Domingo com Música: Victor Biglione Power Trio, Show de ontem, 27/02/2021


O show foi ontem encerrando o Festival Nem tão Distantes. Segundo meu amigo e companheiro de série B com nosso Botafogo Victor Biglione, em mensagem que me enviou pela manhã, o show é um tributo a Jimi Hendrix.

Victor Biglione Power Trio 
Victor Biglione: vocal, guitarras e arranjos 
Jorge Pescara: baixo e produção e direção musical do show 
Fábio Cezanne: Bateria




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Vacina indiana Covaxin comprada por Bolsonaro por R$1,6 bi de empresa investigada pode ter testes anulados na Índia por irregularidades


Reportagem da CNN internacional mostra que a fase 3 de testes da Covaxin na Índia pode ser toda anulada por irregularidades nos procedimentos. A Covaxin foi comprada pelo governo Bolsonaro por R$1,6 bilhão, mesmo ainda estando em fase de testes.
 
"Voluntários" foram a público dizer que não sabiam que participavam de um teste, que achavam que estavam sendo vacinados.
 
As denúncias surgiram a partir do aparecimento de casos em hospitais de pessoas com algumas reclamações de saúde e que diziam haver tomado a "vacina".
 
O que acontece, e pode levar à anulação da fase 3 de testes, e, repito, segundo as denúncias, é que os testes não seguiram as diretrizes científicas da Anvisa indiana.
 
Uma van teria percorrido um vilarejo miserável da Índia anunciado que pagaria 750 rúpias a quem quisesse receber a vacina. O valor é maior do que o salário de um dia de trabalho e, além disso, a pessoa receberia a vacina.
 
Só que não se tratava de vacina, mas de teste, algumas pessoas receberam a Covaxin e outras não, apenas placebo. E não teriam sido informadas disso, o que é irregular.
 
Como geralmente acontece, o laboratório fabricante da Covaxin nega tudo e afirma ter obedecido a todos os protocolos.
 
Alguns cientistas salientam também que o local escolhido para testes seria problemático porque lá teria ocorrido um desastre ambiental provocado por uma nuvem de gás tóxico da Union Carbide na década de 1980, que matou dezenas de milhares de pessoas, atingiu mais de 500 mil delas e provoca danos na saúde dos moradores de Bhopal até hoje.
 
Há também relato de uma morte nessa fase de testes, mas que o laboratório nega relação com a vacina.
 
Tudo, evidentemente tem que ser investigado. Inclusive porque o mercado de vacinas é multibilionário e as grandes empresas não querem perder espaço para uma indiana.
 
Mas também precisa ser investigado por que o governo brasileiro, que se nega a comprar a vacina da Pfizer aprovada pela Anvisa, resolveu jogar R$1,6 bilhão na Covaxin que ainda não foi aprovada nem na Índia.
 
Assista ao vídeo da reportagem da CNN, em inglês.





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Sexta Crônica: Os abutres têm sede


Aproveitando os termais, o abutre descreve círculos no céu imensamente azul do deserto. Observa lá embaixo o homem caído. Há muito o persegue, esperando por esse momento. Todos os outros abutres do bando já haviam desistido. Mas ele não. 
 
O homem também não. Ao menos até aquele momento, quando caiu perto de uma árvore seca. Estão há dias sem comer ou beber e, num raio de quilômetros, não há nada para saciar a fome ou a sede. A não ser um. E outro. E os abutres têm sede. 
 
Por experiências anteriores, ele sabe que a maior parte do corpo do homem é água. 
 
Ele pousa na árvore. 
 
O homem não esboça reação. Está morto. 
 
Mais sedento que faminto, o abutre salta sobre o homem para descobrir, surpreso, que ele ainda não havia desistido, e agora segura firmemente seu pescoço pelado com uma das mãos, enquanto a outra golpeia-o com uma faca, fazendo o sangue espesso jorrar diretamente para uma boca seca e poeirenta. Porque os homens também têm sede.

Publicado originalmente em 2017



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Governo Bolsonaro compra por R$ 1,6 bi vacina em fase de testes de empresa investigada por participar de organização criminosa


Reportagem de Hugo Marques na revista Veja informa que o ministério da Saúde de Bolsonaro, comandado pelo general Cloroquina Pazuello, que se recusa a comprar a única vacina que tem o registro definitivo da Anvisa, a Pfizer, comprou por R$1,6 bilhão a vacina indiana Covaxin, de quem ninguém nunca ouviu falar e que se encontra em fase de testes, alegando que a Pfizer tinha cláusulas no contrato (iguais a todos os da América Latina e aceitas pelos outros países) que o Brasil não poderia aceitar.

Mas aceitar pagar por uma vacina ainda em fase de testes pode? E, pior: segundo a reportagem, a empresa intermediária do negócio está envolvida em investigação por venda de testes de COVID fora do padrão e superfaturados ao governo do Distrito Federal.
A empresa vendeu testes de Covid-19 superfaturados ao governo do Distrito Federal após uma licitação fraudada, na qual foi a maior beneficiária, segundo investigações em curso. Em razão disso, é investigada como participante de uma organização criminosa e deverá ser denunciada ainda neste ano.
A empresa ofereceu 300 mil testes de coronavírus por 125 reais cada um, somando 38,4 milhões de reais. O preço de uma concorrente, segundo o MP, era de 75 reais por teste. A Precisa entregou 150 mil testes à Secretaria de Saúde do DF em 12 de maio de 2020. Segundo o MP, o produto era diferente do acordado: “Em mais uma manobra fraudulenta, os integrantes da organização criminosa, em conluio com as empresas beneficiadas, permitiram que a Secretaria da Saúde recebesse material diverso do contratado”. Em julho passado, em razão da investigação, a Justiça de Brasília decretou o bloqueio dos pagamentos do governo local à Precisa e outras duas empresas.
O contrato [para a compra da Covaxin pelo ministério da Saúde] foi firmado sem licitação por 1,6 bilhão de reais. Pelo menos três pontos chamam a atenção nessa parceria. Primeiro: a Covaxin ainda está na terceira fase de testes na Índia e não tem autorização para uso no Brasil. Segundo: o preço de cada dose é mais alto do que o de outros fármacos, inclusive daqueles que já têm autorização da Anvisa para ser aplicados no país. Cada dose de Covaxin custará ao governo brasileiro 14,9 dólares. No contrato do Butantan com o Ministério da Saúde, assinado em janeiro, a dose da CoronaVac saiu por 10 dólares. Já no primeiro lote de 2 milhões de vacinas da AstraZeneca importadas pela Fiocruz o preço foi de 5 dólares a dose. O terceiro ponto é o mais preocupante. A Precisa Comercialização de Medicamentos tem um histórico recente de problemas com fornecimento de materiais na área de saúde e está no centro de um escândalo de corrupção.
Além da incompetência acintosa (chegou a mandar 78 mil vacinas para o Amapá e 2 mil para o Amazonas, quando o certo seria o contrário), o ministério da Saúde do general (da ativa do Exército) Pazuello se vê envolvido agora numa suspeita de corrupção.
 
E mais de 251 mil brasileiros já pagaram com a vida a condução genocida da pandemia pelo general ministro e seu chefe, o capitão "mau soldado" [na avaliação do ex-presidente da ditadura general Geisel] Bolsonaro.




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A la Bolsonaro, prefeito de Porto Alegre pede que povo 'contribua com sua vida para que a gente salve a economia do município'


O prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo fez um apelo patético e criminoso para que o povo do município encare a pandemia (Ou, não "seja maricas", como disse Bolsonaro), e contribua com a própria vida para a economia da cidade.

Alguém precisa explicar ao animal (sem o acompanhamento do racional, porque não o é) que a economia é uma ciência humana, não dispensa o ser humano, ao contrário, precisa dele vivo (menos os donos de funerárias e cemitérios), e o coronavírus está dizimando nossa população e provocando efeitos colaterais nos que ainda estão vivos, ao contrário dos mais de 251 mil mortos, como depressão e outras.
 
Assista ao vídeo abaixo com a declaração do prefeito e veja que no quesito boçalidade Bolsonaro nem é único, ele tem e faz escola e representantes pelo país.
 



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Recorde de mortos por COVID num dia: 1582. Marchamos para as 2 mil mortes/dia. Literalmente


O Brasil registrou hoje o maior número de mortos em um dia, desde o início da pandemia: 1582. Sob comando de um "mau soldado" (no dizer de Geisel sobre Bolsonaro), do incompetente general Cloroquina e dos mais de 6 mil militares no governo (mais um hoje, para a Secom, além do novo presidente da Petrobras) marchamos para os dois mil mortos por dia.
 
Os números refletem as aglomerações do Carnaval, a irresponsabilidade do governo, a falta de vacinas e, contraditória e concomitantemente, o oba-oba da vacina, propagado pelos meios de comunicação comerciais, que tratam cada um novo vacinado como se fosse um gol de Pelé. E mal imunizamos um milésimo dos brasileiros...
 
Cada dia fica mais claro que enquanto Bolsonaro for presidente só teremos destruição e dor no Brasil.




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Vote NÃO à privatização da Eletrobras na Consulta Pública aberta no Senado


Está aberta no site do Senado uma Consulta Pública sobre a privatização da Eletrobras. Temos que votar NÃO. É preciso fazer um pequeno cadastro apenas. Eu já votei. Vote também e compartilhe esta postagem com seus contatos.
 
 
Há poucos dias vimos o que a privatização causou à energia no Amapá. Temos o exemplo da Vale privatizada, com os crimes de Mariana e Brumadinho.
 
Será que nossas hidrelétricas resistiriam à privatização ou teríamos novos desastres, além do aumento da tarifa de energia?
 
Como mostra a imagem que ilustra a postagem, que é um print do meu voto, o SIM está vencendo. Corra lá.



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Folha e Globo mostram que não têm nada contra divulgar notícias falsas, mesmo em meio a uma pandemia. Desde que sejam pagas


A credibilidade da Folha, do Globo e da mídia comercial em geral já estava na boca do ralo quando os principais jornalões aceitaram publicar ontem uma matéria paga [acima, mas com texto desfocado porque não vou divulgar a fake news por aqui] por uma obscura Associação de Médicos defendendo o uso de produtos que não têm eficácia alguma no tratamento da COVID-19, segundo todos os países sérios do mundo, inclusive cientistas brasileiros. 
 
Certamente virão com a desculpa de que foi o departamento comercial que publicou a mensagem mentirosa, que decisão não passa pelo jornalismo etc., como se fôssemos todos idiotas.
 
Mas a verdade nua e crua é que é uma imprensa vendida, que usa de qualquer expediente para faturar um troco, como durante muitos anos o jornal O Globo publicou classificados de sexo - o que denunciei aqui. Lembrando que a prostituição não é crime, mas tirar proveito da prostituição é.
 
Agora, em meio a uma pandemia, com um genocida presidente que nega a ciência, incentiva aglomeração, critica máscaras, vacina e prega um "tratamento precoce" (como defendido na matéria paga), que não tem comprovação científica, publicar essa matéria paga foi demais.
 
Um dos medicamentos indicados pelo grupo é a Ivermectina, que o próprio laboratório da formulação original publicou nota negando que tivesse qualquer efeito positivo na prevenção ou tratamento da COVID-19. Agora, ouçam o que diz a Dra. Marisa Reis, do Comitê Científico do Rio Grande do Norte, no vídeo a seguir. 90% dos internados em UTI naquele estado tomaram Ivermectina.
 
É o fim da mídia comercial brasileira, que afunda junto com Bolsonaro e o Brasil.





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Do presidente da Argentina sobre Lula: 'Visitei Lula na prisão com a plena convicção de que era uma pessoa inocente que estava presa'


O presidente da Argentina Alberto Fernández deu um depoimento sincero sobre os golpes judiciais impostos à Argentina, Brasil e Equador e sua certeza da inocência de Lula. Confira no vídeo.




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Ex-ministro da Saúde de Dilma adverte: 'A conta da irresponsabilidade de Bolsonaro e seu general da Saúde chegou'


Ex-ministro da Saúde da presidenta Dilma e secretário de Saúde do prefeito Haddad em São Paulo, o deputado Alexandre Padilha (PT), que é médico infectologista, alerta que se providências não forem tomadas agora, de imediato, teremos um "março aterrorizador" da COVID-19 no Brasil.
“O governo precisa com urgência: agir por mais vacinas, contra aglomerações e por mais recursos no combate ao coronavírus", diz Alexandre Padilha.
“Esta é a última semana de fevereiro e o governo precisa com urgência assinar o contrato de vacinas já ofertadas. Printem o que estou dizendo: ou reage-se esta semana, ou teremos um março de covid-19 aterrorizador. A conta da irresponsabilidade de Bolsonaro e seu general da Saúde ao desprezar vacinas, e do vacilo da maioria do Congresso, chegou".
Padilha lembra que os laboratórios Pfizer e Jansen ofereceram juntos, ao Brasil, mais de 80 milhões de doses de vacinas, em contratos ainda não assinados pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Atualmente deputado federal pelo PT de São Paulo, Alexandre Padilha comenta que o Congresso precisa aprovar a nova medida provisória que obriga o governo federal a incorporar todas as vacinas eficazes e seguras disponíveis no mundo para o combate ao coronavírus. “E, na abertura da Comissão Mista do Orçamento, precisamos recuperar os recursos que o governo federal quer retirar do SUS”, ressalta o parlamentar, sobre as medidas emergenciais para salvar o Brasil.
“Temos crescimento absurdo de mortes, de média móvel diária. O acometimento maior em público mais jovem e alguns relatos de evolução mais rápida para a letalidade. Isso é gravíssimo”, avalia Padilha. “A cidade de Campinas, por exemplo, tem 100% dos seus leitos de UTI ocupados por pacientes com covid-19. A progressão e crescimento nas cidades de Araraquara, Valinhos, Jaú. A situação de Fortaleza, Salvador, São Paulo. São fotografias de um carro em movimento, mas vemos essas imagens no retrovisor. Ou seja, a fotografia de internação de leito de UTI hoje tem relação com algo que aconteceu 15 dias atrás. Tem o volume de infecções que vieram acontecendo ao longo dos últimos 15 dias que ainda não foram detectadas. O tamanho explosivo delas, em algumas cidades e regiões, ainda não foi detectado.”  [leia mais na Rede Brasil Atual]
Lembram-se da frase do naturalista francês Auguste de Saint Hilaire “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”? Troque saúva por Bolsonaro e temos o estado de calamidade em que nos encontramos hoje e a solução para o problema.
 



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Rachadinha com auxílio emergencial financiou campanha de Carlos Bolsonaro


Se tem coisa que a família Bolsonaro gosta é de um rachuncho com dinheiro público. Além das graves acusações contra Flávio e Jair Bolsonaro de se beneficiarem do esquema de rachadinhas na Câmara e do uso de esquema semelhante por Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, há agora a informação de que a campanha a vereador do Carluxo, como é conhecido Carlos Bolsonaro, teria recebido doações de 63 pessoas que recebiam o auxílio emergencial, distribuído durante a pandemia a pessoas que teoricamente estariam atravessando dificuldades financeiras, portanto, sem condições de fazer doações a políticos. 
A campanha do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, recebeu doação de 63 beneficiários do auxílio emergencial do governo federal.

O valor total entregue por esse grupo, por meio de um site de financiamento coletivo, foi de R$ 2.836, parcela pequena do total de R$ 110 mil gastos pelo filho de Jair Bolsonaro.

Defesa do vereador disse que não teria como verificar se doador é ou não beneficiário do programa. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio aprovou as contas do vereador. [UOL]
Não se sabe de outros políticos que tenham se beneficiado dessa rachadinha entre os recebedores do auxílio, mas essa seria apenas mais uma das incríveis coincidências que cercam a família Bolsonaro, como o assassino de Marielle ser vizinho de condomínio do presidente, vários milicianos terem parentes contratados pela família para a prática da rachadinha, os R$89 mil depositados por Queiroz e esposa na conta da mulher de Jair Bolsonaro, Michele, Queiroz ser encontrado no sitio do advogado da família Bolsonaro etc.
 
Tudo coincidência. Ou prática de crimes continuados.
 
Até quando?




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'Madame Flaubert', uma Madame Bovary nos anos Collor, no romance de Antonio Mello


Em 2013, publiquei meu romance Madame Flaubert pela Editora Publisher. O livro conta parte da vida de Antonio C., um aspirante a escritor que enche a cara enquanto tenta escrever seu primeiro romance, uma adaptação do Madame Bovary de Flaubert passado nos anos Collor, ao mesmo tempo em que frequenta um curso de teledramaturgia e convive com as aspirações de outros meio pirados e angustiados como ele. 

Instigante, genial e sofisticado, ao mesmo tempo, o novo romance de Antonio Mello se passa no Rio de Janeiro do início dos anos 1990. Rio de Janeiro, início da década de 1990. Eleição de Fernando Collor. Esse é o cenário do novo romance de Antonio Mello, Madame Flaubert, da Editora Publisher Brasil. O título da obra faz uma brincadeira com a afirmação do escritor Gustave Flaubert, madame Bovary c’ est moi, e já dá pistas ao que o leitor vai encontrar: um romance dentro de um romance, dentro de um romance, como se fosse uma boneca russa. Ou como define o professor de Teoria da Literatura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Gustavo Bernardo, “sugere, também, uma daquelas gravuras de M. C. Esher, em que as figuras que parecem sair de um quadro ou de uma folha de papel se encontram, por sua vez, em outro quadro ou folha de papel”.

Instigante, a obra tem como personagem principal Antonio C. e a história de sua Ema Bovary. “A história mostra personagens em crise procurando tanto o sucesso quanto o sentido, comumente confundindo um com o outro”, diz Bernardo, que considera o romance excepcional.

“Lê-se como se fosse um romance genial e sofisticado e, ao mesmo tempo, lê-se como se fosse um romance policial e eletrizante. Ou seja: a chamada alta literatura mistura-se desavergonhadamente com a chamada baixa literatura, a literatura popular, de mercado, e o resultado é fascinante.” – Gustavo Bernardo. [apresentação do livro pela editora]


O livro está em promoção na Livraria da Fórum por apenas R$3,90. https://www.loja.revistaforum.com.br/produtos/madame-flaubert/




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Gabinete de Ódio de Bolsonaro é financiado por organizações internacionais, diz ministro do STF Dias Toffoli


Numa entrevista à TV Bandeirantes, o ministro do STF Dias Toffoli afirmou que soube por seu colega de Supremo ministro Alexandre de Moraes que as investigações sobre o Gabinete de Ódio de Bolsonaro mostram que o grupo recebia apoio financeiro internacional. 
 
Toffoli disse que não podia adiantar mais informações, mas que era bastante grave o apoio de entidades de outros países buscando interferir na vida política brasileira, incitando ataques à classe política e ao Supremo.
 
Não é preciso ser nenhum bidu para deduzir de que país são essas fontes internacionais de financiamento: basta ver para onde fugiram alguns dos membros já denunciados: Estados Unidos.




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Primeiras páginas do meu romance ELA, quinto livro publicado


Meu quinto livro publicado, o romance ELA nasceu de uma necessidade de criar algo para não pirar durante a pandemia. Não estava conseguindo ir adiante com um antigo projeto que pretendia finalizar e então virei a página e resolvi criar algo que pudesse divertir não apenas aos leitores mas primeiramente a mim, porque estava uma barra ficar tocando o Blog do Mello só com as péssimas notícias (que infelizmente continuam) que o Brasil do genocida Bolsonaro nos proporciona.
 
Felizmente, parece que acertei em cheio, porque só ouço elogios a respeito do ELA. Isso se reflete na avaliação do livro na Amazon, onde conta com 7 votos de 5 estrelas (a imagem aí acima com 6 é da semana passada) e dois comentários falando no prazer de lê-lo.
 
Publico a seguir as primeiras páginas do ELA e se você se deixar fisgar pelo livro é só seguir o link lá no final.

1.

Acordou com uma gritaria, pessoas batendo em sua porta pedindo para que abrisse. Um deles com voz de gringo, argentino, que seja.

Mal deu tempo de abrir os olhos, tal era o esporro que faziam. Olhou o relógio despertador, que marcava seis da manhã. Que porra é essa?

Nu, saltou a janela para a área interna do prédio, caso eles acabassem mesmo arrombando a porta.

Ficou nervoso: e se aparece algum vizinho, com aquela barulheira e ainda o vê nu? Pensa no noticiário: cantor e compositor que fez sucesso na década passada é flagrado nu em área interna de edifício.

Mora no terceiro andar do prédio em Ipanema, mas os dois primeiros são ocupados por comércio e é como se o prédio fosse erguido a partir dali, com uma pequena área interna, um falso térreo, que separa seu apartamento de um outro, que fica a uns10 metros, e que se encontra vazio, desde... sempre?

Mas, repara agora, o apartamento está com a janela aberta, coisa que nunca tinha visto. Resolve partir para se esconder lá, porque os homens continuam mandando que abra, e o gringo chegou a pedir que arrombassem a mierda de la puerta, cararro!

Mas ao chegar ao batente da janela do apartamento vizinho percebe que há um sofá colado à janela e, nele, uma linda morena coberta com um lençol e uma pistola prateada apontando para sua cara.

Apavorado, sussurra para que Ela não atire, aponta para seu apartamento, o barulho dos invasores, diz (baixinho, baixinho) que não sabe quem são, nem o que querem, pergunta se Ela não o está reconhecendo, é compositor, chegou a fazer sucesso numa época com aquela música Querida-a-ah, não se recorda?

Ela autoriza sua entrada, não sabe se por haver se recordado da canção ou se por considerá-lo inofensivo.

Ele pula e se sente constrangido, agachado, nu, com a morena apontando a arma para sua cabeça e um olhar que lhe pareceu de desprezo por sua figura - ou foi pelo tamanho do seu pau?

Encolheu-se e continuou a falar baixinho, quando Ela encostou o cano da pistola em sua boca, um cano gelado, mandando que ficasse com a boca fechada.

Ficaram concentrados no que os visitantes da manhã queriam. Parece que descobriram que não seria 103 (o número de seu apartamento) mas 105 (o número do que está agora) o que constava do papel.

O argentino (vamos supor que fosse), que parecia comandar o bando de pelo menos três, ordenou que fossem ao 105.

Ele e Ela se levantaram e correram para o corredor do prédio, abriram a porta da escada e se esconderam ali, coladinhos.

Ela estava coberta apenas com o lençol, mas, além da arma, tinha uma bolsa grande grudada no corpo.

Não sabe por que, lhe veio uma certeza de que Ela estava nua sob o lençol e, mesmo diante da tensão que estavam vivendo, diante da proximidade entre os corpos, da delícia do seu perfume, do ritmo de sua respiração, experimentou uma intensa e absurda (para o momento) ereção.

Ela apontou a arma para seu pau, sem alteração no olhar, sem ameaças, apenas como quem diz Recolha a arma, e ele se sentiu constrangido. A ereção desabou como a queda das Torres Gêmeas, numa implosão rápida.

Ficaram ouvindo os homens invadirem o apartamento 105 e depois saírem de lá dizendo que não havia ninguém, que estava vazio.

Ouviram seus passos de volta para seu apartamento e novamente as batidas e ordens para que abrisse a porta.

Ela o chama de volta para seu apartamento. Abre uma pequena mala que estava sob o sofá, com umas poucas peças de roupas, mais cargas para sua pistola e ainda um outro revólver, que ele não soube identificar.

Ela pega um vestido curto e dá a ele, enquanto se dirige ao banheiro.

Ouve a porta ser arrombada. Alguém do prédio gritar que vai chamar a polícia, Olha a bagunça a essa hora da manhã!

Escuta um tiro. Dois. E o gritinho da mulher que disse que chamaria a polícia, seguido pelo barulho de sua janela se fechando rapidamente.

Não tem ninguém aqui também, disse um dos invasores. Mas tinha, porque tá uma zona isso aqui, criticando a desarrumação de seu apartamento.

Deve ter fugido, quando batemos na porta, ele deduziu, Vou ver se não está aqui na área interna.

O argentino (vá lá que seja, ou paraguaio) diz pra verificar, enquanto vai descer com o outro para cercarem a saída do prédio.

O invasor salta a janela, o que ele percebe pelo barulho dos sapatos no chão. Ele se aproxima do apartamento onde está, nu, com um vestido curto na mão.

O homem põe a cara na janela. Foi a última besteira que fez na vida. Um tiro acertou o meio de sua testa. Morreu sem nem ver.

Quando ele olhou para trás, ali estava Ela, com sua pistola na mão. E o tiro certeiro.

Estava linda, com um vestido floral, os cabelos longos, castanhos, como se houvesse se preparado há séculos para aquela cena.

Com a tranquilidade que sempre mostrara até o momento, Ela mandou que ele vestisse o vestido que lhe dera, também floral, mas em outro tom.

Ele chegou a protestar, dizer que iria rapidinho ao seu apartamento. Mas Ela disse Não temos tempo, vamos pela escada.

Enquanto ele coloca o vestido, Ela pega o outro revólver, a munição e coloca tudo dentro da bolsa, de que não se desgrudara um só momento.

Ele coloca o vestido e fica ridículo, como era de se esperar, com as pernas cabeludas, descalço, como quando esteve em Cabo Frio, no bloco da Rama, em que os homens se vestiam de mulher, há muitos anos, quando era jovem, mas a lembrança fugiu diante da pistola encostando em seu braço e mandando que descesse a escada do prédio na frente dela, que seguia com a pistola numa das mãos e a bolsa presa ao ombro do outro braço, uma bolsa grande, que parecia cheia de coisas. Mais armas e munições?, ele pensa.

Chegam à garagem do prédio e Ela fica observando os carros estacionados. Até que escolhe um (o dela? Então por que observou outros?), abre a porta, senta-se no assento do motorista e ordena com a arma que ele vá ao outro lado e se sente no chamado banco do morto, o banco ao lado.

O carro é seu? Ele pergunta, enquanto Ela dirige o carro em direção à saída do prédio.

Ela não responde nada, apenas sinaliza com um tchauzinho com o braço esquerdo para fora, em direção à câmera que sabe ter ali, e aperta a buzina para que abram a garagem.

Aberta a garagem, Ela sai a toda velocidade.

Duas quadras depois Ela estacionou o carro, limpou o volante e a marcha para tirar as digitais, jogou a chave dentro da bolsa, guardou a pistola e disse a ele Vamos pegar um táxi pra Rodoviária.


 

2.

No táxi, a caminho da Rodoviária.

Ele está sentado atrás do motorista. Ela a seu lado, com a bolsa no colo.

Ele está intrigado com Ela. Mais do que isso, está preocupado em como vai chegar à Rodoviária descalço e com um vestido que fica no meio de suas coxas.

Ela parece que também está pensando nisso e manda o motorista de táxi, de uns anos pra cá chamado de taxista até no Rio, dar uma parada. Pergunta quanto ele calça. Vai comprar uma Havaiana pra ele. 43.

Ela na loja, o motorista de táxi, ou taxista, resolve fazer uma gracinha e dizer que a menina tem pé grande. E lança um sorrisinho sacana pra ele.

Resolve ficar calado. Mataram uma pessoa. Quer dizer, Ela matou. Mas ele estava junto, o que o torna cúmplice. Ou não? É melhor não arranjar confusão.

Ela chega e joga a sandália pra ele, que a veste. Pelo menos não vai chegar descalço.

A sandália combina com o vestidinho, ironiza o motorista de táxi, ou taxista.

Vamos para a Rodoviária, Ela diz, cortando a conversa.

Durante o trajeto, como não encontrou resposta, o motorista de táxi ficou mais atrevido e teimou em olhar para ele pelo retrovisor com um olhar cínico e abusado.

Bem que ele disse a Ela para pegar um táxi de empresas, tipo Táxi-Rio, ou mesmo um Uber, porque os motoristas de táxi das ruas do Rio... mas Ela fez como sempre vem agindo, como lhe deu na veneta, como fez com a roupa que o veste.

Ele decidiu tentar parar de se aborrecer com o motorista de táxi, ou taxista, e recapitulou mentalmente tudo o que acontecera desde que foi acordado pelos gritos e a batida à sua porta.

Olhou a morena a seu lado. Era linda. Mas muito séria. Pensa que nunca conheceu uma mulher daquele tipo, tão decidida.

Pensa em perguntar se o carro era dela. Por que não havia nada no apartamento dela, apenas aquela mala sob o sofá? Por que tantas armas?

Mas o taxista estava mesmo querendo provocá-lo, e perguntou se a mocinha não achava melhor fazer a barba para dar um aspecto mais feminino, e emendou, enigmático, Ou saíram apressadas?

Ele falou com a voz mais grossa que pôde que era homem e que não estava gostando dos modos do taxista, que ele não tem nada a ver com a vida dos dois, e que por isso havia sugerido a Ela que pegassem um táxi pela rede, porque a praça está cheia de motoristas ladrões, milicianos e policiais perigosos.

O taxista aumentou o cinismo do olhar e disse Eu cravo triplo: sou ladrão, miliciano e policial, e mostrou a carteira de policial e o revólver no porta-luvas.

Foi seu erro.


 

3.

Na Rodoviária, ainda vestido de mulher, ele espera por Ela.

Após a ameaça velada do policial no táxi, Ela apontou a pistola para a cabeça dele e o fez deixá-lo na Rodoviária, enquanto seguiu com o táxi e o policial motorista não sabe para onde.

Pediu que a aguardasse no segundo piso, setor de embarque, perto dos banheiros.

Ele já estava ali há mais de uma hora quando começou a pensar que Ela não apareceria. Afinal, nem o nome dela sabia. Nunca a tinha visto antes.

É testemunha de um crime e pode ser de outro, caso Ela tenha executado também o policial motorista do táxi, ou taxista, como começaram a chamar agora.

Esse pensamento aumentou sua angústia. Não sabia se poderia voltar pra casa, porque podia ser que a polícia estivesse atrás dele por causa do homem que Ela matou com um tiro certeiro na testa.

O que diria aos policiais? Que foi acordado com pessoas batendo na porta de seu apartamento, pessoas que não sabe quem são e que queriam entrar de qualquer maneira, e que por isso pulou nu para a área interna, tentou se refugiar no apartamento vizinho, que sempre esteve vazio, desde que mora ali, e lá encontrou uma mulher linda, morena, cabelos castanhos escuros, mais ou menos da altura dele, 1,75 m, e que Ela atirou na testa de um dos invasores, que ele nunca vira mais gordo, nem nunca mais gostosa, linda e instigante mulher em sua vida.

Não, era melhor ficar calado, esperar mais um pouco, porque se nada tem sentido, pois se parece mais um pesadelo, Ela tem que aparecer ou o pesadelo termina e ele acorda.

Decidiu ficar quieto, tentando chamar atenção o mínimo possível, embora fosse um pouco difícil, vestido como estava, embora uma Rodoviária seja um espetáculo de tipos exóticos.

Olhou adiante, lá mais perto do banheiro, onde Ela pediu que ele ficasse, e resolveu ir para lá. Será que Ela não está em outro local apenas aguardando que ele vá ao ponto de encontro para aparecer?

Não foi para lá logo que chegou porque ficaria muito exposto. Muita gente vai ao banheiro, ele ficaria bem na passagem.

Resolveu sentar-se ao lado de um casal de jovens. Ela, uma morena novinha, de uns 18 anos, mais ou menos, Ele, mais velho, 25, 26 anos, muito magro e cabeludo.

Ele com uma mochila pequena e Ela com uma mala enorme, como costumam usar as mulheres.

Mas, ao sentar-se ao lado deles, que nem perceberam sua presença exótica, o casal se levantou e saiu, Vamos descer que está na hora de pegar o ônibus, a menina disse.

Ficou de costas para o banheiro e de frente para os que se dirigiam para lá, e tratou de abaixar a cabeça e procurar a posição mais neutra possível, que não denunciasse seu estranho figurino.

Alguma coisa incomodava seu pé direito. Olhou e viu um daqueles plásticos de lacre ainda presos na sandália nova e se abaixou para retirá-lo, quando percebeu, bem debaixo de sua cadeira, o que parecia ser um baseado de bom tamanho, maior que um cigarro comum.

Olhou para um lado e outro, ninguém estava olhando, e tratou de pegar o baseado o mais rápido possível. Pensou, que sorte, imagina se a polícia passa por ali e o vê vestido de mulher com um baseado sob o banco... “Cantor e compositor famoso na década passada aparece na Rodoviária vestido de mulher com um baseado debaixo do banco”.

Ficou com o baseado na mão. Resolveu colocá-lo num bolso que descobriu no vestido.

Mas havia algo no bolso. Era a carteira de identidade dela. Só que Ela estava com os cabelos bem curtinhos e pretos, não castanhos e compridos como hoje.

Havia também umas notas, uma quantidade razoável de dinheiro em notas de grande valor e novas, que Ela devia ter esquecido ali, ou deixado de propósito.

Sorri com a informação do nome dela, embora saiba que vai esquecê-lo logo, pois é terrível para lembrar nomes e rostos.

Era um nome agradável, e agora ele tinha como pensar nela com um nome e outro cabelo, outra cor de cabelo. Já era mais alguma coisa.

Porque já sabia que atira bem, tem um cheiro fresco e floral, de um perfume que ele ainda não havia sentido igual e que achou excitante.

Mas Ela não aparecia.

Meia hora depois de estar sentado ali começou a achar que Ela não iria aparecer e decidiu então relaxar. Resolveu aproveitar o dinheiro para ir até o banheiro e fumar um pouco do baseado para dar uma relaxada.

Não fumava desde a noite, quando chegara em casa meio bêbado e triste com a solidão do apartamento vazio e fumara um baseado. Ficou uma ponta, que ele não pôde pegar na fuga.

Agora resolve dar pelo menos uns tapas na presença deixada pelo casalzinho abençoado, que deus os proteja e façam boa viagem, ele pensa.

Paga ao homem que toma conta do banheiro e que estranhamente nem o olhou diferente vestido de mulher. Pensa que aquele homem dever ver vários tipos exóticos o dia todo, ele seria apenas mais um, embora com um vestidinho curto e florido.

Mas, antes de entrar no banheiro se lembra de que não tem fogo para acender o baseado e seria atrevimento pedi-lo ao porteiro. Vai ao bar perto e pede fósforos. É obrigado a comprar um isqueiro.

Finalmente dentro do banheiro grande da Rodoviária, ele se dirige ao fundo do corredor.

Não pensa em entrar em um dos boxes, como se fosse cagar, prefere usar o velho truque dos mágicos, fazer às claras o que não quer que ninguém perceba.

Acende o baseado e o gosto é bom, o cheiro ótimo. Dá uma tragada profunda, segura a fumaça nos pulmões por um bom tempo e depois a exala pelo basculante.

Uau! O fumo é forte e parece que misturado com haxixe, o que o está deixando bem doidão. Está com a mão esquerda apoiada na parede e com a direita finge estar segurando o pau para mijar, mas segura na verdade o baseado.

Percebe que seu truque está certo quando o porteiro entra reclamando de quem está fumando maconha aí, porra. E começa a bater em cada um dos boxes fechados.

Abre aí!, ele diz num boxe trancado. O home diz Eu tô cagando. Você tá é fumando maconha. Vou chamar a polícia.

Ao ouvir a palavrinha mágica, polícia, ele percebe que é hora de parar com a brincadeira, apaga o baseado e o coloca no bolso do vestido.

Começa a sair do banheiro, quando percebe que está completamente doidão, com distorções visuais e sonoras.

Lembra-se do casalzinho e pensa que a molecada de hoje está pegando forte.

Anda como se estivesse flutuando, e começa a rir ao ouvir o homem gritar eu tô cagando porra!, e ri mais alto, mais alto, e sai.

Lá fora não vê ninguém, quer dizer, vê muita gente, mas não quem procurava encontrar, Ela. Há apenas, sentada no lugar onde estivera antes, uma mulher, com um lenço colorido na cabeça e cercada por sacolas de compras, com uns óculos escuros imensos no rosto, uma calça jeans, tênis e um casaco sobre o ombro, num dia de calor...

Só ao chegar mais perto percebe que é Ela, como é o nome mesmo? Esquecera. Lá está Ela e ele se sente mais próximo a Ela, mais íntimo, ao descobrir seu nome.

Oi, (mostra a carteira, lê o nome), fiquei pensando que você não viria.

Fica sabendo que aquele não era o nome dela, mas de uma irmã gêmea que tem. Mas Ela não se aprofunda no assunto, nem diz seu nome verdadeiro, e volta a ser Ela mesma, quando dá a ordem Vamos rápido porque estamos atrasados.

Ele não acreditou na história da irmã gêmea e não entendeu bem porque Ela estava escondendo o nome dele. Mas, logo, pensou: e se Ela tiver uma irmã gêmea mesmo? E parou de ficar pensando em besteira.

Mas, antes, mostra uma sacola plástica grande. Vista essas roupas, comprei pra você num brechó aqui.

Ele pensa em voltar ao banheiro, mas não acha boa ideia, está chapadão, e veste a calça no corredor mesmo, tira o vestido, coloca a camisa jeans de manga comprida, tem até um tênis.

Sacode o vestido e a sandália na sacola, mas, antes, retira o baseado e o isqueiro e os coloca no bolso da camisa.

Sente um desconforto no bolso de trás da calça, quando se senta para calçar o tênis. Verifica o que é: uma carteira, com cartões de crédito, identidade.

Alguém esqueceu de tirar no brechó, ele diz. Ela diz a ele para jogar a carteira no cesto de lixo que há por perto, como se fosse a coisa mais natural a fazer. Sem nenhum comentário, preocupada em retirar as passagens da bolsa e falar vamos ou perdemos o ônibus.

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