Domingo com Música. Chico e Milton, 'O que será, À For da Pele'

Milton Nascimento e Chico Buarque


Para fechar o domingo em grande estilo, Chico Buarque e Milton Nascimento, numa gravação inesquecível (meodeos, e é de 1976, parece ontem, fala de hoje, mas já se passaram inacreditáveis 44 anos —  estou velho...).







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Alexandre de Moraes assume no TSE na terça, 2, e deve reabrir produção de provas de fake news da campanha de Bolsonaro em 2018

Alexandre de Moraes

Na próxima terça, dia 2, o ministro Alexandre de Moraes assume uma cadeira no Tribunal Superior Eleitoral, em lugar de Rosa Weber.

O ministro vai levar para lá as provas que está colhendo agora contra os disseminadores de ódio e fake news com ataques ao STF. Moraes ampliou o prazo de investigação sobre os empresários apoiadores, que agora é de agosto de 2018 até abril de 2020.

Provas não faltam desse desrespeito à legislação eleitoral, que deve levar à cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

Veja por exemplo o vídeo abaixo, onde Luciano Hang e outro empresário convocam apoiadores a ajudarem na produção de vídeos em favor de Bolsonaro:
- Esqueça um pouco a empresa e vamos trabalhar pelo Brasil, diz o "Véio da Havan".
Quem está ao lado deles no vídeo, sorrindo e consentindo com a infração? O próprio Jair Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes já mostrou que não tem medo de cara feia (bom, ele tem espelho em casa...) e está indignado com a postura e radicalização dos apoiadores de Bolsonaro, insuflados pelo Jair e seus zeros.

Daí o desespero de Jair Bolsonaro, que busca criar um ambiente de confrontação geral no país, gerando caos, para tentar uma radicalização, escancarando o golpe que, na verdade, ele já deu no primeiro mês de seu governo, quando entregou a administração nas mãos dos militares.

Para ficar claro o tamanho da tomada de poder pelos militares: em fevereiro de 2019, havia em torno de 100 militares em áreas estratégicas (um até tutelando o presidente do STF, Dias Toffoli).

Hoje, são 2,8 mil integrantes das Forças Armadas em funções administrativas do governo federal. Desse total, cerca de 1,5 mil são do Exército, 680 da Marinha e 622 da Aeronáutica. [Fonte: Poder 360].

Nas mãos dos ministros do STF e do TSE estão o destino de Bolsonaro e do Brasil. Eles têm que agir, e rápido, ou o país vai entrar numa guerra civil, que já está sendo comandada desde fora, aproveitando os conflitos nos EUA de Trump.

A turma de Bannon deve star esfregando as mãos para incendiar também o Brasil. Pelo mesmo motivo de lá: salvar os presidentes incompetentes, que não souberam enfrentar a pandemia (EUA e Brasil estão à frente do número diário de morte e novos infectados), e ainda incentivam o ódio, o racismo e a misoginia em seus países.






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'Não vai acabar bem, não há como', por Janio de Freitas

Charge de Aroeira

Como sempre, fundamental a leitura das colunas dominicais de Janio de Freitas


Obsessão armamentista de Bolsonaro é necessária para conflagração contra perda do poder

Não vai acabar bem, não há como —começo, forçado pelas circunstâncias, com esta frase jornalisticamente velha, que ainda antes da posse de Bolsonaro gravei para o importante site de Bob Fernandes e aqui pôde ser encontrada nos primórdios do atual governo. Não era previsão, era só uma obviedade de que muitos olhares preferiram desviar, por diferentes motivos, desde temores talvez inconscientes à ganância já rica.
Situações com muitos componentes da tensão levam à imprevisibilidade intransponível, ou quase, sobre seu desfecho. Consegue-se formular umas poucas hipóteses, mas as variações imprevistas são sempre mais numerosas. É diante de hipóteses inumeráveis que estamos.
Bolsonaro, seu filho Eduardo e outros desatinados fizeram, contra o Supremo Tribunal Federal, novas ameaças golpistas. Os generais Hamilton Mourão, Augusto Heleno, Luiz Eduardo Ramos e Braga Netto puseram nos seus currículos sucessivas negações de risco de golpe. Declarações de Augusto Heleno, porém, estão com sua autoridade moral cassada pelo próprio, que tanto ameaça com "consequências imprevisíveis" como diz que risco de golpe é só invenção da imprensa.
Apesar de que mentir em depoimento processual seja falta grave e punível, Luiz Eduardo Ramos e Braga Netto foram inverdadeiros nos depoimentos sobre a reunião vergonhosa, pretendendo proteger Bolsonaro. Condutas são mais eloquentes do que palavras.
As de Bolsonaro, mesmo quando restritas a uma gravata com figurinhas de fuzis —como o fotógrafo Joédson Alves, da EFE, percebeu e O Globo publicou—, bastam para sabermos o que e quanto nos ameaça. O seu berro de "acabou!", referindo-se à liberdade do Supremo para decidir contra o bolsonarismo, não foi reação momentânea e isolada.
Seu empenho em desmoralizar o tribunal revela-se como um plano de ação na escalada desde a campanha eleitoral. Com o "cabo e um soldado" suficientes para fechar o tribunal, por exemplo, ou com os prometidos dez integrantes a mais, como desqualificação dos 11 atuais. O que há hoje é uma investida mais coerente com ameaça. Por força do momento.
Esse avanço está em relação direta com outra escalada, a das armas para a população, também iniciada na campanha. Vai agora ao paroxismo como sua companheira, e pelos mesmos motivos.
Bolsonaro tem ciência e domínio, tanto quanto seus filhos maiores, dos comprometimentos que os põem sob riscos judiciais extremos. Sabem desses riscos desde as investigações da estrutura negocista de Sérgio Cabral e do assassinato de Marielle Franco. Este, para agravar os riscos, com implicação de milícias.
As relações e práticas que sujeitam Flávio Bolsonaro a inquéritos criminais foram herdadas de seu pai, eleito para a Câmara Federal quando o filho ocupava seu lugar na Assembleia Legislativa fluminense. Não seria correto, portanto, que o interesse das investigações terminasse em Flávio.
O estado de exasperação constatável em Bolsonaro corresponde à sua situação crítica. Agir, em tal caso, é a sua urgência. Desmoralizar o Supremo, com o decorrente enfraquecimento do Judiciário; dominar o Ministério Público, valendo-se das ambições do procurador-geral da República; submeter a Polícia Federal para conduzi-la, comprar apoiadores parlamentares com cargos públicos e benesses, são providências que marcham, aceleradas, para a primeira frente de combate defensivo de Bolsonaro. A frente desarmada.
A outra é a única explicação possível para a obsessão armamentista, há pouco agraciada com duas medidas tratadas sem a atenção merecida: uma, a liberação da compra de munições; em seguida, o fim da já duvidosa fiscalização, pelo Exército, da posse de armas militares. Essas medidas, como as liberações anteriores e as esperadas para breve, são partes do necessário para uma conflagração contra a perda do Poder. A defesa final.
Ainda não se sabe a favor de quem o tempo corre. Mas não há dúvida de que, contra a insegurança opressiva que nos subjuga, está faltando um grande exemplo de dignidade.







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Domingo com Poesia. 3 vezes Brecht

Brecht

O Vosso tanque General, é um carro forte


Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar

[Tradução:Joaquim Cardoso]

***

Nada é impossível de mudar


Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.

[Tradução: Edmundo Moniz]

***

Elogio da dialética


A injustiça vai por aí com passe firme.
Os tiranos se organizam para dez mil anos.
O poder assevera: Assim como é deve continuar a ser.
Nenhuma voz senão a voz dos dominantes.
E nos mercados a espoliação fala alto: agora é minha vez.
Já entre os súditos muitos dizem:
O que queremos, nunca alcançaremos,

Quem ainda está vivo, nunca diga: nunca!
O mais firme não é firme.
Assim como é não ficará.
Depois que os dominantes tiverem falado
Falarão os dominados.
Quem ousa dizer: nunca?
A quem se deve a duração da tirania? A nós.
A quem sua derrubada? Também a nós.
Quem será esmagado, que se levante!
Quem está perdido, que lute!
Quem se apercebeu de sua situação, como poderá ser detido?
Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã.
De nunca sairá: ainda hoje.

[Tradução: Haroldo de Campos]







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Ministro Celso de Mello diz que bolsonaristas querem criar 'desprezível e abjeta ditadura militar' no Brasil

Celso de Mello

Em reação aos últimos acontecimentos no país, com o desespero de Bolsonaro em ver ruir seu castelo de fake news e a ameaça concreta de ver seus filhos 01, 02 e 03 na cadeia, o ministro do STF Celso de Mello enviou uma mensagem aos demais ministros da Corte, alertando sobre o perigoso caminho que a trupe bolsonarista quer trilhar para o Brasil.
GUARDADAS as devidas proporções, O “OVO DA SERPENTE”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , PARECE estar prestes a eclodir NO BRASIL ! É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR QUANDO HITLER, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo Presidente Paul von Hindenburg , em 30/01/1933 , COMO CHANCELER (Primeiro Ministro) DA ALEMANHA (“REICHSKANZLER”), NÃO HESITOU EM ROMPER E EM NULIFICAR A PROGRESSISTA , DEMOCRÁTICA E INOVADORA CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR, de 11/08/1919 , impondo ao País um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição , em março de 1933 , da LEI (nazista) DE CONCESSÃO DE PLENOS PODERES (ou LEI HABILITANTE) que lhe permitiu legislar SEM a intervenção do Parlamento germânico!!!! “INTERVENÇÃO MILITAR”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, NADA MAIS SIGNIFICA, na NOVILÍNGUA bolsonarista, SENÃO A INSTAURAÇÃO , no Brasil, DE UMA DESPREZÍVEL E ABJETA DITADURA MILITAR !!!!
A formatação reproduzida acima é a do ministro, com a caixa alta (que significa falar alto ou gritar nas redes sociais) e os múltiplos sinais de exclamação.

Em seu último ano como ministro (ele se aposenta em novembro), Celso de Mello olha para o Brasil e sua biografia, liderando o STF na resistência contra a pregação de ódio do desesperado Jair Mentira Bolsonaro.






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PGR Aras vai entregar cabeça de Heleno para mostrar independência de Bolsonaro ou vai matar no peito pela promessa de vaga no STF?

Aras e Bolsonaro


Cumprindo com seu dever, o ministro do STF Celso de Mello acaba de botar uma bomba metafórica no colo do PGR Augusto Aras.


Celso de Mello recebeu um pedido de impeachment do general Heleno, do GSI, entregue por alguns parlamentares. Fez o que lhe cabe: enviar o pedido ao PGR, que encaminha ou não o início de um processo contra o infame general.


Só que isso é mais uma bomba para Aras, que está sendo constrangido escancaradamente por Bolsonaro, que o bajula para que não processe e mande para a cadeia seus apoiadores e, principalmente, seu filho Carlos Bolsonaro, tido como o cabeça do Gabinete do Ódio, central de fake news localizada na antessala do presidente Jair.


Com sua conhecida "sutileza", Bolsonaro invadiu outro dia a sala de Aras, numa visita de surpresa e de cortesia. Na quinta, numa live, disse que pensa que Aras é um excelente nome para o STF.


Agora Aras vai ter que decidir: se rejeitar o pedido de impeachment de Heleno, que disse que a apreensão do celular de Bolsonaro poderia trazer "consequências imprevisíveis", pode ser acusado de agir assim por pressão de Bolsonaro.


Por isso, pode ser que prefira entregar a cabeça do general para poder, adiante, livrar a de Carlucho, o filho que é a voz de Bolsonaro nas redes sociais e o homem a quem deve sua eleição, confirme palavras do próprio Bolsonaro.


Azar do general de pijamas Heleno. Sorte a nossa.


A menos que Aras aja como prometeu Fux lá atrás e mate no peito, pouco se lixando para a opinião dos outros, e libere Heleno.


Vamos aguardar.








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Até a França, país origem do estudo que indicou cloroquina, proíbe sua utilização no tratamento da COVID-19


Pelo visto, apenas o Brasil vai seguir enfiando goela abaixo cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19.

Não deu certo em lugar algum. Todos os países estão contraindicando. Inclusive a Organização Mundial da Saúde.

Até Trump, que andou dizendo que estava tomando cloroquina, parou com ela e resolveu doar dois milhões de doses para o Brasil.

Enquanto isso, sob ordem insana de Bolsonaro, os laboratórios do Exército seguem produzindo um medicamento que não serve para tratar o coronavírus e ainda arrisca a vida das pessoas.

SEM QUE NINGUÉM O IMPEÇA DE FAZER ISSO!

Agora até mesmo a França, berço do estudo que indicava cloroquina para a COVID-19, parou de fazê-lo:
Em 26 de maio de 2020, o Conselho Superior de Saúde Pública (HCSP) anunciou sua nova posição sobre o uso de cloroquina, à luz de estudos internacionais realizados sobre este produto. O HCSP agora recomenda:
    não usar hidroxicloroquina (isoladamente ou em combinação com um macrólido) no tratamento da covid-19;
    avaliar o benefício / risco do uso de hidroxicloroquina em ensaios terapêuticos.
O governo decidiu seguir as recomendações do HCSP e removeu grande parte do regulamento sobre o uso de cloroquina no tratamento da covid-19 inicialmente instituído.
A partir de agora, os regulamentos estabelecem apenas que "PLAQUENIL" e preparações à base de hidroxicloroquina só podem ser dispensados ​​por farmácias dispensadas como parte de uma receita inicial de:
    especialistas em reumatologia, medicina interna, dermatologia, nefrologia, neurologia ou pediatria de qualquer médico, no âmbito de um refil de prescrição.
Fonte:
     Decreto nº 2020-630, de 26 de maio de 2020, que altera o Decreto nº 2020-548, de 11 de maio de 2020, que prescreve as medidas gerais necessárias para lidar com a epidemia de Covid-19 no contexto do estado de emergência sanitária.
Ambos, cloroquina e Bolsonaro, devem ser interditados para o bem da saúde dos brasileiros.







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Denunciado pelo Twitter por espalhar fake news, Trump ameaça fechar Twitter e Facebook


Trump e Bolsonaro têm algumas coisas em comum. As duas principais são o hábito corriqueiro da mentira e a arrogância autoritária, que não admite contestação a suas palavras, por mais idiotas / mentirosas / preconceituosas etc. que sejam.

Ontem, Trump publicou em seu perfil do Twitter uma acuação de que haveria fraude nas eleições pelos correios defendida pelo governador da Califórnia.

O Twitter pôs uma exclamação sob os tweets com indicação de leitura mostrando que as afirmações de Trump eram falsas.


Isso enfureceu Trump, que no mesmo Twitter publicou hoje a afirmação de que não vai tolerar esse comportamento das redes sociais, e pode submetê-las a uma forte regulamentação ou simplesmente fechá-las. [imagem lá do alto]

O mesmo perfil autoritário que divide com Bolsonaro. Ambos querem governar sem contestação, por mais insanos e maléficos que sejam seus governos.

Com as pressões que sofrem, os dois ficam cada vez mais autoritários e desesperados. Trump, por ver a reeleição se afastar cada vez mais de seu horizonte (as últimas pesquisas dão vitória a Biden).

Bolsonaro, pelo círculo que se fecha em torno dele e da família, com a possibilidade real de prisão imediata de dois de seus filhos, Carlos e Flávio. Que podem levá-lo ao mesmo destino.







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O dia em que Garrincha levou o olé das touradas para o futebol, por João Saldanha

Garrincha

Em seu livro "Os Subterrâneos do Futebol" o jornalista comunista e botafoguense João Saldanha conta a história do dia em que torcedores mexicanos trouxeram o olé das touradas para o futebol, graças aos dribles do genial Garrincha.

No Brasil, o dia do olé foi 15 de novembro de 1962, talvez a última grande partida de Garrincha, quando o Botafogo foi campeão ao vencer o Flamengo na final do Campeonato Carioca por 3 a zero, com gols de Mané.
“Olé” nasceu no México  

“O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida.
Vários grupos de ‘mariaches’ comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois “pistões” e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos ‘mariaches’ é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de ‘mariaches’ que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles “atacam” músicas em tom gozador. No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os ‘mariaches’ salvaram o espetáculo.
O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se ‘abríssemos’, tomaríamos um baile.
Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os ‘mariaches’ atacavam entusiasmados.
Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do ‘Olé’, tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado “Olé” no River. Não. Foi um “Olé” pessoal. De Garrincha em Vairo.
Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um ‘Olé’ daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: ‘Ôôôôô’! O som do “olé” mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba “lé” dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final ‘lé’: ‘Olééé!’ – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.
Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos ‘mariaches’ atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário. Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava ‘off-side’. Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.
O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: “No hay nada que hacer. Imposible” – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:
– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.
O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O ‘Jarrito de Oro’, que só seria entregue ao “melhor do campo” no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.
As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao ‘Olé’. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o ‘Olé’. Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.
Já tentaram acabar com o ‘Olé’. Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o ‘Olé’.
Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio ‘Olé’.
Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai ‘sair’ da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do ‘Olé’.
(João Saldanha. “Os Subterrâneos do Futebol”). [Fonte: Deixa Falar]







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Bob Dylan apresenta Elis Regina em seu programa de rádio



Bob Dylan toca Elis Regina


Aniversariante de anteontem (79 anos), o prêmio Nobel de Literatura, ídolo e ícone da música Bob Dylan, apresenta Elis Regina em seu programa de rádio nos EUA, que é reproduzido pela BBC 6.

Bob Dylan fala sobre a cantora brasileira Elis Regina, "A Pimentinha" ou como o proprio diz, "The Little Pepper", em seu programa de rádio, Theme Time Radio Hour, que foi ao ar no dia 16 de junho de 2008, tendo como tema "Around The World". Dylan selecionou 14 músicas, de artistas como, Edith Piaf, Beatles e The Pogues. Bob faz uma breve apresentação sobre o Brasil e em seguida apresenta Aquarela do Brasil. Por fim, conta uma mini biografia de Elis. " The Little Pepper was gone forever" [Link]







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'O Brasil está pagando caro pelas palhaçadas de seu presidente ', Financial Times



Um dos principais, se não o principal, jornal econômico liberal do mundo, o Financial Times publicou artigo de Gideon Rachman com críticas pesadas (mas não muito diferentes das feitas por aqui) contra o presidente Jair Bolsonaro.

A Folha republicou o artigo hoje, com tradução de Paulo Migliacci, que publico a seguir.

No entanto, embora tenha destacado a frase no título da postagem, não concordo que Bolsonaro faça palhaçadas. O palhaço tem uma função de divertir, alegrar, dar prazer. Bolsonaro é o oposto disso. É um genocida que quer impor sua ideologia goela abaixo do Brasil, não importa quantos venham a morrer para isso. Por isso, a cada dia que se permite que ele fique no poder é um dia perdido para a morte do Brasil e dos brasileiros.

A seguir, o artigo de Rachman:
O populismo de Jair Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre
Em uma visita ao Brasil no ano passado, conversei com uma financista importante sobre os paralelos entre Donald Trump e Jair Bolsonaro.
“Eles são muito parecidos”, ela disse, antes de acrescentar: “Mas Bolsonaro é muito mais estúpido”. A resposta me chocou, porque o presidente dos Estados Unidos não costuma ser visto como exemplo de um grande intelecto. Mas minha amiga financista insistiu: “Veja”, ela disse. “Trump dirigiu um negócio importante. Bolsonaro jamais passou do posto de capitão no exército”.
A pandemia do coronavírus me fez recordar essa observação. O presidente do Brasil adotou uma abordagem notavelmente semelhante à de Trump —mas ainda mais irresponsável e perigosa. Os dois líderes estão obcecados com as supostas propriedades curativas da hidroxicloroquina, uma medicação contra a malária. Mas enquanto Trump se limita a usar o medicamento em pessoa, Bolsonaro forçou o Ministério da Saúde brasileiro a divulgar novas diretrizes, recomendando o medicamento para pacientes do coronavírus. O presidente dos Estados Unidos teve atritos com seus assessores de saúde. Mas Bolsonaro demitiu um ministro da saúde e levou seu sucessor a renunciar. Trump expressou simpatia pelas manifestações contra o confinamento. Bolsonaro discursou em pessoa durante eventos desse tipo.
Infelizmente, o Brasil está pagando caro pelas palhaçadas de seu presidente – e as coisas estão piorando rápido. O coronavírus chegou relativamente tarde ao Brasil. Mas o país já tem o segundo mais alto índice de contágio no planeta, e o sexto maior total de mortes por Covid-19. O número de mortes no Brasil, que abriga metade da população da América Latina, está dobrando a cada duas semanas, agora, ante dobrando a cada dois meses no Reino Unido, um país pesadamente atingido.
A composição política e social do Brasil significa que o país será severamente atingido, com a aceleração da pandemia. O sistema hospitalar de São Paulo, a maior cidade do país, já está perto do colapso. Porque boa parte da população brasileira vive em condições de superlotação, e desprovida de economias, o desemprego em massa pode resultar em fome e desespero. nos próximos meses.
Mas será justo culpar Bolsonaro? O presidente, que assumiu em janeiro de 2019, obviamente não é responsável pelo vírus – nem pela pobreza e pela superlotação que tornam a Covid-19 tamanha ameaça ao país. Ele tampouco foi capaz de impedir que muitos governadores e prefeitos impusessem medidas de confinamento em suas áreas do país. Mas ao encorajar seus seguidores a violar essas restrições e ao solapar seus ministros, Bolsonaro é responsável pela resposta caótica que permitiu que a pandemia escapasse ao controle. Como resultado, os danos de saúde e econômicos sofridos pelo Brasil provavelmente serão mais graves e profundos do que teria sido o caso. Outros países que enfrentam condições sociais ainda mais duras, como a África do Sul, tiveram respostas muito mais disciplinadas e efetivas.
Se a vida fosse um conto moral, as palhaçadas de Bolsonaro quanto ao coronavírus levariam o Brasil a se voltar contra seu presidente populista. Mas a realidade talvez não seja tão simples.
Não existe dúvida de que Bolsonaro está em dificuldade política. Seus índices de popularidade despencaram e agora estão abaixo de 30%; cerca de 50% da população desaprova a maneira pela qual ele conduz a crise. O apoio de que ele um dia desfrutou por parte dos conservadores mais convencionais – que estavam desesperados por arrancar do poder o Partido dos Trabalhadores, de esquerda - está desmoronando. Sergio Moro, ministro da Justiça de Bolsonaro e popular por sua campanha de combate à corrupção, renunciou no mês passado. As acusações de Moro sobre os esforços do presidente para interferir com investigações policiais foram explosivas o suficiente para levar o Supremo Tribunal a abrir uma investigação que pode conduzir ao impeachment de Bolsonaro.
Mas o impeachment no Brasil é tanto um processo político quanto um processo legal. Os delitos que levaram à remoção da presidente Dilma Rousseff em 2016 foram altamente técnicos. O mais significativo é que ela tenha despencado a um índice de aprovação de 10% nas pesquisas de opinião, e que a economia estivesse em recessão profunda. A aprovação a Bolsonaro ainda está bem acima dos números de Dilma em seu pior momento. E embora a economia esteja indubitavelmente caminhando a uma profunda recessão e uma disparada no desemprego, a retórica do presidente contra as medidas de confinamento pode lhe comprar alguma proteção. Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, diz que “o que Bolsonaro deseja é se dissociar da crise econômica que está por vir”.
As medidas de isolamento social que Bolsonaro lastima talvez na verdade o ajudem politicamente. Podem impedir as manifestações de massa que deram ímpeto a impeachment de Dilma. E tornarão mais difícil que os políticos conspirem e negociem nos proverbiais bastidores – um processo necessário a costurar um impeachment bem sucedido. Conspirar pelo telefone não é a mesma coisa. Alguns políticos podem sentir que mergulhar o Brasil em uma crise política seria inadmissível, em meio a uma pandemia.
Mas não surgirá unidade nacional enquanto Bolsonaro for presidente. Ao modo populista clássico, promover a divisão política o ajuda a prosperar. O Brasil já é um país politicamente polarizado, no qual abundam teorias de conspiração. As mortes e desemprego causados pela Covid-19 são exacerbados pela liderança de Bolsonaro. Mas, perversamente, um desastre de saúde e econômico pode criar um clima ainda mais hospitaleiro para a político do medo e da irracionalidade.






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Trump solta a mão de Bolsonaro e proíbe entrada de brasileiros nos Estados Unidos

Trump

Viajantes saindo do Brasil não poderão entrar nos Estados Unidos, com algumas exceções


Medida vale a partir da próxima sexta, dia 29 de maio.

Nem Donald Trump aceita mais conviver com a incompetência genocida de Bolsonato. Por mais que o lambe botas faça de tudo para agradá-lo.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, fez um comunicado hoje:
"Hoje o presidente tomou a ação decisiva para proteger nosso país, ao suspender a entrada de estrangeiros que estiveram no país durante um período de 14 dias antes de buscar a admissão nos Estados Unidos".
“A ação de hoje irá garantir que estrangeiros que estiveram no Brasil não se tornem uma fonte adicional de infecções em nosso país. Essas novas restrições não se aplicam aos voos comerciais entre os EUA e o Brasil", acrescenta a nota.
Apenas o comércio entre os dois países continuará aberto.
A restrição não será aplicada a pessoas que residam nos Estados Unidos ou sejam casadas com um cidadão americano ou que tenha residência permanente no país, Filhos ou irmãos de americanos ou residentes permanentes também poderão entrar, desde que tenham menos de 21 anos.

Membros de tripulações de companhias aéreas ou pessoas que ingressem no país a convite do governo dos EUA também estão isentas da proibição.[G1]






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Domingo com Música. 'Sacramento', Nelson Angelo e Milton Nascimento, com Wilson Nunes

Milton Nascimento, capa Milagre dos Peixes

Nesta quarentena, o maestro Wilson Nunes está homenageando grandes compositores brasileiros, no projeto Todo dia uma canção.

O primeiro homenageado foi Tom Jobim. Agora, Wilson está publicando em sua página no Facebook todo dia uma canção de Milton Nascimento.

Sacramento é uma dessas, em que Milton botou letra em música de Nelson Angelo. Wilson conta um pouco de Sacramento. Leia, ouça e curta a página lá no Facebook, clicando aqui.
Essa música marca a superação de um momento complicado para o Milton. Ele sempre foi (e ainda é) absurdamente tímido, retraído, as entrevistas dele costumam ser estranhas, monossilábicas, com muita dificuldade para se expressar. A música é sua salvação, seu ponto de interseção com o mundo. Em decorrência disso pra carreira dele engrenar foi uma dificuldade. Em 1965 ele ganhou o prêmio de melhor intérprete, em São Paulo, do primeiro Festival da TV Excelsior. Recebeu muitos convites pra ficar por lá, mas não segurou a barra de ficar em SP, e voltou pra BH. Em 1967 o cantor carioca Agostinho dos Santos, que o admirava, pediu pra que ele gravasse umas músicas num K7, pro Agostinho escolher pra gravar num disco. Mas, ao receber a fita, Agostinho inscreveu 3 músicas no Festival da Globo (era seu "plano secreto" para divulgar o Milton). Milton foi "obrigado" a vir pro Rio defendê-las. Entre essas músicas estava "Travessia", com a qual Milton tirou o 2° lugar e "Melhor Intérprete". Com o grande assédio das gravadoras e imprensa e o estímulo dos amigos ele resolveu se arriscar e ficar no Rio. Mas, entre outras fugas, começou a beber muito. No começo dos anos 70 estava muito mal, alcoólatra, deprimido, etc, e os amigos muito preocupados com ele. Foi quando resolveu dar a volta por cima. Não sei se realmente existiram essas "3 pessoas" da letra. Mas fica o belo registro. E por aí vai.







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Domingo com Poesia. Geir Campos, 'Poética'


Poética

Eu quisera ser claro de tal forma
que ao dizer:
—  rosa!
todos soubessem o que haviam de 
pensar...
Mais: quisera ser claro de tal forma
que ao dizer:
— já!
todos soubessem o que haveriam de
fazer

Geir Campos, 1957






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Print de celular de Moro derruba versão de Bolsonaro e prova que ele mentiu quando disse que não interferiu na PF

Print Bolsonaro demissão Valeixo a Moro

Por mais que Moro não valha nada, Bolsonaro é pior e mentiu quando disse que não quis interferir na PF

"Moro, o [diretor geral da PF] Valeixo sai nessa semana".
"Isto está decidido".
"Você pode dizer apenas a forma".
"A pedido ou ex oficio". [Estadão]
Essas quatro frases foram enviadas do celular do presidente Bolsonaro [print na imagem acima] para o do à época ministro da Justiça, Sergio Moro, comunicando-o de sua (de Bolsonaro) decisão de demitir naquela semana o diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, coisa que Bolsonaro sempre negou. Chegou a dizer que foi Valeixo que pediu sua demissão.

Importante: as mensagens foram enviadas três horas da reunião ministerial do dia 22, aquela que o ministro Celso de Mello autorizou ser exibida para que todos os brasileiros vissem o baixo nível, a ignorância e a violência deste governo genocida.

Portanto, todas as interpretações sobre as intenções de Bolsonaro sobre sua preocupação com gente querendo "foder" sua família e amigos, de que ele se referiria ao GSI e não à PF, caem por terra.

Bolsonaro estava se referindo à PF quando disse "se não der pra trocar, troco o diretor, se não der pra trocar o diretor, troco o ministro".

Ele já havia se decidido por essas trocas e toda aquela conversa durante a reunião foi apenas mais do mesmo, mentira, falsidade. E um aviso a Moro de que se não aceitasse sua ordem de demissão cairia também.

Como Moro denunciou.

Repito: Moro não vale nada, manobrou a Lava Jato com objetivos políticos, mas encontrou pela frente alguém com menos escrúpulos que ele.

Eles se merecem e o Brasil não merece nenhum dos dois.






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Desespero de Bolsonaro é que sejam levadas com decência investigações que o envolvam e a seus filhos, por Janio de Freitas

Eduardo Bolsonaro

Coluna do jornalista Janio de Freitas hoje na Folha:
Gana de Bolsonaro armar 'todo mundo' vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia
Ninguém, nem o próprio Bolsonaro, sabia que nele se escondia, até agora, uma vontade stalinista de exterminar fisicamente os ricos e os bem remediados. Sabê-lo foi, a meu ver, o mais importante efeito do vídeo —liberado em decisão retilínea do decano Celso de Mello no Supremo— da reunião de gente do governo. Como ato, a reunião está acima e abaixo de qualquer qualificativo.
A exibição justificou a expectativa, mas não pelo pretendido esclarecimento entre as versões de Bolsonaro e Moro sobre manipulações do primeiro na Polícia Federal. Tivemos o privilégio de ver e ouvir um fato, mais do que sem precedente, sem sequer algo assemelhado no que se sabe dos 520 anos brasileiros.
Foi a reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos como o então ministro Nelson Teich. E alguém que se divertiu, sem dar descanso ao ríctus irônico, às vezes insuficiente para deter o sorriso —o vice Mourão, um general, ora veja, com senso de humor.
A exibição do ambiente de alta cafajestada, enfeitado pelo idioma doméstico de Bolsonaro, seguiu-se a uma sessão preparatória, da lavra do general Augusto Heleno e convalidada pelos generais palacianos. Resumido de corpo e ressentido típico, Augusto Heleno é dos que não falham: onde esteja, sua soma de arrogância e agressividade frutificará em problemas.
Exemplo definitivo: sua única missão propriamente militar levou a ONU ao ato inédito de pedir ao governo brasileiro a sua retirada do Haiti, onde manchou com operações desastradas e numerosas mortes o comando brasileiro de uma força internacional contra a violência local.
A nota de Augusto Heleno contra Celso de Mello e o Supremo é uma dupla consagração da ignorância que nunca deveria estar no generalato. Nesse nível, tomar uma tramitação judicial corriqueira por uma medida “inaceitável e inacreditável”, de “consequências imprevisíveis” sobre a “estabilidade nacional”, é ameaça criminosa. Essas consequências silenciadas por covardia resumem-se a uma, que conhecemos. Por um acaso preciso, apenas horas antes da nota obtusa e ameaçadora a Folha trazia este título: “Militares não vão dar golpe no país”. Nota e declaração do general Augusto Heleno.
O vídeo não nega, nem reforça, a intenção de manipular a PF, já clara em fatos anteriores e posteriores à reunião. Mas o confessado propósito de proteção policial também para amigos, além de familiares, não é bondade ilegal de Bolsonaro. É necessidade e recado.
Com dois balaços, o capitão PM Adriano Nóbrega deixou de ser amizade preocupante, mas para o sumido Fabrício Queiroz, e sabe-se lá para quantos outros, continua a preocupação protetora e mútua. Isso vale vidas, em meios peculiares como milícias, gangues e tráficos.
As vidas que nada valem são outras. “Eu quero todo mundo com arma!”, “eu quero todo brasileiro armado!”, “eu quero o povo armado!”, berrou o chefe aos seus generais impassíveis e paisanos desossados.
Bolsonaro sabe que o povão maltratado, humilhado, explorado e roubado em todos os seus direitos, no dia em que também tivesse ou tiver armas, não teria dúvida sobre o alvo do fogo de sua dor secular. Adeus ricos, adeus classe média alta.
Em quase três décadas no Congresso e ano e meio com o título de presidente, Bolsonaro só teve atos e posições prejudiciais aos assalariados, aos trabalhadores aposentados, aos que sobrevivem do trabalho informal —à larga maioria brasileira, ao povo.
Para isso tem Paulo Guedes na orientação do que pode fazer para destruir os ralos programas sociais, a educação, o arremedo de assistência à saúde. A gana de armar “todo mundo” não vem de insuspeitada e extremada revolta de Bolsonaro com a desumanidade dominante no Brasil. Vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia, até mesmo por meio de um vírus.
O desespero de Bolsonaro por certo corresponde à gravidade do que teme, se levadas com decência as investigações que o envolvam e a seus filhos maiores. Daí que a figura de Bolsonaro no vídeo seja a de quem não está longe da implosão.​







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