Em vez de tirar Bolsonaro da presidência CPI quer bani-lo das redes sociais

Aproveitando a enésima ilegalidade de Bolsonaro nas redes sociais, quando associou vacinação à contaminação com o vírus da Aids, a CPi da Pandemia solicitou que ele seja banido das redes sociais.
 
Querem Bolsonaro fora do Twitter e do Facebook, quando o maior estrago que ele faz ao país é na presidência da República.
 
É como aquela história do marido traído que flagra a mulher com outro no sofá e manda trocar o sofá. Tirar Bolsonaro das redes sociais não vai impedi-lo de continuar disseminando suas mentiras, pois para isso existem a mídia declaratória e as redes amigas, como Record, CNN e agora a JP News.
 
Bolsonaro deveria ser afastado da presidência, e isso para ontem. 
 
Mas, como "as instituições estão funcionando", ele vai ser advertido com novo Ai, ai, ai, ou mesmo com a voz carrancuda do Xandão anunciando a nova versão do "ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro",  que é "que os crimes eleitorais de 2018 não se repitam em 2022, senão"...
 
E é mais um gol da Alemanha...





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TSE se acovarda e não cassa chapa Bolsonaro-Mourão, embora reconheça gravidade dos crimes

O TSE decidiu hoje pela não cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, eleita com o uso de centenas de milhões de mensagens falsas disparadas pelo WhatsApp, pagas por empresários amigos, o que é duplamente ilegal.
 
Eu iria fazer uma postagem maior explicando o absurdo da decisão, mas o ministro Alexandre de Moraes (o famoso Xandão) veio em meu socorro e resumiu tudo o que eu iria dizer em poucos segundo. Confira. Em seguida finalizo.
 
 
Se quem cometer em 2022 o que foi cometido em 2018 terá o registro cassado e será preso, é porque o crime é grave e merece essas punições. A pergunta clara é: e por que então não foram punidos os criminosos Bolsonaro-Mourão com as penas de 2022, cassação da chapa e prisão? 
 
Resposta: Porque o TSE se acovardou com medo da pressão das redes bolsonaristas. E, pergunto, se se acovardou agora, por que não o fará em 2022, caso a chapa Bolsonaro repita os crimes? Ou a valentia vale apenas contra o PT e qualquer sombra de irregularidade poderá levar à anulação da chapa de Lula? Aliás, não será esse o motivo da bravata?




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Recomeça julgamento de Assange hoje no Reino Unido


Recomeça hoje o julgamento do pedido de extradição de Julian Assange aos Estados Unidos. Se for extraditado, Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão e apodrecer numa prisão de segurança máxima dos EUA por ter revelado ao mundo os crimes de guerra cometidos por aquele país e aliados.
 
O julgamento de hoje vai tratar da apelação dos Estados Unidos contra a sentença da Juíza Vanessa Baraitser que determinou a não extradição do líder do Wikileaks.
 
A promotoria dos EUA alega que o médico que deu o laudo de que Assange poderia muito provavelmente se suicidar na prisão omitiu o fato de Assange ser pai de dois filhos de sua noiva Stella Moris.
 
Em favor de Assange há dois fatos novos, surgidos depois do julgamento da juíza Vanessa Baraitser em janeiro deste ano: a informação da principal testemunha apresentada pelos Estados Unidos de que seu depoimento era falso e foi forçado pelo FBI (como as delações premiadas da Lava Jato aqui no Brasil). O outro, a informação publicada em setembro no Yahoo de que a CIA teria realizado planejamento para sequestrar e até assassinar Assange.
 
A testemunha dos EUA é o islandês Sigurdur Thordarson, que declarou que mentiu em seu depoimento, pressionado e acobertado pelo FBI. Ele  está preso agora em seu país, Islândia. É "um hacker pedófilo condenado por abusar sexualmente de nove crianças, tendo sido absolvido de cinco outros casos por falta de provas". Ponto importantíssimo em favor de Assange, já que Thordarson foi a única testemunha contra Assange.
 
Outro ponto em favor de Assange foi a reportagem de Zach Dorfman, Sean D. Naylor e Michael Isikoff publicada no Yahoo News que revelou que a CIA tinha planos e estudos para sequestrar e até assassinar o líder do WikiLeaks.
 
O ano foi 2017, quando Assange já estava havia cinco anos asilado na embaixada do Equador e ilegalmente era espionado por câmeras e captadores de áudio infiltrados pelo governo dos Estados Unidos.
 
A ideia do sequestro e até do assassinato surgiu em função de novos pacotes de dados revelados pelo WikiLeaks, que atingiam o coração de operações de hackers da CIA, conhecidas coletivamente como "Vault 7".
 
A reportagem publicada no Yahoo é extensa e vale a conferida [em inglês]. Mas, de prático, o que se vê é que os Estados Unidos acabaram por optar usar contra Assange o mesmo que fizeram com Lula e o PT no Brasil: ação judicial. Sequestro e assassinato jurídico. 
 
Com os novos fatos, a liberdade de Assange deveria ser o resultado final do julgamento que recomeça hoje. Mas, aí, muito provavelmente os Estados Unidos vão apelar à Suprema Corte britânica e o calvário de Julian Assange vai prosseguir, pois nem permitir que ele responda em liberdade permitem.
 
Como já escrevi aqui, na prática Assange está sequestrado pelo governo dos EUA na prisão do Reino Unido em que se encontra, numa solitária e quase incomunicável. Para que sirva de lição aos jornalistas de todo o mundo de que não se pode divulgar crimes dos Estados Unidos.
 
Por isso é fundamental que todos lutemos pela liberdade imediata de Assange e sua não extradição aos Estados Unidos.
 
#FreeAssange





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Bolsonaro se ajoelha e entrega governo ao Centrão para não sofrer impeachment


Da jornalista Helena Chagas, nos Divergentes.
Quando o rabo abana o cachorro
 
Não é preciso mais do que uma conta tosca de padaria para desmontar a narrativa do governo de que o teto de gastos foi furado para beneficiar os pobres com um aumento maior do sucedâneo do Bolsa Família, o Auxílio Brasil. Não é verdade. Os pouco mais de R$ 30 bilhões da ampliação do auxílio poderiam, por exemplo, sair dos recursos destinados às emendas parlamentares – só este ano, foram R$ 37 bilhões, sendo R$ 16 bi sob o duvidoso mecanismo das emendas de relator.

Mas Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, que agora parece ter se juntado de corpo e alma à equipe  eleitoral do chefe, precisam dessa versão para não expor o que já está óbvio: sua escravidão total ao Centrão, inclusive e sobretudo na condução da política econômica. Alem de manter intactos seus recursos para emendas, os parlamentares governistas ainda terão muito mais, pois o espaço aberto no Orçamento com as gambiarras feitas vai ultrapassar os R$ 80 bilhões, turbinando emendas e obras em redutos eleitorais.

Será uma festa para a turma do Centrão. Daqui para frente, tudo será permitido para ganhar votos no ano que vem, mas não só isso.

Acima de tudo, o Planalto tenta esconder o fato de que, no estica-e-puxa que arrebentou o teto, que prevê um semi-calote nos precatórios e que quer fazer o país engolir uma reforma do Imposto de Renda considerada ruim por dez entre dez tributaristas, está a redução do presidente da República e de seu ex-czar da Economia à sua mínima expressão. Bolsonaro e Guedes são hoje pigmeus na terra de gigantes do Centrão.

O processo que vinha se desenvolvendo desde o acordo com esse grupo parlamentar que livrou Bolsonaro do impeachment, chefiado por Arthur Lira e Ciro Nogueira, acaba de se completar. O Executivo, que muitas vezes, em governos passados, cortou emendas parlamentares para tapar buracos mais importantes do orçamento, e manejou suas verbas para governar – como lhe garante a Constituição – perdeu a prerrogativa fundamental de comandar a execução orçamentária.

É simples assim: governo que não comanda a execução do orçamento – que vem aprovado do Congresso – não governa. É uma inversão no sistema presidencialista, uma mudança institucional provocada pela fraqueza política de um presidente da República que não tem liderança, projeto nem competência para administrar o país. No popular, é mais ou menos como se o cachorro deixasse de abanar o rabo e o rabo passasse a abanar o cachorro.





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Auxílio de R$400 de Bolsonaro fulmina Terceira Via e bota esquerda numa sinuca de bico


Por que o auxílio emergencial de R$400 do governo fulmina a Terceira Via eu já comentei aqui ontem. Se ele já está disparado na frente dos terceiraviistas, com o aumento de sua aprovação popular com o auxílio a Terceira Via é enterrada de vez, morre sem desabrochar.
 
Mas não é só o pessoal da Terceira Via que é atingido pelo auxílio. A esquerda também fica numa sinuca de bico.
 
Embora tenha sido a esquerda quem defendeu o auxílio ao longo do tempo, e, frise-se, contra o desejo de Bolsonaro e Guedes (que odeiam pobre e agora só se curvam porque a reeleição está indo para o beleléu), o auxílio agora coloca dois cenários à sua frente.
 
Não pode ser contra o auxílio, porque sempre o defendeu. Só resta reclamar que é pouco e voltar a clamar pelos R$600.
 
De uma forma ou de outra, quem fatura é Bolsonaro. Se muito com R$400, imagine com R$600. Imagine ainda se o auxílio for estendido a mais gente, como no ano passado.
 
Tudo isso vai ser ótimo para Bolsonaro. Ainda mais se o auxílio for pra mais gente e com valor maior. Isso aumenta seu poder de voto. Com dois gols a mais: Se perder a eleição (o que deve acontecer mesmo com o auxílio, mas a eleição de Lula fica mais difícil), o problema do rombo do teto vai explodir no colo de Lula, presidente a partir de 2023.
 
Se o pior acontecer e Bolsonaro, apesar de todos os seus crimes, for reeleito, ele vai à TV e diz que o país está ingovernável com o rombo causado pela "esquerda irresponsável" (que defendeu o auxílio) e que a única saída para o Brasil é privatizar tudo, a começar pela Caixa, Banco do Brasil e Petrobras. 
 
Essa a sinuca de bico.





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Bye bye Terceira Via. Mercado libera R$30 bi fora do teto pra Bolsonaro buscar reeleição

Um dia após a CPI da COVID indiciar o presidente em vários crimes, o ministro Paulo Guedes (leia-se o Mercado) dá a Bolsonaro "licença para gastar R$ 30 bilhões fora do teto".
 
Com isso, o genocida responsável pela morte de centenas de milhares de brasileiros poderá levar adiante o auxílio emergencial e seu programa em substituição ao Bolsa Família, com o objetivo de aumentar sua popularidade, em especial nas regiões mais pobres do país, que hoje o reprovam e lhe negam voto.
 
E pensar que Dilma foi impichada por uma pedalada fiscal e agora Bolsonaro é inflado e irrigado pelo Mercado com R$30 bi para salvar sua candidatura, num estouro ilegal do teto de gastos. 
 
É o fim da Terceira Via, que o pragmático Mercado acaba de matar antes mesmo de ter florescido.
 
Inútil o esforço de Ciro e a briga Dória X Leite pela indicação tucana. Datena pode voltar para a TV. Moro, para o país pelo qual trocou o Brasil. O Mercado escolheu Bolsonaro para enfrentar Lula. E marcha (ao lados dos militares) com ele em busca da reeleição, quando poderão enfim privatizar Caixa, BB e Petrobras e acabar de vez com o que resta do país.
 
Nossa única esperança é Lula. 
 
Vamos ver agora o que o Judiciário vai aprontar contra ele.





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Bilionários vão para o céu?


O jornalista Eugênio Bucci, no Estadão, narra a subida aos céus dos bilionários do planeta. 
Os bilionários vão para o céu 

O americano Jeff Bezos tem 57 anos, US$ 193 bilhões e uns trocados (como o jornal Washington Post). Fundador e proprietário da Amazon, criou uma outra empresa – isso lá atrás, em 2000 –, à qual vem se dedicando cada vez mais. Essa empresa, chamada Blue Origin, é um empreendimento sideral. Seu objetivo é vender viagens turísticas ao espaço e, ao mesmo tempo, “colonizar” o Sistema Solar. Bezos planeja levar pessoas para a Lua em 2024, num veículo que ainda não foi construído, mas já foi batizado: Blue Moon.

Não se sabe se haverá fundo musical durante o pouso.

Nesse projeto nada acanhado, o verbo “colonizar” chama a atenção. Os anéis de Saturno serão “colonizados”. Em seu site, a Blue Origin afirma que, para proteger seu torrão natal, “a humanidade terá de expandir, explorar, encontrar novas energias e recursos materiais e mover as indústrias que estressam a Terra para o espaço”. Bezos fala em transferir “atividades de produção” para os corpos celestes à nossa volta. Em sua imaginação de futuro, talvez o nosso velho planetinha será um Jardim do Éden preservado, habitado por humanos ricos, cercado de sujeira industrial por todos os lados. Enquanto isso não se materializa, a empresa vai faturando com passeios a preços suportáveis para a massa ir virar cambalhotas longe da gravidade. A Disneylândia do amanhã fica a meio caminho entre os Estados Unidos e a Lua.

A publicidade, pelo menos ela, já começou. Na semana passada, no dia 13 (esse número de que os astronautas da Nasa não gostam nem um pouco), a Blue Origin carregou para além da estratosfera o ator William Shatner, de 90 anos de idade. O improvável leitor talvez não ligue o nome à pessoa, mas, décadas atrás, Shatner fez sucesso no uniforme de Capitão Kirk, o protagonista de uma série de televisão chamada Jornada nas Estrelas.

Agora, em 2021, ao subir a bordo de um foguete de Bezos, o ator atraiu a cobertura deslumbrada da imprensa mundial, que hoje é química e financeiramente dependente de celebridades. Envergando um macacão azul da Blue Origin, o exkirk apareceu em telejornais de todos os continentes terráqueos, num golpe de marketing cósmico como nunca se viu, ao menos desde o Big Bang.

Como este ramo de negócios é promissor – o céu é o limite –, outros dois bilionários disputam espaço, quer dizer, disputam o espaço com o ego amazônico de Jeff Bezos: Richard Branson, da Virgin Galactic, e Elon Musk, CEO da Tesla e criador da Spacex. São três, portanto, os endinheirados na briga interestelar, com seus telescópios apontados para um mercado que, na próxima década, deve chegar a US$ 1,4 trilhão.

Todos eles, e vários outros atrás deles, darão um jeito de ir para o céu. Vivos ou mortos. Não nos espantemos se, em breve, uma dessas empresas lançar uma funerária cosmonáutica para despachar cadáveres ilustres, devidamente congelados, rumo a fronteiras nunca dantes trespassadas. Lá irão o defunto, suas memórias digitalizadas e uma pontinha de esperança de que, em outras dobraduras do espaço-tempo, surja um anjo alienígena capaz de operar ressurreições.

No Egito antigo, os faraós erguiam pirâmides dentro das quais seus corpos dormiriam até que seres do além viessem resgatá-los. Agora, sarcófagos nucleares partirão daqui em busca dos deuses que nunca se dignaram a visitar os nossos cemitérios. Os faraós queriam que os céus descessem ao deserto. Os bilionários, batalhadores que são, não ficarão na expectativa – subirão eles mesmos aos céus.

Mas nem tudo é funéreo nesta vertiginosa vertente economia mais-que-global. Há muito mais do que féretros interestelares nas estratégias destes senhores. A nova ocupação capitalista do espaço – esta, sim, a nova fronteira – também se abre em cenários menos funestos. Ninguém precisa ser adivinho para perceber que se aproxima a chegada das estações orbitais particulares. A especulação imobiliária vai entrar em órbita. Os bilionários, estes que vestem paletós que valem o preço de um automóvel e pilotam automóveis que custam mais do que um avião, terão casas de fim de semana muito acima do andar de cima. A estética da coisa será meio Las Vegas. Os abastados passarão temporadas tomando banho de neutrinos, lendo mensagens pornográficas em telas holográficas e namorando seres sintéticos. Haverá vinhos, caríssimos, que só alcançarão o estado da arte quando conservados em câmaras de gravidade zero. Haverá cosméticos que só farão efeito quando aplicados em corpos que flutuam. A distância entre ricos e pobres terá aumentado ainda mais e uns e outros não mais se olharão, quando por acaso se cruzarem, como pertencentes à mesma espécie. Isso tudo na parte boa da história.

Ao que você pergunta: mas serão os bilionários astronautas? Ora, ora, sem a menor dúvida. Bezos e seus competidores, que hoje parecem aqueles moguls que a gente só via em filmes de James Bond, serão os senhores do céu azul. Em tempo: o céu só é azul para quem olha para ele aqui, da Terra; quando visto lá de cima, o céu é escuro, só a Terra é que fica azul. E pálida. Pálida origem.






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Bolsonaro faria tudo igualzinho numa outra pandemia, e ainda há quem apoie o criminoso


São mais de 600 mil vidas perdidas na contagem oficial, porque com a incompetência do governo e o apoio de médicos negacionistas e ainda as mortes maquiadas (como na Prevent), quantos milhares morreram a mais sem notificação?  
 
No entanto, para o criminoso Jair Bolsonaro   e para os fanáticos e/ou canalhas que ainda o apoiam   nenhuma das mortes foi por culpa dele.
“Sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento", declarou o presidente em resposta aos indiciamento da CPI. [Fonte: Fórum]
Ou seja, se surgir uma nova variante ou um novo coronavírus que tornem inúteis todas as atuais vacinas, Bolsonaro vai aplicar nos brasileiros o mesmo"tratamento" que nos levou a ao menos 600 mil mortes: menosprezo, zombaria, crítica ao distanciamento, às máscaras e às vacinas. E hidroxicloroquina, Ivermectina, ozônio retal.
 
Por isso, não basta o indiciamento feito pela CPI da Covid. Ele tem que ser julgado, condenado e preso, o quanto antes possível. Até afastado do cargo, como medida preventiva. Porque suas digitais frias e criminosas estão impressas de forma indelével em cada vítima. 
 
Não é possível mais conviver (aliás, como permitimos tudo isso? o futuro nos cobrará) com um homem que não foi capaz de uma palavra ao menos de consolo às famílias de vítimas. Pelo contrário chegou a simular um homem morrendo sufocado por falta de oxigênio, de forma zombeteira.
 
Com o relatório da CPI nas mãos é hora de partir para cima do presidente da Câmara Arthur Lira com exigência de que ponha em votação o impeachment do criminoso (é o que aponta a CPI) Jair Messias Bolsonaro.





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'Aceitamos a desigualdade social entre nós com a mesma naturalidade com que nossos antepassados conviviam com a escravidão' - Dr.Drauzio


Contundente artigo do Dr. Drauzio Varella, na Folha.
Aumento da pobreza e da fome produz alto número de moradores de rua

Aos domingos pela manhã, costumo correr pelas ruas centrais de São Paulo. Com a cidade vazia àquela hora, o trajeto é sempre o mesmo: sigo pela Maria Antônia, Consolação, praça da República, Barão de Itapetininga, Viaduto do Chá, rua Direita e praça da Sé.

Quem vê a praça da Sé de hoje, marco zero da cidade, não acredita que por ali circulavam homens de terno e gravata e mulheres com vestido e bolsa. Às 7h da manhã, a praça é um formigueiro de homens e até mulheres e crianças. Alguns dispõem do conforto de barracas do tipo iglu que garantem a eles um mínimo de proteção e privacidade, outros não têm alternativa senão acomodar-se em colchões de espuma esburacados e encardidos que alguém jogou fora ou em pedaços de papelão que um dia foram caixas. Enquanto começa a movimentação dos madrugadores, os notívagos dormem a sono solto empacotados em cobertores ordinários.

Como o hábito de passar por ali no mesmo horário é antigo, acompanho há anos o crescimento do número de moradores da praça. Posso lhes garantir, sem medo de exagerar, que pelo menos quadruplicou nos últimos dois ou três anos. Anos atrás, só havia homens, boa parte dos quais dependentes de álcool, crack ou com transtornos psiquiátricos; agora, são famílias inteiras.

Há uma semana, o jornalista Fernando Canzian comentou, nesta Folha, uma pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, a Rede Penssar. Tomo a liberdade de ressaltar os seguintes dados citados no texto: “Quase 20 milhões de brasileiros, um Chile, declaram passar 24 horas ou mais sem ter o que comer, em alguns dias. Mais 24,5 milhões não têm certeza de como se alimentarão no dia a dia, e já reduziram a quantidade e a qualidade do que comem. Outros 74 milhões vivem com medo de passar por essa situação”.

Não é preciso pós-graduação em matemática para concluir que 112 milhões, pouco mais da metade dos brasileiros, vive em estado de insegurança alimentar —leve, moderada ou grave. Nesse contingente, de 2014 para cá, o rendimento real per capita proveniente do trabalho caiu cerca de 30%.

No século passado, quando as secas assolavam o Nordeste, o povo do interior resistia à fome até bater o desespero, juntar a família e meia dúzia de pertences e sair pelas estradas poeirentas para buscar auxilio no povoado mais próximo. Os velhos e as crianças eram os que mais penavam, muitos ficavam pelo caminho ao lado de uma cruz de madeira.

Os bem aventurados que conseguiam chegar a São Paulo construíam barracos com teto de zinco, na periferia inchada e despreparada para recebê-los.

No internato e na residência médica no Hospital das Clínicas, meus colegas e eu recebíamos crianças desidratadas que vinham com diarreia e vômitos, resultantes da miséria, da falta de higiene e de saneamento básico.

Nos plantões do pronto socorro de pediatria fazia parte da rotina perdermos dois ou três pacientes, num turno de 12 horas. Na enfermaria, tínhamos uma ala para desnutridos, crianças magrinhas, com as costelas à mostra, que eram internadas para tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. Em contraste com elas, os desnutridos farináceos, alimentados à base de farinha, gordinhos, com os cabelos ralos e descorados como os das espigas de milho.

Essa realidade parecia ter ficado 50 anos atrás, nenhum de nós imaginava revivê-la. Ninguém esperava ver a fome assolar as cidades mais ricas do país, em pleno século 21.

Aceitamos a desigualdade social entre nós com a mesma naturalidade com que nossos antepassados conviviam com a escravidão. Eles, também, achavam que o mundo era cruel e que a economia não teria como sobreviver sem a mão de obra escrava. Envergonhada de “tanto horror perante os céus”, um dia a sociedade decretou o fim da escravidão e liberou os negros para irem atrás da sobrevivência por conta própria.

Acabar com a desigualdade brasileira por decreto não será possível, mas com a fome, sim. Um país que deixa 20 milhões de cidadãos passarem um dia inteiro sem ter o que comer não pode ser considerado civilizado.

Não é possível ver uma sociedade no estágio de desenvolvimento que atingimos de braços cruzados diante dessa infâmia, à espera inútil de que governantes incompetentes como os nossos encontrem solução para uma tragédia dessas dimensões.






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'Bolsonaro e genocida viraram palavras grudadas, pão e manteiga'

Ótimo artigo do escritor Sérgio Rodrigues, na Folha.
Por que Bolsonaro é genocida

É curioso o debate sobre adequação vocabular da semana, com impacto direto no saldo da CPI da Covid e, imagina-se, no futuro do governo: está certo chamar Jair Bolsonaro de genocida?

À primeira vista, trata-se de um daqueles cismas vocabulares de fundo político-ideológico que, volta e meia, dividem a esfera pública em dois times inconciliáveis. Em 1964, houve golpe ou movimento? Em 2016, impeachment ou golpe?

Nesses casos, a tomada de posição costuma organizar toda uma visão de mundo, com sua justificação moral e suas estratégias de ataque e defesa.

O debate sobre o Bolsonaro genocida é um pouco diferente. Apenas apoiadores de crachá, muitos na folha de pagamento do governo, diriam que o presidente não pode ser chamado de genocida porque é um grande defensor da vida.

Nesse caso, só rindo. Mas faz tempo que bolsonaristas andam sem crédito para participar de conversas sérias.

Em geral, mesmo quem defende a impropriedade de aplicar a palavra genocida a Bolsonaro reconhece que sua conduta na pandemia produziu montanhas de cadáveres.

O que se busca então –por razões mais ou menos confessáveis, ligadas ao xadrez político que se joga de olho em 2022– é só uma atenuante para crimes incontestáveis.

O editorial do Globo de terça (19), sob o título “É um abuso acusar Bolsonaro de genocídio”, abusa até da lógica interna ao citar os crimes cometidos pelo governo contra os indígenas e acrescentar que “nenhum deles foi cometido especificamente contra os indígenas”.

Isso logo após reconhecer que, nas comunidades indígenas, “a omissão criminosa do governo (...) foi responsável por centenas de mortes, resultantes da falta de vacinas, da insistência em tratamentos ineficazes, da resistência a combater as invasões e o desmatamento que introduziram o vírus em suas comunidades”.

Argumentação ruim à parte, o que está declaradamente em debate é uma questão de sintonia fina, coisa de razoável sofisticação semântica, alimentada por discussões jurídicas cascudas.

Que perfil étnico-social precisam ter as vítimas de um assassinato em massa para que se caracterize genocídio? Matar aleatoriamente pode? O número de cadáveres –gigantesco, muito grande ou apenas grande– faz diferença? A partir de que número o alarme dispara? Qual é a jurisprudência internacional?

Deixo essas questões para quem entende delas. Me limito a apontar uma dimensão, a meu ver bastante relevante, em que tudo isso soa a pura desconversa. Estou falando da linguagem comum.

A linguagem comum merece todo o respeito, nem que seja só por ser aquela que as pessoas de fato falam –em outras palavras, a régua e o compasso que milhões usam para mapear o mundo.

Fascinados por seus sentidos restritos, manipulados em laboratório, nem sempre os especialistas se dão conta disto: é na linguagem comum que a vida pulsa, palavras prosperam ou definham, sentidos se reinventam.

Nesse âmbito, já era –Bolsonaro é genocida, ponto. A acepção de genocídio como assassinato em massa, sem mais qualificações, parece ter amadurecido junto com a consciência de que nunca, nem de longe, houve um brasileiro que carregasse tantas mortes nas costas.

Bolsonaro e genocida viraram palavras grudadas, pão e manteiga. Ah, o sentido é juridicamente controverso? E daí? Depois de uma vida vendo chefes de quadrilha serem chamados de próceres da República, o povo aprende a ser flexível com as palavras.




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'O bolsonarismo tenta retirar de Lula a capa de político 'paz e amor' para cobrir com ela o psicopata Bolsonaro'


Artigo do jornalista Juan Arias, no El País.
A invenção do “Bolsonaro paz e amor” é uma zombaria grotesca à inteligência

Só um cínico pode acreditar que a confissão feita dias atrás pelo presidente Bolsonaro, de que “chora sozinho no banheiro” para que sua mulher não o veja, pode enganar os ingênuos, como se de repente o machista e homofóbico tivesse se transformado no personagem “paz e amor” da direita fascista.

Às vésperas de a CPI da Covid acusar o capitão reformado de uma dezena de crimes graves, o bolsonarismo tenta retirar de Lula a capa de político “paz e amor” para cobrir com ela o psicopata Bolsonaro, cuja essência é a violência, o ódio, a morte e a mentira. É algo que parece grotesco e se revela uma tentativa de amansar a fera para que não perca as eleições.

É algo que interessa não apenas ao mundo do dinheiro, que ainda continua acreditando ingenuamente na vocação liberal conservadora do capitão, que acaba de anunciar que pensa em privatizar a Petrobras. Trata-se, na verdade, de um disfarce para atrair o capitalismo raiz. O Bolsonaro real, com seu histórico de 30 anos de obscuro deputado do baixo clero, é o que só aparecia em cena para exalar suas grosserias de cunho sexista ou de instintos de morte e violência ou suas obsessões de defesa e fascinação pela tortura e as ditaduras.

Bolsonaro é tudo menos o cordeirinho paz e amor, já que evoca, mais propriamente, a dura passagem evangélica do lobo disfarçado com pele de ovelha. Acredito, por isso, na ingenuidade das formações políticas que estão usando Bolsonaro e seu poder para tirar dele o maior proveito possível e evitar a volta de Lula. A nova tática de rebatizá-lo com a nova versão do político paz e amor para que não perca as eleições e, ao mesmo tempo, desarmá-lo de seus instintos golpistas.

O que esses políticos querem é um Bolsonaro domesticado, de quem possam usar e abusar em seus projetos de permanência no poder. Só assim se explica que o Congresso tenha se negado a analisar os 120 pedidos de impeachment que dormem sonhos tranquilos.

As forças mais conservadoras das instituições, por mais estranho que possa parecer, preferem, contra 70% dos brasileiros, o Bolsonaro fascista e incapaz de governar a uma solução democrática e moderna, capaz de colocar o Brasil no lugar que lhe pertence no mundo e que o bolsonarismo desbaratou.

O sonho de que Bolsonaro tenha de repente se convertido aos valores da democracia – porque há mais de um mês que não ameaça com um golpe de Estado, poque já não ameaça fechar o Supremo e prender os magistrados, ou ainda fechar os meios de comunicação, significando que ele tenha tido uma revelação divina que o fez cair do cavalo, como Paulo a caminho de Damasco – é de uma ingenuidade que beira imbecilidade.

Hoje, nem os mais pobres, e menos ainda a nova massa de famintos, são capazes de acreditar no Bolsonaro convertido à paz e à concórdia, e que tenha dominado de repente seus instintos violentos e destruidores. Assim revelou profeticamente uma mulher simples do campo que, dia 12 passado, festa de Nossa Senhora da Aparecida, ao ver o presidente entrar no Santuário da Virgem para participar da cerimônia litúrgica, lançou um grito espontâneo: “Não, você aqui, não.”

Aquele santuário era um lugar de paz e amor, onde a diminuta estátua de Maria, negra, na qual milhões de pobres e marginalizados depositam suas esperanças, revela, como bem disse o arcebispo, que “o Brasil amado não é o Brasil armado.”

Talvez a mulher que considerava um sacrilégio ver entrar naquele lugar de paz e de encontro o político que encarna os piores instintos de morte fosse uma das 600.000 famílias que tiveram que sofrer a perda de um familiar na pandemia, da qual zombou o presidente, e cuja dor pelas vítimas nunca arrancaria dele uma lágrima de compaixão e dor. Por que chorará agora escondido no banheiro? Até agora ele se apressou em dizer, para não decepcionar seus seguidores mais aguerridos, que não tentou deixar de ser um machão. Apenas também sabe chorar, ainda que sejam lágrimas de crocodilo.

Quem então se interessa em espalhar a ideia de que o amigo e admirador de torturadores e golpistas esteja se transformando no novo pacificador do país?

Tudo por medo de que seja eleito alguém que acredita de verdade nos valores da democracia?

De qualquer modo, ter começado a lançar a ideia da repentina conversão de Bolsonaro, que teria trocado suas ameaças golpistas pelas lágrimas de arrependimento, mesmo que sejam no segredo do banheiro, parece mais um teatro do absurdo ou uma fantasia carnavalesca. A realidade, nua e crua, é que a cruel psicologia de morte e de ausência de compaixão e empatia diante da dor alheia o capitão frustrado levará consigo ao túmulo.

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Ao contribuir para o morticínio na pandemia, o Exército escreveu algumas das piores páginas de sua história


Do jornalista Bernardo Mello Franco, no Globo.
Todos os crimes do presidente

A CPI da Covid deve pedir o indiciamento de Jair Bolsonaro pela prática de 11 crimes. O presidente é o protagonista do relatório que será apresentado na terça-feira. Ele será apontado como responsável pelo agravamento da pandemia que já matou mais de 600 mil brasileiros.

Bolsonaro não inventou o coronavírus, mas se aliou a ele contra a população que deveria proteger. Ajudou a espalhar a doença, sabotou as medidas sanitárias, pregou o uso de remédios ineficazes e atrasou intencionalmente a compra de vacinas.

Enquanto o capitão negava a ciência, picaretas tentavam faturar com a tragédia. Eles atuaram no Ministério da Saúde, transformado num antro de negociatas, e no setor privado, onde operadoras de saúde fraudaram até atestados de óbito.

A barbárie teve o apoio de uma rede de desinformação. O bolsonarismo usou sua máquina do ódio para torpedear o distanciamento social, o uso de máscaras e a confiança nas vacinas. O objetivo era claro: desviar a responsabilidade pelas mortes e desgastar gestores que acreditaram na ciência.

O desgoverno não é produto só de negacionismo e irresponsabilidade. O presidente acelerou a circulação do vírus para tentar alcançar a imunidade de rebanho por contágio. Ele imaginou que isso apressaria a recuperação econômica e favoreceria sua reeleição em 2022. A estratégia provocou milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.

Os crimes de Bolsonaro são muitos e serão detalhados no relatório da CPI. A lista irá da prevaricação no escândalo da Covaxin ao homicídio por omissão deliberada, passando por infrações sanitárias, uso irregular de verba pública e charlatanismo.

O relatório também apontará uma teia de cúmplices. Alguns deles ainda estão pendurados no primeiro escalão do governo, como os ministros Marcelo Queiroga e Braga Netto.

Embora a CPI tenha evitado confrontar as Forças Armadas, as investigações expuseram o resultado da militarização do Ministério da Saúde. Sob o comando de um general de divisão, a pasta maquiou dados oficiais, deixou testes apodrecerem e ofereceu cloroquina a doentes que precisavam de oxigênio.

Ao contribuir para o morticínio, o Exército escreveu algumas das piores páginas de sua história, ao lado do massacre de Canudos e dos horrores da ditadura militar.

Antes de chegar ao poder, Bolsonaro sonhava com uma guerra civil que matasse 30 mil brasileiros. A pandemia já multiplicou essa cifra por 20. Pesquisadores afirmaram à CPI que o governo poderia ter salvado cerca de 400 mil vidas. Bastava adotar políticas que o capitão insistiu em ignorar.

O presidente respondeu à tragédia com indiferença e deboche. Disse que não era coveiro, ironizou o sofrimento dos doentes e chamou de idiota quem clamava pela compra de vacinas. Em um ano e sete meses, foi incapaz de visitar um hospital para se solidarizar com as vítimas da pandemia. A perversidade não estará entre os crimes listados pela CPI, mas será lembrada por quem revisitar, no futuro, este momento sombrio do país.






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Bolsonaro é 'um delinquente em série, que se afirma na reincidência'

Da jornalista Dorrit Harazim, no Globo.
Dias atrás, o New York Times presenteou seus leitores com a história do cidadão espanhol Martín Zamora e de seu novo modelo de negócio. Proprietário de uma funerária na cidade portuária de Algeciras, de onde se avista o Marrocos, logo ali na ponta africana do Mediterrâneo, Zamora tornou-se catador e repatriador de cadáveres. Seus cadáveres são de migrantes anônimos que morrem afogados ao tentar a travessia, flutuam à deriva por semanas antes de aportar na costa espanhola e permanecem por meses no necrotério local por falta de quem os procure. Acabam enterrados em vala comum, sem identificação. Segundo a ONG Caminando Fronteras/Walking Borders, que desde 2002 atua nessa necrofronteira, 2.087desses seres humanos em busca de vida morreram ou sumiram naquelas águas.

O cidadão Zamora ampliou seu negócio funerário abrindo uma frente detetivesca. Com autorização das autoridades locais e gratidão do imã de Algeciras, ele persegue pistas ínfimas para devolver nome e identidade aos mortos. Um amarfanhado pedaço de papel encontrado em algum bolso pode conter um número de telefone quase apagado e abrir um leque de buscas; a logomarca fabril na roupa esgarçada de outro cadáver pode ser fotografada e divulgada nas redes sociais, como garrafa jogada ao mar. Quando o corpo está irreconhecível, um sapato, uma aliança, uma camiseta podem servir de fio da meada, explica o espanhol.

Com que finalidade, tudo isso? Para ele tentar localizar algum parente do morto, em algum país do além-mar, e oferecer entregar o ente perdido em domicílio, com esmero e respeito. Zamora é um benemérito? Não, cobra US$ 3.500 para embalsamar e transladar. Nos últimos anos já identificou e repatriou mais de 800 mortos.

Zamora então é vil, como os coiotes argentários que abandonam suas vítimas? Nem um pouco, seu trabalho é honrado, e as famílias que podem pagar agradecem por poder encerrar de forma digna a incerteza do luto.

Na verdade, o cidadão Zamora pode ser descrito como testemunha consciente de seu tempo. Contou a Nicholas Casey, do Times, ter “a sensação de que dentro de alguns anos — 30, 40, 50 anos, não sei quantos —as gentes do futuro olharão para nós um pouco como monstros. Vão nos ver como monstros porque saberão que deixamos as pessoas morrerem deste jeito”.

Disse tudo, e vale como reflexão para esses dias de encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Covid-19 no Senado. Não será preciso aguardar décadas para “gentes do futuro”, no Brasil, saberem que deixamos mais de 600 mil pessoas “morrerem deste jeito”. É esperado que a culpa dos principais responsáveis pela orfandade em massa nas famílias brasileiras esteja dissecada no relatório final prometido para terça-feira. As ignomínias, baixezas, pulhice e desdém para com a vida alheia estarão tipificados na forma de crimes penais e devem levar ao indiciamento de ao menos 40 pessoas, além do predador-chefe, Jair Bolsonaro.

A inação cúmplice por parte de entidades como o Conselho Federal de Medicina, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, na figura de seu diretor-presidente Paulo Rebello Filho, os Ministérios Públicos e Legislativos estaduais, vários ministérios e secretarias coniventes, a deliberada experimentação com humanos da operadora Prevent Senior, médicos e servidores públicos corrompidos — todos, em conjunto, fizeram o Brasil sangrar. A extensão do material coletado vai muito além do que pôde ser compartilhado ao longo das arrastadas sessões do horror praticado, transmitidas ao vivo. Espera-se que o texto do relatório final seja cirúrgico, claro e sem rebusques verbais de indignação. O documento terá peso histórico para a República, para consulta das “gentes do futuro”.

Além disso, servirá como retrato parcial da Presidência de Jair Bolsonaro — o conjunto da obra de destruição do país pelo ex-capitão continua em aberto até 2022. Até porque trata-se de um delinquente em série, que se afirma na reincidência — seja na rejeição continuada e ostentatória da vacina contra a Covid-19, seja no descumprimento metódico de obrigações constitucionais. A forma por ele escolhida para governar não mudará: está assentada no irracionalismo, na idealização do conflito e da violência e no desprezo à livre circulação de ideias. Para quem, até agora, se considera apenas testemunha involuntária da delinquência bolsonarista, vale lembrar o espanhol Zamora: o que fazer para também não sermos considerados monstros no futuro?






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Aposta de Ciro é na inelegibilidade de Bolsonaro, que pode sair ainda este ano no TSE

Há um julgamento no TSE que está deixando Bolsonaro de cabelo em pé e a turma do Ciro cada vez mais alvoroçada levando-o a um comportamento antiLula ainda mais radical.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para confirmar a condenação de um ex-candidato do PT ao Senado, e o julgamento, segundo especialistas, pode servir de precedente para o caso envolvendo o presidente Jair Bolsonaro.
O julgamento do petista Miguel Correa, que disputou uma cadeira no Senado por Minas Gerais, em 2018, estava 5 a zero em favor da inelegibilidade por oito anos e faltam apenas dois votos. Ou seja, é irreversível. Está parado por um daqueles pedidos de vista, mas já volta a julgamento.
Para especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo Estadão, o resultado desse processo deve servir de precedente contra o atual presidente durante o julgamento das Ações de Investigação da Justiça Eleitoral (AIJE) que podem cassar a chapa Bolsonaro/Mourão.  
“No caso do Bolsonaro, estamos falando de disparo em massa com financiamento de pessoas jurídicas do empresariado correndo por fora da campanha. É uma chuva de condutas ilícitas", afirma Ana Carolina Clève, presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral.
Não é possível que os juízes julguem um caso de um jeito e outro de outro sendo que as irregularidades são as mesmas e, no caso da chapa Bolsonaro/Mourão, mais graves e com provas ainda mais robustas.
“Não há como decidir de uma forma em um caso e de forma adversa em outro só porque se trata do presidente da República, ainda mais quando se trata do mesmo ilícito”, diz Clève. “Se a corte acabou de decidir de determinada forma, não há qualquer sentido em mudar de orientação em um espaço tão curto de tempo. Quanto mais recentes, mais provável que esse julgado seja aplicado a um caso futuro. Não é obrigatório, mas, pelo princípio da colegialidade e por questões de segurança jurídica e coerência, é provável que deva repetir.” [Weslley Galzo no Estadão] 
Por isso Ciro anda cada vez mais agressivo em relação a Lula e ao PT, agora atacando até a ex-presidenta Dilma. A inelegibilidade de Bolsonaro é a única chance que tem de chegar ao segundo turno.
 
Como vivemos dentro de um golpe com componente jurídico, pode ser que a informação da cassação já tenha sido passada à equipe de Ciro, daí suas atitudes.
 
Para impedirem a volta de Lula e do PT parece que vale tudo.
 
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'O capitalismo fracassou para 2/3 da humanidade que não têm acesso a uma vida digna' - por Frei Betto


Do escritor e ativista Frei Betto:
O marxismo não é mais útil
 
O papa Bento XVI tem razão: o marxismo não é mais útil. Sim, o marxismo conforme muitos na Igreja Católica o entendem: uma ideologia ateísta, que justificou os crimes de Stalin e as barbaridades da revolução cultural chinesa. Aceitar que o marxismo conforme a ótica de Ratzinger é o mesmo marxismo conforme a ótica de Marx seria como identificar catolicismo com Inquisição. Poder-se-ia dizer hoje: o catolicismo não é mais útil. Porque já não se justifica enviar mulheres tidas como bruxas à fogueira nem torturar suspeitos de heresia. Ora, felizmente o catolicismo não pode ser identificado com a Inquisição, nem com a pedofilia de padres e bispos.
 
Do mesmo modo, o marxismo não se confunde com os marxistas que o utilizaram para disseminar o medo, o terror, e sufocar a liberdade religiosa. Há que voltar a Marx para saber o que é marxismo; assim como há que retornar aos Evangelhos e a Jesus para saber o que é cristianismo, e a Francisco de Assis para saber o que é catolicismo.
 
Ao longo da história,
• em nome das mais belas palavras foram cometidos os mais horrendos crimes.
• Em nome da democracia, os EUA se apoderaram de Porto Rico e da base cubana de Guantánamo.
• Em nome do progresso, países da Europa Ocidental colonizaram povos africanos e deixaram ali um rastro de miséria.
• Em nome da liberdade, a rainha Vitória, do Reino Unido, promoveu na China a devastadora Guerra do Ópio.
• Em nome da paz, a Casa Branca cometeu o mais ousado e genocida ato terrorista de toda a história: as bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki.
• Em nome da liberdade, os EUA implantaram, em quase toda a América Latina, ditaduras sanguinárias ao longo de três décadas (1960-1980).
 
O marxismo é um método de análise da realidade. E, mais do que nunca, útil para se compreender a atual crise do capitalismo. O capitalismo, sim, já não é útil, pois
• promoveu a mais acentuada desigualdade social entre a população do mundo;
• apoderou-se de riquezas naturais de outros povos;
• desenvolveu sua face imperialista e monopolista;
• centrou o equilíbrio do mundo em arsenais nucleares; e
• disseminou a ideologia neoliberal, que reduz o ser humano a mero consumista submisso aos encantos da mercadoria.
 
Hoje, o capitalismo é hegemônico no mundo. E de 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta, 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecem fome crônica. O capitalismo fracassou para 2/3 da humanidade que não têm acesso a uma vida digna.
• Onde o cristianismo e o marxismo falam em solidariedade, o capitalismo introduziu a competição;
• onde o cristianismo e o marxismo falam em cooperação, o capitalismo introduziu a concorrência;
• onde o cristianismo e o marxismo falam em respeito à soberania dos povos, o capitalismo introduziu a globocolonização.
 
A religião não é um método de análise da realidade. O marxismo não é uma religião. A luz que a fé projeta sobre a realidade é, queira ou não o Vaticano, sempre mediatizada por uma ideologia. A ideologia neoliberal, que identifica capitalismo e democracia, hoje impera na consciência de muitos cristãos e os impede de perceber que o capitalismo é intrinsecamente perverso. A Igreja Católica, muitas vezes, é conivente com o capitalismo porque este a cobre de privilégios e lhe franqueia uma liberdade que é negada, pela pobreza, a milhões de seres humanos.
 
Ora, já está provado que o capitalismo não assegura um futuro digno para a humanidade. Bento XVI o admitiu ao afirmar que devemos buscar novos modelos. O marxismo, ao analisar as contradições e insuficiências do capitalismo, nos abre uma porta de esperança a uma sociedade que os católicos, na celebração eucarística, caracterizam como o mundo em que todos haverão de “partilhar os bens da Terra e os frutos do trabalho humano”. A isso Marx chamou de socialismo.
 
O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx lançou, em 2011, um livro intitulado O Capital – um legado a favor da humanidade. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de O Capital, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867. “Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério“, disse o prelado por ocasião do lançamento da obra. “Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século 20″.
 
O autor do novo O Capital, nomeado cardeal por Bento XVI em novembro de 2010, qualifica de “sociais-éticos” os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de “selvagem” e “pecado”, e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política. “As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo“, afirma o arcebispo.
 
O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de “querido homônimo”, falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o autor do Manifesto Comunista se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus.








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