal coisa...).

Agora, a pergunta que faço é: Por que o projeto foi criado e apresentado naquela época, aprovado pela CCJ e em seguida engavetado? Será que isso só aconteceu porque a popularidade de FHC despencou ladeira abaixo, junto com o fiasco que foi seu segundo governo, cercado de escândalos?

Seria então FHC um chavista avant la lettre?

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Ainda sobre a emenda do terceiro mandato

Continua a discussão sobre a emenda que permitiria que Lula disputasse um terceiro mandato em 2010. O presidente já disse que é contrário á idéia. Mas há quem goste dela. E também quem não goste. Mas daí a chamá-la de antidemocrática, de ataque à Constituição, vai uma diferença enorme.

Um dos que abrem a boca e empinam o peito para criticar a idéia é o senador tucano Arthur Virgílio, aquele que se candidatou a governador em seu estado, o Amazonas, e foi menos votado que candidatos que se elegeram deputados federais.

No entanto, esse mesmo Virgílio, em 1997, falava assim sobre a possibilidade de um referendo para autorizar um segundo mandato para FHC (lembrem-se que, na época, a reeleição era proibida):

"Com o referendo, a aprovação da reeleição será uma barbada."

Então, como já perguntei aqui outro dia, por que naquela época pôde e agora não? Se a maioria do Congresso decidir pela medida, onde isso fere a democracia? Se a medida for levada a uma consulta popular e a população aprová-la, onde isso fere a democracia? Se Lula vier a se candidatar e vencer mais uma vez nas urnas, onde isso fere a democracia?

O que fere a democracia é comprar votos para a emenda da reeleição, como confessou Ronivon Santiago, na que favoreceu Fernando Henrique.

Se for a vontade da maioria do Congresso, se for a vontade de Lula e da população, onde seria antidemocrático um terceiro mandato?

Antidemocrático é a oposição sem voto querer ganhar no grito, tentar derrubar um presidente eleito, como ameaçaram várias vezes no passado, até com a participação da OAB, com um processo de impeachment.

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Por que FHC pôde e Lula não?

É impressionante a hipocrisia demo-tucana e a cara de pau de seus arautos, pitblogueiros, “grande imprensa” etc., ao falar em golpe, quando alguns deputados da base aliada pensam num plebiscito para que seja decidido pelo povo se quer ou não a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula.

Por que só agora falam em Constituição, cláusula pétrea, em golpe de Estado? Não foi exatamente o que fez Fernando Henrique Cardoso, quando, num lance inédito, que nem os militares ousaram fazer durante a ditadura militar, rasgou a Constituição – com 200 mil Reai$ motivos, segundo o ex-deputado Ronivon Santiago - em busca do segundo mandato, que acabou conquistando nas urnas?

Se não foi pecado mortal Fernando Henrique emendar o primeiro mandato com um segundo, por que o será agora emendar o segundo de Lula com um terceiro, se isso for aprovado pelo Congresso e depois pela população nas urnas?

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