Número de brasileiros que morreram por culpa de Jair Bolsonaro durante a pandemia já se aproxima de 100 mil


Por Celso Rocha de Barros, na Folha: 
Quem matou 90 mil sem vacina?
Dois fatos apurados pela CPI da pandemia, ambos documentados, mostram, sozinhos, que o número de brasileiros que comprovadamente morreram por culpa de Jair Bolsonaro durante a pandemia já se aproxima de 100 mil. Como calculamos duas colunas atrás, 100 mil mortos é mais do que a soma das vítimas de todos os assassinos brasileiros em 2019 e 2020.

A primeira decisão foi a de não aceitar a oferta de vacinas da Pfizer. Na estimativa do epidemiologista Pedro Hallal, utilizando parâmetros conservadores (isto é, desfavoráveis à hipótese de que a decisão de Bolsonaro custou vidas), 14 mil brasileiros (5.000 no mínimo, 25 mil no máximo) teriam sido salvos se a oferta da Pfizer tivesse sido aceita. Uma única decisão: 14 mil pessoas morreram por ela.

A segunda decisão foi a de não aceitar a proposta do Instituto Butantan para entregar 45 milhões de vacinas da Coronavac ainda em 2020. A mesma conta feita pelo professor Hallal estimou em 81,5 mil (80,3 mil no mínimo, 82,7 mil no máximo) o número de brasileiros que não teriam morrido se a oferta do Butantã tivesse sido aceita. Outra estimativa, feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que as vacinas do Butantan teriam sido suficientes para vacinar todos os idosos brasileiros até fevereiro. Entre o meio de março e semana passada, morreram 89.772 idosos brasileiros.

Somando as vítimas das duas decisões, já são, no mínimo, cerca de 90 mil mortes que Jair Bolsonaro, comprovadamente, causou sozinho. Se algum defensor do governo tiver cálculos diferentes, por favor, apresente-os.

Esses 90 mil são só o começo da história. Bolsonaro combateu desde o início a Coronavac, que só existe no Brasil por iniciativa do Governo de São Paulo e é responsável pela esmagadora maioria das vacinas aplicadas no país até agora. Além disso, vacinação é só um dos pilares do combate à pandemia. Bolsonaro não investiu em nenhum dos outros: nem isolamento social nem testagem e rastreamento.

Mesmo depois de verem apresentadas todas as provas citadas acima, os senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO) continuam fazendo o possível para esconder esses fatos na CPI da pandemia.

Na última semana, Girão tentou emplacar o boato de que a Coronavac é feita com células de fetos abortados (não é). Marcos Rogério mentiu que outras autoridades defenderam a cloroquina ao mesmo tempo que Bolsonaro, o que só ocorreu no curto período antes de vários estudos médicos (não apenas o de Manaus, Heinze) demonstrarem a ineficácia da cloroquina contra a Covid-19. .

Heinze tenta desviar qualquer conversa para falar de cloroquina, que só é assunto no Brasil. Em 2020, a cloroquina foi utilizada por Bolsonaro para mandar trabalhadores para as ruas com risco de morte. Agora é utilizada por Heinze na CPI para desviar o assunto, dos crimes enormes que a população entende claramente, como boicote à vacinação, para crimes menores e mais difíceis de serem entendidos, como o curandeirismo de cloroquina.

Se o único crime de Bolsonaro na pandemia tivesse sido a defesa da cloroquina, se tivesse feito todo o resto certo, o título desta coluna teria um número muito menor. Heinze não quer que investiguemos todo o resto.

Eu acho que isso é crime, senador.



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O nome de Jair Bolsonaro está relacionado à fraude eleitoral constatada e provada nas eleições de 1994


Do jornalista Janio de Freitas na Folha, hoje:
Bolsonaro é motivo para que atual sistema de votação e apuração seja preservado

Nada do que Bolsonaro diga ou faça está isento de interesse pessoal seu, que só se estende, com fortes motivos, aos filhos. Nesta regra, que faz a exceção de repelir a tradicional exceção a toda regra, tem inclusão automática o retorno ao voto impresso pretendido por Bolsonaro. E já engatilhado para discussão na Câmara.

A preocupação com fraude eleitoral, muitas vezes referida por Bolsonaro desde a campanha a presidente, é verdadeira —o que, nele, não deixa de ser afinal admirável. Mas não é para dificultar tal crime ainda mais, como sugerem sua denúncia de fraude e a promessa, em março do ano passado, de exibir as provas já em suas mãos —o que, nele, não deixa de ser sua mentira múltipla e continuada.

Ainda que o brasileiro sistema de votação e apuração eletrônica negue, um dia, a perfeição apregoada, a nossa pequena urna não figura em fraude alguma. O nome de Jair Bolsonaro está relacionado à fraude eleitoral constatada e provada, diz o termo técnico, com materialidade.

Na apuração das eleições de 1994, o juiz da 24ª zona eleitoral no Rio surpreendeu fraudes para quatro candidatos a deputado federal. Eram votados com cédulas (impressas) em papel diferente, mais fino. A constatação se deu em uma cédula para cada um dos quatro. O primeiro: Jair Bolsonaro.

A notícia sob o título "Roubo no 'varejo'", na pág. 5 do Jornal do Brasil de 17 de novembro de 1994, foi reproduzida na internet com Bolsonaro já na Presidência. E quando trazida ao jornal essa reaparição, algumas imprecisões e omissões a sujeitaram a reparos apresentados, e aceitos, como invalidações da notícia de fraude e de sua reprodução. Bolsonaro não tinha a ver com aquilo, nem sabia, o ingênuo.

A descoberta se deu com a apuração em pleno curso. Sem recontagem para verificar possíveis cédulas falsas já computados. Nem houve certeza de que todos os mesários estivessem atentos para a espessura das cédulas, na continuação da contagem.

Quanto ao crime, uma cédula ou cem fazem a mesma caracterização de fraude, que não é quantidade, é qualidade.

Não foi outro competidor que, providenciando a falsificação para si, resolveu ajudar Bolsonaro com segunda encomenda. Não foi alguém alheio à disputa que decidiu colaborar, à sua custa e risco, com quatro candidatos nem ao menos do mesmo partido, mas de quatro. Vem a pergunta sempre útil: a quem interessava introduzir fraude em benefício de Bolsonaro, como se poderia perguntar também dos três perdidos no tempo?

Eram quatro candidatos, dissociados e com fraudes idênticas. Logo, contratantes do mesmo fornecedor. Um esquema de fraude eleitoral. Logo a eleição para deputados estaduais precisou ser anulada, tamanha a quantidade de fraudes, e exigiu nova eleição.

O crime eleitoral na 24ª zona não resultou em mais do que sua constatação. Mas, por certo, miram o infinito os limites éticos e legais de quem seja capaz, por exemplo, de imaginar explodir um ponto crucial do abastecimento de água do Rio, para chantagear por aumento salarial dos novos tenentes.

Uma frase de Bolsonaro, repetida algumas vezes, clareia mais seu propósito: "Tem que ter pelo menos um comprovante impresso do voto dado, pelo menos isso". Nada menos do que um documento comprovador do chamado voto de cabresto, pago ao cabo eleitoral. Já seria um expediente valioso. A frase, porém, diz mais: "pelo menos" significa que o objetivo é mais fundo. E só pode ser este: o voto em cédula de papel, aquele que foi preciso extinguir pelo excesso de fraudes eleitorais. Com papel adequado ou não.

Bolsonaro é motivo bastante para que o atual sistema de votação e apuração seja preservado, a menos que um dia se mostre vulnerável como o próprio Bolsonaro.
 
Mais processos

Subscrevo todos os conceitos e palavras que motivaram Augusto Aras, procurador-geral da República bolsonara, e os senadores Luis Carlos Heinze e Eduardo Girão a agir; o primeiro, policialmente contra Celso Rocha de Barros; e os dois, judicialmente, contra Conrado Hübner Mendes. O sociólogo e o professor de direito são duas esplêndidas conquistas recentes da imprensa, pela inteligência e o rigor ético, admiráveis na Folha.
 
Na central
 
De um carioca que viu e ouviu mais do que precisava, ao saber da mudança de Sergio Moro para Washington: "Aqui, no Brasil, ele fazia home office".




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Ou o comandante do Exército pune Pazuello ou cai na desmoralização


Da jornalista Helena Chagas, no Jornalistas pela Democracia:
Constrangimento é pouco, e insatisfação também é uma palavra leve para descrever o sentimento entre oficiais da ativa do Exército neste momento. Afinal, o comandante da Força, general Paulo Sérgio Nogueira, e generais do Alto Comando acabam de ser ostensivamente peitados pelo três estrelas Eduardo Pazuello. O ex-ministro da Saúde respondeu com  um redondo “não” aos pedidos para que ele passasse já à reserva para contornar a crise criada por sua presença — proibida pelo regimento disciplinar do Exército — em manifestação ao lado de Jair Bolsonaro no último domingo.

Obviamente, Pazuello peitou o Alto Comando de sua Força porque tem as costas quentes, ou seja, o apoio integral do presidente da República e comandante em chefe das Forças Armadas. Bolsonaro comunicou ao ministro da Defesa, Braga Netto e a Nogueira, que revogará qualquer punição que venha a ser dada a Pazuello, e ainda proibiu-os de se manifestar a respeito do episódio. Ou seja, não deixou saída possível aos militares da ativa.

Mais dia, menos dia, essa panela de pressão vai estourar. Fica claro que o presidente da República não está apenas protegendo um ex-ministro leal, que na CPI negou tudo que todo mundo sabe que é verdade sobre ele. Bolsonaro está usando o episódio para enquadrar os militares, de quem se queixava de darem pouco apoio a seu governo quando se recusavam a ser envolver nas disputas políticas.

Ao praticamente proibi-los de punir o general desobediente que subiu em seu palanque, Bolsonaro está tentando passar à população a ideia – totalmente equivocada, sabe-se  – de que os militares estão a seu lado para o que der e vier, e entenda-se aí suas ameaças de atos autoritários e contra a democracia.

O que todo mundo se pergunta hoje é o que vão fazer as Forças Armadas encurraladas pelo presidente. O ministro bolsonarista da Defesa, ao que tudo indica, ficará lá em seu cantinho. Mas o comandante do Exército está diante de um claro dilema: ou pune Pazuello, confrontando Bolsonaro, ou cai na desmoralização institucional perante o país e suas tropas.



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Em editorial, patrocinador das Olimpíadas e um dos maiores grupos de mídia do Japão, Asahi Shimbun, pede o cancelamento dos Jogos


Um dos cinco maiores jornais do Japão, o Asahi Shimbun publicou editorial pedindo o cancelamento dos Jogos, embora seja um de seus patrocinadores.

O editorial do jornal veio se juntar ao clamor popular expresso em pesquisas, que indicam que mais de 70% da população está contrária à realização dos Jogos devido ao agravamento da pandemia no Japão com uma quarta onda de infecções e uma baixíssima vacinação.
 
Grandes e poderosos empresários também engrossam o coro. Entre eles, Masayoshi Son, o bilionário fundador e principal executivo da SoftBank Group Corp., que criticou a realização das Olimpíadas, e Hiroshi Mikitani, bilionário fundador e CEO da varejista online Rakuten Group Inc., que as comparou a uma "missão suicida". 
 
Eis o editorial do Asahi Simbun desta quarta.
A pandemia COVID-19 ainda não foi controlada, tornando inevitável que o governo tenha que declarar outra extensão do estado de emergência atualmente cobrindo Tóquio e outras prefeituras.

É simplesmente além da razão realizar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio neste verão.

O governo central, o governo metropolitano de Tóquio e as autoridades olímpicas estão seguindo adiante implacavelmente, recusando-se a responder às perguntas e preocupações perfeitamente legítimas do público. Naturalmente, a desconfiança e a apreensão das pessoas estão crescendo.

Exigimos que o primeiro-ministro Yoshihide Suga avalie a situação com calma e objetividade e decida não realizar as Olimpíadas e Paraolimpíadas neste verão.

A VIDA DAS PESSOAS E A SAÚDE DEVEM ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR

Um comentário verdadeiramente surpreendente foi feito na semana passada por John Coates, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Durante uma coletiva de imprensa, Coates declarou sua opinião de que os Jogos podem ser realizados mesmo em estado de emergência.

Mas a questão não era apenas encenar o evento sem incidentes. O pensamento de Coates estava claramente em desacordo com o sentimento popular no Japão, e sua atitude de dizer "sim" aos Jogos sem apresentar nenhuma evidência de apoio serviu apenas para nos lembrar novamente da hipocrisia do COI.

Certamente é melhor evitar o cancelamento das Olimpíadas, não apenas por causa dos atletas que treinaram duro para os Jogos, mas também por causa das muitas pessoas que fizeram todos os tipos de preparativos para o evento.

Mas a principal prioridade deve ser a manutenção de uma estrutura básica que proteja a vida, a saúde e os meios de subsistência dos cidadãos. Nunca se deve permitir que as Olimpíadas sejam um convite a uma situação que ameace essa estrutura.

Nosso maior medo, nem é preciso dizer, diz respeito ao impacto dos Jogos na saúde dos cidadãos.

Não há garantia de que as infecções serão controladas nos próximos dias. Na verdade, o surgimento de novas variantes da COVID-19 tornou a situação ainda mais alarmante.

Embora as vacinações em massa tenham começado, os receptores ainda estão limitados aos idosos, e o Japão certamente não vai adquirir imunidade coletiva tão cedo.

Diante desse cenário, mais de 90.000 atletas e pessoal relacionado às Olimpíadas entrarão no Japão. E mesmo que não haja espectadores nos Jogos, haverá muito mais de cem mil pessoas se reunindo, se voluntários forem adicionados à equação.

Todas essas pessoas irão para casa quando os Jogos acabarem. Não há como descartar a possibilidade de que, após os portadores de vírus de todo o mundo convergirem para o Japão, o vírus se espalhe por todo o mundo [sem contar o possível surgimento de novas variações - Blog do Mello].

O COI e o comitê organizador das Olimpíadas de Tóquio dizem que vencerão as adversidades com "testes e isolamento", enfatizando o sucesso dessa abordagem em muitas competições internacionais no passado.

Mas nenhum pode se comparar às Olimpíadas em escala.

JOGAR NÃO É PERMITIDO

Pode ser possível controlar a maioria dos movimentos dos atletas e oficiais dos Jogos. Mas, no que diz respeito a todas as outras pessoas, o sucesso depende em grande parte de sua prontidão para praticar o autocontrole.

No entanto, os detalhes das regras que eles devem observar ainda precisam ser acertados, o que significa que não haverá tempo para ensaios antes dos Jogos.

A situação que nos aguarda não será nada fácil, sem falar que os organizadores também devem lidar com o calor brutal de Tóquio no verão, que era uma grande preocupação antes mesmo da pandemia.

O comitê organizador afirma ter encontrado uma maneira de garantir o pessoal de saúde para as Olimpíadas.

Mas e quanto aos leitos hospitalares para emergências?

Os governadores das prefeituras ao redor de Tóquio, onde o sistema de saúde já está severamente pressionado, declararam claramente que não estarão em posição de fornecer "leitos prioritários" para pacientes relacionados às Olimpíadas.

Claro. É responsabilidade de cada governador de província proteger seus cidadãos.

A situação atual está longe de fazer alguém se sentir seguro, e essa é a triste realidade.

Claro, sempre existe a possibilidade de tudo dar certo. Mas organizar as Olimpíadas exige várias camadas de preparações para minimizar os riscos, que devem funcionar de maneira adequada.

Se surgirem problemas devido a decisões precipitadas, tomadas mesmo que os preparativos sejam insuficientes, quem deve ou pode assumir a responsabilidade?

Os organizadores devem compreender que o jogo não é mais uma opção.

Muitos cidadãos compartilham essa consciência, e uma pesquisa Asahi Shimbun neste mês revelou que apenas 14% dos entrevistados são a favor de ir em frente com as Olimpíadas neste verão.

O número também sugere o ceticismo cada vez maior do público sobre os méritos de sediar as Olimpíadas.

Os Jogos não servem apenas para decidir quais atletas são o número 1 do mundo em seus respectivos campos.

Apesar de todos os tipos de perguntas que foram levantadas sobre esta extravagância esportiva quadrienal, que vão desde sua escala exagerada ao comercialismo excessivo, o evento ainda continuou a receber apoio por causa do apelo popular do espírito olímpico.

A Carta Olímpica exige oportunidades iguais, amizade, solidariedade, jogo limpo e compreensão mútua, e defende o estabelecimento de uma sociedade que defenda a dignidade humana.

PARA ONDE FOI O ESPÍRITO OLÍMPICO?

Mas qual é a realidade presente?

A pandemia impediu alguns atletas de competir nas eliminatórias. Existe uma grande lacuna entre os países onde houve progresso nas vacinações em massa e aqueles onde não houve, obviamente afetando o treinamento e o desempenho dos atletas.

Para as Olimpíadas de Tóquio, os movimentos dos atletas na Vila Olímpica serão restritos, tornando difícil para eles se misturarem com nossos cidadãos, como era esperado pelos governos locais que se ofereceram para sediar campos de treinamento pré-olímpicos.

Claramente, partes da Carta Olímpica se tornaram letra morta.

Qual o significado de realizar uma Olimpíada quando as atividades das pessoas estão sendo restritas e seu dia a dia se torna difícil?

Em nossos editoriais, pedimos repetidamente aos governos central e metropolitano e ao comitê organizador olímpico que explicassem, mas nenhum se apresentou para responder de forma satisfatória.

Além disso, o slogan de "Olimpíadas compactas de reconstrução pós-desastre" [referente ao desastre nuclear provocado pelo tsunami de Fukushima, em 2013 - Blog do Mello], criado pelo governo japonês na época da licitação, foi deixado de lado ao longo do caminho e substituído por "Olimpíadas para provar o triunfo da humanidade sobre a COVID-19."

Mas agora que isso também é insustentável, as Olimpíadas de Tóquio estão se tornando uma ferramenta para o governo Suga permanecer no poder e vencer as próximas eleições.

O primeiro-ministro está determinado a prosseguir com os Jogos, não importa o que o povo japonês tenha a dizer.

Pensando bem, o que são os Jogos Olímpicos, afinal? Se as altamente polêmicas Olimpíadas de Tóquio forem realizadas sem a aprovação do público, o que terá sido ganho e perdido?

Suga deve refletir sobre tudo isso, e o mesmo vale para o governador de Tóquio, Yuriko Koike, o presidente do comitê organizador das Olimpíadas de Tóquio, Seiko Hashimoto, e todos os membros seniores do comitê.

- O Asahi Shimbun, 26 de maio
Venho batendo nesta tecla aqui no Blog há um bom tempo de forma quase solitária. Os leitores sabem que defendo novo adiamento ou mesmo o cancelamento dos Jogos, porque parece que é a única coisa a ser feita. 
 
Não é apenas o Japão que pode ser afetado, mas - e esta é talvez a grande lição da pandemia - é o planeta, porque uma aglomeração de pessoas de todas as partes do planeta pode resultar em novas cepas de coronavírus e no prolongamento da pandemia, que já durou mais tempo do que deveria e do que imaginávamos.
 



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TSE autoriza quebra de sigilo de grupo responsável pela invasão do grupo Mulheres Unidas contra Bolsonaro. Governador da Bahia pode ajudar


Fraude ajudou a eleger a chapa Bolsonaro-Mourão.

 
Quase três anos após o hackeamento ser cometido, o macunaímico (ai que preguiça) TSE autorizou a quebra do sigilo de todos os responsáveis pela invasão do grupo de Facebook Mulheres Unidas contra Bolsonaro, com quase três milhões de participantes, que se transformou literalmente da noite para o dia em Mulheres com Bolsonaro #17. Na época, o ainda candidato Jair Bolsonaro comemorou a página hackeada do grupo em sua conta no Twitter [imagem acima. Clique nela para ampliá-la].
 
O grupo, um dos principais divulgadores do #EleNão, passou a defender a candidatura de Bolsonaro e a atacar as mulheres do próprio grupo.
 
Está certo que a medida está atrasada, mas pode ser um caminho para a anulação das eleições e da retirada da dupla Bolsonaro-Mourão do poder com a cassação da chapa. Se ainda houver país, ao final da investigação.
 
Mas o governador petista da Bahia pode ajudar e publiquei sobre isso aqui em junho do ano passado, em que postei uma investigação feita pelo próprio Blog.
O caso é que o hackeamento tem sua parte virtual, de invasão de página e sua manipulação, mas seu primeiro e essencial passo tem que ser feito no mundo real.

A professora de Filosofia Maíra Motta era uma das administradoras do grupo original. Ela teve o chip de seu celular clonado e foi a partir dele que o hackeamento foi feito e o grupo invadido.

Segundo a operadora Oi, que era a do celular da professora, “para efetuar a troca de chip para resgate de linha telefônica móvel, o próprio assinante deve ir a uma loja da Oi, apresentar seu documento de identificação e preencher e assinar o termo de troca”.

A clonagem foi feita numa loja física da Oi em Vitória da Conquista. Para isso, uma mulher teria que se dirigir a uma das lojas da Oi em VC (vi na internet que são quatro por lá), se apresentar como Maíra Motta com um documento que confirmasse a informação, e assinar o termo. Pelo menos é o que garante a OI.

Só que até hoje, passados 20 meses do fato, a polícia da Bahia não andou com a investigação. Em qual das quatro lojas foi feita a compra do chip. Quem foi o vendedor. Quem foi a pessoa que se passou por Maíra Motta e levou o chip clonado. A loja deve ter imagens do circuito interno.

Aí entra o governador da Bahia, o petista Rui Costa. Governador, bote sua polícia para fazer o trabalho dela. Cobre de seu secretário de Segurança por que isso não foi feito até agora.

Chegando-se à clonadora pode-se caminhar em direção ao mandante e facilitar a cassação da chapa.




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Pesquisa mostra relação direta entre voto em Bolsonaro e morte por COVID: Quanto mais Bolsonaro mais mortes

O jornal Valor resolveu cruzar os dados de 5570 municípios brasileiros relacionando voto em Bolsonaro com casos e mortes por COVID.
 
O resultado está expresso na imagem acima, que mostra aquilo que não seria difícil supor, mas que a pesquisa comprovou: quanto mais bolsonarista o município, mais casos e mortes por COVID.
 
E vice-versa. Municípios em que Bolsonaro foi menos votado tiveram menos casos e mortes por COVID.
 
Fica comprovado assim que Bolsonaro é o maior propagador do coronavírus e alimentador da pandemia no país e não vamos sair dela enquanto ele for presidente.
 
Por mais que se façam esforços e divulgação das medidas de proteção, de nada adianta se ele defende aglomerações, critica quem se protege, critica o uso de máscaras.
 
Pior, como mostrou ontem no Equador, ele sabe que está errado e dá "mau exemplo". Conto, pra quem não soube: Quando estava saindo com um grupo de pessoas no Equador, todos com máscaras, Bolsonaro (sem saber que estava sendo gravado), disse "deixa eu botar a máscara para não dar mau exemplo".
 
Isso ele faz lá. Aqui, dá o mau exemplo diariamente e isso, como mostrou a pesquisa, causa maior número de casos e mortes.
 
Como não responsabilizá-lo criminalmente por isso? Como não chamá-lo de genocida? Como permitir que ele continue a conduzir nosso país ao precipício?
 
Até quando?



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A 2 meses das Olimpíadas de Tóquio, EUA recomendam a seus cidadãos não viajarem ao Japão por perigo de COVID


Naquele que pode ser o mais duro golpe nos defensores da segurança das Olimpíadas de Tóquio, o Departamento de Estado dos EUA elevaram a classificação de risco do Japão de 3 para 4 e passou a recomendar a seus cidadãos que não viajem ao Japão. A dois meses das Olimpíadas, cuja Cerimônia de Abertura está marcada para 23 de julho próximo, após ser adiada do ano passado.
O Departamento de Estado disse que sua avaliação mais recente reflete o aviso de saúde para viagens dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que vê o Japão enfrentando um "nível muito alto de COVID-19".
“Devido à situação atual no Japão, mesmo os viajantes totalmente vacinados podem correr o risco de obter e espalhar variantes do COVID-19 e devem evitar todas as viagens para o Japão”, disse o CDC.  [Japan Times]

A recomendação não tem prazo definido e pode ser retirada ou rebaixada, caso a situação da pandemia melhore por lá e o Japão consiga fazer o milagre de vacinar grande parte de sua população até julho, quando menos de 4% estão vacinados e nem a metade do corpo médico recebeu uma dose de vacina sequer.
 
Com já publiquei aqui, o COI está decidido a realizar os Jogos, "ainda que Tóquio esteja em estado de emergência". Mas, fica a pergunta, isso vale caso os Estados Unidos barrem a ida de sua delegação a Tóquio? Duvido.




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'Está comprovada a ação de (outra) quadrilha no governo e no círculo de Bolsonaro', por Janio de Freitas

Do jornalista Janio de Freitas, na Folha, hoje.
Por ora, algemas morais

A primeira função da CPI está realizada, embora ainda em andamento: já ficou bem demonstrado a que classe de gente o Brasil está entregue. Entre (ex) ministro das Relações Exteriores, (ex) dirigente da comunicação governamental com as altas verbas, e (ex) ministro-general da Saúde, o governo só teve para apresentar, e representá-lo, impostores. Falsários das atribuições dos respectivos cargos, falsários no cinismo mentiroso com que tentam evadir-se dos próprios atos e palavras no entanto gravados, impressos, criminosos.

A função subsequente da CPI não contará com a contribuição da corja proveniente do governo. Dependerá de como e quanto o relator Renan Calheiros (MDB-AL), até aqui com desempenho competente, e o preciso presidente Omar Aziz (PSD-AM) conduzam a formação das conclusões submetidas à comissão. De conhecimento público antes mesmo da CPI, os fatos em questão não suscitam dúvida, mas a altivez e a coragem política para relacioná-los com o Código Penal e gravíssimas consequências será de ordem pessoal.

O problema não acaba aí. Renan Calheiros faz supor a disposição de uma atitude à altura do episódio, com um relatório rigoroso. Mas aprová-lo, alterá-lo ou recusá-lo caberá ao corpo da comissão. E, em qualquer dos casos, essa etapa será de luta sem freio e sem compostura, a exigir muito de Omar Aziz. Posta tal perspectiva, pode-se ouvir que Bolsonaro, à vista de derrota na comissão de maioria opositora, tentaria algo para impedir a CPI de consumá-la. Algo?

Será, então, a hora do inestimável Ministério Público. Para dividi-lo mais, não falta muito à percepção de ações e omissões do governo articuladas no gênero próprio de quadrilha. Amazonense e conhecedor indignado do que se passou na crise do oxigênio em Manaus, o senador Omar Aziz está convicto de que o povo ali foi “feito de cobaia”, para indução da cloroquina, como para a imunização coletiva pelo vírus mesmo.

Em paralelo ao que houve, e não terminou, na Saúde e morte de quase 450 mil pessoas, está comprovada a ação de (outra) quadrilha no governo e no círculo de Bolsonaro. Da derrubada à entrega da madeira amazônica no exterior ou aqui mesmo, o número de operações combinadas é bem grande. Todas criminosas. Não pode ser coisa de poucos e amadores. A maior apreensão de madeira ilegal, que custou ao delegado Alexandre Saraiva sua transferência na Polícia Federal, e a denúncia americana de madeira contrabandeada e apreendida nos Estados Unidos puseram, enfim, algemas por ora morais nos pulsos do ministro (sic) Ricardo Salles.

Já na campanha Bolsonaro anunciava a desmontagem do Ibama, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (acompanhamento ambiental por satélite), Funai, das reservas indígenas e de toda a defesa ambiental. O já precário sistema de fiscalização florestal foi, de fato, destruído na Amazônia e no Pantanal. Por Salles e seus prepostos. Por ordem de Bolsonaro.

A proibição, sem sequer hipótese de justificativa, de destruição do maquinário de garimpo ilegal e de tratores e serrarias do desmatamento clandestino foi óbvia proteção de Bolsonaro aos criminosos e seu enriquecimento compartilhado. A dispensa ilegal, mas acobertada, de licenciamento para exploração da terra amazônica é objeto de iniciativa do governo para legalizá-lo. E por aí segue a sequência de ações contra a riqueza do solo e do povo amazonense.

Ou a ação de cima e a operação direta são coordenadas, ou a madeira, o ouro e minerais valiosos nem sairiam do chão, quanto mais chegar a portos dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. E essa coordenação numerosa, profissional, de cima a baixo, tem nome no Código Penal: quadrilha. No caso, como disseram os americanos, quadrilha internacional.

Nada surpreendente. Relações várias, próximas e financeiras com milícias. Apropriação de dinheiro público por extorsão dos vencimentos de funcionários reais e fantasmas. Controle da Abin e da Polícia Federal com direções subservientes. Entrega do Meio Ambiente a um condenado por improbidade quando secretário do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin. O desmantelamento anunciado e realizado. Ah, sim, e milhares de militares da ativa e da reserva do Exército compondo um exército de guarda-costas políticos e judiciais, em proteção ao grande assalto. O que poderia sair desse conjunto não é mais nem menos do que saiu.





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Quem é o Capitão Bunda Suja, assunto do momento no Twitter?


Pensei muito antes de publicar o áudio a seguir. Primeiro para ter certeza de que não era fake. Depois, porque é um depoimento forte.
 
Decidi publicar porque acho que pode ser útil a muito negacionista, como era o homem do depoimento. 
 
E basta andar pelas ruas para vermos que ainda são muitos. São pessoas que parecem acreditar que COVID só dá nos outros. Até que um dia se veem diante da possibilidade da morte, como aconteceu a José Roberto Feltrin, assessor parlamentar do deputado bolsonarista do Podemos José Medeiros.
 
O áudio foi gravado momentos antes de Feltrin ir para o hospital, apavorado com a doença e parece que pressentindo o que infelizmente veio a ocorrer - sua morte.
No áudio, Feltrin chora e aparenta falta de ar. O assessor afirma que vai ao hospital, pois está se sentindo muito mal. Ele ainda diz que não sabe “se escapa” da doença. “Eu tô mal pra caramba. A culpa é desse capitão bunda suja [Bolsonaro] que não comprou vacina para nós”, disse José Roberto Feltrin.
Em um outro trecho, ele afirma que Medeiros “também é responsável por tudo que está acontecendo com o povo brasileiro”:
“É como se um filme tivesse passando na minha cabeça agora. Esse tal Medeiros também é responsável por tudo que está acontecendo com o povo brasileiro, esse maldito. Esse cara vem apoiando esse governo genocida, que vem sabotando a vacina desde o início. Já era para ter vacina para nós, para pessoas da minha idade e não tem. Parece que esse retardado faz o que quer.”
Ouça o áudio.





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COI diz que Olimpíadas vão acontecer, mesmo com Tóquio em estado de emergência. 70% dos japoneses são contra


No mesmo dia em que a Reuters divulgou pesquisa que mostra que 70% dos japoneses são a favor de mais um adiamento ou do cancelamento definitivo das Olimpíadas de Tóquio, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional, John Coates, afirmou que as Olimpíadas vão acontecer "mesmo se a capital permanecer em estado de emergência por coronavírus durante os Jogos". 
 
As Olimpíadas estão cada vez mais esvaziadas. Dos quase 200 mil dirigentes esperados, apenas 70 mil devem comparecer, caso as Olimpíadas aconteçam mesmo com um Japão sob pandemia.
Encerrando uma reunião de três dias para discutir os preparativos para as Olimpíadas e as medidas contra o coronavírus, as autoridades disseram que mais de 80% dos residentes da Vila Olímpica seriam vacinados antes de 23 de julho, quando as Olimpíadas começam.
"Posso dizer que agora está mais claro do que nunca que esses jogos seriam seguros para todos os participantes e, mais importante, seguros para o povo do Japão", disse Coates, vice-presidente do COI, no final da reunião.
Ele acrescentou que pessoal médico adicional faria parte das delegações olímpicas estrangeiras para apoiar as operações médicas e a implementação das contramedidas COVID-19 nos jogos.
O presidente da França Emmanuel Macron garantiu presença na Cerimônia de Abertura. Provavelmente porque os Jogos de 2024 estão marcados para Paris.
 
O importante é fazer girar o carrossel do dinheiro. Cada vez mais o que conta menos é o esporte e o congraçamento entre os povos, o tão falado espírito olímpico.
A equipe canadense de natação se tornou a mais recente delegação a se retirar de um campo de treinamento pré-olímpico no Japão antes dos Jogos devido ao medo do coronavírus.
Os planos para cerca de 50 campos de treinamento no Japão já foram cancelados, a maioria devido a preocupações com a pandemia.
A equipe de atletismo dos EUA também cancelou seu campo de treinamento na prefeitura oriental de Chiba na semana passada, enquanto dezenas de cidades japonesas abandonaram os planos de hospedar atletas. [Japan News]
Enquanto o Japão bate cabeça contra a pandemia, tendo vacinado menos de 4% de sua população, o povo faz manifestações de rua em favor da vacina e contra os Jogos, que, pelo visto, devem acontecer mesmo que sob o silêncio dos mortos.




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Trump, quem diria, pode acabar na cadeia. Mesmo destino aguarda seu fã nº 1


O Gabinete do Procurador-Geral do Estado de Nova York informou na terça-feira, 18, que a investigação sobre a Trump Organization, empresa liderada pelo ex-presidente Donald Trump, se tornou criminal e "não é mais puramente civil", informou a Reuters. As acusações são de falta de pagamento de impostos e seguros e falsificação de registros comerciais. 
 
As investigações sobre as ilegalidades cometidas por Trump são antigas, mas estavam paradas em termos processuais porque lá, como aqui, presidentes só podem ser punidos por infrações cometidas durante o mandato, não antes.
 
Agora, derrotado, Trump vê o camburão rondando sua porta, porque a Receita (aquela que mandou Al Capone para a cadeia) está atrás dele.
“Não tenho dúvidas sobre isso. A única coisa que está blindando Trump nesse momento é o exercício do seu cargo”, afirmou o ex-procurador Nick Akerman ao ser perguntado se Trump poderia ser punido por não ter pago impostos compatíveis com sua fortuna bilionária.
“Evasão fiscal é um crime sério, e quanto mais dinheiro você rouba, mais tempo você fica preso“, explicou Akerman. “Trump parece ter feito uma série de atividades que podem ser qualificadas como fraude fiscal, e não apenas uma sonegação fiscal.” [Fonte: Exame]
O mesmo deve ocorrer com Jair Bolsonaro, quando deixar de ser presidente, por impeachment, renúncia ou pelo voto popular. Ele só não está arrolado no caso da corrupção do filho Flávio, conhecido como rachadinha, pelo cargo que ocupa.
 
Fora da presidência Bolsonaro pode vir a ser preso, como deve acontecer com o filho Flávio. E como pode acontecer com seu ídolo Donald Trump.




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Eva Wilma: O mais difícil da luta é escolher o lado em que lutar


Pega de surpresa por Andrea Beltrão, sentada na primeira fila do teatro, Eva Wilma é convidada a dizer alguma coisa. A atriz, que morreu esta semana aos 87 anos, se levanta e diz um texto que Millor Fernandes escreveu como prólogo de sua tradução da Antígona, de Sófocles.

Impossível não se emocionar.

Na foto que ilustra a postagem, Eva ao lado de outras grandes atrizes (Leila Diniz também estava no dia, mas não nesta imagem), em passeata contra a censura, em 1968 - ano que estão tentando reviver com novo AI-5. Infelizmente, todas mortas, com as folhas que caem, na canção de Cassiano, que também morreu esta semana.

Tempo de mortes, mais de 430 mil, do Senhor da Morte que desgoverna o Brasil e assassina seu povo.




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China vacina 14 milhões de pessoas por dia, enquanto olímpico Japão não chegou a 4 milhões de vacinados até hoje


A China leva a COVID a sério e desde que apareceram os primeiros contaminados naquele país em janeiro do ano passado seus dirigentes trataram de tomar medidas efetivas, em vez de especularem se seria uma simples gripezinha ou entupirem seus cidadão de cloroquina e remédio para vermes.
 
Lockdown, construção de dois hospitais de campanha com mais de 1000 leitos cada em tempo recorde e todo apoio ao desenvolvimento de vacinas foram ações do governo chinês para combater o vírus. Por isso o país teve até hoje menos de 5 mil mortos em uma população de quase 1 bilhão e 400 mil.
 
Agora, com o surgimento de novos casos na província oriental de Anhui e na região nordeste de Liaoning, a China intensificou a vacinação massiva da população, chegando ao recorde de 14 milhões de vacinados em apenas um dia. 
A escalada de vacinas na China - dados da Comissão Nacional de Saúde mostram 13,7 milhões de vacinas foram administradas na sexta-feira - significa que o país está mais perto de sua meta de vacinar 40% de sua população, ou pelo menos entregar 560 milhões de doses, até o final de junho. Até domingo, cerca de 393 milhões de doses haviam sido administradas, com 210 milhões delas ocorrendo no mês passado, um sinal de implementação acelerada, mostram os dados oficiais. [Japan Times]
Enquanto isso, como informei aqui ontem, o olímpico Japão continua batendo cabeça e ainda não conseguiu vacinar 3% da população de 126 milhões, o que não chega a 4 milhões de vacinados até hoje. Como querem abrigar os Jogos Olímpicos assim?
 
Ontem, o sistema de agendamento de vacinas entrou em pane, a ponto de idosos estarem pedindo para que parem com ele. Preferem encarar filas e tomar suas vacinas do que esperar pela incompetência governamental.
 
Várias das principais cidades japonesas estão em estado de emergência e outras em pré-emergência, que já foi estendida até 13 de junho, simplesmente porque os casos não param.
Para conter a propagação da pandemia, vacinar a população é fundamental. Para isso, o governo central planeja inocular idosos em dois locais de vacinação em grande escala em Tóquio e Osaka programados para entrar em operação em 24 de maio [ou seja, ainda daqui a uma semana]. O país está procurando inicialmente inocular idosos residentes em Tóquio, Saitama, Chiba, Kanagawa , Osaka, Kyoto e Hyogo a uma taxa de 5.000 fotos por dia no local de Tóquio e 2.500 em Osaka, embora o objetivo seja dobrar esses números.
“Sem a vacina”, disse o governador de Tóquio, Yuriko Koike, em abril. “Estamos lutando contra o vírus de mãos vazias.” [Japan Times]
No entanto, o governo japonês segue mantendo acesa a chama dos Jogos Olímpicos, mesmo contra a vontade da maioria dos japoneses, segundo todas as pesquisas. 
 
Lá como aqui o povo quer que a luta em favor da vida seja colocada como prioridade. Os Jogos podem esperar mais um ano. Vão conseguir?

Vamos conseguir?



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60% dos japoneses são a favor do cancelamento dos Jogos Olímpicos deste ano


Pesquisa nacional realizada nestes sábado e domingo por telefone no Japão aponta que 59,7% dos japoneses são favoráveis ao cancelamento dos Jogos Olímpicos que estão marcados para começar em 23 de julho próximo. O número é muito maior que os da última pesquisa de abril, quando 39% eram favoráveis ao cancelamento. O motivo é o mesmo que levou ao adiamento dos Jogos do ano passado para este - a pandemia da COVID 19. 
 
A preocupação da população japonesa tem razão de ser: os números continuam altos no Japão, mesmo com um quase lockdown total nas principais cidades estendido até o dia 31 de maio. 
 
A propagada eficiência japonesa está sendo desmentida na administração da pandemia e na aplicação das vacinas.
 
O Japão está tão mal que imunizou menos gente que o Brasil de Bolsonaro: apenas 3% de toda a população do país de 126 milhões foi vacinada.
Embora os organizadores das Olimpíadas já tenham decidido que não haverá espectadores do exterior para evitar a propagação do vírus, a pesquisa mostrou que 87,7% estão preocupados que um afluxo de atletas e funcionários do exterior possa espalhar o vírus.
Os casos de COVID-19 têm crescido em todo o país nas últimas semanas, colocando ainda mais tensões no sistema médico do país. Mais pacientes estão morrendo em casa pela dificuldade de encontrar leitos hospitalares disponíveis, com a situação agravada pela disseminação das novas variantes e pelo lento processo de vacinação. [Japan Times]
Já não há mais motivo esportivo que justifique as Olimpíadas. Sua realização agora é puro interesse comercial dos organizadores e dos patrocinadores dos atletas, que querem expor suas marcas nas telas do mundo.
 
O espírito olímpico assim como o espírito esportivo são como o gol para o Parreira, apenas um detalhe. Pena.



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Por que Wajngarten e Carlos Bolsonaro foram negociar com a Pfizer compra de R$ 5 bi em vacinas e não o ministro da Saúde?

A pergunta é feita pelo jornalista Janio de Freitas em seu artigo semanal para a Folha. E a resposta ainda não foi dada à CPI, que deveria bater nesse ponto: houve comissão? Alguma rachadinha? É uma boa pergunta a ser feita ao general Pazuello. Por que ele não foi à conversa com a Pfizer, não foi convidado? Ao artigo de Janio:
Os bilhões dos milhões de vacinas
O boicote à vacinação, pela sabotagem à compra de vacinas, é uma aberração que justifica o interesse nela concentrado pela CPI —que vai bem, obrigada. Mas daí deriva a ausência de questionamento, a todos os depoentes, sobre um tema que pode estar na raiz de parte dos transtornos enfim investigados.

As compras de vacinas, ou de ingredientes, movimentam quantias montanhosas. A guerra comercial entre as vacinas, pela conquista da opinião pública e pressão sobre os governos, extravasa em acusações de risco feitas e desfeitas em torno de bilhões. Nem foi outro o motivo da apressada recomendação (se foi só isso) dos Estados Unidos para aqui não se comprar a Sputnik V, que, sobre ser russa, tem preço baixo. A velha proteção comercial americana não se distrai.

A compra que o ministro Marcelo Queiroga comemorou nos últimos dias é de 100 milhões de doses da Pfizer. Em breve passagem de sua entrevista à Veja, Fabio Wajngarten referiu-se ao preço da Pfizer, com a qual negociava: os diretores da farmacêutica “toparam até mesmo reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo dos US$ 10”. Abaixado também o dólar para uma estimativa, só essa compra anda pelos R$ 5 bilhões.

Negócio com tamanho custo para o dinheiro público foi conduzido junto à Pfizer, no entanto, pelo então secretário de Comunicação da Presidência, não pelo ministro da Saúde com sua assessoria técnica, nem pelo ministro da Economia e seus técnicos. Por que o alheio Wajngarten estava “autorizado pelo presidente” para a negociação? Foi acompanhado apenas, em uma reunião com a Pfizer, pelos não menos inabilitados para representar o governo, e o próprio país, Filipe Martins, assessor no Planalto, e o vereador Carlos Bolsonaro.

A CPI está em tempo de se voltar também para o lado do dinheiro na investigação. Há perguntas indispensáveis: como negócios comerciais, as transações com as indústrias das vacinas têm intermediação remunerada? Comissão? De quanto e paga por que lado? Nas compras à Pfizer, há intermediação empresarial remunerada? Em caso positivo, de que empresa(s)? E alguma outra modalidade de comissão, destinada a quem e de que forma?

São informações relevantes em qualquer sentido, inclusive para exteriorizar a importância da tarefa incumbida à CPI.

Wajngarten foi exonerado em circunstâncias algo estranhas, no mesmo março em que, dia 8, o governo aceitou o contrato proposto pela Pfizer e, dia 19, assinou-o. No controle da propaganda do governo, Wajngarten foi acusado de ganho indireto, por triangulação de empresas, com parte das comissões por veiculação de campanhas. Negou, claro. Continuou polêmico, grosseiramente presunçoso e ambicioso.

De repente, ofereceu-se à entrevista de acusações ao general Eduardo Pazuello e ao Ministério da Saúde, na Veja, cuidando de proteger Bolsonaro & família. A interpretação de que agiu por vingança consolidou-se. E fez esperar que Wajngarten na CPI seria fulminante.

A CPI não sabe por que Wajngarten desdisse a entrevista gravada, mentiu o tempo todo, a cara suarenta de pânico, uma pusilanimidade de dar repugnância. Wajngarten não tinha mais motivo para incomodar o governo. Fazê-lo seria atingir Bolsonaro em cheio: era ele, e só ele, quem impedia o fechamento do negócio, afinal autorizando o que antes considerara “leonino”. O argumento de autorização do Senado para aceitar as condições da Pfizer é falso, porque a alegada inconveniência não foi retirada pela medida parlamentar. Bolsonaro aceitou a grande compra negociada por Wajngarten com outras quaisquer motivações.

As mentiras e silêncios de Fabio Wajngarten não importam. O que importa é o que o fez adotar os silêncios e mentiras em lugar das acusações que traziam, implícitas, outras possíveis. Piores.



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