O PAN é da Globo e a seleção brasileira é da Nike

Está hoje em O Globo (o grifo é meu):

[O vice-presidente das Organizações Globo] João Roberto [Marinho] destacou que a TV aberta se transformou também na principal opção de entretenimento, informação e cultura dos brasileiros.

Para mostrar uma campanha de mobilização e de educação das emissoras de TV, e em particular da Rede Globo, ele apresentou o projeto dos jogos do Pan. Contou que o projeto Pan nasceu em 2002, quando as Organizações Globo entenderam que os jogos poderiam ser mais do que um evento esportivo ou uma cobertura jornalística. A primeira visão foi de que sediar os jogos não seria somente um evento para o Rio, mas para todo o Brasil.

Por isso, foi batizado de “Rio 2007 - o Pan do Brasil”.

É como diz o locutor esportivo: Taí o que você queria. É a confirmação de que quem manda no PAN é a Globo. Assim como quem manda na seleção brasileira não é Ricardo Teixeira nem Dunga, é a Nike.

No caso do pedido de dispensa feito por Ronaldinho Gaúcho e Kaká, Dunga chiou, a CBF jogou-os contra a população, ao colocar no site o pedido de dispensa, mas a Nike exigiu a presença dos dois em campo no amistoso contra a seleção inglesa em Wembley, e, voilà, os dois vão jogar – ainda que nenhum dos quatro quisesse.

Ainda hoje: Chávez que se cuide. Está em marcha um golpe de Estado na Venezuela. Ou seria melhor dizer que um golpe está no ar, porque ele é fortemente estimulado por emissoras de TV de várias partes do mundo – Brasil inclusive?

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Gilmar Mendes solta mais um. Agora um assassino confesso

Depois de mandar soltar todo mundo da Operação Navalha, o ministro do STF Gilmar Mendes mandou soltar um criminoso confesso, o cirurgião plástico Farah Jorge Farah.

Farah responde por homicídio triplamente qualificado, destruição, ocultação e vilipêndio a cadáver e fraude processual. O que ele fez? Simplesmente assassinou e esquartejou sua paciente e ex-namorada Maria do Carmo Alves, em 2003.

Como não foi julgado até o momento (o que é outro absurdo, mas certamente provocado por seus advogados), o ministro mandou soltá-lo.

Segundo reportagem do Diário de S.Paulo, o assassino confesso está livre para passear sua impunidade, inclusive no exterior.

De acordo com o advogado [do médico, Marcelo Raffaini], não há qualquer data para o julgamento e Farah poderá viajar ao exterior quando quiser, bastando para isso comunicar à Justiça. O compromisso, explicou, será estar à disposição da Justiça sempre que for chamado.

Além de matar sua ex-amante e paciente há quatro anos, Farah é acusado de abusar sexualmente de outras pacientes. E ainda não teve o registro no CRM cassado. Por enquanto está só suspenso.

Vejam bem: assassinou, esquartejou (os pedaços do corpo foram encontrados dentro de cinco sacos plásticos, no porta-malas de seu carro), confessou e saiu por aí...

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Vote no Cristo Redentor. Ele é uma maravilha


Desde 4 de março este blog está em campanha para eleger o Cristo como uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno.

Entre nessa campanha e vote você também.

Mas, é importante lembrar que não se vota em apenas uma maravilha, mas em sete. Portanto, cuidado. Não basta votar no Cristo, é preciso NÃO VOTAR em nenhuma das que estão entre as top 7. E, de preferência, votar nas que estão lá atrás.

Eis a última relação divulgada pelo site:

TOP 7:

Chichén Itzá, the Colosseum, the Great Wall of China, Machu Picchu, Petra, the Pyramids of Giza, the Taj Mahal. (não votar em nenhuma dessas)

MIDDLE 7:

The Acropolis, the Alhambra, Angkor, the statue of Christ Redeemer, the Eiffel Tower, the Statues of Easter Island, Stonehenge.

BOTTOM 7:

Hagia Sophia, Kiyomizu Temple, the Kremlin and St. Basil’s Cathedral, Neuschwanstein Castle, the Statue of Liberty, Sydney Opera House, Timbuktu. (além do Cristo, votar preferentemente nessas)

Para votar no Cristo, clique aqui.

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De graça, até vírus de computador

Esta parece ser a nova versão do antigo ditado, que dizia “de graça, até injeção na testa”.

De Felipe Zmoginski, do Plantão INFO

Um pesquisador finlandês publicou um anúncio na internet convidando os usuários a infectar seus PCs.

Didier Stevens, especialista em segurança de redes, manteve um anúncio no sistema de adwords do Google com a frase: “Seu computador não tem vírus? Clique aqui e infecte-se”. O caso foi relatado pela F-Secure, que estudou o episódio.

Segundo o programador, o link foi clicado por 409 usuários ao longo dos seis meses que ficou no ar. Ao contrário do que prometia, o link não baixava um vírus na máquina do usuário ou qualquer outro código malicioso.

O anúncio fez parte de um projeto, desenvolvido por Stevens, para mostrar vulnerabilidades na internet e como a publicidade online pode ser uma ameaça a segurança de redes.

Segundo a F-Secure, os usuários que clicaram no link o fizeram por curiosidade, desinformação sobre o que é um vírus ou interpretando a mensagem de forma errada. Para alguns internautas, o link oferecia proteção contra vírus e não o download de um malware.

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'Política de segurança' dos traficantes

Foto do vidro traseiro do Mercedes da mulher do chefe do tráfico na Mangueira.

Foto de vidro traseiro do Mercedes da mulher do chefe do tráfico na Mangueira.

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Aperte o cinto, o piloto saltou


Quem saltou de pára-quedas foi o instrutor Eduardo Nascimento Coelho. O turista americano Kenny Reyee, que foi abandonado na asa-delta, sofreu apenas ferimentos leves.

Mais detalhes da notícia no jornal O Dia.

O flagrante sensacional é da fotógrafa Luiza Reis, que se preparava para saltar e filmou o acidente.

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Por que as Organizações Globo, a Folha, o Estadão, a Veja odeiam Chávez

Tenho insistido aqui na importância de se prestar atenção na tentativa de agendamento (agenda-setting) efetuada pela mídia.

Exemplo típico disso é a forma como todos os jornalões (impressos e TV) chamam o término das transmissões da RCTV na Venezuela. Para eles, Chávez mandou fechar a emissora, porque lhe fazia oposição. Isso é repetido todos os dias, o dia todo, por todos eles.

No entanto, não esclarecem por que diabos Chávez não fez isso logo após ter retomado o poder, de onde fora retirado por pouco tempo, vítima de um golpe de Estado em 2002, insuflado e patrocinado pela mídia venezuelana – RCTV à frente?

A resposta é clara: Simplesmente porque Chávez não mandou fechar a RCTV. Ou, usando o método deles: Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV. Chávez não mandou fechar a RCTV.

Como no Brasil, as emissoras de TV na Venezuela operam sob licença (e esta é a razão de a Globo gritar tanto contra o fim das transmissões da RCTV). São uma concessão pública. Por isso devem obedecer a certas normas. Ao final do prazo da concessão, se tiverem agido conforme as regras, ela é renovada. Caso contrário, não.

E foi o que aconteceu com a RCTV. Ela descumpriu as normas - entre otras cositas, patrocinou o golpe de Estado em 2002 -, por isso não teve a concessão renovada.

Não houve fechamento. O golpe contra Chávez (RCTV à frente) foi há cinco anos. Em respeito à lei, ele aguardou o término do período da concessão para, de acordo com a lei, não renová-lo. Apenas isso.

O que a grande mídia brasileira não engole é que ele tenha tomado lá a medida que poderia ter sido tomada aqui, em outras oportunidades, mas nunca o foi, graças ao famoso jeitinho brasileiro.

Por aqui, parlamentares são donos de emissoras de rádio e TV (o que é proibido por lei), grupos controlam rádio, jornal e TV num mesmo Estado (como a hegemônica Globo no Rio – o que também é proibido), e fica por isso mesmo.

Por isso a grita. Têm medo de que aconteça por aqui o que aconteceu por lá. O que eles temem de Chávez é isto: o exemplo.

Sarney defende liberdade de imprensa. Menos no Amapá

E o ex-presidente Sarney, heim? Aproveitou a grande audiência da TV Senado, antes do pronunciamento do senador Renan Calheiros, e mandou dois recados: um da Globo e outro da Folha. Usou como bombom a defesa da democracia.

No recado da Folha, convidou os presentes para uma missa em memória do publisher do jornalão paulista, intransigente apoiador da ditadura militar (como Sarney, aliás, que foi presidente do partido dos militares).

No recado da Globo (utilizado mais adiante no Jornal Nacional), sentou o malho em Chávez, como mostra a transmissão da rádio Senado:

“No momento em que o governo tem o poder de silenciar qualquer órgão de oposição, a qualquer título, nesse momento eu passo a temer o que seja o conceito nesse país de democracia.”

Só que a liberdade de imprensa defendida pelo ex-presidente tem hora e local para acontecer. No Amapá, durante a última campanha eleitoral, por exemplo, ela apanhou muito da campanha do senador, como denuncio nesta postagem daquela época (agosto de 2006):

Amapá: Uma causa nobre para os "indignados úteis"

Já que o sonho da eleição de Alckmin não vai vingar mesmo (o que este blog afirma há muito tempo, desde março), que tal uma causa nobre para os "indignados úteis" gastarem sua indignação?

Ninguém liga para o Amapá. Nem os institutos de pesquisa vão até lá. Cobrem, no máximo, 25 estados. Sobram sempre dois, e o Amapá é um deles. Pois é no Amapá que o senador José Sarney (PMDB) montou um novo feudo (o antigo, no Maranhão, está retratado aqui). E, lá, busca a reeleição. O principal aliado do ex-presidente no estado é o Judiciário. Tudo o que Sarney pede é atendido sem demora. Os jornais, rádios e blogs do Amapá vivem censurados, com matérias retiradas do ar e multas distribuídas aos montes. A rádio Equatorial, além de multa de R$ 70 mil, já esteve fora do ar por três vezes, durante 48 horas cada. Parece que está fora do ar agora, novamente. O jornal Folha do Amapá é censurado sistematicamente há semanas, com suas principais matérias sendo retiradas do ar, por ordem da Justiça.

E depois, ao final de seu pronunciamento, o senador Sarney ainda bateu no peito, dizendo que sempre respeitou a liberdade de imprensa, quando presidente.

Ora, qualquer um que viveu aquela época - ou que veio a estudá-la - sabe que Sarney não apitava nada. Era uma rainha da Inglaterra de bigodes. Gozou da imensa popularidade do início do Plano Cruzado e saiu do governo debaixo de vaia, com uma inflação de 80%, sem ter culpa de uma coisa ou de outra.

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Patético fim da RCTV



Últimos segundos no ar da emissora que promoveu um golpe de Estado na Venezuela. E perdeu.

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Manchete ambígua de O Globo: 'Juízes propõem prioridade para casos de corrupção'

reprodução da capa do jornal O Globo com a manchete

O "olho" também não deixa por menos: "Entidade sugere criar varas especializadas em crimes contra patrimônio público"

É verdade. Mas é preciso cuidado, porque alguns juízes já foram até presos por isso.

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Sexo, crimes e Vaticano (Sex crimes and the Vatican): um documentário da BBC

Não deixe de ver este documentário de quase 40 minutos exibido pela BBC em 1° de outubro de 2006. É devastador. Conta histórias de padres pedófilos (inclusive um brasileiro) e do acobertamento dos crimes feito pela Igreja Católica Apostólica Romana, com um documento – chamado Crimen Sollicitationis - assinado pelo então cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, ameaçando com excomunhão quem denunciasse os padres criminosos.

A BBC já retirou o vídeo do Youtube. A qualquer momento pode fazer o mesmo com este link do Google postado aqui. Na página da BBC que comenta o vídeo, há um link para ele, mas não estava funcionando, nas vezes em que tentei assisti-lo.

Portanto, se este link do Google cair também, por favor, avise-me pelo e-mail aí ao lado, para que eu possa providenciar um caminho alternativo – que, preventivamente, deixei de stand by.




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Péssimo o perfil de saúde dos executivos



Se é essa a situação dos executivos, não é difícil imaginar a dos executados por eles...

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Serra e a crise na USP

É incrível como José Serra, que foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1964, perdeu completamente o jeito de lidar com estudantes.

O que teria o ex-presidente da UNE a falar com o atual governador? Provavelmente nada.

Serra deixa crescer a seus pés uma crise que o ex-presidente da UNE resolveria em algumas horas de conversa.

Com essa crise, que a cada dia se agrava, Serra pode estar colocando a pá de cal em suas pretensões de um dia chegar à Presidência. Como alguém que se mostra despreparado para resolver uma questão simples, como essa da USP, conseguiria se manter à frente do país, onde os problemas são incomensuravelmente mais complexos?

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Maconha não faz mal, o que faz mal é fumá-la

Pelo menos é o que afirma um estudo, publicado domingo numa matéria do Portal Terra:

Vaporizar folhas da cannabis ao invés de queimá-las pode liberar os ingredientes eficazes da droga de forma mais efetiva, mostrou um estudo piloto realizado na Universidade da Califórnia. Segundo o trabalho, essa forma de consumo evita as toxinas prejudiciais da maconha inaladas por meio do fumo. O resultado pode beneficiar o uso medicinal da droga.

Segundo a revista Nature, o pesquisador Donald Abrams e sua equipe decidiram investigar os benefícios do "Vulcão", um vaporizador comercialmente disponível nos EUA. O aparelho esquenta as folhas de maconha a uma temperatura que fica entre 180ºC e 200ºC sem que aconteça combustão. Esse processo libera o THC (tetrahydrocannabinol), o princípio ativo da maconha, em forma de óleo na superfície das folhas.

Estudos anteriores mostraram que as toxinas maléficas liberadas quando a maconha é queimada, como o monóxido de carbono e substâncias cancerígenas, não são produzidas por esses aparelhos. O estudo de Abrams foi o primeiro a comparar em humanos os efeitos do ato de fumar e de vaporizar a cannabis. "A vaporização é capaz de entregar de forma mais rápida o THC no fluxo sanguíneo", disse.

A maconha é utilizada principalmente para aliviar as dores de pacientes de esclerose múltipla e no tratamento do glaucoma, além de estimular o apetite em pacientes com aids e diminuir as náuseas para pessoas em processo quimioterápico. No entanto, segundo os médicos, fumar não é um bom método de fornecimento da droga por causa dos seus efeitos maléficos - ela pode causar câncer de pulmão e doenças do coração.

Quem não estiver acreditando, basta ir ao site da Nature e pagar para ler o estudo na íntegra. Muito embora eu acredite que boa parte de meus leitores esteja mais interessada é no tal “Vulcão”, o vaporizador utilizado no experimento.

Como o Blog do Mello também é serviço, fiz a pesquisa pra vocês. O produto chama-se Volcano, e este é o site de seu fabricante. Se desejar comprá-lo na internet, é só ir a este endereço. Custa 398 euros. Ou seja: o barato sai caro.

Se está em dúvida, veja este pequeno tutorial sobre como utilizar o Volcano, retirado da página do fabricante.



1. Se coloca el material vegetal triturado en la cámara de relleno.

2. El globo se infla con los vapores de los aromas y de los principios activos.


3. El sistema "clic" del VOLCANO: simplemente se introduce la boquilla o la cámara de relleno en la válvula ¡y listo!

4. Gracias a la válvula del globo es posible inhalar cómodamente los vapores.

Para terminar, não custa lembrar: Maconha e desvio de dinheiro público continuam proibidos no Brasil.

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Tommy, The Who

Em 23 de maio de 1969, foi lançada a ópera-rock Tommy, do The Who. Aqui uma apresentação deles no Festival de Ilha de Wight, naquele ano.

Sei que boa parte dos que me lêem – talvez a maior parte – nem havia nascido em 1969. Mas, sinto muito informar-lhes, meninos e meninas, o mundo já existia antes de vocês nascerem.



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O que é agenda-setting?

Do Palanque do Blackão:

O verbete da Wikipedia (em inglês) começa com a seguinte citação dos autores Shaw & McCombs, de 1977:

“Pode estar aqui o efeito mais importante da comunicação de massa: sua habilidade de ordenar e organizar o ‘nosso mundo’ para nós. Em suma, a mídia de massa pode até não obter sucesso em nos contar o que pensar, mas ela é incrivelmente bem-sucedida em nos contar sobre o que pensar.”

Os meios de comunicação de massa seguem uma agenda de temas que eles e seus mantenedores consideram interessantes. A maneira de contar importa muito, pois o que e como ser mostrado e sobretudo o que ser omitido sobre um determinado tema são determinantes na maneira do consumidor-interagente dessa informação pensar.

Poderíamos dizer que o MST serve talvez o melhor churrasco do mundo e de graça para os visitantes dos assentamentos. Que há escolas que ensinam o trabalho agrícola, que reforçam a história e que eles trabalham sempre cooperativados. Os lucros são irmamente repartidos entre todos sem exceção. E eles têm uma noção de lucro, despesa e investimento absurda, mesmo quem não tem 2° grau. Ninguém pode ficar sem comida nunca.

Mas duvido que 90% dos leitores deste blog de esquerda sequer imaginem que o movimento seja tão organizado assim.

Hoje tem Milan e Liverpool, na final da Liga dos Campeões da UEFA

Hoje tem um jogão. Três e meia da tarde, direto da Grécia, a final da Liga dos Campeões da Uefa, entre Milan e Liverpool. O jogo repete a sensacional final de dois anos atrás, na Turquia.

Para quem não se recorda, em 2005, o Milan meteu três a zero no primeiro tempo. Na saída de campo para o intervalo do jogo, seus jogadores já se abraçavam e comemoravam o título.

Começa o segundo tempo. O Milan recua para garantir o resultado e descansar para a comemoração. O Liverpool faz um gol. O Milan segue garantindo o resultado. Três a um dá e sobra. Mas o Liverpool mete o segundo. Aí é que o Milan recua mais ainda. Leva o terceiro. A disputa vai para os pênaltis. O Milan perde três, e o Liverpool é campeão. E hoje?

No vídeo abaixo, um resumo daquela histórica final, que serve como aquecimento para a de hoje. A Rede Record transmite ao vivo.

Quem não puder assistir – o que é meu caso – resta o consolo do VT. Ou então tentar o Joost. Não sabe o que é o Joost? Clique aqui. Se quiser convite, escreva pra mim, que envio.



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Operação Navalha: Eles emendam o orçamento, mas não se emendam

É verdade que os indícios que apontam para o recebimento de propina pelo ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, são muito fortes. Mas eles são apenas isso, indícios. Não há nas fitas – pelo menos as divulgadas até o momento – uma única palavra comprometedora do próprio ministro. Só de assessores.

No entanto, é muito forte a pressão para que ele renuncie e o assunto saia imediatamente das páginas principais dos jornais e das cabeças dos principais telejornais.

Nem uma CPI, cuja instalação é solicitada a cada operação da PF, é cogitada. Pelo contrário, todos acham que uma CPI agora seria muito “desgastante” para a imagem do Congresso.

A verdade é que eles emendam o orçamento, mas não se emendam.

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Estréia da Gautama no Maranhão foi no governo Roseana Sarney

Do Jornal Pequeno, do Maranhão:

TCU suspendeu contrato feito com a Gautama em 2000

O relacionamento do governo do Maranhão com a Gautama, acusada pela Polícia Federal de pagar propinas a autoridades e a funcionários públicos para obter obras públicas, começou no governo de Roseana Sarney (PMDB), em 2000.

A Gautama e a construtora OAS, ambas baianas, foram contratadas para duplicar a adutora Italuis, que abastece de água a capital, São Luís. O contrato, de cerca de R$ 300 milhões, está suspenso por determinação do TCU (Tribunal de Contas da União), que identificou várias irregularidades - de falta de licenciamento ambiental a indícios de superfaturamento de preços.

O relacionamento da Gautama com o Maranhão estreitou-se no governo José Reinaldo Tavares (2003-2006), que foi vice de Roseana e elegeu-se governador apoiado pela família Sarney. Em 2004, Tavares rompeu com o clã Sarney.

Segundo o líder da oposição na Assembléia Legislativa do Estado, Ricardo Murad (PMDB), cunhado de Roseana, além de contratar a Gautama para construir pontes onde havia estradas vicinais construídas, Tavares escolheu a empresa para pavimentar trechos da BR-402, cujo contrato também estaria sob investigação. O atual governador do Estado, Jackson Lago (PDT), é igualmente acusado pelo grupo político da família Sarney de ter beneficiado a empreiteira.

Roseana afirmou, por meio de sua assessoria, que durante suas duas gestões (1995-2002) havia uma comissão de licitação responsável pelas concorrências e, ainda, que suas contas foram aprovadas. A Folha tentou, sem sucesso, obter explicações do governo.

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Chavez, RCTV e a liberdade de expressão

No próximo domingo, ao que tudo indica, Chavez fechará mesmo a emissora de TV venezuelana RCTV, que não teve sua licença renovada. O fechamento da RCTV, que é a Globo da Venezuela, está provocando uma grita em vários países, inclusive no Brasil, e sendo considerado um atentado à liberdade de imprensa.

Mas, é isso mesmo? Que tal ouvir o outro lado da questão?

Ouça este pequeno e divertido spot radiofônico, criado pelo locutor de rádio peruano Ignacio López Vigil, ao mesmo tempo criticando a RCTV e explicando a medida de Chavez. A dica é do Blog do Okrim Al Qasal, direto da Venezuela.








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Mais sobre agenda-setting

Retirado de um texto de Fernando Antônio Azevedo, que pode ser lido na íntegra clicando aqui.

A noção de agenda-setting, formulada a partir dos trabalhos publicados nos anos 70 por McCombs e Shaw (1972 e 1993), revigorou com novos argumentos a idéia do efeito de agendamento da mídia ao mesmo tempo em que procurou estabelecer modelos de pesquisa capazes de gerar dados e evidências desse efeito pelo confronto entre a agenda da mídia e a agenda do público. Basicamente, a idéia-força desse grupo de pesquisadores é que (1) a mídia ao cobrir determinados assuntos e ignorar outros e ao usar determinados enquadramentos constrói uma representação da realidade; (2) a mídia não influencia necessariamente o comportamento do indivíduo sobre um assunto ou questão, mas delimita o conjunto de temas sobre os quais o indivíduo deve pensar e ter uma opinião; (3) a mídia, ao hierarquizar os temas, estabelece prioridades temáticas tanto para os jornalistas quanto para o consumidor de informações e o eleitor. Deste modo, a hipótese da agenda-setting não só revitalizou a crença original sobre a influência da mídia, estabelecida pioneiramente por Lippmann (1997), em 1922, como repercutiu notavelmente no campo de estudos sobre as campanhas políticas à medida que um dos corolários de seus pressupostos é a de que tanto os partidos quanto os candidatos procuram compatibilizar a agenda da campanha com a agenda da mídia e a do público.

Em resumo, há um consenso razoavelmente estabelecido entre diferentes autores e tradições teóricas sobre a influência da mídia (positiva/negativa, variando em grau e intensidade dependendo da perspectiva analítica) na configuração (tematização, agenda, etc.) do campo político (esfera pública, opinião pública, etc.) e, por extensão, dos embates eleitorais. O reconhecimento do poder de agenda da mídia certamente autoriza e legitima a exigência normativa de uma imprensa independente (definida restritivamente, para os propósitos desse artigo, como uma imprensa desvinculada dos interesses partidários e eleitorais, mas certamente também dos grupos de interesses econômicos) capaz de potencialmente informar com a maior objetividade possível o leitor. Este é o ponto central que esse texto pretende se ocupar tendo como referência empírica o pleito municipal de 2000 em São Paulo: a cobertura eleitoral da grande imprensa paulista está mais próxima ou mais distante do princípio normativo de uma imprensa apartidária e independente? Uma resposta à questão, no atual estágio da literatura brasileira sobre o tema, demanda a produção de evidência empíricas que possam ser sustentadas teoricamente e que contribua para a montagem de um quadro regional comparativo do comportamento da mídia diante do processo eleitoral.

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Agenda-setting. A grande mídia não quer informar, mas enformar

Há algum tempo tenho lançado algumas provocações, a partir dos antibanners, que hoje radicalizo (mas, calma, é por pouco tempo a poluição visual. Ela é necessária). O objetivo é denunciar e mudar o rumo da pauta imposta pela grande mídia.

Os temas para isso são: agenda-setting e espiral do silêncio. Vou a algumas postagens sobre eles. Quem quiser colaborar, seja bem-vindo.

Tudo isso em função de uma idéia que me veio à cabeça, e que estou pensando em chamar de Correspondentes de Guerra. São pessoas de várias partes do Brasil, mas especialmente dos estados do Sul, e também de São Paulo, que me enviam links, materiais, comentários diários, via e-mail, e que não querem, pelos mais variados motivos, ter seus nomes divulgados. Curiosamente, todos são homens.

Também curiosamente, há três “correspondentes de guerra” que estão no exterior, e todas são mulheres: uma está nos EUA, a outra em Londres e a terceira, em Barcelona.

Com este blog, que tem como lema “direto do Rio, remando contra a maré”, têm em comum um olhar diverso e crítico em relação à pauta diária da grande mídia.

Mas antes de entrar com eles, vamos falar de agenda-setting. Tema que tem tudo a ver com o que penso da grande mídia: eles não querem informar, mas enformar.

Leiam esta postagem da turma de Jornalismo da Faculdade do Minho, Portugal:

Sobre a teoria do agenda-setting: dois textos de apoio

Duas leituras que ajudam a reflectir sobre os pressupostos da teoria:

O Mundo Lá Fora e as Imagens nas Nossas Mentes

"Há uma ilha no meio do oceano onde, em 1914, habitavam alguns ingleses, franceses e alemães. Não existia qualquer cabo de comunicações que chegasse a esse sítio e o barco-correio a vapor britânico aportava ali apenas de 60 em 60 dias. Em Setembro desse ano ainda não tinha vindo e os habitantes continuavam a conversar entre si acerca do último jornal que tinham recebido, que abordava a aproximação do julgamento de Madame Caillaux por ter abatido a tiro Gaston Calmette. Era, assim, com uma grande e especial sede de notícias, que a colónia se juntou no cais, num dia de meados de Setembro para saber do capitão qual tinha sido a sentença. Aquilo que vieram, porém a saber foi que há mais de seis semanas os que ali estavam que eram ingleses e os que eram franceses tinham entrado em guerra contra os alemães, por causa dos tratados que tinham assinado. Durante seis estranhas semanas tinham agido como se fossem amigos, quando de facto eram inimigos.
Mas a sua desventura não era, afinal, muito diversa da maior parte da população da Europa. Enquanto que o seu erro tinha sido de seis semanas, no continente o intervalo havia sido de seis dias ou seis horas. (...) Houve um momento em que o retrato da Europa segundo o qual as pessoas continuaram a levar a sua vida como era costume não tinha correspondência com aquilo que iria provocar uma reviravolta nas suas vidas. Tinha havido um tempo para cada homem em que ele se ajustava a um meio-ambiente que já não existia. Em todo o mundo, e até ao dia 25 de Julho anterior, as pessoas tinham andado a produzir mercadorias que não seriam capazes de vender, a comprar bens que não conseguiriam importar, a planear trajectórias e empreendimentos, a alimentar esperanças e expectativas - todos na convicção de que o mundo conhecido era o mundo real. (...) Quatro anos depois aconteceu algo de semelhante, quando foi assinado o armistício. Até ele ser sido conhecido e tornado efectivo, muitos milhares de jovens morreram ainda no campo de batalha, actuando como se a guerra se mantivesse efectiva. (...)
Olhando retrospectivamente, podemos constatar quão indirectamente conhecemos o meio no qual, contudo, habitamos. Podemos ver que as notícias que dele temos nos chegam ora rápida ora lentamente: porém, aquilo que acreditamos ser o verdadeiro retrato da situação é tomado como a própria situação".

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Frei contesta Papa e afirma que ‘índios sofriam tratamento cruel e viviam em horrível servidão’

Em sua passagem pelo Brasil, o Papa disse que não houve violência na evangelização das Américas, que não teria sido realizada à força.

Não é o que diz o frei Antonio de Montesinos, segundo documento a que tive acesso e está publicado na Pontificia Universidad Católica Argentina. O documento é de 1511 (é isso mesmo, de quase 500 anos), e, nele, o frei conta outra história, bastante diversa da contada pelo Papa.

Num domingo, na hora de pregar o evangelho, disse frei Antonio de Montesinos, num texto que havia escrito, chamado Ego vox clamantis in deserto:

"Esta voz, dijo él, que todos estáis en pecado mortal y en él vivís y morís, por la crueldad y tiranía que usáis con estas inocentes gentes. Decid, ¿con qué derecho y con qué justicia tenéis en tan cruel y horrible servidumbre a estos indios? ¿Con qué autoridad habéis hecho tan detestables guerras a estas gentes que estaban en sus tierras mansas y pacíficas, donde tan infinitas de ellas, con muertes y estragos nunca oídos, habéis consumido? ¿Cómo los tenéis tan opresos y fatigados, sin darles de comer ni curarlos en sus enfermedades, que de los excesivos trabajos que les dais incurren y se os mueren, y por mejor decir, los matáis, por sacar y adquirir oro cada día? ¿Y qué cuidado tenéis de quien los doctrine, y conozcan a su Dios y creador, sean bautizados, oigan misa, guarden las fiestas y domingos? ¿Estos, no son hombres? ¿No tienen almas racionales? ¿No estáis obligados a amarlos como a vosotros mismos? ¿Esto no entendéis? ¿Esto no sentís? ¿Cómo estáis en tanta profundidad de sueño tan letárgico dormidos? Tened por cierto, que en el estado [en] que estáis no os podéis más salvar que los moros o turcos que carecen y no quieren la fe de Jesucristo"

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César Maia lança Educação por Osmose no Rio

Muita gente vive dizendo que pego no pé do ex-prefeito do Rio, ainda no exercício do cargo, César Maia. Mas certamente são críticas de quem não mora no Rio. Porque o ex-prefeito ou bem não governa ou, quando o faz, a emenda sai pior que o soneto.

Como agora. Num impulso febril de trabalhar, César resolveu que durante os nove anos do ensino fundamental, a criança não precisa mais se preocupar em estudar para passar de ano. Basta comparecer à aula que a aprovação é automática. É a educação por osmose.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) discorda do ex-prefeito, ainda no exercício do cargo, e ontem promoveu uma passeata, em Copacabana, contra a resolução.

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Estréia o Audioblog do Mello: PFL vira DEM (Deixem Enterrar os Moribundos)


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Temporão colocou aborto na ordem do dia

Não adiantou "a mãe" (pelo menos disseram que foi ela) do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pedir a ele para que parasse de falar na necessidade de se discutir a questão do aborto. O assunto ganhou definitivamente as ruas e até o ultraconservador jornal O Globo deu primeira página ao tema em sua edição deste domingo: "Abortos ilegais internaram no SUS 1,2 milhão em 5 anos".

Já fiz uma postagem aqui sobre o assunto e agora publico novamente esta, original do Blog do Mello - Letras:

Broto - uma história de adolescentes

A enfermeira falou Não pode comer nada. Nem o café da manhã? O café pode. Mas, depois, nada.

E assim estava Ciça. Só o café da manhã e um frio doido no estômago. Três horas da tarde e a gente indo ao médico fazer o aborto.

Chegando lá, os dois nervosos, a porta abrindo faz blim-blim. Entramos. Na sala, umas cinco mulheres, só uma com o namorado. A recepcionista pergunta o nome. Ciça diz Maria Cecília.

A recepcionista diz Pode aguardar um momentinho, o doutor já vai atender.

Uma tremenda tensão. Eu e Ciça nos sentamos. Parece haver um pacto no ar: ninguém se olha. Observo que nenhuma daquelas mulheres ali tem cara de mãe. Mesmo as que acompanham. Parecem tias. Amigas da mãe, que fazem um favor e acompanham a ex-futura-mamãe, ou melhor, a futura ex-mamãe.

Pra distrair, a sala tem várias cumbucas de cristal, todas cheinhas até a boca de bombons. Penso em encher a bolsa de Ciça com eles (ela adora chocolates). Mas acho melhor não. Não quero sair com nada dali.

Ciça me abraça com força. O coração da gente cabe numa casca de arroz. No entanto, como todas as outras pessoas ali (menos a recepcionista a todo instante no telefone) não falamos nada.

A enfermeira chamou Solange. E uma menina se levantou. Devia ter quinze. Talvez dezesseis, como Ciça. Ela estava sozinha, se levantou e foi com a enfermeira por uma outra porta.

A porta de entrada fez blim-blim e entrou uma nova menina na sala. Os olhos dela muito vermelhos, de quem havia chorado muito. O namorado, ao lado, segurava os ombros dela como se fossem bolhas de sabão. Pela cara, ela devia ter quinze anos, no máximo.

E logo chegou mais gente. E mais gente se foi. De vez em quando alguém chorava. Mas baixo. Como eu disse, havia um pacto.

Pensei comigo Se aqui, no Leblon, zona sul do Rio, consultório particular, o clima é esse...

A enfermeira falou Maria Cecília. A mão dela apertou a minha, com força.

Nós entramos.

A enfermeira falou Por aqui, apontando uma porta no fundo do corredor.

E chegamos ao consultório. O médico, sentado, sorriu.

Pensei que fosse fazer propaganda do escudo invisível de Signal. Ou do novo Omo que deixa o branco ainda mais branco. Quase.

Só delicadezas, mandou que a gente se sentasse, ficasse à vontade. Como se isso fosse possível.

Olhei a cara dele.

Então ele falou que a gente não devia se preocupar, que o método dele era eficientíssimo.

Manjei a pinta. Se não fosse médico, vendia carnê do Baú do Sílvio Santos.

E fez a comparação. Existe o método moderno (o dele) e o da raspagem (dos outros), "antigo e ultrapassado". A raspagem, ainda segundo ele, era um método perigoso, podia haver perfuração do útero - e Ciça ouvindo aquilo tudo, mordendo os lábios.

A diferença entre o método dele e o da raspagem ele explicou assim: é a mesma que existe entre se tirar a sujeira do tapete com uma vassoura ou um aspirador de pó.

Tive vontade de dizer que a diferença não estava no aspirador nem na vassoura, mas naquilo que ele chamava de sujeira. Falei só que o que eu queria era que tudo corresse bem.

Ele disse pra eu ficar calmo e pra Ciça ir ao banheiro - que ele apontou com a mão branca, de dedos curtos - pra ela ir ao banheiro, tirar toda a roupa e pôr o camisolão branco que estava lá.

Ciça saiu, um beijinho rápido em mim, e a mão molhadinha de suor - ela que tinha medo até de dentista.

Olhei pra cara do médico e ele disse Não se preocupe, não demora. E saiu.

A sala dele era fria, um ar condicionado forte.

Fiquei ali naquele silêncio, um tempo que parecia interminável.

Até que a enfermeira, que até aquele momento havia sido absolutamente gentil e tranqüila, surgiu, nervosíssima, falando Já acabou, venha comigo, ela está lá fora.

Sigo nervoso, em direção à porta que ela me aponta. No corredor do prédio vejo minha Ciça, encostada na parede, meio curvada, chorando desesperadamente, resmungando Nosso neném, Nosso neném! Eu a abraço.

A enfermeira diz Tem que fazer ela parar de chorar e gritar assim, isso aqui é um prédio! E fecha a porta.

Ficamos nós dois no corredor. A enfermeira quer silêncio. Penso no médico, em seu método moderno para eliminar sujeira de tapete. E percebo que, agora, o que esperam de nós é que tenhamos bom senso, não toquemos no assunto. Devemos fazer silêncio e varrer a sujeira pra baixo do tapete.

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Imprensa brasileira ignora mensaleiros colombianos

Enviada por um leitor do blog:

A mídia brasileira comprometida com os interesses dos grupos econômicos dominantes nos EUA acaba de perder um "herói".

A Justiça Federal da Colômbia, prova dia a dia que Álvaro Uribe, "queridinho" da Folha, da Globo, do Estadão e da VEJA, está comprometido até a medula com os esquadrões da morte e com o narcotráfico.

E uma gravação em vídeo prova que as reuniões entre os governadores, deputados e o vice-presidente, para acertar detalhes do "mensalão" que todos recebiam diretamente nos seus cartões de crédito de pessoa física eram feitas na sede do mais antigo e maior jornal do país (lá deles ).

Os governadores Serra e Aécio, que estiveram na Colômbia em março deste ano, colhendo subsídios sobre "como acabar com a criminalidade no Brasil" , junto com o Governador Sérgio Cabral, deveriam ser convidados a dar sua opinião sobre o que estão achando disso tudo.

Afinal, gastaram dinheiro dos contribuintes dos seus Estados levando festiva comitiva de jornalistas para ir "beber da sabedoria e da tecnologia de repressão ao crime do país que reduziu a criminalidade".

Falta agora é um jornalista sério no Brasil ter vergonha na cara e fazer essa pergunta ao Serra por exemplo.

Que tal, enquanto ele aponta o fuzil na cara dos fotógrafos como fez dias atrás, em uma inauguração?

Ou então, ao Aécio, quando promove alguma dessas suas noitadas nas boates do Rio de Janeiro, entre um e outro negócio com dinheiro da CEMIG.

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Presidente do Bird cuida da imagem. Ou não?

Paul Wolfowitz anunciou esta semana sua renúncia ao cargo de presidente do Bird. Os aumentos que ele autorizara para sua namorada – também funcionária do Bird – provocaram protestos tão veementes, que sua situação ficou insustentável.

Oferecer vantagens à namorada em detrimento dos demais funcionários do Banco parece coisa de quem não cuida da própria imagem. Parece desleixo.

Mas Wolfowitz, ao contrário, tem muita preocupação com a própria imagem, como mostra este vídeo postado no Youtube por Michael Moore. O vídeo também pode ser visto na página do cineasta.

Aproveitei a dica de um leitor do blog, que me passou a informação, e fiz a montagem abaixo, a partir do vídeo de Moore:



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PAN do Rio: Crônica de um escândalo anunciado (2)

Há dois meses fiz esta postagem aqui no blog:

PAN do Rio: Crônica de um escândalo anunciado

Os 13 leitores deste blog (é comum cronistas citarem o número 17, mas eu prefiro o 13) sabem do meu amor pela minha cidade. Por isso, estou muito satisfeito que o PAN aconteça aqui este ano. Mais uma vez o Rio vai mostrar a todos os que o visitarem por que é conhecido como Cidade Maravilhosa. Não apenas por sua paisagem esplendorosa mas também pela paisagem humana, pela maneira carinhosa com que os cariocas de todos os lugares do planeta recebem os que nos visitam.

Mas debaixo da organização desse PAN há um cheiro estranho que anuncia que aí vêm as cinco letras que fedem. Tudo está sendo feito às pressas, sem licitação (por falta de tempo, alegam), mas até a estátua de Carlos Drummond de Andrade na praia de Copacabana sabe que o PAN do Rio está anunciado há muitos anos. Por que deixaram tudo para a última hora?

Uma pista para a resposta: o custo dos preparativos já chegou a R$ 3,5 bilhões. Isso é cinco vezes mais do que estava no projeto original. E, para os esquecidinhos, recordo que esse projeto contemplava a despoluição da Baía de Guanabara e a extensão do metrô. Nada disso foi feito. Eram apenas cerejas do bolo para a aprovação do projeto. Ainda assim ele está cinco vezes mais caro.

Ontem, o jornal O Globo levantou o caso da Ticketronics, empresa que vai vender os ingressos para o PAN. Um de seus sócios é dirigente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o que torna a escolha, no mínimo, suspeita. Mas há suspeitas maiores, um zunzunzum nos bastidores de que figura ainda mais graúda é sócia de uma agência que cuida de tudo relativo ao PAN.

Por que a grande imprensa, que tem equipe e dinheiro para fazer uma investigação aprofundada, solta pequenas pílulas aqui e ali e deixa a grana rolar solta? Será que é por que boa parte dela será transformada em anúncios?

Agora, o TCU avança mais um pouco nas denúncias. Relatório aprovado ontem aponta indícios de irregularidades de todos os tipos e vindas de todos os lados. No entanto, o ministro Marcos Vilaça, relator do caso, afirmou, segundo O Globo:
- Se entrarmos fortemente nesse assunto, teremos que impedir a realização dos jogos. Isso nenhum brasileiro quer, nem seria patriótico. Os impasses continuam: convênios sucessivos, acordos ao sabor da urgência, não necessariamente no caminho da legalidade.

Pois é contando com nosso patriotismo e com nosso desejo de que os jogos se realizem que os espertalhões de sempre estão roubando como nunca, com a certeza de que ninguém terá coragem de mandar parar a bandalheira.

Depois do PAN é que vai começar a grita, especialmente da grande imprensa, que - podem anotar - vai gerar manchetes e mais manchetes sobre as falcatruas e os escândalos ocorridos no PAN.

Mas já será tarde demais. A grana desviada já estará passeando no exterior e - o mais importante para a grande imprensa - as verbas de publicidade já terão engordado seu caixa. No conjunto conluio e mamata os ladrões do dinheiro público e a grande imprensa vão ganhar medalha de ouro.

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Decisão de juiz do caso Roberto Carlos põe em risco a liberdade de expressão e o direito à informação

Não sei como não está havendo uma grita geral. Estranho o silêncio – ou, ao menos, a cobertura tão parcimoniosa – da grande imprensa sobre o caso em que o cantor Roberto Carlos proibiu a distribuição e determinou o confisco de um livro com material jornalístico sobre sua vida.

O livro conta em detalhes – como diz o título – a vida do cantor – em grande parte já de conhecimento público.

Estranhíssima é a sentença do juiz, sua argumentação ao proferi-la e a ameaça que ela traz à liberdade de expressão e ao direito à informação. Leiam trecho da sentença. O destaque em negrito é meu.

...”o art. 20, caput, do Código Civil/02, é claro ao afirmar que a publicação de obra concernente a fatos da intimidade da pessoa deve ser precedida da sua autorização, podendo, na sua falta, ser proibida se tiver idoneidade para causar prejuízo à sua honra, boa fama ou respeitabilidade. Registre-se, nesse ponto, não se desconhecer a existência de princípio constitucional afirmando ser livre a expressão da atividade intelectual e artística, independentemente de censura ou licença (inciso IX do mesmo art. 5º). Todavia, entrecruzados estes princípios, há de prevalecer o primeiro, isto é, aquele que tutela os direitos da personalidade, que garante à pessoa a sua inviolabilidade moral e de sua imagem.”...

O juiz deixa de lado, sem cerimônia, um princípio constitucional, e opta por um artigo do código civil.

Levada ao pé da letra, a decisão do juiz pode fazer com que uma pessoa (Paulo Maluf, por exemplo) entre com uma ação preventiva proibindo a divulgação de qualquer fato sobre sua vida, sem prévia autorização. Seria o fim do jornalismo.

E a grande mídia caladinha.

Ah, se a decisão fosse do presidente Lula...

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Clarice Lispector no Museu da Língua Portuguesa

Quem mora em São Paulo, ou qualquer um que tenha a oportunidade de estar em São Paulo por esses dias, não pode deixar de ir ao Museu da Língua Portuguesa para a exposição sobre Clarice Lispector. Tenho falado dela aqui, desde antes da inauguração. Colocado banners (hoje há mais um). Quem já assistiu, diz que é imperdível.

Como Zuenir Ventura, que fala assim sobre a exposição, em sua crônica de hoje no Globo:
Em SP, talvez para não se ver a cidade, há muita coisa para se ver. No Rio, o que há de sobra para ver é a paisagem.

Dos trabalhos atuais de Daniela, todos com a colaboração do marido, Felipe Tassara, o de maior fôlego é sem dúvida "Clarice Lispector - a hora da estrela", com curadoria de Julia Peregrino e Ferreira Gullar. São sete espaços em que textos e fotos expressivamente iluminados resumem os mistérios, a solidão, os enigmas da autora de "Perto do coração selvagem". Como ela diz, "Não se perde por não entender", "a explicação do enigma é a repetição do enigma", "sou um mistério para mim".

O espaço mais popular é o das duas mil gavetas, das quais apenas 60 podem ser abertas e onde as pessoas se divertem vendo manuscritos, cartas, documentos, carteiras. A primeira sala, de ambientação intimista, é a que eu prefiro - a que tem uma das mais dramáticas fotos de Clarice, com aquele olhar melancólico e angustiado.

Ela está segurando o cigarro com a mão que quase ficou inutilizada ao se queimar gravemente quando ela dormiu fumando.

Através da foto se lê: "Amo a língua portuguesa. Eu até queria não ter aprendido outras línguas..." Pois é no embate com a língua que adotou que essa ucraniana-brasileira tentava dizer o indizível ou, como prefere Gullar, "não dizer o dizível".

A gente sai da exposição querendo entender mais um dos muitos mistérios que envolvem Clarice. Como uma escritora tida como hermética, inacessível, introspectiva é capaz de tanto sucesso de público? Há quase um mês, filas se formam para admirar um pouco de sua vida e obra.
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Presidente Lula e a guerra no Complexo do Alemão

Foto de Domingos Peixoto, publicada na página 2 de O Globo de 16/5/2007.<br />

Enquanto policial repõe grade de ferro retirada por traficantes, grafite ironiza o presidente, fazendo um jogo com as palavras Alemão e Complexo, ora referindo-se ao vencedor do último BBB, ora a um Alemão muito mais complexo, o Complexo do Alemão, que reúne várias favelas no Rio, onde vem sendo travada uma verdadeira batalha entre policiais e traficantes há duas semanas.

A presença do policial na foto (de Domingos Peixoto, publicada em O Globo de hoje) acrescenta mais um Alemão ao enredo, já que Alemão é também o outro, aquele que não pertence ao grupo, o adversário.

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Barrichelo, piloto do Papamóvel

Tá certo, o Papa já foi embora, mas só recebi essa sugestão agora. Explica-se: o Rubinho tá sempre atrasado.
O motorista ideal para o Papamóvel seria o Rubens Barrichelo.
Finalmente ele poderia andar na frente do alemão, dirigindo devagar e com os brasileiros aplaudindo...

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Cida Diogo, Clodovil e dois milhões de votos paulistas

Vamos combinar: essa história da deputada Cida Diogo (PT-RJ) com o também deputado Clodovil (PTC-SP) já deu o que tinha que dar. Mas eles não parecem pensar assim.

Segundo a Folha, ela pretende entrar na Justiça contra o estilista, que teria afirmado “que [Cida Diogo] não servia nem para prostituta, por ser uma mulher feia”.

A deputada – se pensa assim – que o faça, mas pare com esse assunto, pois só lança mais luz sofre a ofensa e o ofensor.

Quem está gostando dessa história são os eleitores de Clodovil. Certamente estão contentes com o voto que deram, pois o deputado está cumprindo à risca a missão que lhe confiaram: esculhambar ainda mais a Câmara dos Deputados.

Clodovil é parte do pacote que o eleitorado paulista enviou para a Câmara. O mais votado em São Paulo foi Paulo Maluf, com 740 mil votos. O segundo foi Celso Russomano, 573 mil votos. Clodovil, o terceiro, com 493 mil.

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Todas as ditaduras são abjetas - A morte de Stuart Angel

Num 14 de maio, há 36 anos, foi assassinado Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel.

Há os que, no Brasil, afirmam que nossa ditadura foi mais light, comparada a outras do período.

Para mostrar que todas as ditaduras são igualmente asquerosas, indefensáveis e absolutamente abjetas, basta ver como Alex Polari de Alverga, preso político na época, narrou o que aconteceu a Stuart na Base Aérea do Galeão:
“Na noite de 14 de maio, fui torturado ao lado de Stuart. Num dado momento retiraram o capuz que usava e pude vê-lo sendo espancado depois de sair do pau-de-arara. À tarde, tinha ouvido um alvoroço no pátio. Havia barulho de carros, acelerações, gritos e uma tosse constante de engasgo, que sucedia às acelerações. Consegui olhar pela janela da cela, que ficava a uns dois metros do chão, e me deparei com uma cena difícil de esquecer: junto a torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semi-esfolada, era arrastado amarrado a uma viatura e obrigado, com a boca quase colada ao cano de descarga, a aspirar gases tóxicos. Essa era a causa da tosse.”

O corpo de Stuart nunca foi encontrado. Há informações de que teria sido atirado ao mar na Restinga de Marambaia.

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Visita do Papa: O que você não viu na TV

A multidão de quase um milhão de pessoas não deu as caras. Essa era a expectativa inicial. No entanto, apenas 150 mil foram ao santuário de Aparecida para a missa papal. Na festa da Padroeira, em 12 de outubro, foram 180 mil. É o que informa reportagem de Elvira Lobato e Daniela Tófoli na Folha de S. Paulo de hoje.
A missa campal celebrada pelo papa em frente ao Santuário Nacional de Aparecida reuniu ontem 150 mil pessoas. A previsão inicial da igreja era de até 600 mil fiéis. A Rádio Vaticano chegou a falar em 1 milhão, em um texto distribuído à imprensa estrangeira em Roma. A multidão não apareceu.
O major José Mateus Ribeiro, coordenador do esquema de segurança da visita, atribuiu a baixa presença de público a três fatores: ser Dia das Mães, a intensa agenda cumprida pelo papa em São Paulo e a cobertura ao vivo pela TV.
Segundo o major, a previsão inicial já havia sido reduzida para 350 mil durante a semana, em razão da baixa procura por hotéis na cidade. Anteontem, a projeção foi novamente revista, para 230 mil. O número final ficou aquém até da freqüência de fiéis registrada no fim de semana de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, no ano passado: 180 mil.
O movimento na via Dutra, de 500 carros por hora, foi metade do fluxo normal no fim de semana. Sobraram até cadeiras -cerca de 200 ficaram vazias- no espaço reservado a autoridades e religiosos em frente ao altar. O esquema de segurança e de atendimento ao público foi gigantesco: 240 profissionais de saúde e 3.000 homens -do Exército, do Corpo de Bombeiros e das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal- foram mobilizados.
Os comerciantes no shopping dos romeiros reclamavam do baixo movimento. O mesmo acontecia em hotéis e restaurantes da cidade.
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O Globo: Pais respondem a secretário-geral da CNBB

Ficar ou não ficar

Somos pais de adolescentes cujo "ficar" comum entre os jovens foi deturpado pela declaração do sr. secretário-geral da CNBB, a quem queremos dirigir as seguintes perguntas: os meninos que ficam não são garotos de programa? Só as meninas? E os padres pedófilos, onde estão presos? Ou como representantes de Deus estão isentos de punição?
JORGE FRANCO DE MOURA
(por e-mail, 11/5), Nova Friburgo, RJ

Fiquei indignada com as declarações do sr. secretário-geral da CNBB. Por que a alusão somente às meninas? E os meninos? Chega de achincalhe. Nós, mulheres, ocupamos com muita luta o nosso espaço. Se o senhor não sabe, atualmente mais de 50% dos lares são sustentados por mulheres; nas universidades e em tantos outros setores de maior
ou menor intelectualidade, a maioria é de mulheres. E 95% dos presídios são ocupados por homens. Mais respeito.
PRISCILA PEREIRA DE ALMEIDA
(por e-mail, 10/5), Rio

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O problema de Temporão é tempo

- O grau de ineficiência dos hospitais públicos na administração direta é dramático. É dinheiro jogado no ralo, é ineficiência, é funcionário que não aparece para trabalhar, falta de manutenção de equipamento que dá prejuízo enorme ao Estado. É preciso profissionalizar essa gestão - afirmou o ministro durante encontro no Conselho Nacional de Saúde.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pegou pesado nas críticas que fez a sua área, publicadas no jornal O Globo. Em defesa do Programa Saúde da Família, sobrou para os médicos:

- Os médicos da equipe da saúde da família continuam com aquela concepção de ficarem sentados em seus consultórios, pronto-socorros, esperando a sociedade ir até eles. Ele é que tem que ir ao encontro da sociedade, que tem que ir na casa das pessoas. Esse é um desafio grande - afirmou.

O que o ministro está falando casa com o sentimento da população. Só que...ele é ministro, e as medidas que anuncia na reportagem vão demorar a entrar em cena – se o fizerem.

Temporão diz que uma proposta de legislação será levada ao Congresso, “em algumas semanas”. Por que não na semana que vem – ele não explica.

O Congresso é lento, se o ministro for devagar assim, periga chegar ao final do mandato com as mesmas críticas, os mesmos problemas e nenhuma solução.

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Debate sobre o aborto

Eu me recordo de uma crônica do Veríssimo. Há muito tempo. Ele ainda escrevia na revista Domingo, do antigo Jornal do Brasil.

Numa reunião com sua equipe, o ministro da Economia (era a época da ditadura) ouve de um de seus assistentes uma proposta para melhorar a distribuição de renda. Ele sugeria a eliminação pura e simples de 10% da população. O czar da economia (era, certamente, o Delfim Neto) ficou horrorizado com a proposta. Em seguida, assinou um decreto que, na prática, causou a morte de 10% da população.

Essa lembrança me veio à cabeça por causa da atual discussão sobre o aborto. O tema, que foi corajosamente lançado na mídia nacional pelo atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é tratado por boa parte dos ditos defensores da vida com o mesmo horror que se apossou do czar da crônica do Veríssimo ao ouvir a insólita proposta de seu auxiliar.

Não está em discussão a utilização do aborto como medida de planejamento familiar. O que se quer é tratar de um problema real, concreto dos milhares de meninas e mulheres que farão o aborto, quer ele seja crime, quer não. O que se quer debater é o direito das mulheres a seu próprio corpo.

Para encurtar: sou a favor da informação, da distribuição de preservativos e pílulas anticoncepcionais. E também a favor do aborto assistido, quando for uma decisão definitiva da mulher. Ela, antes, passaria por atendimentos médico, social e psicológico – aos quais, em geral, não têm acesso. Se continuasse com sua decisão, seria respeitada.

Aliás, quer saber? Independentemente da minha ou da sua opinião, o aborto será feito. É um caso de se tentar preservar ao menos a vida da mulher.

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Entrevista de Temporão à Folha de S. Paulo

FOLHA - O diretor da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Mark Smith, igualou o Brasil à junta militar da Tailândia. O que o sr. achou da declaração?
JOSÉ GOMES TEMPORÃO
- Foi uma declaração grosseira e descabida, revelando inclusive uma profunda ignorância em relação a todo o processo no qual se deu o licenciamento compulsório. Caberia a ele a pergunta: qual mistério faz com que se venda esse produto 60% mais barato a um país governado por uma junta militar e 60% mais caro para uma democracia robusta como é a do Brasil?

FOLHA - Ele também alega que o governo não deveria ter interrompido as negociações.
TEMPORÃO
- Isso é uma inverdade. Na realidade, a empresa demonstrou nunca querer negociar com o governo brasileiro. Em sete reuniões, o único desconto oferecido foi de 2%. Depois que publiquei a portaria de interesse público para o licenciamento compulsório, aí sim, houve a proposta de 30%. O ministério considerou insatisfatória e respondeu que não tínhamos mais interesse em sentar para conversar, mas que aguardávamos uma resposta séria e consistente dentro do prazo.

FOLHA - O laboratório achou que o governo estava blefando?
TEMPORÃO
- O Brasil mudou. O governo é sério, coloca o interesse público e a saúde acima de qualquer questão. Se o laboratório fez essa avaliação, errou grosseiramente. Por parte da Merck houve sempre intransigência, pouca seriedade e pouco profissionalismo. Inclusive houve um problema de falta de qualidade dos executivos brasileiros da Merck, que nunca levaram a sério nossa proposta e nunca nos trataram com a seriedade que o Brasil merece.

FOLHA - Os investimentos serão afugentados?
TEMPORÃO
- Todos os nossos dados mostram o contrário. O mercado brasileiro está entre os dez maiores no mundo, movimenta US$ 10 bilhões por ano e está em crescimento.

FOLHA - O Brasil quer investimentos, mas não exploração?
TEMPORÃO
- Exatamente. Queremos regras justas, preços justos e uma relação transparente.

FOLHA - E o efeito negativo em investimentos em pesquisa?
TEMPORÃO
- Tenho dados demolidores. A Merck usa 20% de seu faturamento mundial em pesquisa e desenvolvimento, quase US$ 5 bilhões por ano. No Brasil gasta apenas 0,7%.

FOLHA - A Câmara de Comércio também disse que o Brasil pode sair do Sistema Geral de Preferências, um programa de benefícios fiscais [pelo qual o país exporta US$ 3,5 bilhões aos EUA].
TEMPORÃO
- Isso é uma visão específica desse senhor, ele não fala em nome do governo americano. Não há indicação longínqua de que isso possa acontecer. Há uma tentativa de desqualificar e aproximar a decisão do governo brasileiro à pirataria e à quebra de patente. A decisão do Brasil está totalmente dentro da legalidade. São argumentos altamente ideologizados, uma postura política de retaliação.

FOLHA - A Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) disse que o genérico da Índia não tem qualidade e pode encurtar a sobrevida de pacientes de Aids em até dois anos.
TEMPORÃO
- É mentira. Temos documentos da Organização Mundial da Saúde que garantem a qualidade dos genéricos. É mais uma declaração irresponsável que cria um clima de insegurança para os pacientes.

FOLHA - Alguma chance de voltar à mesa com a Merck?
TEMPORÃO
- Por enquanto, silêncio total. Já estamos fazendo o processo de compra dos genéricos.

O ministro da Saúde José Gomes Temporão está dando um show em seus primeiros dias de governo. Trazendo para dentro do ministério assuntos quentes e polêmicos, como a descriminalização do aborto e agora, na prática, quebrando a patente do principal remédio do coquetel ainti-HIV. É voz discordante num governo em geral conciliador.

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Sarkozy, o novo presidente da França



A eleição francesa está decidida em favor de Nicolas Sarkozy. Ele deve vencer com boa folga a socialista e charmosa Ségolène Royal, para tristeza de todos nós que gostamos do socialismo e das mulheres.

Desde segunda-feira, quando vi no Blog do Gadelha a pesquisa telefônica que repito acima, percebi que era praticamente impossível que Ségolène conseguisse uma virada na reta final da campanha, mesmo com um debate entre os dois no meio do caminho.

A pesquisa daquela oportunidade, na minha avaliação, era catastrófica para Ségolène.

Responda, sinceramente, em quem você votaria: num candidato sólido, com um projeto de verdade para seu país, coerente e com capacidade de unir; ou numa candidata simpática e mais perto de suas preocupações (embora neste último quesito, Ségolène tenha apenas um ponto de diferença sobre Sarkozy: 44 a 43)?

De lá para cá, a distância que separa Sarkozy de Ségolène só cresceu. E deverá crescer ainda mais até amanhã, porque os indecisos geralmente escolhem os prováveis vencedores para despejar suas indecisões.

Simpatia não é bom nem para ganhar concurso de miss. A simpática geralmente fica com um prêmio de consolação. Ainda mais num país com uma população racional e em geral mal humorada.

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Acidente do Boeing da Gol: Americanos e grande mídia acham que somos os culpados







Estão querendo empurrar a culpa pelo acidente que envolveu o jato Legacy da empresa americana ExcelAire e um Boeing da Gol para as costas dos controladores de vôo brasileiros. O motivo é um só: o pagamento das milionárias indenizações às famílias das 154 vítimas do acidente – todas passageiros e tripulantes do Boeing da Gol.

No entanto, todos os laudos vão confirmando aquilo que já se sabe desde o início. O jatinho Legacy, pilotado pelos americanos Lepore e Paladino, voava desde São José dos Campos com destino a Manaus. O transponder (equipamento que transmite informações precisas sobre avião e vôo) funcionava normalmente. Até que, exatamente quando sobrevoava Brasília, o transponder pára de funcionar. A comunicação entre os americanos e o centro de controle de vôos, que estava em pleno funcionamento, também é misteriosamente interrompida. E isso acontece no instante em que os americanos não cumprem uma determinação do plano de vôo, a de mudança de altitude na entrada em Brasília. Vem o acidente e, milagrosamente, transponder e comunicação voltam a funcionar.

Não há relato de que algo semelhante tenha acontecido a qualquer outra aeronave que sobrevoava nosso espaço aéreo naquele instante. Portanto, o foco das investigações deve ser: por que transponder e comunicação não funcionaram durante aquele período, se estavam OK antes de Brasília e assim voltaram a ficar após o acidente? Falha do equipamento ou falha dos pilotos?

Foram realizados testes nos equipamentos. Eles estavam funcionando perfeitamente. Logo, o problema aconteceu com os pilotos americanos. E é para livrar a cara deles que vêm sendo expelidos documentos e aconselhamentos por diferentes órgãos americanos, de tempos em tempos.

A novidade da hora vem de um relatório do Conselho Nacional de Segurança dos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês). Segundo o NTSB, o transponder, embora em perfeito estado (sic), não estava funcionando no momento do acidente porque estava em standby (quem o colocou em standby?...). Segue dizendo que este aviso estava escrito no painel da aeronave, mas os pilotos não perceberam (distraídos, não?). Então, sugere que um aviso sonoro ou equivalente passe a acompanhar o aviso visual.

Receitam, como se isso fosse uma falha do transponder do Legacy (não custa lembrar que o jatinho é fabricado pela Embraer). Só que o alerta unicamente visual é padrão em todos os aviões do mundo. Portanto, os pilotos sabem que têm de ficar de olho no monitor. Durante o intervalo de uma hora entre a perda de contato e o acidente, eles tiveram bastante tempo para olhar o monitor, mas não o fizeram.

Logo, concluem americanos, pilotos e seus advogados, os controladores do Brasil teriam de se comunicar com eles para avisá-los:

- Ei, acorda, se liga, o transponder está desligado!

Mas, como, se também não havia comunicação via rádio entre o jatinho e o Cindacta? Já li duas versões sobre o fato: uma diz que o rádio estava no volume mínimo (quem o teria diminuído?). A outra, que ele estava sendo operado em freqüências erradas (mais uma vez, quem?).

De qualquer maneira, querem nos fazer crer (e nossa bela mídia faz um grande esforço para que eles o consigam) que o problema aconteceu por causa dos nossos controladores, que não são nenhuma Brastemp, e por culpa de nosso sistema de controle aéreo (nós um país de botocudos e tupiniquins). Dão a entender que é um problema nosso, que se fosse nos Estados Unidos o acidente não aconteceria.

No entanto (e sobre isso a nossa grande mídia não dá uma palavra), nem um mês após o acidente aqui no Brasil, um aviãozinho deu um passeio por Nova Iorque e resolveu “estacionar” no meio de um prédio. Os controladores e o controle de vôo da maior potência do mundo (ainda por cima vivendo a paranóia do 11 de setembro) bateram cabeça, como mostra a reportagem da CNN acima.

Portanto, não me venham com essa. Tirem a mão do meu bolso, porque o que eles querem é que a culpa recaia sobre nosso controle do vôo, para que todos nós, brasileiros, tenhamos que pagar agora com dinheiro (das indenizações) o que antes já pagamos com as 154 vidas de brasileiros, que morreram simplesmente porque os americanos não leram o aviso no painel que afirmava que o transponder estava em standby.

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70 anos sem Noel Rosa. 'Onde está a Honestidade?'

Hoje faz 70 anos que Noel Rosa morreu. Tinha apenas 26 anos de idade. Você pode saber de muita coisa sobre Noel clicando aqui e indo para o site do Uol.

Prefiro homenageá-lo com uma de suas músicas. Várias são simplesmente antológicas. Mas, como este é um blog que nasceu num dia 1° de abril, o Dia da Mentira, e por isso trata da política e dos políticos, escolhi esta, “Onde está a Honestidade”, cantada pelo próprio Noel.

O samba é de 1930. A gravação é de 1933, e está no acervo do Instituto Moreira Salles, onde há também mais gravações de Noel e de outros grandes compositores.





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STF e o Estatuto do Desarmamento: Pra quem pode pagar bons advogados, tudo. Pra quem não pode, a lei

O que vocês acharam da decisão do STF de derrubar os três artigos do Estatuto do Desarmamento que tornavam inafiançável o porte ilegal de armas e o disparo em via pública ou local habitado?

A turma do bang-bang adorou. Aqueles que acham que o problema brasileiro pode ser resolvido a bala, também.

Não dá pra entender. Desde que o Estatuto foi adotado o número de homicídios diminuiu. Então, pra que mexer? Enquanto no bolero são dois pra lá, dois pra cá, no Brasil é um pra frente e dois ou três pra trás.

Com a decisão do STF, o infrator não fica mais preso, se tiver dinheiro para a fiança e para o advogado. Aguarda o processo em liberdade até a última instância – que pode ser o próprio STF.

Ou seja, quem tiver dinheiro, vai poder passear com sua Glock e até dar uns tirinhos por aí. É só soltar a grana.

Por que não instituem logo uma lei no Brasil dizendo que tudo é permitido, desde que se possam pagar bons advogados?

Pensando bem, ela já existe na prática.

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60º Festival de Cannes exibirá 'Limite', de Mário Peixoto

Fragmentos 1, 2, 3 e 4 do filme Limite, de Mário Peixoto, de 1931, que será exibido no 60º Festival de Cannes, que começa agora no dia 16. Limite foi um dos três filmes escolhidos para serem exibidos na seção Cannes Classics e na inauguração da World Cinema Foundation, criada pelo diretor americano Martin Scorsese com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração de filmes antigos.









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Brasil e Venezuela: a grande imprensa na berlinda

Recebi a indicação deste vídeo do Ivo Pugnaloni. Como aqui no Brasil a grande imprensa só se refere à não continuidade da concessão da RCTV como um atentado à democracia, é sempre bom dar uma olhada no outro lado da questão.

Seu autor, que se identifica como Okrim Al Qasal, tem um blog, onde também é possível assistir a outros de seus vídeos.




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Corner e Palfrey: Confissões das cafetinas misturam sexo, chantagem e política

Depois de ficar conhecida na CPI dos Correios como a “cafetina Jeany”, Jeany Mary Corner viu seu negócio – que ela chama de “entretenimento de luxo de Brasília” – rolar ladeira abaixo. Como esse tipo de negócio só costuma florescer à sombra, a senhora Corner, em reportagem de O Globo, lamenta que tenha sido jogada para escanteio:

— Meu negócio precisava de discrição. Depois que fui para os holofotes, todo mundo fugiu. Os amigos do passado, que me ligavam de madrugada, sumiram. As pessoas têm medo de meu telefone estar grampeado.

Contraditoriamente, Corner diz que estuda propostas para lançar um livro contando tudo.

Já nos Estados Unidos, uma colega de profissão de Jeany Corner, Deborah Jeane Palfrey, entregou os nomes de seus distintos clientes à Rede de Televisão ABC, que promete uma entrevista explosiva com ela nesta próxima sexta-feira.

Essa revelação já causou a primeira vítima: Randall Tobias, diretor da Agência Estadounidense para o Desenvolvimento Internacional (USAID) pediu demissão do cargo alegando razões pessoais. Tobias trabalhava em programas para ajudar a combater a Aids na África e pregava a abstinência sexual e o combate à prostituição como duas das mais importantes armas para enfrentar o mal.

Mas bastou Palfrey entregar a lista à Rede ABC para ele entregar o pedido de demissão e explicar-se à imprensa:

"As garotas vinham a meu andar apenas para me dar massagens. Não teve sexo", disse.

Palfrey vive num lugar muito coincidentemente chamado Escondido, na Califórnia, e é acusada de comandar uma casa com mais de 100 prostitutas de luxo para servir aos políticos de Washington, o que lhe teria rendido dois milhões de dólares.

Enquanto a americana joga no ventilador aquilo que os atores se desejam antes dos espetáculos, a brasileira até o momento parece respeitar as regras da profissão. Corner diz que nunca trabalhou com prostitutas, mas com recepcionistas de luxo.

Vamos ver qual será o primeiro político brasileiro a dizer que a menina foi até seu quarto apenas para recepcioná-lo. Sem sexo.

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